domingo, 31 de maio de 2009

Jazz nos Capuchos 2009



Encontros de Jazz de Almada, 2009

Almada recebe a 4, 5 e 6 de Junho o 2º Jazz nos Capuchos - Encontros de Jazz de Almada. Os concertos principais estão marcados para o Convento dos Capuchos, na Caparica, enquanto a Incrível Almadense, em Almada, recebe os concertos after-hours. Os Encontros de Jazz de Almada são uma organização conjunta da Câmara Municipal de Almada e do JACC - Jazz ao Centro Clube, em parceria com a Associação Piajio.


Abe Rábade Trio
Quinta-feira, 4 de Junho de 2009, 21.45h
Convento dos Capuchos

Abe Rábade - piano e composição
Pablo Martín Caminero - contrabaixo
Bruno Pedroso - bateria

Não é fácil arrumar o pianista e compositor Abe Rábade numa área específica do jazz, e é isso mesmo que explica o encanto provocado pela sua música. Se formalmente adere ao hard bop, na linha de um Ahmad Jamal e de um Hank Jones, o seu gosto pelas melodias populares da Galiza e pelo cancioneiro medieval faz-se sentir de alguma forma, e por vezes até explicitamente, adoptando ainda algumas estruturas-tipo do classicismo camerístico, como a suite. Além do mais, não é invulgar que trabalhe directamente com as cordas do piano, um recurso que regra geral é conotado com as práticas vanguardistas. Some-se isto à sua clara preferência pela balada e por situações musicais introspectivas e temos o retrato de um músico não-conformista e alheio a estereótipos.

As afinidades que o pianista vai cultivando com uma pluralidade de músicos, permitem-lhe explorar diferentes abordagens, tendo em mente diferentes instrumentistas. Os lugares entregues a Paco Charlín (contrabaixo) e a Ramón Ángel (bateria) numa primeira fase do trio de Abe Rábade, passaram a ser ocupados pelos portugueses Nelson Cascais (contrabaixo) e Bruno Pedroso (bateria). A formação que se irá apresentar no Convento dos Capuchos mantém Pedroso na bateria, mas no contrabaixo veremos Paco Martín Caminero, reconhecido pelo seu trabalho na confluência do jazz e do flamenco. Motivo de curiosidade adicional será, portanto, a forma como Paco Martín e Bruno Pedroso irão explorar o espaço improvisacional que o pianista concede aos seus companheiros.

Novos caminhos do jazz feito na Península Ibérica, a descobrir no concerto inaugural do Jazz no Capuchos.


LA Jumping Pulgas
Quinta-feira, 4 de Junho de 2009, 23.45h
Incrível Club (Antigo Cine-Teatro da Incrível Almadense)

Lars Arens - trombone, eufónio, composição
Mário Delgado – guitarra
Bernardo Moreira – contrabaixo
Bruno Pedroso – bateria

No repertório deste grupo luso-alemão, abandona-se o conceito musical do jazz tradicional, em que um tema é composto pela melodia que se faz acompanhar por uma estrutura harmónica seja funcional ou modal, que a seguir serve também como forma para os improvisos.
Ao contrário de outros pequenos grupos de jazz convencionais, na música deste quarteto é a composição e o arranjo escrito que ganham mais espaço, sendo elementos preponderantes nos temas, exclusivamente originais – sem todavia restringir as várias partes do improviso.


Trio DAG
Sexta-feira, 5 de Junho de 2009, 21.45h
Convento dos Capuchos

Sophia Domancich - piano
Jean Jacques Avenel - contrabaixo
Simon Goubert - bateria

O trio de piano jazz faz-nos lembrar imediatamente uma pirâmide, com o piano situado no centro e destacado relativamente à secção rítmica, mas o certo é que com o DAG de Sophia Domancich, Jean-Jacques Avenel e Simon Goubert outras geometrias se vão proporcionando. Seja através de variações inesperadas do modelo estabelecido por Bill Evans para este formato instrumental, como por irreverentes trocas de papéis entre os intervenientes. Independentemente das mutações realizadas, a música é conversacional, reactiva e tensa, com o balanço do “swing” mas maior liberdade do que a encontrada nas práticas jazzísticas com parâmetros rítmicos muito definidos.

A nível estético, Domancich e os seus parceiros situam-se entre o bop (há algo de Thelonious Monk nas sincopações quebradas da pianista e compositora) e o free, mas pressentem-se muitos outros ingredientes, alguns deles derivados da formação clássica da líder e do seu gosto pela música de câmara contemporânea. Virá certamente daí a senda exploratória do projecto DAG, curioso sendo que mesmo nas improvisações se recorra a repetições de motivos. Cada peça tocada é uma desconstrução dos seus elementos, com o fito de juntar estes numa sucessão de novas formas. O cunho é, regra geral, melancólico, mas nunca se subjuga aos estereótipos da balada.

Muito diferencia este grupo da generalidade do jazz francês, seja pelas ligações de Sophia Domancich à cena britânica, na qual partilhou outro trio com Paul Rogers e Tony Levin, como pelo facto de, durante muitos anos, o contrabaixista Jean-Jacques Avenel ter tocado com Steve Lacy e de o baterista Simon Goubert seguir um percurso de colaborações transnacionais que vai de Joachim Kuhn a James Carter, passando por Lee Konitz. Até por esta circunstância estamos perante um caso de bem-vinda singularidade.


Daniel Levin Quartet
Sexta-feira, 5 de Junho de 2009, 23.45h
Incrível Club (Antigo Cine-Teatro da Incrível Almadense)

Nate Wooley - trompete
Daniel Levin – violoncelo
Mat Moran – vibrafone
Peter Bitenc – contrabaixo

Com carácter de câmara (sem bateria, o que lhe dá maior liberdade ao nível da gestão dos tempos, dos espaços e das dinâmicas) e vocação improvisacional, o Daniel Levin Quartet alia as configurações do jazz com as perspectivas que nos chegam da música erudita desde Anton Webern. A esse molde adiciona ainda uma sólida aplicação das técnicas extensivas de exploração dos instrumentos em presença, assim ampliando as possibilidades da música que pratica. O curioso é que as partituras-base do quarteto são escritas pelo violoncelista Daniel Levin tendo a voz como referência e não o seu cordofone, o que em muito contribui para a dimensão humana e orgânica do projecto. E bem servido este está: nos EUA, Levin conta apenas com a concorrência de Fred Lonberg-Holm, Erik Friedlander e Tomas Ulrich nos domínios da improvisação, Nate Wooley impôs-se como um inovador radical do trompete, Matt Moran é conhecido por ter expandido a paleta sonora do vibrafone de forma muito pessoal e Peter Bitenc é o exemplo acabado do contrabaixista que atravessa fronteiras de estilo e idioma. Com tal junção de cabeças e talentos o inevitável, decerto, acontecerá: um grande concerto…


Peter Brötzmann Quartet
Sábado, 6 de Junho de 2009, 22:00
Convento dos Capuchos

Peter Brötzmann - saxofones alto e tenor, tarogato, clarinete
Joe McPhee - saxofones tenor e soprano, trompete
Kent Kessler - contrabaixo
Michael Zerang - bateria e percussão

O novo quarteto de Peter Brotzmann é inteiramente retirado do seu Chicago Tentet, e se com este formato já não se pode falar em “massa sonora”, o certo é que as ferramentas utilizadas lidam igualmente com as noções de “intensidade” e “densidade”, de resto imagens de marca do saxofonista e clarinetista alemão. A esse nível, temos aqui uma pequena “big band”, pois com pouco é capaz dos investimentos mais épicos.

