sábado, 31 de maio de 2008

FJP #2 - Sexteto Mário Barreiros


Depois da homenagem a Lisboa, aqui fica outra muito especial à cidade do Porto.
Um tema lindíssimo da autoria de Pedro Guedes, extraído do álbum Dedadas do Sexteto de Mário Barreiros, denominado FJP #2 (um nome estranho que significa tão-somente Festival de Jazz do Porto 2). As fotos são da autoria de Luzikz.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Rose - Ferenc Snétberger & Markus Stockhausen



Um dos mais belos temas do álbum Streams, num video composto por quinze fotos inspiradas, da cidade de Lisboa e da autoria de Lorin Niculae.

Sem Ressentimentos


Ferenc Snétberger & Markus Stockhausen
Streams
Enja 2007
14,5/20

Ferenc Snétberger é um guitarrista húngaro nascido em 1957, filho mais novo numa família de músicos de origem cigana (o pai era também guitarrista). Após um início de maior apetência pela música cigana (com Django Reinhardt como modelo) mas também pelos ritmos brasileiros e do flamenco, ingressou no Conservatório Béla Bartók em Budapeste, onde aprendeu primeiro guitarra clássica e mais tarde guitarra-jazz. Vive há vários anos na Alemanha. Em 1995 compôs um concerto para guitarra e orquestra denominado ”Em Memória do Meu Povo”, por ocasião do 50º aniversário do fim do holocausto nazi, inspirado nas suas raízes ciganas, como um monumento ao sofrimento humano, já tocado por orquestras de câmara da Hungria, Itália, Alemanha e de Nova Iorque (na sede das Nações Unidas em 2007 por ocasião do International Holocaust Memorial Day). Recebeu várias distinções pelo Estado Húngaro, nomeadamente a Ordem de Mérito em 2003 e o Liszt Ferenc Prize em 2005.
Markus Stockhausen nasceu igualmente em 1957 e numa família de músicos, mas em Colónia, na Alemanha. É filho do compositor Karlheinz Stockhausen, um dos maiores e mais influentes ícones musicais da segunda metade do século XX. Estudou no Cologne Musikhochschule, tendo colaborado durante 25 anos com o pai (que escreveu várias peças para ele). Tão à-vontade no jazz como na música clássica e contemporânea, tem um percurso ligado ao jazz que remonta já a 1974, tendo desde então colaborado com músicos tão distintos e diversos quanto Rainer Brüninghaus, Enrique Diaz, o irmão Simon Stockhausen, Arild Andersen, Patrice Héral, Antoine Hervé ou a sua companheira, a clarinetista holandesa Tara Bouman.
A colaboração entre ambos iniciou-se em 1999 com um dueto, denominado “Landscapes” incluído no álbum de Snétberger “For My People”. Posteriormente tocaram juntos no memorável projecto “Joyosa” (com Arild Andersen e Patrice Héral) em 2004.
Este “Streams” é um disco melódico e nostálgico, em dueto de guitarra e trompete (ocasionalmente fliscórnio), de um lirismo quase latino (de que Rose será porventura o melhor exemplo, mas também o pequeno mas muito belo Suche, segue a mesma linha). Por vezes esse lirismo é compensado por uma construção complexa e multifacetada, conseguindo o duo, através da diversidade estrutural, estender o seu trabalho a campos mais contemporâneos e improvisados, como em Változatok ou em Obsession. Tal resultado é fruto da original metodologia aplicada pelos músicos: a gravação de uma pura jam session, de hora e meia de duração, onde dão largas à capacidade improvisadora de cada um e exploram os caminhos abertos pela colaboração. Depois da análise cuidada do trabalho realizado, escolheram os melhores momentos dessa reunião e desenvolveram-nos em composições mais cuidadas das quais resultou a gravação final. Desta forma asseguraram o carácter essencialmente inovador e experimental deste disco, não prescindindo contudo de uma linha melódica e conceptual bem patente no resultado final. Como alguém referiu, Streams, apesar de todas as suas influências e tempos, é um projecto de busca incessante da melodia, em todas as suas formas possíveis, resultando assim num trabalho atraente e apelativo do princípio até ao fim. Como num disco da ECM, nele não é possível vislumbrar sinais de raiva, violência ou agressão, não há ressentimentos, apenas beleza impressionista, numa procura estética da clareza de execução.
Não obstante as influências são muitas e distintas. Se é possível encontrar traços de lirismo latino nos já mencionados temas, também há influências orientais na litania “Ear to Ear”, bizantinas em “Hangolás”, do blues em “Strawberry Jam” ou do flamenco em “Toni's Zirkus”, quase sempre com resultados positivos. Onde a colaboração menos resulta, por se tornar mais fria e conceptual, é na abordagem de um universo mais abstracto e experimental em Xenos…
Em suma, uma obra escrita e gravada apenas com guitarra acústica e trompete mostra-se, à partida, um desafio temerário porquanto o carácter minimalista do duo, apesar das reconhecidas capacidades dos seus intérpretes, poderia comprometer seriamente o resultado final, pelo menos em termos de apelatividade e agradabilidade ao ouvinte. Snétberger e Stockhausen ultrapassaram com distinção essa dificuldade, assinando um disco belo e acessível.
Não obstante, não posso deixar de referir que gostei bem mais de os ouvir num ambiente de refinada composição polifónica, como foi o projecto Joyosa…

08001 (com Carlos Lopéz) - Vorágine



Carlos López é um músico multifacetado. Além deste quarteto que se apresentou em Portugal mantém e participa noutros projectos musicais como o Organic Collective e este 08001, grupo de fusão catalão que junta o flamenco e a música do Magreb às influências jazz e techno. Este tema foi extraído do 2º disco do grupo denominado Vorágine e editado pela K Industria em 2007.

Maratona Electrofunkyfriky


Carlos López Quarteto
Hot Club de Portugal
30 de Maio de 2008, 23.00h
***,5

O baterista galego Carlos López nasceu na Coruña em 1979, frequentou a escola de músicos da Coruña, o Taller de Músics da Universitat Politècnica de Catalunya, em Barcelona, e o Real Conservatorio del Liceo de Barcelona, foi bolseiro do Drummers Collective em Nova Iorque, e durante dois anos, do Berklee College of Music em Bóston, frequentou workshops com Horacio “El Negro”, David Xirgú, Peter Erskine, Alex Acuña, Billy Martin, Shawn Pelton, Bob Tamaggi, Stanton Moore, Salvador Niebla, Don Famularo e Akira Jimbo, Marc Miralta e Aldo Cabiglia, Juan Flores (cajón flamenco), Tapán Bhattacharya (tablas indianas), Frank Padilla e Álvaro Garcia. Pelo que, apesar dos seus jovens 29 anos de idade, não admira o enorme virtuosismo que exibiu nesta actuação no HCP.
Ele foi aliás, e sem menosprezar os excelentes músicos que o acompanharam, a estrela da noite, liderando com mestria a formação, mostrando um invejável vigor na abordagem do seu instrumento o qual, sem surpreender, comandou a apresentação através de um conjunto de temas manifestamente compostos (o reportório consistiu exclusivamente em originais do grupo ao qual juntaram um tema dos Radiohead) a partir da bateria e com esta no evidente comando das operações.
Vigoroso, entusiástico mesmo, criativo e contagiante é assim o comportamento de López na bateria. Perante estes predicados resta aos outros membros da banda segui-lo, dificilmente conseguindo rivalizar na entrega e superior capacidade técnica…
Voro Garcia no trompete esteve, no entanto, bem. Embora excessivamente entregue aos efeitos especiais (tentação a que poucos trompetistas, sobretudo os mais jovens, vão escapando) mostrou talento e expressividade, embora num contexto algo “eléctrico” e moderadamente funky que não privilegiaram, nitidamente, a sua actuação. Deixou excelentes referências mas também claras indicações que tem capacidades para mais.
O português Óscar da Graça ocupou-se dos teclados. Com formação pelo Conservatório de Aveiro à qual juntou uma passagem pela escola do Hot e uma bolsa para o Berklee (onde conheceu López) é, indiscutivelmente, um músico de amplos recursos. No entanto revelou uma predilecção pela síntese que, na minha opinião, não abonam a música que produz. Síntese instrumental pois a maioria dos seus contributos foram construídos a partir do sintetizador e do laptop. Mas também síntese frásica evidenciada nos poucos solos acústicos que produziu: Óscar da Graça foi um pianista conciso. Talvez fruto do ambiente groove que povoa este trabalho do quarteto, no entanto, essa concisão não lhe permitiu brilhar como pianista, senão, eventualmente, como produtor… Outro músico que deixou a convicção de que poderia ter rendido mais.
Carlos Sánchez (que substituiu o anteriormente programado Kin Garcia, em contrabaixo) veio tornar o som do quarteto mais funky pela adição do baixo eléctrico em substituição do contrabaixo. Teve presença mais discreta, se bem que competente. Entendeu-se bem com Carlos Lopéz numa secção rítmica que foi claramente comandada pela bateria, ainda por cima com ajudas frequentes do sampler de Óscar da Graça, pelo que não teve uma noite muito complicada. Ainda assim nota positiva para a sua participação.
Numa noite com pouco público, o Hot teve uma apresentação a puxar para o pézinho de dança, com este quarteto galaico-luso-espanhol. Este novo trabalho vai ser objecto de gravação do segundo disco de originais do quarteto já no dia 3 de Junho, em Barcelona.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Antonio Serrano




A complementar as notas sobre o disco Armonitango de Antonio Serrano, aqui ficam dois exemplos da sua versatilidade como músico, tocando flamenco integrado no conjunto de Paco de Lucia, ao vivo no North Sea Jazz Festival (Roterdão) e tango-jazz juntamente com o Trio de Federico Lechner.