Épica, precisamente, é desde sempre a música de Brotzmann. O seu catártico “Machine Gun” surgiu em pleno período de guerrilha urbana na Europa, com especial incidência na Alemanha (Baader-Meinhof) e em Itália (Brigadas Vermelhas). “Fuck the Boere” é um violento libelo contra o sistema de apartheid na África do Sul. “Nipples” e “Balls” representam uma provocadora afirmação da sexualidade. “The Nearer the Bone, the Sweeter the Meet” lembra a condição animal dos seres humanos. Radical, agressiva, por vezes até virulenta, foi esta música que levou à definição do free jazz europeu, e em especial do germânico, como “estética do grito”. Uma forma de protesto sem palavras, expressão de raiva e inconformismo, mas capaz também de alguma ternura e até de lirismo.

Se a matriz deste quarteto é europeia e remonta aos anos 1960 e 70, foi com músicos americanos que Peter Brotzmann o constituiu, em resultado (um de muitos) da sua aceitação na cena “hard” de Chicago desde a década de 1990. A participação de Joe McPhee tem, neste contexto, uma enorme relevância simbólica, dado o seu envolvimento no free jazz original e na luta dos negros pelos direitos civis. Bastante mais jovens do que os homens dos sopros são Kent Kessler e Michael Zerang, este proveniente de uma família de origem iraquiana que viveu mal o período de governação de George W. Bush: ambos ritmistas possantes, têm a característica de saber saltar para fora da pulsação sem que tal signifique a entrega a rendilhados sonoros. Nesse aspecto, são muito diferentes de grande parte dos improvisadores do Velho Continente. É como se o jazz, depois de se ter deslocado dos Estados Unidos para a Europa, tivesse voltado ao ponto de partida.

Mais informações em http://www.jazznoscapuchos.com/2009/?language=pt

Agenda Semanal, 1 a 7 de Junho de 2009


2ª feira, 1 de Junho
14.30h – Cinemateca (Lisboa) – Filipe Raposo “Marinheiro de Água Doce”
23.00h – Bar Vynil (Lisboa) – Pedro Cunha
23.30h – Catacumbas (Lisboa) - Quarteto Paulo Lopes

3ª feira, 2 de Junho
22.30h – Ondajazz (Lisboa) – Big Band Reunion
22.45h – Lusitano (Lisboa) – Roda de Choro de Lisboa
23.30h – Catacumbas (Lisboa) - Messias & The Hot Tone Blues

4ª feira, 3 de Junho
21.30h – Teatro Sá da Bandeira (Santarém) – Laurent Filipe
22.00h - Teatro Viriato (Viseu) – Daniel Levin Quartet
22.00h – Culturgest (Porto) – Joe McPhee
22.00h – Hotel Aqueduto (Évora) – Hugo Trindade 4teto
22.00h – Speakeasy (Lisboa) – Jazz me Brown
22.30h – Braço de Prata (Lisboa) – Pat Silva & Trio João Ornelas
23.00h – Hot Club (Lisboa) – Combo alunos escola HCP
23.00h – Chapitô (Lisboa) – Trio Gonçalo Marques
00.00h – Braço de Prata (Lisboa) – Matthew Goodheart & friends

5ª feira, 4 de Junho
11.00h – Teatro José Lúcio da Silva (Leiria) – Marta Hugon “No Mundo do Jazz”
11.00h – Castelo de São Jorge (Lisboa) – Viagem ao Mundo do Jazz
15.30h – Teatro José Lúcio da Silva (Leiria) – Marta Hugon “No Mundo do Jazz”
21.00h – Coliseu (Porto) – Mayra Andrade
21.30h – Culturgest (Lisboa) – João Paulo toca Carlos Bica
21.45h – Convento dos Capuchos (Almada) – Abe Rábade Trio
22.00h - CCB (Lisboa) - Daniel Levin Quartet
22.00h – Museu Machado de Castro (Coimbra) – Joe McPhee
22.00h – Hotfive (Porto) – Nu Jazz Orchestra
22.00h – Triplex (Leiria) – 4teto Paulo Santo
22.00h – Ondajazz (Lisboa) – Combo JB Jazz
22.00h – Praça D. João I (Porto) - Dazkarieh
23.00h – B Flat (Matosinhos) – Samuel Quinto Solo
23.00h – Hot Club (Lisboa) - João Lencastre Group
23.30h – Catacumbas (Lisboa) - Quarteto Tiago Oliveira
23.45h – Salão Brazil (Coimbra) - Chrstian Lillinger/ Matthias Schriefl Quartet
23.45h – Incrível Club (Almada) – LA Jumping Pulgas
00.30h – Breyner 85 (Porto) – Rui Pereira Duo

6ª feira, 5 de Junho
21.00h – Jardim Fonte Férrea (Odemira) – Fun Farra
21.00h – Espaço Lisboa - António Palma Trio c/ Tó Cruz
21.30h – Jardim Manuel Faria (São Paio – Vizela) - Zé Soares 4teto
21.45h – Convento dos Capuchos (Almada) – Trio DAG
21.45h – Acert (Tondela) – Marcel Powell Trio
22.00h – Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra) - Peter Brötzmann
22.00h – Centro Artes Performativas do Algarve (Faro) – João Paulo toca Carlos Bica
22.00h – Miradouro Serra do Pilar (Gaia) - Little Albert Boogie Band + Diunna Greenleaf
22.00h – Fnac Gaia Shopping - Dazkarieh
22.30h – Jardim Fonte Férrea (Odemira) – Maria João & Mário Laginha
22.30h – Braço de Prata (Lisboa) – Cicero Lee Group
23.00h – Hot Club (Lisboa) - João Lencastre Group
23.00h – Chill In (Fermentelos) – Edamir Costa
23.00h – Estação da Luz (Aveiro) - Dino Soulmotion
23.30h – Ondajazz (Lisboa) - Luiz Avellar Trio
23.45h – Incrível Club (Almada) - Daniel Levin Quartet
23.45h – Salão Brazil (Coimbra) - Chrstian Lillinger/ Matthias Schriefl Quartet
00.00h – Zé dos Bois (Lisboa) – Matthew Goodheart & Woods

Sábado, 6 de Junho
17.00h – Palácio de Seteais (Sintra) - Marta Hugon
18.00h – Fnac Marshopping (Porto) - Dazkarieh
19.00h – Jazz ao Norte (Porto) – Samuel Quinto Trio
19.00h – Bacalhoeiro (Lisboa) – Johannes Krieger 4tet
20.00h – Centro Artes (Sines) – Marcel Powell Trio
21.30h – Centro Cultural de Ílhavo - Maria João e Mário Laginha
22.00h – Convento dos Capuchos (Almada) - Peter Brötzmann
22.00h – Centro Artes e Espectáculos (Portalegre) – Mayra Andrade
22.00h – Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra) – Trio DAG
22.00h – Fórum Cultural Transfronteiriço (Alandroal) – Isabel Campelo
22.00h – Miradouro Serra do Pilar (Gaia) - Los Reyes del KO + The Animals
22.00h – Fnac Norteshopping – Dazkarieh
22.30h – Braço de Prata (Lisboa) – Marta Plantier e Luis Barrigas
22.30h – Braço de Prata (Lisboa) – Anisotropus + Sei Miguel e Fala Mariam
23.00h – Zé dos Bois (Lisboa) - Matthew Goodheart + Woods
23.00h – Braço de Prata (Lisboa) – Longitude Zero
23.00h – Polar (Mira) – Edamir Costa
23.00h – Teatro Vila Real - The Dixie Boys
23.00h – Hot Club (Lisboa) - João Lencastre Group
23.30h – Ondajazz (Lisboa) – Groove 4tet
23.30h – Bejazz (Barreiro) – Rodrigo Moreira
23.30h – Taverna dos Trovadores (Sintra) - Rogério Charraz Trio
23.45h - Salão Brazil (Coimbra) - Daniel Levin Quartet

Domingo, 7 de Junho
17.00h – Tapada das Necessidades (Lisboa) - João Lencastre Group e DJ João Gomes
17.00h – Fnac Santa Catarina (Porto) – Dazkarieh
20.00h – Crew Hassan (Lisboa) – Electro Jazz Duo
21.00h – CCB (Lisboa) – Mayra Andrade
21.00h – Breyner 85 (Porto) - Combo Jazz Luís Eurico
22.30h – Ondajazz (Lisboa) – Marcel Power

Salsa'n Jazz



Samuel Quinto Trio
Salsa’n Jazz
Edição de Autor, 2009

Samuel Quinto é um pianista brasileiro, nascido em Belém do Pará e radicado na cidade do Porto, desde 2004. Auto didacta, dedicou-se desde muito cedo à música, ao piano e ao jazz em particular. A sua paixão é o jazz latino, a fusão dos ritmos nativos do seu Brasil natal, de Cuba e das Caraíbas, com a criatividade e riqueza rítmica e harmónica do jazz.
Em 2007 editou o seu primeiro álbum entre nós, com a chancela da Numérica e denominado Latin Jazz Thrill, do qual já deixei algumas notas nas presentes páginas.
Pianista exuberante e de ritmo contagiante, Samuel Quinto conquistou-me com esse primeiro trabalho, no qual se fez acompanhar pelos seus compatriotas Edamir Costa no baixo e Gil “Batera” na percussão. As referências óbvias eram o trio do dominicano Michel Camilo, os trabalhos dos pianistas cubanos Gonzalo Rubalcaba e Chucho Valdés e ainda as incursões do norte-americano Chick Corea pelos terrenos do latin jazz, evidentes na escolha de três originais de Corea para o seu repertório: Spain, Armando’s Rhumba e Fiesta.
Este novo trabalho, que irá ser oficialmente apresentado ao público no próximo sábado, 6 de Junho, no Auditório José Duarte, na cidade do Porto, estreia um novo trio, com Marcos Borges no baixo eléctrico e contrabaixo e o cubano Manuel Santiesteban na bateria e percussão.
Todavia as alterações não mudaram radicalmente o som do grupo. Este mantém-se fiel aos cânones do jazz latino, ritmicamente exuberante, melodicamente sedutor e harmonicamente evoluído.
Este novo trabalho é contudo revelador de um Samuel Quinto mais audaz, porquanto o pianista assina a totalidade das composições nele incluídas, à excepção de um único tema, Stella by Starlight, um jazz standard da autoria de Victor Young (o tema Jaci é contudo composto em parceria com Edamir Costa).
Por outro lado, a par das omnipresentes influências caribenhas (salsa, rhumba, bolero), nota-se não apenas uma assinalável presença dos ritmos brasileiros, o baião de Luiz Gonzaga em “Ficou no Meio”, ou o choro de Pexinguinha em “Voo de Andorinha”, como também uma busca das raízes históricas dos ritmos latinos (patente aliás nos dois referidos autores) através de uma homenagem a África, mãe de todos os ritmos, no tema “Kalimba Mulêle”, para o qual o pianista faz uso do kalimba, pequeno piano tocado com os polegares e revelado ao ocidente pelo musicólogo britânico Hugh Tracy, a partir da década de 20 do século passado.
Pelo meio ficam duas baladas, “Bolero to Preta” (uma homenagem à mãe do pianista) e “Isabel (Para Você)”, onde o piano assume total protagonismo, remetendo os restantes instrumentos para funções quase exclusivamente rítmicas. O segundo aliás é um inspirado poema musical que teria ganho bastante com um arranjo menos centrado no piano, que permitisse a assumpção pelos restantes membros do trio de funções mais criativas.
Aparte este pequeno reparo “Salsa’n Jazz” é mais uma insofismável prova do talento de Samuel Quinto não apenas como pianista de jazz latino, mas agora também como inspirado compositor.
Um pianista que urge conhecer porquanto é um dos poucos músicos de jazz que, em Portugal, se dedica com enorme mérito a este nobre género que é o latin jazz, imortalizado no inesquecível documentário do realizador espanhol Fernando Trueba “Calle 54”.
Em jeito de aperitivo aqui fica o tema “Ficou no Meio” uma homenagem de Samuel Quinto ao génio criativo de Luiz Gonzaga, acompanhado de belas fotos do Recife, de Olinda, do Pantanal e de Manaus, da autoria do alemão Torsten Karock. Podem admirar o seu trabalho em http://www.pbase.com/thejack
Não resisto a partilhar convosco uma curiosidade acerca do título deste tema: segundo me confidenciou o pianista, a música "Ficou no Meio" chama-se assim porque quando o trio ia ensaiar ficou parado no elevador, durante quase meia hora, entre dois pisos. Quando finalmente foram libertados e chegaram ao estúdio, Samuel Quinto compôs a música, a que pôs adequadamente o nome de "Ficou no Meio"!
Para mais informações sobre Samuel Quinto visitem o seu seu site em http://www.samuelquinto.com/ ou a sua página no myspace http://www.myspace.com.br/samuelquinto

Samuel Quinto Trio – Ficou no Meio

quinta-feira, 28 de maio de 2009

Nélson Cascais no CCB



CCB | QUI.28.MAI | 22:00| NELSON CASCAIS "GURUKA"
CAFETARIA QUADRANTE
ENTRADA LIVRE

NELSON CASCAIS contrabaixo
DESIDÉRIO LÁZARO sax tenor
ANDRÉ FERNANDES guitarra
JOÃO PAULO fender rhodes
MARCOS CAVALEIRO bateria

Músico incontornável da cena nacional, a ele recorrem também todos quantos precisam de um pilar sólido para os seus próprios conceitos, como André Fernandes, Carlos Martins, Abe Rabade, Perico Sambeat, Jesus Santandreu, Maria João, Mário Laginha, Benny Lackner, Pedro Moreira, Bernardo Sassetti, e tantos outros. Foi com alguns deles que Cascais formou o projecto Guruka, e só a leitura dos nomes em questão é uma garantia de qualidade: além de Fernandes e Moreira, estão envolvidos o grande pianista que é João Paulo Esteves da Silva (neste contexto concentrado num instrumento “vintage”, o Fender Rhodes) e Marcos Cavaleiro, além do jovem e promissor saxofonista algarvio Desidério Lázaro. A música a ouvir, desta vez ao vivo, pretende equilibrar escrita e improvisação de modo orgânico, conciliando num mesmo objecto a diversidade de influências estéticas de cada uma das personalidades associadas.

domingo, 24 de maio de 2009

Andrew Bird



Andrew Bird
Cinema São Jorge - Sala 1
2º CONCERTO
24 de Maio |21h30
Preço dos bilhetes: 20€

Depois de em 2008 ter vencido o Plug Independent Music Award para melhor artista masculino, Andrew Bird editou em Janeiro deste ano o seu mais recente trabalho Noble Beast.
O aguardado sucessor de Armchair Apocrypha, gravado em Nashville com o produtor dos Lambchop Mark Nevers e no loft de Chicago dos amigos Wilco, foi considerado por muitos possivelmente o melhor disco de Bird.
O público português tem agora a oportunidade de (re)ver um dos mais brilhantes artistas da actualidade. A música de Andrew Bird oferece ideias e imagens novas a quem estiver disponível às suas imagens e ideias próprias, e essa é uma generosidade que merece retribuição.