Armonitango


Antonio Serrano
Armonitango
Limón Records 2007
16,5/20

Antonio Serrano é reconhecido como um dos grandes músicos de jazz espanhóis (apesar dos seus ainda jovens 34 anos). Foi o pai quem lhe ensinou a tocar harmónica, logo aos 7 anos de idade. Complementou a aprendizagem musical nos Conservatórios de Madrid e Alicante com estudos de piano, violino, percussão, solfejo, harmonia, história da música e da arte, canto coral e estética. Começa muito jovem a destacar-se e a vencer concursos internacionais de harmónica, até ser chamado por Larry Adler para tocar em Paris, num concerto organizado pelas Nações Unidas, ao lado de músicos como Lorin Maazel, Salvatore Accardo, Barbara Hendricks ou Placido Domingo. Nessa vertente clássica da sua carreira tocou com as Orquestras Sinfónicas de Heidelberg, Kiel, Colónia, Istambul, Bélgica, Europeia, da TVE, de Granada, de Sevilla, de Las Palmas, tendo gravado com várias delas.
Mas o bichinho do jazz mordeu-lhe, ao ouvir gravações de Louis Armstrong e de Toots Thielemans, tendo iniciado, primeiro com Félix Santos e depois como auto-didacta, a abordagem ao jazz. Tocou já com os principais músicos espanhóis do género: Perico Sambeat, Chano Domínguez, Jorge Pardo, Carles Benavent, entre muitos outros, quer em espectáculos quer participando na gravação de inúmeros discos. Abordou também o universo flamenco com colaborações memoráveis com Paco de Lucia, Vicente Amigo, Diego Amador ("El Churri"), Juan Cortés, entre outros e bem assim com artistas reputados de outros géneros musicais como Pedro Guerra, Joaquín Sabina, Ana Belén, Presuntos Implicados, etc. Colaborou também nas bandas sonoras dos filmes "Carne Trémula" de Pedro Almodóvar, "Mamá es Boba" de Santiago Lorenzo, "Impulsos" de Miguel Alcantud, e "Tiempos de Azúcar" de Juan Luis Iborra.
Entre nós tocou já com o Trio de André Sarbib, com quem realizou uma série de concertos e gravou um disco, “Jazz Evening” que contou ainda com a participação de Paulo de Carvalho.
Apesar deste extenso reportório de colaborações este é apenas o seu segundo disco como líder, depois de "En el Central", gravado ao vivo no Café Central de Madrid com o Trio de Joshua Edelman.
Este trabalho, gravado e produzido por Javier Limón para a sua editora, é uma homenagem sentida a Astor Piazzola, cheia de ritmo, cor, melodia e emoção. Conta com a participação de muitos e reputados convidados como Jose Reinoso, ao piano (responsável pelos arranjos), Javier Colina e Yelsy Heredia, no contrabaixo, Jerry Gonzalez e Raynald Colom, no trompete, Jorge Pardo, na flauta, Horacio “El Negro” Hernandez, na percussão, Niño Josele e Paco Espinosa, na guitarra, Alain Perez, na viola baixo e o mestre Toots Thielemans que realiza alguns duetos de harmónica com António Serrano.
Trata-se de um obra extremamente consistente e homogénea, apesar da diversidade das influências e dos ensembles criados (que vão desde o simples dueto com o piano, como em Medley ou Años de Soledad, até complexas polifonias com três solistas e ampla secção rítmica, como em Adiós Nonino, Contrabajeando ou Libertango). Ao nuevo tango de Piazzola juntou Serrano as bulerías, fandangos, rumbas e tarantas do flamenco e bem assim os ritmos cubanos bem integrados por Horácio “El Negro” Hernandez. Construiu até uma balada blues, em Decarisismo, que permitiu a Jerry Gonzalez brilhar no trompete (antes já Raynald Colom o tinha feito em Contrabajeando).
Sendo ambos instrumentos de palheta livre, e portanto familiares próximos, não surpreende que a harmónica de Serrano soe perfeitamente integrada no universo musical de Piazzolla, fazendo, com toda a propriedade, a vez do ausente bandoneón. As maiores notas de originalidade vão assim para a percussão, flamenca e cubana, que imprimem uma nova personalidade aos tangos do mestre argentino, bem complementada pelos solistas, sobretudo pelos dois trompetes, pela guitarra de Niño Josele e pela flauta de Jorge Pardo, para além, obviamente, das harmónicas de Serrano e Thielemans.
O resultado é um disco nostálgico, evocativo do tango e de Piazzolla, num contexto mais amplo da latinidade musical, superiormente interpretado pelo grande músico que é António Serrano e brilhantemente acompanhado por muitos dos melhores intérpretes do jazz latino, oriundos do Espanha, de Cuba, de Porto Rico ou… da Bélgica.

Esta Semana na Fábrica Braço de Prata



4ª-feira, 28 de Maio

21.30h Sala Nietzsche
RECITAL : “O CRAVO E A ROSA”
Original releitura do cravista ANTONIO CARLOS de clássicos de Pixinguinha, Cartola, Milton Nascimento, entre outros.
PROGRAMA - A Dança dos Espíritos Abençoados, C. W. Gluck, Prelúdio n° 1 vol. I - J.S.Bach(O Cravo bem temperado), Santa Maria Rosa das Rosas, Afonso X, Quem sabe?!, Carlos Gomes, As Rosas não falam, Cartola, Rosa, Pixinguinha, Zangou-se o cravo com a rosa, Heitor Villa-Lobos, Bachiana Brasileira nº 5 (Arioso), Trenzinho do Caipira, Ó abre alas, Chiquinha Gonzaga, Ciranda da Rosa Vermelha, Alceu Valença, Tanto Mar, Chico Buarque, Rosa de Hiroshima, Vinicius de Moraes, Pétala, Djavan, Cravo e canela, Milton Nascimento

22.30h Sala Visconti
TRASH POUR 4
Na linha do grupo francês Nouvelle Vague, o quarteto paulista TRASH POUR 4 recicla sucessos da Pop, com cheiro a naftalina, de Madonna (Like a Virgin) a Nirvana (Lithium). Situam-se entre o jazz e a música ambiente. Uma tentativa lúdica de decifrar os clássicos, propiciando novos olhares sobre o que é já conhecido, o já ouvido…
Mariá Portugal (bateria)
Natália Mallo (voz)
Gustavo Ruiz (violão)
Dudu Tsuda (teclado)

23.30h Sala Prado Coelho
MAMA!MILK DUO
mama!milk é um duo instrumental acústico sediado em Kyoto (Japão). Actua desde 1997 e a sua música é descrita como "Japanese New Exotica", "music like SUMI-E (black ink painting)" e "Cinema for Ears”.
Kosuke Shimizu, contrabaixo
Yuko Ikoma – acordeão

5ª-feira, 29 de Maio

22.00h Sala Nietzsche
Jazz Improve Trio
Miguel Mira (violoncelo)
Gabriel Ferrandini (bateria)
Rodrigo Amado – saxofone tenor

22.30h Sala Prado Coelho
SAMUEL DAMIAN DE OLIVEIRA (PIANO E VOZ)
Espectáculo dedicado às musicas consagradas mineiras (Milton Nascimento, Lo Borges, Beto Guedes) e a Chico Buarque de Holanda.

00.00h Sala Nietzsche
PAULA SOUSA CONVIDA INÊS SOUSA
Um duo no feminino, interpretando temas femininos e masculinos, com uma paleta muito alargada de cores.
Inês Sousa - voz
Paula Sousa – piano

01.00h Sala Nietzsche
Quinteto Jazz
João Parrinha – bateria
Miguel Mira – violoncelo
Hernâni Faustino – contrabaixo
Bruno Parrinha – clarinete
João Pedro Viegas – clarinete baixo

6ª-feira, 30 de Maio

22.00h Sala Prado Coelho
Paisages Cubanos - A música de Leo Brouwer pelo Quarteto Decameron
Constituido pelos guitarristas Tiago Alexandre, Marco Rodrigues, Filipa Pinto Ribeiro e Mickael Viegas, este quarteto apresenta um concerto comentado de obras do compositor cubano Leo Brouwer para guitarra solo, duo e quarteto. Considerado quase unanimemente como o mais importante compositor da segunda metade do século XX no panorama guitarristico, a sua obra ímpar abrange várias estéticas, do minimalismo ao chamado pós-modernismo. Concerto no âmbito da disciplina de Projecto, da ESML, orientado pela Professora Olga Pratz.

23.00h Sala Nietzsche
NICOLE EITNER
A meio caminho entre o jazz e sonoridades mais pop, Nicole Eitner apresenta «Vampires». Uma voz imponente, lânguida e invulgar. Próxima de Kate Bush ou Liz Frazer, Nicole Eitner compôs, interpretou e produziu as dez canções que compõem este álbum. E gravou duas versões: «You spin me round», dos Dead or Alive e «Love is a better world», original dos Rainbirds.
Nicole Eitner - voz, piano ‡ Viviena Tupikova - violino, voz, piano
Manu Teixeira - percussão ‡ Zeca Neves - contrabaixo, voz

23.30h Sala Prado Coelho
Free Fucking Notes
Concerto de Marta Plantier (voz) e Luís Barrigas (piano)

Sábado, 31 de Maio

01.00h Sala Nietzsche
MR. BLUES
"Desde 2005 os Mr. Blues apresentam-se ao vivo com o seu reportório dedicado exclusivamente aos Blues. De entre os temas habitualmente executados podem tomar-se como referência os pioneiros da guitarra eléctrica T-Bone Walker, Buddy Guy, Freddie King, Albert King, Muddy Waters, Albert Collins assim como alguns "modernizadores" dos Blues, Kenny Neal, Johnny Winter, Roomful of Blues, Jimmy Thackery, entre outros."

José Santos - Voz
Tozé Salomão - Guitarra
Pedro Nunes - Guitarra
TóLis - Baixo
Miguel Lança – Bateria

22.00h Sala Nietzsche
Daniel Hewson Trio - Jazz
O pianista inglês apresenta o seu novo disco, Secret Doors acompanhado por Hugo Antunes (contrabaixo) e Pedro Viana (bateria).

“Jazz ao Centro - Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra”.


Vai decorrer na primeira quizena de Junho a edição de 2008 do Jazz ao Centro, distribuída por vários polos de interesse:
- O Teatro Académico de Gil Vicente, que acolherá dois concertos e um pequeno ciclo de cinema documental que terá como ponto alto a presença do realizador Fernando Lopes e do presidente do Hot Clube de Portugal, Eng. Bernardo Moreira, para uma conversa a propósito da exibição de Belarmino;
- O Museu de Física, onde decorrerá uma palestra sobre Arte, Ciência e Tecnologia no contexto das músicas improvisadas (com a participação de um músico, um crítico musical e dois docentes da Universidade de Coimbra);
- O Museu da Ciência abrirá as suas portas aos mais jovens para um conjunto de actividades pedagógicas sobre o som;
- O Ateneu de Coimbra, colectividade fundada em 1940 junto à Sé Velha, será palco do concerto inaugural do Jazz ao Centro 2008.
- animação para as ruas, com três grandes concertos nas Escadas do Quebra Costas. No mesmo espaço terá lugar a feira do disco e uma edição especial de Mercado Quebra Costas.
- No Salão Brazil, “habitat natural” das sessões “fora-de-horas” do Jazz ao Centro estão marcadas seis actuações que serão registadas para posterior lançamento na colecção JACC Series;
- a iniciativa compreenderá ainda um espectáculo educativo dirigida às crianças das escolas do ensino básico da Alta e Baixa da cidade (a ter lugar na Praça 8 de Maio), e diversas exposições espalhadas pela cidade.
Em Junho o Jazz vai ser motivo de festa em Coimbra.
Para mais informações consulte http://www.jazzaocentro.pt/.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Andy Palacio & Garifuna Collective - Wátina





Aqui ficam o video do tema Wátina e bem assim dois pequenos documentários promocionais do trabalho de Andy Palacio e da cultura Garifuna, produzidos pela editora Cumbancha e que vale a pena assistir.