Andrew Bird - Imitosis

Mariana Aydar no CCB



Mariana Aydar
CCB, 25 de Maio, 21.00h

Mariana Aydar faz parte de uma nova geração de talentos da música brasileira e é representante da novíssima safra da MPB. Foi convidada por Seu Jorge a abrir a sua digressão na Europa, em 2004. O seu primeiro disco, Kavita, foi aclamado pela crítica e rendeu-lhe elogios por parte de Caetano Veloso, Nelson Mota, João Donato e Leci Brandão. Depois de se apresentar ao lado de Chico César, Dominguinhos, Elba Ramalho e Virgína Rosa, Mariana Aydar ‘fugiu’ para França em busca de novos ares e novas referências. O disco que Mariana estreia agora é o resultado dessa descoberta.

Esta é uma iniciativa conjunta do São Luiz e da UGURU, inserida no programa Estreias Internacionais – Novas Músicas no São Luiz.

Co-Produção SLTM ~ UGURU

Apoio CCB

Mariana Aydar - Deixa o Verão

Serralves em Festa

6ª EDIÇÃO DO SERRALVES EM FESTA

O maior festival de expressão artística contemporânea em Portugal, com uma duração de 40 horas consecutivas e com actividades para todas as idades, para todas as famílias e para a família toda.

http://www.serralvesemfesta.com/gca/index.php?id=26&continua=0

Serralves em Festa

Maio Jazz em Almodôvar



Maio Jazz em Almodôvar
29 e 30 de Maio, 22.00h
Cine Teatro de Almodôvar

29 de Maio
The Two Gentleman Band
Duo nova-iorquino formado por Andy Bean e Fuller Condon, com uma música ornamentada e descontraída que combina o hot jazz, vintage rhythm & blues e o old-time country. Em Janeiro de 2009, lançaram o seu quarto CD, “Drip Dryin' with The Two Man Gentlemen Band”.

30 de Maio
Joana Machado Quinteto
JOANA MACHADO “A Casa do Óscar” Joana Machado – voz; Bruno Santos – guitarra; Filipe Melo – piano; Bernardo Moreira – contrabaixo; Bruno Pedroso – bateria; Direcção Musical e Arranjos de Afonso Pais
Apresentação do último CD lançado pela Iplay em que a cantora madeirense presta homenagem ao cancioneiro do brasileiro Tom Jobim, com arranjos do guitarrista Afonso Pais.

The Two Gentleman Band – William Howard Taft


Joana Machado - Olha Maria

Douro Blues



De 2009-05-29 a 2009-06-06
4ª edição Douro Blues
Festival Internacional de Blues de Gaia

Teatro d'Avenida (frente ao El Corte Inglés)
29 de Maio: 22h - Mr. Blues + Alvin Lee
30 de Maio: 22h - Burkowsky Trio + John Lee Hoocker Jr.

Serra do Pilar
5 de Junho, 22h - Little Albert Boogie Band + Diunna Greanleaf
6 de Junho, 22h - Los Reyes del Ko + The Animals

Alvin Lee, o virtuoso guitarrista que liderou até 1974 os britânicos Ten Years After (banda que se mantém com o seu irmão e baterista Ric Lee e que actuou em Gaia no ano passado), abre a 4ª edição do Douro Blues - Festival Internacional de Blues de Gaia, a 29 de Maio, no Teatro d`Avenida.

Com um espectáculo cuja primeira parte está a cargo dos Mr. Blues - quinteto de Carcavelos que promete «performances absolutamente vibrantes e enérgicas» - Alvin Lee mostra desde logo que o Douro Blues regressa com um elevado nível.

Aliás, a segunda noite tem como cabeça-de cartaz outro nome igualmente sonante: John Lee Hooker Jr. Antecedido pela enérgica formação galega Bukowski Trio, o filho de John Lee Hooker, o maior bluesman de todos os tempos, segue as pegadas do pai criando o seu estilo com um blues mais eléctrico e mais marcado, mas ao mesmo tempo com uma voz que denuncia as origens...

O norte-americano encerra a primeira parte do Douro Blues que, à semelhança do ano passado, descerá depois até à Serra do Pilar para mais duas grandes noites de blues ao ar livre, em Junho: Little Albert Boogie Band, Diunna Greenleaf, Los Reyes Del KO e a mítica banda britânica The Animals.

Org. Pelouro da Cultura, Património e Turismo/Gaianima

Horário
22h00

Local
Teatro d`Avenida (frente ao El Corte Inglés)/ Serra do Pilar

Preço:
29 e 30 Maio: Bilhetes 15 euros / 10 euros com Passaporte Cultural
5 e 6 Junho: Acesso gratuito

Alvin Lee & Ten Years After - I'm Going Home (Woodstock 1969)

Agenda Semanal, 25 a 31 de Maio


2ª feira, 25 de Maio
21.00h – CCB (Lisboa) – Mariana Aydar
21.30h – São Jorge (Lisboa) – Andrew Bird
22.00h – Vynil (Lisboa) - Recital de Luis Vicente
22.00h – Vynil (Lisboa) - Recital Baterias Pedro Felgar
23.30h – Catacumbas (Lisboa) – Quarteto de Paulo Grilo

3ª feira, 26 de Maio
18.00h – Fnac Santa Catarina (Porto) – Pasión de Buena Vista
19.30h – Trem Azul (Lisboa) - Zul Zelub - Jorge Lima Barreto / Jonas Runa
20.00h – Faculdade Engenharia Porto – Big Band ESMAE
21.30h – Teatro Lethes (Faro) – Vertigo Quintet & Dorota Borova
21.30h – CCB (Lisboa) – Joel Xavier & Randy Brecker
22.00h – Breyner 85 (Porto)- Small Trio com Grzegorz Karnas
22.00h – Theatro Circo (Braga) – Andrew Bird
22.30h – Ondajazz (Lisboa) – Big Band Reunion
23.00h – Celeiros (Évora) – Jam Session
23.00h – Hot Club (Lisboa) – Jam Session
23.30h – Catacumbas (Lisboa) - Messias & The Hot Tone Blues

4ª feira, 27 de Maio
18.00h – Fnac Chiado (Lisboa) – Pasión de Buena Vista
21.30h – Casa da Música (Porto) – Rokia Traoré
21.30h – Auditório Escola Alcaides de Faria (Barcelos) – Small Trio
22.00h – Chapitô (Lisboa) – Pat Silva Duo com Paula Sousa
22.00h – Hotel Cartuxa (Évora) – Hugo Trindade 4teto
22.30h – Ondajazz (Lisboa) - Triângulo
23.00h – Speakeasy (Lisboa) – JazzmeBrown
23.00h – Hot Club (Lisboa) – Jam Session
23.30h – Bejazz (Barreiro) – Robert Foster

5ª feira, 28 de Maio
18.00h – Praça da Batata (Torres Vedras) – Quarteto Setsax
21.00h – Museu de São Roque (Lisboa) – Septeto do Hot Club de Portugal
21.00h – Feira do Livro (Leiria) – Quinteto César Cardoso
21.30h – ISCAC (Coimbra) – Dixie Gringos
21.30h – Livraria Trama (Lisboa) - Saxion
22.00h – Lux (Lisboa) – Rokia Traoré
22.00h – CCB (Lisboa) – Nelson Cascais 5teto Guruka
22.00h – Havana Club (Faro) – Paulo João Trio
22.30h - Braço de Prata (Lisboa) - Júlio Resende e convidados
23.00h - Hot Club (Lisboa) - Vertigo Quintet & Dorota Borova
23.00h – Salão Brazil (Coimbra) – Angles Sextet
23.00h – Ondajazz (Lisboa) – Anonima Nuvolari
00.00h – Braço de Prata (Lisboa) – Nicole Eitner
00.30h – Breyner 85 (Porto) – Norman
23.30h – Catacumbas (Lisboa) - Catman & Friends Play The Blues