Para Sempre Garifuna


Andy Palacio & the Garifuna Collective
Wátina
Cumbancha 2007
15,5/20

Andy Palacio é natural do Belize, um pequeno Estado da América Central (antigas Honduras Britânicas), entre o México e a Guatemala e banhado pelo Golfo das Honduras, independente desde 1981. Terra de Maias, até à chegada dos espanhóis, vive musicalmente (como muitas outras regiões caribenhas) da fusão entre os ritmos africanos levados pelos escravos e o pouco que resta da tradição local e colonial. Entre as duas centenas de milhar de habitantes do Belize vivem não mais que 11.500 pertencentes a uma micro-cultura a que chamam Garifuna (cultura que se estende contudo a outros estados da região como a Nicarágua, as Honduras ou a ilha de St. Vincent). Descendente de escravos naufragados em 1635 na ilha de St. Vincent e do seu cruzamento com nativos da tribo Arawak, a cultura garifuna é uma das mais pequenas da América Central, minoritária em todos os países onde existe, e apresenta preocupantes sinais de abandono, apesar da sua língua (na qual são cantados os temas incluídos no disco) estar qualificada pelas Nações Unidas como uma “obra-prima da oralidade e património da humanidade”.
Estandarte da cultura Garifuna (chegou a desempenhar funções no Ministério da Cultura do Belize) Palacio fez deste disco, juntamente com o produtor Ivan Duran e no qual participam dezenas de músicos oriundos não só do Belize mas também das Honduras e da Nicarágua, uma celebração internacional das suas origens e uma afirmação da diversidade cultural e da premente necessidade de a preservar. Uma obra congregadora dos músicos, de várias gerações, da cultura garifuna, num esforço quase desesperado para evitar a sua extinção.
Este Watina resultou assim numa espécie de Buena Vista Social Club do Belize.
Porém, sem a preciosa ajuda de Ry Cooder e Wim Wenders o projecto parecia estar condenado ao insucesso, não pela menor valia do trabalho realizado por Palácio e companhia mas antes pela dificuldade de promoção internacional do disco. Quis contudo o destino que Andy Palácio morresse, com apenas 47 anos de idade, num hospital de Chicago em Janeiro de 2008. Foi o suficiente para catapultar o seu trabalho para os escaparates das lojas e para os tops da world music, fruto da súbita onda de interesse e simpatia pela cultura Garifuna, causada pela tragédia pessoal do artista…
Os ritmos garifuna são muitos e têm nomes estranhos como paranda, dügü, punta e gunjei, evocando sentimentos religiosos, festivos, lamentos ou outros que só a música consegue expressar. Derivam essencialmente da junção de três culturas: a nativa arawak, a oeste africana (muitos críticos não hesitam em comparar este disco aos trabalhos de Cesária Évora) e a latina. A esta fortíssima herança cultural juntaram os músicos influências contemporâneas que a tornam ainda mais apelativa.
Ao ouvirmos este excelente trabalho surgem referências constantes, desde a cadência cativante do tema Chan Chan de Buena Vista Social Club (em Watina), o delta blues, os coros femininos africanos, as mornas e coladeiras cabo-verdianas, o reggae da Jamaica, o calipso (não a ninfa da ilha de Ogígia mas o ritmo oriundo das ilhas de Trindade e Tobago), heranças pentatónicas e heptatónicas dos Jeliya do Mali e até ecos do folclore fatalista ibérico.
Há um pouco de tudo para todos os gostos servido com enorme talento e paixão por Andy Palacio e os seus pares, com destaque para o belíssimo trabalho de percussão e também da guitarra eléctrica, com uma subtileza tal que por várias ocasiões me fez lembrar Mark Knopfler.
Um sério candidato ao disco world do ano.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Marilyn Masur & Jan Garbarek - Clear



Extraído do álbum Elixir, aqui fica o tema Clear sob belas fotos do Japão, da autoria de Gideon Davidson.

Os Microcosmos de Masur



Marilyn Masur & Jan Garbarek
Elixir
ECM 2008
13/20

A dinamarquesa Marilyn Masur (nasceu em 1955 em Nova Iorque, mas mudou-se com os pais para a Dinamarca aos seis anos de idade), além do reconhecimento internacional pela sua capacidade de inovação, que lhe valeu a preciosa experiência de trabalhar com mestres como Miles Davis, Wayne Shorter ou Gil Evans, tem um longo historial de colaboração com o saxofonista norueguês Jan Garbarek, que remonta a 1990 e ao disco “I Took Up The Runes”, prosseguindo com “Twelve Moons”, “Visible Worlds” e “Rites em 1999. Muito do universo onírico e primordial, exalado por Garbarek nesses trabalhos, deve-se à enorme colecção de instrumentos de percussão recolhidos por Masur, ao longo das suas viagens, e à sua invulgar capacidade para deles extrair as mais variadas e exóticas sonoridades. Esta é contudo a primeira colaboração invertida, isto é com Masur como líder e Garbarek como sideman.
O objectivo declarado da percussionista era gravar algo puramente improvisado, baseado nos instrumentos em si mesmos e apostando na sinergia criada pela colaboração com Manfred Eicher. Visou assim criar uma série de microcosmos em que a cada instrumento fosse permitido falar na sua própria voz. E foram dezenas os instrumentos utilizados, oriundos de todos os continentes…
Contudo a presença de Garbarek permitiu-lhe estabelecer diálogos com os seus saxofones e flautas, construindo assim, de modo mais elaborado, os almejados microcosmos musicais com alguém habituado, com reputada propriedade, a edificar universos musicais nas mais profundas raízes da tradição eurásica.
A dialéctica do sopro e da percussão, uma das mais antigas combinações musicais, é assim exaltada com grande sensibilidade por ambos os instrumentistas, despida das contingências próprias dos contextos polifónicos e deixada ao livre arbítrio das reconhecidas capacidades de improvisação dos intérpretes.
O apetite de Masur pela globalidade musical levou-a a colaborações regulares com músicos das mais variadas proveniências, além da sua Escandinávia natal. Um percurso que incluiu a nossa Maria João, a brasileira Eliane Elias ou o argentino Dino Saluzzi, entre muitos outros.
Elixir é um disco construído, meticulosamente, ao longo de 21 pequenos temas, que oscilam entre o melódico, o rítmico e o textural, mas raramente ao mesmo tempo. Longe de mim a ideia de pôr em causa a enorme capacidade de Masur enquanto criadora destes microcosmos rítmicos, eles resultam soberbos na maioria das ocasiões evocando espaços tão diversos quanto a paisagem urbana de uma metrópole ou as montanhas mágicas do Japão. No entanto, assim despidos de um contexto harmónico e muitas vezes melódico soam-me minimalistas, puramente ambientais e para fundamentalistas zen…
É certo que há temas em que o dualismo primordial almejado resulta, como em Clear, onde um contexto oriental na percussão serve de pano de fundo para uma misteriosa melodia ao saxofone, fazendo por vezes lembrar a Sagração da Primavera de Stravinski. Um mistério que se entranha no ouvinte. Ou em Dunum Song, que soa como se uma jam session brotasse espontaneamente nas ruas do Bronx, plena de ritmo e de calor humano. Ou ainda em Joy Chant, um verdadeiro hino à capacidade inventiva de Masur na percussão (de um exotismo que invoca rituais iniciáticos do Pacífico) à qual Garbarek responde com um solo tão belo quanto complexo. Mas também lá estão temas como Pathway, Bell-Painting ou Talking Wind, totalmente ambientais e texturais e que me soam como uma exibição gratuita e desnecessária da percussão.
Mais do que uma obra completa, o disco resulta assim numa compilação de sons que poderiam ter sido recolhidos nos mais variados locais do mundo e capazes, pela sua forte identidade, de nos catapultar de imediato para essas exóticas proveniências. Belo é certo, tecnicamente soberbo sem dúvida, mas gratuito como obra musical. Antes se insere no âmbito da musicologia.
Para musicólogos ferrenhos e ecologistas militantes… Mas com a devida vénia!

domingo, 25 de maio de 2008

Myriam Alter - Come With Me



Um original de Myriam Alter extraído do disco "Where Is There" (Enja 2007), acompanhado de belas fotos de rostos africanos da autoria de John Paskey, incluídos na sua obra "Faces of Africa & Arabia".

A Saudade Global


Myriam Alter
Where Is There
Enja 2007
17/20

Myriam Alter nasceu na Bélgica, numa família de origem sefardita. Aprendeu piano desde os 8 anos de idade mas, aos 17, abandonou a música para tirar um curso de psicologia na Universidade de Bruxelas. Trabalhou em publicidade, abriu uma escola de dança e só depois de muito dançar, aos 36 anos de idade, sentiu necessidade de voltar para a música. Reaprendeu o piano da sua infância e formou primeiro um quarteto e depois um quinteto de jazz, com músicos belgas. Mas a sua verdadeira paixão veio a revelar-se mais tarde: nada menos do que a composição. Myriam Alter, apesar de exímia pianista e num gesto inusitado de modéstia, compõe integralmente os temas incluídos nos seus discos (e de forma brilhante, acrescente-se em abono da verdade) mas abdica da sua interpretação, preferindo, ao invés, entregar o piano a reputados pianistas como o norte-americano Kenny Werner (no seu disco anterior “If”) ou o italiano Salvatore Bonafede, neste seu último trabalho (o quinto de sua lavra).
A música que compõe é verdadeiramente brilhante. Apegada às suas origens espanholas e judaicas integra no mosaico de influências que compõem os seus trabalhos elementos oriundos do flamenco e do leste europeu (valsa, mazurkas e reminiscências klezmer), mas a Bélgica onde nasceu também está bem presente, seja pelas elusivas fragâncias da chanson ou pelo universo clássico da sua infância aos quais junta o muito aprendido com músicos tão importantes como os que a acompanham neste disco (o baterista Joey Baron, exímio nos ritmos que tão bem caracterizam este trabalho, o fantástico John Ruocco no clarinete, que consegue apoderar-se como ninguém deste estranho e sedutor ambiente musical rico e multifacetado composto por Myriam Alter, ora introduzindo reminiscências leste-europeias nos temas, ora conduzindo-os para terras mais quentes do Mediterrâneo como a Itália ou o Magreb, ora mesmo conseguindo penetrar com pertinência em universos musicais mais exóticos como o da África sub-sahariana ou o tango argentino) ou nos anteriores (como Dino Saluzzi ou Marc Johnson, entre outros).
Além de Baron e Ruocco, com papel destacado nesta formação, evidenciam-se o violoncelo do brasileiro Jaques Morelenbaum, o contrabaixo do norte-americano Greg Cohen e o piano do italiano Salvatore Bonafede, sem esquecer o saxofone do belga Pierre Vaiana. Um cortejo de identidades à semelhança do universo musical da compositora. Morelenbaum tem uma presença muito conseguida, pois o seu violoncelo acentua sobremaneira o dramatismo e a nostalgia que tão bem caracterizam as composições de Alter, rubricando igualmente alguns solos de grande virtuosismo que sobressaem tanto, quanto é pouco habitual a sua presença em discos de jazz (será jazz a música tocada por este sexteto?). Já o inspirado Greg Cohen consegue introduzir, através dos seus solos, alguns dos elementos mais característicos do universo jazzístico que conseguimos descortinar neste trabalho. Pleno de fantasia e rigor técnico, sem nunca perder de vista o som nostálgico e melódico claramente pretendido pela compositora.
Ao ouvirmos este maravilhoso disco percorremos o mundo geográfico e histórico dos últimos 150 anos. Estão lá o dramatismo e a exaltação melódica do romantismo; há flamenco tocado ao violoncelo (fazendo lembrar os belos solos de Renaud-Garcia Fons no contrabaixo arqueado); há melopeias sardas e canções napolitanas; há rumbas, boleros e tangos, de Cuba e da Andaluzia; há uma palete de sons africanos, árabes e negros (e até mestiços); há valsas vienenses e mazurkas da Hungria e da Roménia; há até hinos bizantinos e danças tradicionais gregas... Tudo tratado com um rigor meticuloso na composição, uma extraordinária atenção aos detalhes e uma radiante capacidade de seduzir, com inteligência, estilo e graça (ou não fosse o trabalho de uma mulher… os elogios também podem ser sexistas?!).
Em suma, uma pérola esta Myriam Alter, que urge descobrir. Para ajudar aqui fica um dos mais belos temas do disco “Come With Me”, cuja batida tipicamente africana, me fez lembrar as coladeiras das atlantes ilhas encantadas de Cabo Verde.
A saudade afinal parece que é universal…