6ª feira, 29 de Maio
16.00h – Praça do Comércio (Lisboa) – Paulo Muiños
16.00h – Auditório ESML (Lisboa) – Recital Inês Sousa
17.00h – Auditório ESML (Lisboa) – Bruno Pernadas Trio
21.00h – Teatro Maria Matos (Lisboa) – Music Around Circles
21.30h – Cine Teatro Almodovar – The Two Gentleman Band
21.30h – Bejazz (Barreiro) - Frango
22.00h – Clube Literário do Porto – Fátima Serro & Paulo Gomes
22.00h – Cartaxo – Jorge Reis Trio
22.00h – Braço de Prata (Lisboa) – Maria João & João Farinha
22.00h – Malaposta (Odivelas) – Sofia Vitória 4teto
22.00h – Teatro d’Avenida (Gaia) - Mr. Blues + Alvin Lee
22.30h - Braço de Prata (Lisboa) - Paula Sousa Trio
22.30h - Braço de Prata (Lisboa) - Marta Plantier e Luis Barrigas
23.00h - Hot Club (Lisboa) - Vertigo Quintet & Dorota Borova
23.00h – Salão Brazil (Coimbra) – Angles Sextet
23.30h – Ondajazz (Lisboa) - Grzegorz Karnas
23.30h - Braço de Prata (Lisboa) - Amadores de Música
00.30h - Braço de Prata (Lisboa) - Belle de Jour
01.30h - Braço de Prata (Lisboa) - Matthew Goodheart solo

Sábado, 30 de Maio
12.00h – Casa da Música (Porto) – António Augusto Aguiar
12.00h – Music Box (Lisboa) – Couple Coffee
16.00h – Praça do Comércio (Lisboa) – Paulo Muiños
16.00h – Serralves (Porto) - Difference
16.15h – Serralves (Porto) – Escola de Jazz do Porto
17.30h - Serralves (Porto) – Escola de Jazz do Porto
18.00h – Geraldine (Lisboa) – The Soaked Lamb
18.30h – Serralves (Porto) – Orquestra Jazz de Matosinhos
21.00h – Teatro Maria Matos (Lisboa) – Music Around Circles
21.00h – Teatro Municipal de Leiria - Jeff Davis Quarteto
21.00h – Festival do Tremoço (Cantanhede) – Jabardixie Jass Band
21.30h – Centro Cultural de Samora Correia – Mr. Malone
21.30h – Cine Teatro Almodovar – Joana Machado
21.30h – Paião (Figueira da Foz) – Dixie Gringos
21.30h – Teatro de Alcobaça – 2 Tubas & Friends
22.00h – Teatro d’Avenida (Gaia) - Burkowsky Trio + John Lee Hoocker Jr
22.30h – Braço de Prata (Lisboa) – Marta Plantier
23.00h - Hot Club (Lisboa) - Vertigo Quintet & Dorota Borova
23.00h – Salão Brazil (Coimbra) – Angles Sextet
23.00h – Cais do Paraíso (Aveiro) – Edamir Costa
23.30h – Ondajazz (Lisboa) - Grzegorz Karnas

Domingo, 31 de Maio
11.00h – Serralves (Porto) – Orquestra de Jazz da EPME
14.30h – Serralves (Porto) - Orquestra de Jazz da EPME
15.00h – Barra Mares (Aveiro) – Edamir Costa
16.00h – Praça do Comércio (Lisboa) – Paulo Muiños
17.00h – Torre de Belém (Lisboa) - Pedro Eça e Franco Atiradores + DJ Cabine Dupla
21.30h – Olga Cadaval (Sintra) – Couple Coffee
22.00h – Chapitô (Lisboa) – Rodrigo Moreira

quarta-feira, 20 de maio de 2009

A Casa do Óscar



A madeirense Joana Machado tem um novo disco, já disponível nas FNAC deste país. Chama-se a Casa do Óscar e é dedicado à obra do compositor brasileiro Tom Jobim. Foi gravado em Janeiro deste ano com direcção musical do guitarrista Afonso Pais, conta ainda com Filipe Melo no piano, Bernardo Moreira no contrabaixo e Bruno Pedroso na bateria.
Fiquem com o primeiro vídeo extraído deste álbum, do tema Olha Maria, uma canção popularizada por Chico Buarque na década de 70 (do século passado!!). Com Bernardo Sassetti no piano, o video foi realizado por Tiago Angelino & Tiago Pereira.

Joana Machado – Olha Maria

Som Universal



Rokia Traoré

Uma das vozes mais importantes do continente africano, Rokia Traoré, vem a Lisboa para um concerto onde é possível testemunhar que a sua música não tem fronteiras e é universal. Com o quarto álbum de originais, a compositora e guitarrista do Mali levou a sua música mais longe, sem se restringir à world music ou aos sons tradicionais do seu país. A sua sonoridade é transversal a muitos outros géneros como o funk, blues, jazz ou rock, conquistando assim o público e a crítica. Rokia Traoré conjuga na perfeição a guitarra eléctrica, a harpa, o n’goni (guitarra tradicional maliana), a voz, as letras na língua Bambarra e os instrumentos clássicos, criando sonoridades que não deixam ninguém indiferente.
Para ouvir nos próximos dias 27 de Maio, às 21.30h, na Casa da Música, no Porto, e 28 de Maio, às 22.00h, na discoteca Lux, em Lisboa.

Fonte, agenda cultural CML nº 222

Rokia Traoré - Dounia

Circular



Music Around Circles é um concerto concebido por Marco Martins, construído a partir de imagens do seu mais recente filme, “Como Desenhar Um Círculo Perfeito”, e da música original do mesmo composta por Bernardo Sassetti. Desta combinação surge um concerto de piano, violoncelo e imagem editada ao vivo.
Em palco estarão, ao piano, Bernardo Sassetti, Mário Laginha e João Paulo, no violoncelo, Filipe Quaresma, e também os jovens actores Rafael Morais e Joana Verona, os protagonistas de “Como Desenhar Um Círculo Perfeito”.
Para ver e ouvir no Teatro Maria Matos, dias 29 e 30 de Maio, pelas 21.00h.


Marco Martins

Alice (video de Caculo1)

Elliot Sharp a solo no CCB



CCB (Lisboa) | QUI.21.MAI | 22:00|
ELLIOTT SHARP SOLO

CAFETARIA QUADRANTE
ENTRADA LIVRE

ELLIOTT SHARP KOLL 8 STRING GUITARBASS

Lançou mais de 200 discos num espectro musical que vai dos blues e do jazz ao rock “no wave” e ao techno, passando pela música para orquestra e pelo noise. As suas composições foram interpretadas por RadioSinfonie Frankfurt, Ensemble Modern, Ensemble Rezonanz, Continuum, Flux Quartet, Kronos Quartet e Zeitkratzer, e os seus colaboradores incluíram já o cantor qawaali Nusrat Fateh Ali Khan, a lenda dos blues Hubert Sumlin, o dramaturgo Dael Orlandersmith, a violoncelista Frances-Marie Uitti, os escritores de ficção científica Jack Womak e Lucius Shepard, os gigantes do jazz Sonny Sharrock, Jack DeJohnette e Oliver Lake e o líder dos Master Musicians of Jajoukah, Bachir Attar. Lidera os projectos Carbon, Orchestra Carbon, Tectonics e Terraplane, e um dos mais recentes álbuns do músico, Sharp? Monk? Sharp! Monk!, que consiste na interpretação em guitarra acústica solo de peças de Thelonious Monk. Elliott Sharp virá interpretar temas de Monk e outras pérolas do seu mais recente disco na Clean Feed, Octal: Book One, na guitarra Koll de 8 cordas, construída de propósito para si pelo luthier Saul Koll.

Nobuyasu Furuya no Trem Azul



TREM AZUL (Lisboa) |Quar.20.MAI| 19:30 |
NOBUYASU FURUYA E RODRIGO PINHEIRO

Nobuyasu Furuya saxofone tenor, clarinete baixo e flauta
Rodrigo Pinheiro piano

Nobuyasu Furuya e Rodrigo Pinheiro têm em comum o gosto pela improvisação livre e o facto de cada um participar em projectos com a mesma secção rítmica (Hernâni Faustino e Gabriel Ferrandini): no Nobuyasu Furuya trio mais focado em sonoridades associadas ao Free Jazz e no RED Trio, um grupo de improvisação livre total. Apresentam-se agora em duo, Nobuyasu Furuya em flauta, sax. tenor e clarinete baixo e Rodrigo Pinheiro em piano. O duo é um formação arriscada. Reduzindo-se o número de músicos, aumentam-se também a quantidade de papéis que cada um tem de desempenhar. Por sua vez privilegiam-se os espaços deixados em branco, as intersecções e contrastes na linguagem de cada um dos músicos, bem como a tensão que existe em decidir ou em suportar a linguagem do outro ou em desenvolver a sua livremente. Nobuyasu Furuya, Japonês de nascimento, mas presentemente a viver em Lisboa depois de uma estadia em Berlim, veio agitar as águas da cena jazzística e improvisada portuguesa com o seu sopro ora extremamente possante (algures entre Archie Shepp e Peter Brotzmann), ora controlado com um rigor implacável, nos seus três instrumentos de eleição: o saxofone tenor, o clarinete baixo e a flauta. Rodrigo Pinheiro é natural da Covilhã e desde cedo que se dedicou ao estudo do piano e da improvisação. Tem participado em vários grupos e colaborado com vários músicos nacionais e internacionais sempre na área da improvisação livre. A sua linguagem é caracterizada por frases rápidas e enérgicas, tentado fundir influências de Thelonious Monk, Cecil Taylor, Gyorgy Ligeti e Olivier Messiaen. Espera-se um concerto enérgico, rápido e estimulante.

Entrada 3 euros

terça-feira, 19 de maio de 2009

Black Magic Woman



Lila Downs
17 de Maio, 22.00h
Auditório dos Oceanos (Lisboa)
*****

Se me permitem o facilitismo do raciocínio, eu diria que mais difícil do que chegar ao topo da popularidade musical é manter-se lá. A história recente está pejada de sucessos meteóricos que desapareceram com a mesma rapidez com que surgiram.
Na verdade perante um enorme sucesso, sobretudo se inesperado, uma de duas soluções se impõe: apostar na fórmula vencedora até à exaustão, ou ir mudando subtilmente, evitando ou melhor, minorando a inevitável erosão.
Se a primeira solução parece mais fácil e apetecível, por isso mesmo executada pela maioria das pop stars, é também a que mais rapidamente eclipsa estas estrelas de aviário. O desgaste é tanto que por vezes mata a galinha dos ovos de ouro logo ao segundo disco!
Já a segunda hipótese, mais inteligente e ponderada, está contudo apenas ao alcance de músicos de inegável qualidade (ou por vezes de produtores de qualidade), capazes de se reinventarem em cada disco, ao sabor das tendências dominantes dos tops mundiais. Em casos extremos pode mesmo garantir décadas de sucesso (vejam a Madonna ou o Prince, só para citar dois dos mais carismáticos exemplos).
Há também quem aposte na coerência e na qualidade acima de quaisquer tendências. Não evita os altos e baixos na carreira, mas deixa a consciência tranquila.
Há por fim aqueles, como Lila Downs, que conseguem ser coerentes e ainda assim reinventarem-se continuamente.



Lila Downs
Ojo de Culebra/Shake Away
Manhattan, 2008

Shake Away/Ojo de Culebra (dicotomia onomástica reveladora do quão segregacional pode ser de facto o melting pot norte americano) é o exemplo perfeito dessa qualidade. Quantos já ouviram Black Magic Woman tocado por uma banda de mariachis? E já pensaram como soaria a Non Smoking Orchestra de Emir Kusturica se o cineasta bósnio (de nacionalidade sérvia) decidisse filmar a revolução mexicana?
A resposta a estas e a muitas outras perguntas igualmente interessantes pode ser encontrada no último trabalho discográfico de Lila Downs, a cantora mexicana, filha de um professor de arte e cinematógrafo britânico e de uma cantora índia mixteca, nascida em Oaxaca no México, criada na Califórnia e licenciada em canto e antropologia pela Universidade do Minnesota, nos Estados Unidos.
Cantora e antropóloga diplomada, esta mexicana de enorme garra não hesita em puxar por ambos os galões nos seus trabalhos, cantando soberbamente (a sua amplitude vocal é desconcertante) e rebuscando nos cantos da memória colectiva os ícones de um passado latino-americano feito de repressão, de migrações e de lutas pelos direitos das minorias.
Lila Downs é a cantora dos índios, dos imigrantes mexicanos que, aos milhões, atravessam ilegalmente as fronteiras norte-americanas em busca do seu pedacito do american dream, dos excluídos que trabalham pelo minimum wage, das verdades inconvenientes da sociedade norte-americana, ambientais e sociológicas. Mas é também a memória bem viva de uma Mercedes Sosa, de uma Chavela Vargas, de uma Lola Beltrán e tantas outras vozes que marcaram a enorme riqueza da cultura musical latino-americana em geral e da mexicana em particular.
Mas até aqui nada de novo. Esta é a Lila Downs que conhecemos desde o primeiro disco e que tão bem identificamos com o espírito de uma Frida Kahlo e de um Diego Rivera que ela musicou no filme Frida de Julie Taymor.
O que Ojo de Culebra trás de novo é uma magnífica produção de Paul Cohen que mistura guitarras eléctricas com charangos, música klezmer com zampoñas e blues com kenachos.
A esta enorme riqueza rítmica e melódica somam-se os poemas intervencionistas (assinados pela própria Lila Downs) e uma magistral presença em palco da cantora mexicana.
Acompanhada pelo próprio Cohen no saxofone, por Yayo Serka na percussão, Carlos Henderson no baixo eléctrico, Rob Curto no acordeão e Dana Leong no trombone, esta mulher de armas levantou o auditório dos oceanos em Lisboa com uma voz fabulosa, uma presença inesquecível e uma entrega inexcedível. Dançou e coreografou os temas aos sabor dos seus poemas incisivos, puxou pelos músicos e pelo público com a acutilância apenas ao dispor dos grandes entertainers, chamou a atenção de todos para as temáticas que a movem sem cair em panfletarismos ou vitimizações, sempre em clima de festa e de enorme alegria de viver.
Um concerto inesquecível e um disco poderoso de uma mulher bela e com “cojones”!

Shake Away


Foi na Travessa da Palha (Fados, de Carlos Saura), com Paul Cohen


Ojo de Culebra (com La Mari, do grupo espanhol Chambao)

Andrea Pozza Trio + Maria Viana e Laurent Filipe



Trio de Andrea Pozza + Maria Viana e Laurent Filipe
23 de Maio, 22.00h
Auditório Eunice Muñoz (Oeiras)

Numa semana particularmente rica em concertos de jazz, haverá ainda lugar no próximo sábado para assistir à apresentação do Trio do pianista italiano Andrea Pozza acompanhado pela voz da portuguesa Maria Viana e do trompetista luso-brasileiro Laurent Filipe.
Natural de Génova, Pozza estreou-se muito jovem, aos 13 anos de idade, no Louisiana Jazz Club da sua cidade natal. Entre 1981 e 1985 correu a Europa com a European Community Youth Jazz Orchestra. Nos últimos anos, além do seu trio, Pozza envolveu-se em vários projectos como os quartetos de Steve Grossman e de George Coleman, bem como num projecto a dois pianos com o seu compatriota Dado Moroni. Participa ainda no quarteto de Dick deGraaf, com quem gravou um disco de adaptação ao jazz de várias obras de Schubert, e claro está no Quinteto de Enrico Rava, um dos mais reputados jazzman europeus.
Um concerto que se recomenda vivamente.