Novos Discos





Shemekia Copeland - Beat Up Old Guitar



Acompanha Shemekia Copeland o guitarrista Jimmy Vivino, co-autor do tema.

Shemekia Copeland em Gaia



Shemekia Copeland nasceu em Harlem, Nova Iorque, em 1979, filha do famoso guitarrista de blues Johnny Copeland. Aos 16 anos de idade (quando a saúde do pai começou a debilitar) passou a acompanhá-lo nas suas tournées pelos EUA. Assinou contrato em 1998 com a editora Alligator, com quem gravou o seu primeiro disco “Turn the Heat Up!” e se afirmou como uma das mais prodigiosas vozes do blues actual, com críticas entusiásticas vindas de toda a parte. Em 2000 lançou o seu segundo disco “Wicked” onde incluiu um dueto com uma das suas heroínas de infância, a cantora Ruth Brown.
Já venceu três prémios W.C. Handy (os Handy’s são os Grammys do Blues, promovidos pela Blues Foundation de Memphis, Tennessee).
Em 2002 lançou o seu terceiro disco, “Talking to Strangers”, produzido por Dr. John e em 2005 o quarto trabalho, denominado “The Soul Truth”, com produção de Steve Cropper.
Uma voz verdadeiramente ímpar, a não perder no festival Douro Blues.

Agenda Jazz (26 de Maio a 1 de Junho)


3ª feira 27 de Maio

22.00h – Casa da Música (Porto) - Scorch Trio
22.30h – Ondajazz (Lisboa) – Big Band Reunion
23.00h – Hot Club (Lisboa) – Combos de Jazz HCP

4ª feira 28 de Maio

21.30h – Jazz ao Norte (Porto) - Quarteto Sofia Ribeiro & Gui Duvignau
22.30h - Ondajazz (Lisboa) – Triângulo
23.00h – Hot Club (Lisboa) – Combos de Jazz HCP
23.00h – Hot Five (Porto) – Jam Session Porto All Stars

5ª feira 29 de Maio

22.45h – Cafetaria Quadrante CCB (Lisboa) - Mikado Lab
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Carlos López Quarteto

6ª feira 30 de Maio

22.00h - Auditório Municipal de Gaia - Nobody's Bizness/Chris Jagger Blues Band
22.00h – Santiago Alquimista (Lisboa) - Transatlantistas & Afonso Pais
23.00h – Fábrica Braço de Prata (Lisboa) – Nicole Eitner
23.00h – Hot Five (Porto) – Minneman Blues Band
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Carlos López Quarteto
23.30h – Ondajazz (Lisboa) – Yves Brouqui & Martin Jacobsen Quartet
23.30h – Centro Cultural Vila Flor (Guimarães) - João Pedro Brandão & Paulo Gomes Trio

Sáb 31 de Maio

21.30h – Teatro da Trindade (Lisboa) - Jacinta (tributo José Afonso)
22.00h - Auditório Municipal de Gaia - Budda Blues/Shemekia Copeland
22.00h – Casa das Mudas (Calheta) - Albert Sanz Trio
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Carlos López Quarteto
23.00h – Casa das Mudas (Calheta) - Sara Serpa Quintet
23.00h – Tertúlia Castelense (Maia) - Quinteto Susana Santos Silva
23.00h – Hot Five (Porto) - Minneman Blues Band
23.30h - Ondajazz (Lisboa) – Yves Brouqui & Martin Jacobsen Quartet

Dom 1 de Junho

21.30h – Teatro da Trindade (Lisboa) - Jacinta (tributo José Afonso)

sábado, 24 de maio de 2008

Começando um Final...



Ninguém como os nórdicos consegue cruzar os ambientes clássico, contemporâneo e jazzístico, sendo que, frequentemente, o elemento clássico vai beber directamente nas fontes do folclore e da liturgia escandinava. Em 2004 o saxofonista norueguês Trygve Seim juntou um amplo ensemble e gravou, para a ECM (para quem haveria de ser?...) Sangam, definido precisamente como um ponto de encontro para três fluências musicais: o jazz, a composição contemporânea e o chamado world jazz. O resultado foi um trabalho verdadeiramente antológico (e veementemente recomendado) de onde extraí esta pérola chamada Beginning an Ending (até o título é delicioso).
A propósito de pérolas o trompetista chama-se Arve Henriksen...

Bruxelas à Chuva



Outro dos ilustres convidados do Matosinhos Jazz é o cubano Paquito d'Rivera, um dos mais completos saxofonistas da actualidade. Mas d'Rivera é também um exímio clarinetista (instrumento que caiu um pouco em desuso no jazz actual e que urge recuperar). Como exemplo e homenagem a Paquito d'Rivera aqui fica o seu original "Brussels in the Rain" acompanhado pela European Art orchestra dirigida por Pablo Zinger e ainda por Niels-Henning Örsted-Pedersen no contrabaixo, Wolfgang Haffner na bateria, Frank Chastenier no piano e Pernel Saturino na percussão.
As fotos de Bruxelas são de Adrian Reilly e de Damon Lynch.

História de Um Amor



Esta semana há Jazz em Matosinhos. Um dos mais ilustres convidados a passar pelo palco da Exponor é Richard Galliano. Em jeito de homenagem (e já que não posso deslocar-me a Matosinhos para o ouvir...)aqui fica o tema Historia de un Amor incluído no trabalho Ruby My Dear e em que o acordeonista francês é acompanhado pelos norte-americanos Larry Grenadier no contrabaixo e Clarence Penn na percussão.
As belas fotos são de Paula Couselo e fazem parte do seu trabalho denominado "The Tango Lesson".

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Knives Out - Nelson Cascais Quinteto



Enquanto esperamos pelo disco Eclipse, aqui fica um dos melhores temas do último trabalho deste quinteto, uma versão personalizada do clássico dos Radiohead, Knives Out. Gravado em Leiria e em 2005(no mercado de Sant'Ana) para a TOAP, com Nelson Cascais no contrabaixo, Jesse Chandler no órgão, Pedro Moreira no sax, Bruno Pedroso na bateria e André Fernandes na guitarra.
As fotos são da autoria de Barbubro.

O Eclipse de Cascais



Nelson Cascais Quinteto
22 de Maio de 2008, 23.00h
Hot Club de Portugal
****

Nelson Cascais tem um novo projecto denominado Eclipse. A anteceder a gravação do disco, que deverá ocorrer este sábado, 24 de Maio, tem apresentado os novos temas numa série de concertos por Lisboa, dias 21 e 22 de Maio no Hot Club, dia 23 no Ondajazz e dia 24 na Fábrica Braço de Prata, sempre acompanhado por Pedro Moreira no sax tenor e flautas, João Paulo Esteves da Silva no piano e rhodes, André Fernandes na guitarra e o jovem baterista espanhol Iago Fernández.
Este trabalho é antes de mais revelador de uma enorme coerência na obra musical de Nelson Cascais. É um esforço de continuidade face ao disco anterior, Nines Stories, lançado em 2005 pela TOAP e as duas alterações efectuadas na equipa (João Paulo rendeu Jesse Chandler e Iago Fernandes, Bruno Pedroso) não são de molde a alterar a estética do som produzido pelo grupo.
Cascais mostra-se seguro e competente nos arranjos e direcção musical, sem enveredar por grandes individualismos (apesar do belíssimo solo no tema Iulia, apresentado em trio de piano), bem acompanhado por Pedro Moreira no sax tenor e André Fernandes na guitarra, a quem acaba por pertencer o maior protagonismo dos temas em sucessivos solos e duos que ambos desenvolvem com o rigor e competência que se lhes reconhece.
As maiores novidades deste trabalho acabam por ser a inclusão do reputado pianista português João Paulo que, sobretudo no rhodes, consegue igualmente cativar pela invulgar capacidade de improvisação e superior técnica demonstradas. A maior surpresa contudo consistiu na inclusão do jovem baterista espanhol Iago Fernández. E posso dizer que foi uma aquisição de vulto para este quinteto! Senhor de uma potente e variada batida, este baterista deu nova alma ao som do grupo exibindo uma inesgotável energia que distribuiu parcimoniosamente ao longo da apresentação, imprimindo uma indelével marca pessoal na mesma, fruto do seu enorme talento e capacidade para colorir ritmicamente a música do quinteto. Iago Fernandez pertence àquela classe de bateristas que não consegue passar despercebido, de tal forma é incapaz de produzir o trivial no seu instrumento. Cada compasso é preenchido de forma diferente e sempre com uma invejável capacidade para inovar e “complicar” o que parecia óbvio. Um nome a reter…
Ficamos à espera do disco que, a avaliar pela apresentação desta noite, será seguramente um dos trabalhos jazzisticos do ano em Portugal.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

O Sonho de Uma Borboleta



Agora que já sei fazer videos (as coisas que se aprendem a fazer blogs...) não resisto a partilhar convosco duas magníficas obras: o tema Butterfly Dream do guitarrista vietnamita Nguyen Lê (que tive o privilégio de ouvir ao vivo recentemente em Lisboa no auditório do Museu do Oriente) inserido no seu trabalho de 2005 Walking on the Tiger's Tail, e as magníficas fotos de Manuel Libres Librodo Jr. incluídas no seu trabalho denominado A Glimpse on Vietman.
Para desfrutar serenamente...

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Raynald Colom - Lu's Mood



Um dos mais belos temas do álbum Sketches of Groove (2007). As fotos da cidade de Barcelona são da autoria dos fotógrafos Xavibarca, Aaron, Helen Evans, Maribel Balius, Russell Wheelan e Urban James.

Rambla's Jazz



Raynald Colom
Sketches Of Groove
Fresh Sound New Talent 2008
16/20

Com apenas 30 anos de idade, Raynald Colom é hoje um dos mais prestigiados músicos de jazz espanhóis. Ex-libris da movida jazzística catalã, assentou arraiais desde 2004 com o seu quinteto no café Royal, em Barcelona, onde toca habitualmente aos domingos.
Nasceu em Vincennes (França) em 1978 mas desde 1988 que vive em Barcelona. Os seus estudos musicais começaram aos quatro anos de idade no Conservatório de Creteill, onde aprendeu violino durante quatro anos. Barcelona fê-lo mudar de instrumento e deu-lhe a oportunidade de frequentar workshops com trompetistas tão importantes quanto Wynton Marsalis, Roy Hargrove ou Kenny Barron. Em 1999 consegue uma bolsa de estudo e muda-se para Boston e para o Berklee Music College. Foi o suficiente para iniciar uma carreira como sideman em Barcelona a partir de 2000. Manu Chao reparou nele e integrou-o na sua banda com quem correu mundo a promover o disco Clandestino. Em 2001 integrou a European Youth Orchestra em representação de Espanha e correu os principais festivais de jazz europeus. Em 2002 e 2003 integrou o sexteto de Perico Sambeat e correu Espanha e a América Latina ao lado do saxofonista. O ano de 2004 afirma-o definitivamente como um dos mais importantes instrumentistas actuais em Espanha, com colaborações com os mais prestigiados músicos daquele país e com o lançamento do seu primeiro disco como líder: My 51 Minutes, editado pela Fresh New Sound Talent.
Este Sketches Of Groove é assim o segundo disco como líder de Raynald Colom, gravado em 2007 na cidade de Girona e editado uma vez mais pela editora espanhola Fresh New Sound Talent. Acompanham-no neste trabalho o pianista Abe Rábade, Tom Warburton no contrabaixo, Marc Ayza na bateria, Roger Blauia na percussão (latina e flamenca), Martí Serra no sax tenor, Guim G. Balasch no sax alto e flauta, Raül Reverter no sax alto, Philippe Colom no clarinete baixo (com uma intervenção muito interessante em Lu’s Mood), David Soler na guitarra eléctrica (com um excelente trabalho em El Clandestino), Joan Díaz nos teclados e Antonio Serrano na harmónica (no tema Lu’s Mood).
Sketches Of Groove é um trabalho com uma maturidade rara num músico tão jovem. Não só Colom assume destemidamente o comando do grupo (bem apoiado pelo piano de Abe Rábade e pela percussão de Roger Blauia, os dois músicos que mais se destacam no conjunto dos temas) como ataca temerariamente os mais diversos géneros com uma inusitada fluência. Com alguma naturalidade o disco começa bopista, em The 12 hours effect. Mas este bop é complexo e agrega as mais variadas influências, sobretudo de índole latina. Horácio é um tema perturbador, digno dos Radiohead. Melódico mas nostálgico, assenta nos sons dos swing years mas filtrados por um manto negro e dramático… Quase parece um hino. Em Juanito’s Groove são os sons de setenta que se destacam num tema lento mas muito groovy. Melódico e apelativo. Latino e sensual. Como se Shaft tivesse sido filmado por Almodovar… QTP é pura irreverência. Colom casa o jazz com o flamenco e leva-o até às areias do Sahara, sem nunca perder o swing. Lu’s Mood é uma balada lindíssima em blues, magnificamente interpretada ao estilo retro de Wynton Marsalis e com um original solo de harmónica da autoria de Antonio Serrano. Para mim o mais belo tema do disco. Há ainda tempo para visitar o universo funky de John Scofield em El Clandestino (com a ajuda da guitarra eléctrica de David Soler) num tema de assumida fusão, enorme, complexo e monumental, com um belíssimo solo de piano a lembrar Chano Dominguez. O disco fecha com Come Sunday, um blues de fato e gravata, lento, coloquial e com ecos de Gershwin. Pelo meio ficam dois pequenos sketches, improvisos ambientais que servem de ponte entre os temas.
Um excelente trabalho deste jovem trompetista espanhol a demonstrar que o jazz também vive, carregado de talento e criatividade, nas ramblas da modernista Barcelona.

Franco Ambrosetti


Apontamento na televisão italiana dedicado ao trompetista suiço.

Brisa Contagiante



Franco Ambrosetti + Uri Caine Trio
The Wind
Enja 2007
17/20

Franco Ambrosetti nasceu em Lugano em 1941, filho do saxofonista Flavio Ambrosetti. Estudou piano entre 1952 e 1959 antes de enveredar pelo trompete como auto-didacta. Durante os anos 60 formou um grupo em Zurique enquanto se licenciava em Economia pela Universidade de Basileia. Tocou ainda com George Gruntz e Gato Barbieri. Em 1967 estreou-se nos EUA com o quinteto do pai no Festival de Jazz de Monterey, mantendo-se no quinteto (com George Gruntz e Daniel Humair) até ao presente. Contudo e durante os anos 70 tocou como freelancer com músicos como Phil Woods, Dexter Gordon, Cannonball Adderley, Joe Henderson, Michael Brecker, Mike Stern, Hal Galper ou Kenny Clarke. Gravou ainda com Kenny Kirkland, John Scofield, Ron Carter, Bennie Wallace, Dave Holland, Kenny Barron, Victor Lewis e Seamus Blacke para além de músicos italianos como Alfredo Golino, Antonio Faraó e Dado Moroni. Dele afirmou Miles Davis ser o único trompetista branco que tocava como um negro…
Passou por Portugal e pelo Hot Club nos anos 60 integrando o quinteto do pai.
Acompanham-no neste projecto os norte-americanos Uri Caine, no piano (o homem que converteu Mahler ao jazz), Drew Gress no contrabaixo e Clarence Penn na bateria.
The Wind é antes de mais um disco de uma enorme homogeneidade. Vivo, alegre, contagiante mesmo. Pela mão de Ambrosetti e do Uri Caine Trio o jazz (ou o bop, pois é disso essencialmente que se trata) adquire contornos de um verdadeiro ditirambo!
Integrando originais de Ambrosetti (Frasi, Mike On Wings e African Breeze) e de Caine (Otello e Stilletto) não deixa de revisitar standards como The Wind (original de Russ Freeman gravado por Chet Baker em 1952), Doxy de Sonny Rollins e I’ve Never Been In Love Before de Frank Loesser, para além de um original de Gianluca Ambrosetti (Lyrical Sketches) filho do trompetista que abraçou a carreira de saxofonista (como o avô) e acompanha frequentemente o pai em diversas formações.
Dono de um fraseado limpído e suave (de um lirismo tipicamente latino) é fácil encontrar no seu estilo ecos do cool jazz sessentista e de Miles Davis, embora a comparação com Kenny Wheeler surja também como pertinente e inevitável. A complementá-lo aparece um inspirado Uri Caine no piano que ora acompanha a toada viva e contagiante do trompete ora incute algum dramatismo aos temas (sobretudo aos seus, de que Otello será o melhor exemplo) que nunca consegue tornar-se demasiado sério face à toada viva e de inspiração latino-americana introduzida pelo contrabaixo de Gress e pela bateria de Penn. Os temas sucedem-se com um apurado sentido melódico, soberbamente interpretados e carregados de swing.
Ambrosetti não mostra grande apetência pela experiência (a única excepção será African Breeze, fantasia africanista partilhada com Clarence Penn e que encerra o disco) mas o seu jazz mostra-se de uma inquestionável classe. Um free bop com um swing capaz de nos transportar até aos já longínquos anos 60, quando Miles Davis, John Coltrane ou Sonny Rollins edificavam um estilo que haveria de mudar o mundo do jazz.
Um disco de uma pureza estética impressionante.
Como eu julgava que já não se faziam…

Franco Ambrosetti na televisão italiana.

Bill Carrothers Trio


Com Agustin Bernal no contrabaixo e Hernan Hecht na bateria, ao vivo em Monterrey, México, em Junho de 2006.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Diversidade Auspiciosa



João Lencastre's Communion
One!
Fresh New Sound Talent 2007
15/20

João Lencastre é um jovem baterista português (com 28 anos de idade) formado pela escola do Hot Club (foi aluno de Bruno Pedroso e Carlos Vieira) e com duas passagens, em 2002 e 2007, por Nova Iorque, onde estudou com Ralph Peterson, Ari Hoenig, Billy Kilson e Dan Weiss.
Este Communion é o seu primeiro trabalho discográfico como líder e foi gravado parcialmente ao vivo no Hot Club de Lisboa e em estúdio para a editora espanhola Fresh Sound New Talent.
Para além do baterista conta com o guitarrista português André Matos e o contrabaixista argentino Demian Cabaud (que com ele trabalham habitualmente) mas também com dois convidados norte-americanos de peso: Bill Carrothers no piano e Phil Grenadier no trompete.
É um trabalho extremamente meritório mas em que se notam algumas arestas de juventude. Desde logo na entrega quase total do protagonismo aos dois norte-americanos, que claramente se apresentam como o verdadeiro motor do disco, sobretudo Carrothers com um trabalho notável no piano. Mas também na heterogeneidade do reportório que oscila entre o bop clássico de homenagem a Charlie Parker, em Byrdlike e o experimentalismo vanguardista puramente improvisado de 108, passando pelo impressionismo lírico e ambiental de Lonely Woman ou pelo free jazz improvisado dos temas Communion. Não acho a diversidade redutora, muito pelo contrário, mas por vezes, neste disco, ela parece resultar muito mais da fraca coesão do grupo do que propriamente de uma opção estética.
Não obstante Carrothers consegue, no piano, segurar com pulso firme a maioria dos temas, com um fraseado seguro e apelativo, uma notável capacidade de improvisação e um dramatismo que imprime coerência e veemência ao som do quinteto. Apesar disso o disco nunca soa melancólico ou nocturnal. É antes uma alegria, por vezes contagiante, que ecoa dos instrumentos, bem contrabalançada pela postura séria e mais coloquial do piano.
Já Phil Granadier mostra-se melhor nuns temas do que noutros. O seu estilo solto e metalizado no trompete encaixa perfeitamente em temas como Byrdlike ou nas aventuras improvisadas que dão título ao álbum, mas parece algo deslocado nos temas mais melódicos e impressionistas como Lonely Woman e sobretudo em New World…
Embora relegados, na maioria das vezes, para tarefas harmónicas e rítmicas, os restantes músicos mostram competência e à-vontade no desenrolar dos temas. André Matos consegue mesmo incutir algumas notas pessoais importantes no disco, sendo os contrapontos dissonantes que anunciam o seu solo em Lonely Woman disso um perfeito exemplo.
Este Communion resulta assim um disco muito prazenteiro e que não hesito em recomendar. Uma estreia como líder que prenuncia uma carreira brilhante para João Lencastre.