Andrea Pozza Trio + Dado Moroni

Stacey Kent na FEUP



Stacey Kent
23 de Maio, 22.00h
Auditório da Faculdade de Engenharia do Porto

Depois de ter estado entre nós no passado mês de Abril, para dois concertos em Lisboa e nas Caldas da Rainha, a professora novaiorquina com mais swing, Stacey Kent, regressa a Portugal para mais um concerto, agora na Faculdade de Engenharia do Porto.
O repertório deverá incidir no seu último álbum "Breakfast On the Morning Tram", lançado em 2007. Editado pela Blue Note, reúne temas de Serge Gainsbourg, Baden Powell, Vinicius de Moraes, Sérgio Mendes e bem assim do seu marido, o saxofonista Jim Tomlinson.
Considerada uma das cantoras mais promissoras do jazz actual, Stacey já foi premiada com o British Jazz Award, o BBC Jazz Award e nomeada para o Grammy na categoria de "Melhor Voz Jazz", entre outras distinções.

The Boy Next Door


Águas de Março, com Suzanne Vega

Daniel Mille



Daniel Mille Quinteto
22 de Maio, 23.00h, Ondajazz (Lisboa)
23 de Maio, 21.30h, Teatro Municipal de Portimão

O acordeonista francês Daniel Mille vai actuar esta semana em Portugal, acompanhado pelo seu quinteto. Nascido em Grenoble e com formação pelo Conservatório National de Région e pela Ecole Normale de Musique de Paris, lançou o seu primeiro disco em 1993 “Sur Les Quais”, que lhe valeu um Django d’Or, um dos mais importantes prémios do jazz francês.
Dois anos depois gravou "Les heures tranquilles" e em 1999 "Le funambule". No ano de 2001 estreou-se pela Universal com o álbum “Entre chien et loup” a que se seguiu, em 2005, “Aprés la Pluie”.
Daniel Mille tem actuado nos mais prestigiados festivais de jazz, como o Paris Jazz Festival, Jazz à la Defense ou o Festival Internacional de Jazz de Montreal, e apresentou-se em inúmeros países como a África do Sul, Estados Unidos, Japão, China ou Marrocos.
Gravou já com artistas como Barbara, I Muvrini, Salif Keïta, Jean Guidoni, Anne Sylvestre, Georges Moustaki, Jacques Higelin, Maxime Le Forestier, Maurane, Lokua Kanza, Clarika, Claude Nougaro, Luz Casal, Baden Powel, Daniel Goyone, David Linx, Mino Cinelu , Marcio Faraco, Richard Bona, Nina Hagen, Eric Longsworth ou Helen Merril.
Em 2006 foi galardoado com o prémio Victoire Jazz, para o melhor instrumentista.
A acompanhá-lo estarão Alfio Origlio no piano, Jérome Regard no contrabaixo, Julien Alour no fliscornio e Pascal Rey na bateria.

Daniel Mille – Ouro Preto

Blues em Sintra



Doug Macleod
22 de Maio, 22.00h, Auditório Acácio Barreiros,
Centro Cultural Olga Cadaval (Sintra)

Doug MacLeod é um dos últimos Bluesmen que aprendeu com os velhos mestres e que continua a carregar com ele todo o valor da tradição.
No mundo dos Blues, Doug Macleod é conhecido pela qualidade dos seus álbuns, pela sua voz quente cheia de alma e pelas actuações ao vivo que têm fama de ser inesquecíveis.
Vindo de St. Louis, Macleod tornou-se hoje num dos mais respeitados músicos de toda a cena Blues.
Na sua forma de tocar podemos destacar o seu poder rítmico e a sonoridade de grande personalidade que sai da sua velha guitarra National.

The Blues In Me


Reportagem Mirante TV - Azambuja

Martin Taylor, a solo e acompanhado



Martin Taylor
22 de Maio, 21.30h, Centro Cultural de Caldas da Rainha (com Trio de Filipe Melo)
23 de Maio, 21.00h, Cine Teatro Avenida (Castelo Branco)

O guitarrista britânico Martin Taylor, detentor de um vasto currículo do qual fazem parte colaborações com artistas de renome internacional como Liza Minelli, Eric Clapton ou George Harrison, vai estar esta semana entre nós para dois concertos. O primeiro terá lugar na sexta feira, 22, no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha, onde tocará acompanhado pelo trio do pianista português Filipe Melo, com Bernardo Moreira no contrabaixo e Bruno Pedroso na bateria. Já no sábado actuará a solo no Cine Teatro Avenida na cidade de Castelo Branco.
Martin Taylor começou a tocar guitarra com apenas quatro anos quando o seu pai, o baixista Buck Taylor, lhe ofereceu uma pequena guitarra acústica.
No final da década de 1970 deu nas vistas com a sua colaboração com o lendário violinista Stephane Grappelli
Em 1993, gravou "Artistry", o seu primeiro CD a solo para o selo Linn Records, que se manteve seis semanas no primeiro lugar da tabela da HMV.
Ainda nos anos 90 formou a banda "Spirit of Django” com a qual lançou dois álbuns aclamados pela crítica ("Kiss and Tell" e "Nitelife"), os quais mostraram as diversas vertentes de Martin Taylor como guitarrista e compositor.
Martin Taylor é Doutor Honorário pela Universidade de Paisley, Escócia, e, em 2002, foi nomeado Membro da Ordem do Império Britânico (MBE) pelo seu "Contributo à Música", tendo recebido este galardão pessoalmente da rainha Isabel II.

Martin Taylor – Georgia on My Mind


Martin Taylor – The Dolphin

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Jef Neve no Hot



Jef Neve Trio
21, 22 e 23 de Maio, 23.00h
Hot Club de Portugal (Lisboa)