Bill Carrothers Trio, ao vivo em Monterrey, México, em Junho de 2006.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Matosinhos em Jazz - Destaque da Semana


Esta semana decorre no Auditório da Exponor a 11ª edição do festival “Matosinhos em Jazz”, onde vão desfilar importantes músicos do panorama jazzístico nacional e "importado". Entre os lusos destacam-se a Orquestra Jazz de Matosinhos (a jogar em casa) acompanhada pelo pianista norte-americano Jim McNeely, e ainda a cantora Maria João, acompanhada por Mário Delgado e Alexandre Frazão, entre outros. No que respeita aos convidados estrangeiros sublinho três virtuosos nos seus (alguns invulgares no jazz...)instrumentos, verdadeiramente imperdíveis: o acordeonista francês Richard Galliano, o saxofonista e clarinetista cubano Paquito d’Rivera e o bandolinista brasileiro Hamilton de Holanda. Dia 23 vai passar também pelo auditório da Exponor o quarteto do pianista canadiano Renée Rosnes.
Um cartaz recheado de excelentes razões para visitar a Exponor…

Agenda Jazz de 19 a 25 de Maio


2ª feira 19 de Maio
21.30h – Teatro Lethes (Faro) – Orquestra Jazz de Lagos

3ª feira 20 de Maio
22.00h – Theatro Circo (Braga) - Jacinta (Tributo a José Afonso)
22.30h – Ondajazz (Lisboa) – Big Band Reunion

4ª feira 21 de Maio
21.30h – Jazz ao Norte (Porto) – Small Trio
21.45h – Paços da Cultura (São João da Madeira) – Carlos Barretto In Loko
22.30h – Ondajazz (Lisboa) - Triângulo
23.00h – Hot Club (Lisboa) – Nelson Cascais Quinteto
23.00h – Hot Five (Porto) – Sandro Norton Trio

5ª feira 22 e Maio
21.30h - Exponor (Matosinhos) - Richard Galliano Tangaria Quartet e Orquestra Jazz de Matosinhos & Jim McNeely
22.45h – Cafetaria Quadrante CCB (Lisboa) - Interlúnio
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Nelson Cascais Quinteto
23.00h – Hot Five (Porto) – Sandro Norton Trio
23.00h – Ondajazz (Lisboa) – Joana Machado

6ª feira 23 de Maio
21.30h – Auditório de Espinho – Jacinta (Tributo a José Afonso)
21.30h - Exponor (Matosinhos) - Renee Rosnes Quartet e Maria João
23.00h – Hot Club (Lisboa) – Singularity Trio (Alípio C. Neto)
23.00h – Santiago Alquimista (Lisboa) - Nicole Eitner + Michel de Roubaix
23.00h – HotFive (Porto) – Quarteto Carlos Mendes
23.30h – Centro Cultural Vila Flor (Guimarães) – Sexteto Living Thing
23.30h – Ondajazz (Lisboa) – Nelson Cascais Quinteto

Sáb 24 de Maio
23.00h - Hot Club (Lisboa) – Singularity Trio
23.00h – Bejazz (Barreiro) – Quinteto de Jazz (Hugo Alves, José Menezes, Júlio Resende, João Custódio e Jorge Moniz)
21.30h - Exponor (Matosinhos) - Hamilton de Holanda Quinteto e Paquito de Rivera Quartet

Dom 25 de Maio
17.00h – Jardins Torre de Belém – Tora Tora Big Band

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Jazz na Fábrica Braço de Prata


Num local espantoso onde a cultura sempre acontece, pode ver e ouvir bom jazz esta semana no Poço do Bispo:

5ª feira - 15 de Maio

24H00 – Sala Nietzsche
Jazz – Jam Session
Luís Desirat (bateria) + Rodrigo Pinheiro (piano)

6ª feira - 16 de Maio

22H – Sala Nietzsche
Nicole Eitner
A meio caminho entre o jazz e sonoridades mais pop, Nicole apresenta «Vampires». Uma voz imponente, lânguida e invulgar. Próxima de Kate Bush ou Liz Frazer, Nicole Eitner compôs, interpretou e produziu as dez canções que compõem este álbum. E gravou duas versões: «You spin me round», dos Dead or Alive e «Love is a better world», original dos Rainbirds.
Nicole Eitner - voz, piano
Viviena Tupikova - violino, voz, piano
Manu Teixeira - percussão
Zeca Neves - contrabaixo, voz

23H30 – Eduardo Prado Coelho
João Paulo Trio
Este projecto tem como ponto de partida o trabalho desenvolvido ao longo dos anos entre o pianista João Paulo e o contrabaixista Mário Franco com outro cúmplice de longa data, o baterista André Sousa Machado. Tocaram juntos em diversas formações.
O repertório será composto de improvisações sobre temas originais.
João Paulo Esteves da Silva - Piano
Mário Franco - contrabaixo
André Sousa Machado – bateria

23H00 - Sala Visconti
Bruno Pernadas Ensemble
Este projecto nasce da necessidade pessoal / colectiva, de criar música sem pressupostos, dando assim a máxima importância à relação melodia / harmonia, independentemente do cariz associado. Partindo de uma base Jazzistica, o grupo trabalha unicamente repertório original, que provem de uma forte relação da música com o cinema, como também da relação e possibilidades dos próprios instrumentos a nível timbrico e acústico.
Bruno Pernadas - Guitarra, Piano, Composição
Pedro Pinto - Contrabaixo
Ricardo Ribeiro - Clarinete Baixo e Soprano
José Maria - Sax Alto e flauta transversal
João Correia – Bateria

24H – Sala Nietzsche
Quarteto Paulo Bandeira
Apresentação do novo CD - Iberiando.
João Moreira (trompete), Afonso Pais (guitarra) Bernardo Moreira
(contrabaixo) e Paulo Bandeira (bateria)

02H00 – Sala Eduardo Prado Coelho
Missing Dog Head
Com músicos divididos entre a Austria e Portugal, os MDH oscilam entre momentos free, o rock e o jazz, entre a improvisação livre e as pequenas estruturas pré-definidas. Com uma formação sempre aberta, é desta vez convidado o saxofone de Abdul Moimême.
Martin Philadelphy - guitarra
Chris Janka - baixo
Abdul Moimême - saxofone
Gustavo Costa - bateria
Tenda

Sábado - 17 de Maio

22H30 - Tenda
Kronstadt Big Band – Concerto Jazz, 29 elementos
Programa: Les Anarchistes (Leo Ferré) – arranjos/direcção Johannes
Krieger; Colagem Internacional Bandera Rossa, Bandera Negra – arranjos/
direcção Johannes Krieger
Se o Maio de 68, na sua essência, foi um levantamento libertário, nada melhor do que uma orquestra de improvisadores para comemorar musicalmente o seu 40º aniversário. Estas orquestras vêm promovendo a identidade colectiva, a diferenciação cultural interna e a autodeterminação. É este legado que a Kronstadt adopta, homenageia e reproduz. Iniciativa de Monsieur Trinité, percussionista / bruiteur influenciado pelo Situacionismo e pela poética da revolução, a Kronstadt caracteriza-se por ter vários arranjadores / condutores e por juntar músicos de diferentes origens estéticas e percursos, entre consagrados, como Carlos "Zíngaro", até jovens instrumentistas (como José Lencastre e Johannes Krieger, a quem cabe apresentar as
interpretações do repertório escolhido que vão sujeitar às transformações dos seus pares).
Rui Eduardo Paes (editor da revista jazz.pt)

Domingo 18 de Maio

22H00 - Sala Nietzsche
Massapé Trio - Jazz
Daniel Neto (guitarra), Diogo Andrade (bateria) Marco Sadori
(contrabaixo)

Lydie Carell em Mini Digressão com Júlio Resende


A cantora Lydie Carell vai realizar uma mini digressão lisboeta, na companhia do pianista Júlio Resende, nos dias 15, 16 e 17 de Maio.

dia 15 no Belém Bar Café, em Lisboa, num concerto privado, em formato de piano e voz, acompanhada pelo pianista Júlio Resende;
dia 16 no Be Jazz Café, no Barreiro, Lydie vai ser acompanhada de novo ao piano por Júlio Resende, Yuri Daniel no contrabaixo e Alexandre Frazão à bateria;
dia 17 no Bar e Restaurante Onda Jazz, em Alfama,acompanhada mais uma vez por Júlio Resende ao piano, Mário Franco no contrabaixo e José Salgueiro na bateria.

Nascida na Córsega, França, ainda criança mudou-se para Leiria, onde começou a sua vida musical com aulas de piano e de canto.Em 2006 foi convidada pelo pianista espanhol Adrián Carrio para fazer parte do seu quinteto numa digressão por Espanha, tendo participado, entre outros, no festival de jazz de Oviedo.
Lydie reside actualmente em Paris, onde completa os seus estudos universitários.
A sua música transpira emoção e sensualidade e vai do fado à bossa-nova, merengue, blues e “la chanson française”, em ambiente de jazz onde o improviso tem lugar primordial.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Huong Thanh & Nguyen Le - Fragile Beauty

Mário "Le Génie"


Trimurti
12 de Maio de 2008, 22.00h
Auditório do Museu do Oriente (Lisboa)
*****

Poucos géneros musicais têm uma apetência global como o jazz (particularmente evidente nestes conturbados tempos de globalização). Mas ao invés da económica, esta globalização musical parece ser enriquecedora e fomentadora da convivência salutar entre povos e culturas.
Particularmente criativa e abrangente, a linguagem jazzística presta-se, como poucas, ao acolhimento debaixo do seu chapéu rotular, de sonoridades das mais diversas proveniências e culturas, oriundas dos quatro cantos do mundo (toda a gente sabe que o mundo, apesar de redondo, tem cantos, que não são dez, como nos Lusíadas, mas apenas quatro…).
A flexibilidade modal adoptada pelos jazzmen desde a década de quarenta (que inicialmente se apoiava na escala do blues mas que, há muito, se estendeu a outros modos mais ou menos exóticos) torna-os particularmente sensíveis às sonoridades indígenas de locais tão culturalmente diversos como a Índia (a tabla tem sido assiduamente utilizada em múltiplas colaborações de músicos de jazz com percussionistas indianos e paquistaneses), a China ou as diversas culturas africanas, servindo igualmente como ponte privilegiada para a comunicação e perfeito entendimento com os músicos locais.
Por isso não é de surpreender o brilhante trabalho desenvolvido por Mário Laginha (pronuncia-se Mário Le Génie, segundo o epíteto apresentado pelo seu inspirado colega de palco Prabhu Edouard), encomendado com pompa e circunstância pela Fundação Oriente, para a inauguração do respectivo Museu e Auditório em Lisboa.
Perdoem-me a ousadia simplista, mas quem está habituado a trabalhar (brilhantemente refira-se) na construção modal da sua música (como sucede no jazz e no blues) está muito bem encaminhado para compreender e interpretar os universos modais exóticos oriundos da Índia, da China ou do Japão (para não falar dos muitos estilos ocidentais assentes nos modos gregos como o flamenco ou a música nordestina brasileira que vão buscar as suas raízes aos modos frígio e mixolídio, respectivamente).
A lógica é idêntica e extravasa por completo a monotonia tonal que invadiu o ocidente musical desde a Idade Média e que ainda hoje nos limita por completo na maneira como ouvimos música.
Felizmente Mário Laginha não sofre dessas limitações, por isso construiu um universo musical global para o puro deleite dos afortunados ouvintes destes quatro concertos no Auditório do Museu do Oriente, onde o seu incontornável talento serviu de base para trabalho não menos brilhante dos seus ilustres convidados: o guitarrista vietnamita Nguyen Lê, o mestre de tabla indiana Prabhu Edouard e o percussionista e flautista japonês Joji Hirota.
Nguyen Lê foi absolutamente brilhante na guitarra. Nas mãos deste músico fantástico a guitarra eléctrica (e os seus múltiplos pedais e efeitos digitais) é um instrumento tradicional vietnamita, indiano ou japonês, de tal modo conseguiu dela extrair sonoridades coerentes com os universos musicais homenageados pelas composições de Laginha. E fê-lo com um virtuosismo técnico verdadeiramente assombroso!
A tabla tem o fascínio irresistível de nos transportar de imediato até às planícies do Ganges, numa viagem virtual, sonora mas riquíssima, seguramente conduzida pelo franco-indiano Prabhu Edouard, que ora acompanhou ora solou (pois a tabla tem essa fascinante e subtil capacidade melódica, rara num instrumento de percussão), ora desafiou as capacidades de improvisação rítmicas e harmónicas dos restantes músicos, designadamente do japonês Joji Hirota, com quem travou diálogos geniais.
Menos fascinante na percussão (talvez porque a sonoridade da percussão japonesa não anda tão longe quanto isso da ocidental) Hirota deslumbrou contudo no uso da flauta japonesa. Fê-lo num único tema, lento, ambiental mas de uma sensibilidade extrema, em que contrapôs de forma maravilhosa o seu talento na exploração das capacidades criativas deste instrumento (este sim, com a capacidade imediata de nos remeter para o extremo oriente e para as ambiências cinemáticas de Imamura ou Zhang Yimou) ao brilhantismo de Laginha no piano. Um tema que valia, só por si, a ida ao concerto.
Já devem ter notado que vim fascinado do Museu do Oriente…
Livrem-se de não gravar este trabalho em disco!
É que nunca mais punha os pés na Fundação Oriente…

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Olhando as Estrelas


Jacob Young
Sideways
ECM 2007
17/20

Segundo disco pela ECM do guitarrista nascido em Lillehammer na Noruega em 1970, mas filho de pai norte-americano, que o introduziu ao universo musical do jazz. Auto didacta a princípio (começou a tocar guitarra aos 12 anos de idade), acabou por ingressar no Conservatório de Oslo e mais tarde na New School for Jazz and Contemporary Music em Manhattan, como bolsista, onde foi aluno de Jim Hall e de John Abercrombie. Após terminar os seus estudos iniciou uma carreira como sideman em Nova Iorque onde, durante dois anos, actuou, entre outros, com Rashied Ali, Marc Copland, Arnie Lawrence, Junior Mance e Larry Goldings.
De regresso à Noruega gravou três discos de originais para editoras locais com um conjunto de músicos que incluiu Nils Petter Molvaer, Trygve Seim, Arve Henriksen, Bendik Hofseth, Vigleik Storaas, Christian Wallumrød e Jarle Vespestad. O seu talento atraiu a atenção da cantora Karin Krog e formaram um duo que já correu mundo em inúmeras apresentações e gravou um disco de standards em 2002, produzido por John Surman, denominado Where Flamingos Fly.
A sua colaboração com Surman levou-o à ECM de Manfred Eicher para quem gravou, no mesmo ano e já com o seu grupo (composto por Mathias Eick, no trompete, Mats Eilertsen, no contrabaixo, Vidar Johansen no clarinete baixo e saxofone tenor e o veterano Jon Christensen na bateria, embora o trabalho só tenha sido lançado em 2004) Evening Falls, o seu primeiro disco para a prestigiada editora alemã.
O universo musical de Young é marcado por duas influências notórias: o fraseado calmo, redondo, rendilhado e perfeccionista de Jim Hall na guitarra e os ambientes largos, melódicos e nostálgicos do jazz norueguês, tão bem representados pelo grupo (particularmente pelo excelente trabalho do jovem trompetista, de 28 anos de idade, Mathias Eick, para além do próprio guitarrista) e que fazem lembrar o lirismo de Trygve Seim.
As suas composições, longe de buscarem o protagonismo exibicionista da guitarra, antes servem o colectivo, desdobrando-se em duos e trios melódicos, com o comando geralmente assumido pela guitarra e/ou trompete (ocasionalmente pelo saxofone) e onde as funções melódicas e harmónicas são repartidas equitativamente pelos solistas. Apenas Jon Christensen é relegado geralmente para funções exclusivamente rítmicas, o que faz de modo consentâneo com o intimismo da obra, recorrendo frequentemente a uma estética textural.
Este Sideways é um trabalho profundamente sedutor. Tecnicamente perfeito e buscando influências tanto no ambiente clássico como no jazzístico (sem esquecer pequenas referências ao flamenco e à bossanova) Jacob Young conquista facilmente o ouvinte como intérprete e como compositor através de sucessivos temas líricos e nostálgicos (seis deles em guitarra acústica e quatro na eléctrica com caixa de ressonância), melodicamente apelativos mas estruturalmente complexos e elaborados. Estes encontram no trompete de Eick outro intérprete de excelência, que partilha integralmente o protagonismo interpretativo do disco. Ocasionalmente também o contrabaixo de Mats Eilertsen e o saxofone (esporadicamente o clarinete baixo) de Vidar Johansen se intrometem, com apurada pertinência, nas tarefas melódicas, donde resultam elaboradas polifonias, por vezes em ambiências quase barrocas (como com a introdução pelo contrabaixo arqueado em Out of Night).
Também se sentem ocasionais influências folk e blues (lembrando os trabalhos de Bill Frisell) em temas como Near South End ou no solo de guitarra de Wide Asleep.
O disco termina em pleno com uma pequena pérola exclusivamente à guitarra acústica (mais precisamente em duas guitarras acústicas, ambas tocadas por Young) chamada Gazing at Stars.
Um disco extraordinário de um grande guitarrista norueguês cuja música assenta como uma luva no catálogo da ECM. Quase diria que o personifica.

domingo, 11 de maio de 2008

Novos Discos





Bobby McFerrin em Portugal


Nascido em Inglaterra em 1950, mas criado em Nova Iorque, filho do barítono Robert McFerrin (o primeiro negro a fazer parte da New York's Metropolitan Opera e a voz de Sidney Poitier na adaptação cinematográfica de Porgy & Bess), Bobby McFerrin é dono de uma poderosa voz (com quatro oitavas) e uma invejável, ainda que pouco ortodoxa, técnica vocal.
As suas capacidades vão das rápidas mudanças entre a voz normal e o falseto, que usa para criar efeitos polifónicos, ao uso da percussão vocal (com recurso também ao peito) até ao cantar harmónico com uso da ressonância toráxica, ao jeito dos monges tibetanos (pelo qual produz vocalmente verdadeiros acordes de duas ou três notas).
As suas colaborações incluem nomes como Yo-Yo Ma, Herbie Hancock, Chick Corea, Joe Zawinul, Tony Williams, John Hendricks ou Cheryl Bentyne. Paralelamente ocupa o lugar de “creative chair of Saint Paul’s Orchestra” que o tem levado a dirigir orquestras regularmente nos Estados Unidos e Canadá, incluindo a San Francisco Symphony, New York Philharmonic, Chicago Symphony, Cleveland Orchestra, Philadelphia Orchestra, Los Angeles Philharmonic e a London Philharmonic, entre outras, por vezes combinando as suas improvisações vocais com a direcção de orquestra… Ficou famosa a sua direcção da Abertura de William Tell totalmente “a capella”, com os músicos da orquestra a prescindirem dos respectivos instrumentos e a interpretarem vocalmente as respectivas pautas.
A sua voz invejável já lhe valeu a atribuição de oito Grammys, um deles em 1988, pelo seu enorme êxito, Don’t Worry, be Happy, tema emblemático que ainda hoje constitui o cartão de visita deste extraordinário vocalista.
O futuro da veia musical familiar parece estar já assegurada pois o seu filho, Taylor McFerrin, assumiu já uma carreira como cantor nos EUA, no grupo Yohimbe Brothers.
Um artista invulgar e multifacetado para ouvir no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, dia 12 às 21.30h e no dia seguinte às 22.00h a Casa da Música, no Porto.

Agenda Jazz de 12 a 18 de Maio


2ª feira 12 de Maio
18.30h – Fnac Chiado (Lisboa) – Joel Xavier
21.30h – Teatro Aveirense (Aveiro) – Jacinta (tributo a José Afonso)
21.30h – Coliseu (Lisboa) – Bobby McFerrin
22.00h – Casa da Música (Porto) – Bebel Gilberto
22.00h – Auditório Museu Oriente (Lisboa) – Trimurti (Mário Laginha)

3ª feira 13 de Maio
18.00h – Fnac Chiado (Lisboa) - Peter Murphy's Carver Combo
21.00h – Teatro São Luiz (Lisboa) – Maria João (20 canções de amor e um poema desesperado)
21.30h – Fnac (Almada) - Peter Murphy's Carver Combo
21.30h – Biblioteca Municipal de Lagos – Hugo Alves
22.00h – Aula Magna (Lisboa) – Bebel Gilberto
22.00h – Casa da Música (Porto) – Bobby McFerrin
22.30h – Ondajazz (Lisboa) - Big Band Reunion
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Combos da Escola de Jazz Luiz Villas-Boas do HCP

4ª feira 14 de Maio
21.00h - Teatro São Luiz (Lisboa) – Maria João (20 canções de amor e um poema desesperado)
21.30h – Auditório Museu Oriente (Lisboa) - Qawwali-Flamenco
22.00h - Galeria do Desassossego (Beja) - Peter Murphy's Carver Combo
22.30h – Ondajazz (Lisboa) - Triângulo
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Combos da Escola de Jazz Luiz Villas-Boas do HCP
23.00h – Hot Five (Porto) – Jam Session Porto All Stars

5ª feira 15 de Maio
16.00h – Centro Cultural e de Congressos (Caldas da Rainha) – António Pinho Vargas & Zé Nogueira
20.00h – Maxime (Lisboa) - Peter Murphy's Carver Combo
21.30h - Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra) – Jacinta (tributo a José Afonso)
22.00h – Casa da Música (Porto) - Rão Kyao & Karl Seglem
22.45h – Cafetaria Quadrante CCB (Lisboa) – Improvisible (José Meneses & José Salgueiro)
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Albert Sanz Trio
23.00h – Ondajazz (Lisboa) - Nancy Vieira & Paulo Borges

6ª feira 16 de Maio
21.30h – Teatro Municipal Pax Júlia (Beja) - Maria João Quarteto (InJazz)
21.30h – Centro Cultural de Vila das Aves - Quinteto de Xacobe Martinez Antelo
22.00h – Casa das Artes (Famalicão) - John Cale Acoustimatic Band
22.00h – Fábrica Braço de Prata (Lisboa) - Nicole Eitner
23.00h – Bejazz (Barreiro) – Lydie Carell & Júlio Resende
23.00h – Centro Cultural Vila Flor (Guimarães) - Trio Azul, Ferro & Polónia Ilimitada
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Albert Sanz Trio
23.30h – Ondajazz (Lisboa) – Os Índios (Mário Delgado, José Menezes, Alexandre Diniz, Massimo Cavalli e Alexandre Frazão)

Sábado 17 de Maio
21.30h - Teatro Municipal Pax Júlia (Beja) - Bernardo Sassetti Piano Solo (InJazz)
21.30h – Teatro da Trindade (Lisboa) – Joel Xavier
21.30h – Espaço Cultural Pedro Remy (Braga) - Quinteto de Xacobe Martinez Antelo
21.30h – Jazz ao Norte (Porto) – Samuel Quinto Trio
22.00h – Centro de Artes e Espectáculo (Portalegre) - John Cale Acoustimatic Band
22.30h – Fábrica Braço de Prata (Lisboa) - Kronstadt Big Band
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Albert Sanz Trio
23.30h – Ondajazz (Lisboa) - Lydie Carell

Domingo 18 de Maio
17.00h – Jardim Torre Belém (Lisboa) – Quinteto Nelson Cascais
17.00h – Museu São Brás Alportel – Zé Eduardo e Manuela Lopes
22.00h – Casa da Música (Porto) - Haugaard & Høirup + Júlio Pereira

sábado, 10 de maio de 2008

Mafalda Veiga e Jorge Palma - Tatuagens


Um dos temas mais conseguidos de Mafalda Veiga, aqui em dueto com Jorge Palma.

Chão Firme


Mafalda Veiga – Chão
9 de Maio de 2008, 22.00h
Centro Cultural Olga Cadaval
Sala Jorge Sampaio, Sintra
****

Como nem só de jazz vive o homem (sobretudo o homem casado…) desloquei-me ao Centro Cultural Olga Cadaval, em Sintra, para assistir ao espectáculo de apresentação do novo trabalho de Mafalda Veiga, denominado Chão.
Desde logo não posso deixar de assinalar o enorme fenómeno de popularidade (sobretudo junto do público feminino) que gira à volta desta simpática cantora e autora, nascida há 42 anos, na véspera de Natal e em Lisboa e que, confesso (mea culpa), me tinha passado despercebido. Para além de uma inusitada enchente do Olga Cadaval, foi possível assistir a um conjunto de manifestações, tais como grupos de adolescentes a gritarem em coro o nome e atributos da cantora durante o espectáculo, a exibição de faixas de apoio à artista e de celebração dos seus 20 anos de carreira, o súbito aparecimento durante a apresentação (para desespero dos responsáveis da sala) de artefactos luminosos que acompanharam os temas mais emblemáticos da compositora, para além do mais comum trautear de cor pelo público de quase todos os seus temas, incluindo os do último disco, editado há pouco mais de duas semanas… Um fenómeno invulgar neste povo lusitano, de brandos costumes.
Mafalda Veiga apresentou-se acompanhada por Filipe Raposo no piano, Rhodes e Wurlitzer, com um trabalho assinalável (responsável também por parte dos arranjos), por João Barbosa na guitarra eléctrica (outros dos arranjadores deste seu último trabalho), por António Pinto na guitarra acústica, Paulo Jorge Ferreira na viola baixo e Vicky na bateria (rubricando uma actuação notável pelo modo como “puxou” pelos temas da cantora, através de um fraseado rítmico elaborado e apelativo que muito contribuiu para o sucesso da apresentação).
Mafalda Veiga é sobretudo uma poetisa da canção. Apesar de serem já muitos os temas de sucesso ao longo destes seus 21 anos de carreira é nos poemas que musica que radica a enorme popularidade da cantora. Através de uma abordagem directa mas sentida e autêntica, Mafalda comenta nas letras que escreve quase tudo o que a rodeia, desde os amores e desamores que viveu até à crise de valores da sociedade massificada em que vivemos, num lirismo marcadamente feminino com que é fácil identificar-se. Aí reside o segredo da sua enorme facilidade de comunicação com o público e das enormes legiões de fãs que arrasta atrás de si e que se estendem por várias gerações (fruto de mais de 20 anos de carreira, de uma coerência invejável).
A completar esta invulgar capacidade de conquistar o público está ainda um enorme profissionalismo que nesta noite no Olga Cadaval ficou demonstrado pelo rigor impressionante com que construiu a sua apresentação. Desde a voz aos arranjos, passando pelo trabalho dos músicos, do som, das luzes, do arranjo cénico, do timing de apresentação dos seus temas mais emblemáticos, dos dois encores com que brindou o público (cada um deles com três temas, para terminar com o seu incontornável hino ”Cada Lugar Teu”), nada foi deixado ao acaso ou ao improviso, antes obedecendo a uma lógica profissional apurada, pensada e aplicada na perfeição.
O único senão foi, para mim, a adição ocasional (em três temas, para ser mais preciso) de sons gravados (mais concretamente um violoncelo em duas canções e um trompete noutra). Parece-me que o rigor e profissionalismo amplamente demonstrado pela cantora ao longo do espectáculo exigiriam a comparência de músicos que os interpretassem ao vivo ou então, que se prescindisse da adição de tais instrumentos nas apresentações em palco, mediante a entrega aos instrumentos presentes das escassas intervenções por eles protagonizadas.
Foi, no entanto, uma noite para comemorar esta em Sintra. Vivida em festa pelos muitos e fiéis fans da cantora.

Mafalda Veiga em dueto com Jorge Palma, no tema Tatuagens.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Ketil Bjørnstad - Prelude 13

Dueto Imprevisto


Ketil Bjørnstad e Terje Rypdal
Life in Leipzig
ECM 2008
15,5/20

Um disco gravado ao vivo no Leipzig’s Opera House, durante o festival de jazz da cidade em 2005, por uma estação de rádio alemã, a MDR, e que é agora lançado pela ECM.
Estamos perante uma obra notável, até pela ousadia criativa que representa um projecto musical em duo de piano e guitarra eléctrica. Ainda para mais entregues a dois personagens magistrais como são Terje Rypdal e Ketil Bjørnstad.
O primeiro é um guitarrista de excepção, com 22 discos gravados como líder desde 1970 e pela ECM, sem contar com inúmeras colaborações com outros artistas como Barre Phillips, Tomasz Stanko, Edward Vesala, Michael Mantler, Heinz Reber e Ketil Bjørnstad, entre outros. O seu som é extremamente característico (é daqueles músicos cujo som se identifica ao primeiro acorde…) e bebe de influências tão diversas como o romantismo de Grieg ou a ousadia dos trabalhos electrónicos de Ligeti ou Stockhausen. A sua obra abrange do hard-rock à música sinfónica e coral, passando naturalmente pelo jazz.
A sua ligação a Ketil Bjørnstad já tem dez anos de idade (um duo improvável mas de sucesso longevo) e tem ganho raízes na estrada, de Taiwan ao Canadá, de Lanzarote às ilhas Shetland, passando naturalmente (e muito) pela sua Noruega natal.
Bjørnstad é um fenómeno cultural da Noruega. Além de pianista, compositor-arranjador, improvisador e intérprete que lançou já 50 discos (!!) desde 1972, compôs bandas sonoras para filmes de Jean-Luc Godard, Lea Pool, Ken Loach ou Witold Adamek, publicou mais de 30 livros na Noruega, que vão da ficção à poesia passando pelo ensaio (já traduzidos em várias línguas), e arranja ainda tempo para, desde há 25 anos, escrever crítica de música e literatura no jornal norueguês Aftenposten.
Musicalmente Ketil Bjørnstad oscila entre o pop e o clássico com várias incursões pelo universo jazz, muito mais caracterizadas por uma estética ambiental, estruturalmente rica, do que pelo virtuosismo dos solos.
Estas premissas certamente aguçam o apetite dos curiosos quanto ao modo como se cruzam estes universos musicais tão distintos, em duo. Por estranho que pareça cruzam-se muito bem… Por um lado temos um Bjørnstad mais expressivo, como que “puxado” pela irreverência da guitarra de Rypdal. Por outro temos um Terje Rypdal como que “amansado” pelas influências clássicas do piano de Bjørnstad. O resultado é um trabalho limpo, melódico, ambiental quase nocturnal (como sugere a inclusão de um breve trecho do notturno de Grieg no espectáculo). A guitarra de Rypdal soa como se fosse arqueada (quase como um violoncelo) raramente causando estranheza pela sua integração no universo acústico do piano. Ora dedicando-se a tarefas harmónicas ou texturais de forma contida, ora apropriando-se dos solos com um raro sentido melódico que se integra perfeitamente nos arpeggios e glissandos do piano de Bjørnstad. Só em Le Manfred / Foran Peisen, aparece o Rypdal experimental e apaixonado pelo fantástico que conhecemos de trabalhos anteriores, para logo de seguida, em The Return Of Per Ulv, culminar este trabalho numa toada pop-rock, mais ritmada e apelativa, em jeito de apoteose final.
Em suma um trabalho muito original e conseguido de um duo que conseguiu transformar um casamento imprevisto de sonoridades numa mais valia harmónica, atraente e apelativa. Daquelas ligações ousadas que a ECM sabe tão bem fazer…

Oiça Ketil Bjørnstad no tema Prelude 13.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Omar Sosa - Light In The Sky


Último videoclip de Omar Sosa: Light In The Sky extraído do disco Afreecanos. Rodado em Salvador de Bahía, com a colaboração de Graça Onasile e Ramiro Musotto. Dirigido por Aitor Echeverría. Dedicado a Yemanja, deusa do mar.