Jef Neve nasceu na Bélgica, em 1977. Estudou em Lovaina, no Lemmensinstituut, e frequentou master classes com Guy de Mey, Martial Solal, Brad Mehldau, Lew Tabackin, Toots Thielemans, Billy Hart, Bill Carothers, Kenny Werner e Bruce Barth. Concluiu em 2000 o mestrado em piano clássico e em jazz e especializou-se em 2001 em música de câmara.
Paralelamente toca em bandas do seu país desde os 14 anos de idade, compondo e orquestrando peças para os mais variados ensembles, desde o piano solo até à Flemish Philharmonic Orchestra.
O seu trio, fundado há seis anos, é composto por Neve no piano, por Piet Verbist no contrabaixo e Teun Verbruggen na bateria, sendo esta precisamente a formação que irá apresentar-se nos três concertos marcados para o Hot Club.
O primeiro trabalho do trio foi “Blue Saga” (Contour, 2003), seguido de “It’s Gone” (Contour, 2004). Ambos alcançaram um assinalável sucesso: o segundo álbum foi mesmo o disco de jazz mais vendido de sempre na Bélgica. Neve assinou então em 2005 pela Universal e gravou nesse mesmo ano o terceiro álbum do trio “Nobody is Illegal” (Universal, 2006), um retumbante sucesso lançado em 20 países e que levou o trio a uma tournée mundial que passou por importantes festivais como o North Sea jazz, Jazz Fest Wien, Vancouver Jazz Festival, Montreal Jazz Festival, Paris Jazz Festival, Veneto Jazz/Italy, European Jazz Festival/Athens, Jazz au Chellah/Rabat, Blue Note Festival Gent, Gaume Jazz, London Jazz Festival, ‘Piano au Jacobins’ Toulouse, Festival van Vlaanderen, Middelheim Jazz/Antwerp, Lille Festival, Münster JazzInbetween, Berlin Jazz Meeting, Vitoria-Gasteiz festival, e concertos no Japão, México e Espanha, entre outros países. Recebeu o ZAMU Award “Jazz” em 2007.
Nesse mesmo ano compôs a banda sonora para o filme ‘Dagen Zonder Lief’ da autoria do cinesta belga Felix Van Groeningen e está presentemente a compor a banda sonora do novo filme do mesmo cineasta ‘De Helaasheid der Dingen’.
Neve mantém igualmente uma carreira como pianista clássico, apresentando regularmente as Goldberg Variations de Bach e acompanhando o tenor belga Koen Vereertbrugghen em programas que incluem obras de Schumann, Menotti, Barber, Britten e do próprio Jef Neve.
Compôs recentemente o seu primeiro concerto para piano e orquestra apresentado nos dias 1 e 2 de Maio em Bruxelas, acompanhado pela Brussels Philharmonic dirigida por Michel Tabachnik.
O mais recente trabalho do trio denomina-se “Soul In a Picture” e foi apresentado há precisamente um ano, numa edição da Universal e deverá constituir a base destas três apresentações em Lisboa.
Um concerto a não perder!

Jef Neve & Gabriel Rios – Voodoo Child


Home Session


Jef Neve Trio

domingo, 17 de maio de 2009

Paul Bley a Solo



Paul Bley Solo
19 de Maio, 21.30h, Culturgest (Lisboa)
22 de Maio, 21.30h, Teatro Municipal de Portimão

Paul Bley nasceu em Montreal, Canadá, em 1932. Muito novo estudou música clássica com vários professores. Aos 5 anos dava recitais de violino, aos 7 começou a estudar piano. Durante a juventude tocou na sua cidade natal em vários grupos de jazz, alguns dos quais dirigiu. Em 1950, com 18 anos, foi para Nova Iorque – passando desde então a viver nos Estados Unidos – estudar na Julliard School e começou a apresentar- se com músicos como Charlie Parker, Sonny Rollins, Ben Webster e outros. Durante a sua longa carreira Paul Bley terá sido, a seguir a Miles Davis, o músico de jazz que trabalhou com mais artistas de primeiro plano com opções musicais muito variadas. A sua discografia, com cerca de 100 títulos, é disso testemunho. Para além dos já citados, nomes como Charles Mingus, Lester Young, Chet Baker, Steve Swallow, Gary Peacock, John Scofield, Gary Burton, Pat Metheney, Paul Motion, Billy Hart, John Surman, Lee Konitz, Bill Evans, Cecil Taylor, Ornette Coleman, Charlie Haden, fazem parte da extensa lista de jazzmen com quem tocou e gravou.
Bley esteve ligado à vanguarda do jazz dos anos de 1960, sendo um dos seus elementos mais activos. Foi igualmente precursor na utilização do sintetizador, tendo dado o primeiro concerto da história com esse instrumento em 1969 no Philarmonic Hall de Nova Iorque. Em meados da década de 1970, com a artista de vídeo Carol Goss, iniciou uma colaboração pioneira entre músicos de jazz e artistas de vídeo.
O seu primeiro disco de piano solo foi gravado em 1972 para a editora ECM.
Paul Bley apresenta-se, desde há muitos anos, em concertos por todo o mundo, a solo ou com formações muito diversas, tocando composições suas, standards, ou lançando-se em solos espontâneos, improvisados no momento.

Paul Bley – Chivas Jazz Festival (São Paulo, 2003)

Antony Hagerty



ANTONY AND THE JOHNSONS - The Crying Light
18 de Maio, 21.30h
Coliseu do Porto

Um artista único, Antony Hegarty, actua em Portugal com os seus The Johnsons, em dois concertos, nos Coliseus de Lisboa e Porto, que servem de apresentação ao novo álbum, “The Crying Light”.
Quando em 1998, Antony and The Johnsons editaram o primeiro álbum, homónimo, o mundo da música não estava preparado para a singularidade de Antony Hegarty. As reacções de aplauso ao disco multiplicaram-se um pouco por todo o lado, elevando-os ao estatuto de banda de culto.
Foi preciso esperar sete anos por um novo álbum de originais, mas a espera foi proveitosa. “I am a Bird Now” é um dos discos mais marcantes dos últimos anos e valeu à banda o Mercury Music Prize.
À semelhança do primeiro disco, “I am a Bird Now” foi escrito na íntegra por Antony Hegarty, mas graças ao sucesso do primeiro álbum, foi possível colaborar com artistas de grande renome, como Lou Reed, Boy George, Rufus Wainwright e Devendra Banhart para colaborarem nas gravações.
Depois da recente e muito aclamada colaboração de Hegarty com os Hercules & Love Affair, o músico lançou-se na gravação dum novo álbum, “The Crying Light” editado no início de 2009.
Numa progressão natural do EP “Another World”, a capa do álbum inclui um retrato de 1977 de Kazuo Ohno, um dos co-fundadores e mais reconhecidos bailarinos de Butoh, tirada por Naoya Ikegami em Tóquio.
No retrato, Kazuo Ohno é representado a tentar alcançar a luz, com o rosto e a postura reclinada a ecoarem elementos de berço e sepultura. A vida, a morte e a transcendência estão certamente evocadas neste retrato.

Antony and the Johnsons – You Are My Sister

Agenda Semanal, 18 a 24 de Maio


2ª feira, 18 de Maio
16.00h – Praça do Comércio (Lisboa) – Trio de Paulo Muiños
18.00h – Bar Vinyl (Lisboa) – Eduardo Crespo Trio
21.30h – Coliseu do Porto – Antony and the Johnsons
22.00h – B Flat (Matosinhos) – OJM Duke Ellington
22.45h – Bar Vinyl (Lisboa) – Bruno Soares
23.00h – Bar Vinyl (Lisboa) – Recital da Escola de Jazz do HCP
23.30h – Bar Vinyl (Lisboa) – André Carvalho
23.30h – Catacumbas (Lisboa) – Quarteto Paulo Lopes
00.00h – Templários (Lisboa) – Yami

3ª feira, 19 de Maio
21.30h – Culturgest (Lisboa) – Paul Bley
22.30h – Ondajazz (Lisboa) – Big Band Reunion
22.45h – Lusitano Clube (Lisboa) – Roda de Choro de Lisboa
23.00h – Hot Club (Lisboa) – Jam Session
23.30h – Catacumbas (Lisboa) - Heritage Blues Band

4ª feira, 20 de Maio
19.00h – Trem Azul (Lisboa) - Nobuyasu Furuya + Rodrigo Pinheiro
22.00h – Chapitô (Lisboa) – Dan Hewson Quartet
22.00h – Hotel Aqueduto (Évora) – Quarteto de Hugo Trindade
22.00h – Teatro das Letras (Faro) – Edu Miranda Trio
23.00h – Speakeasy (Lisboa) – Jandira Trio
23.00h – Armazém do Chá (Porto) – Funk Bossa Jazz
23.00h – Hot Club (Lisboa) – Jam Session
23.00h – Breyner 85 (Porto) – Trei Pastori

5ª feira, 21 de Maio
15.00h – Auditório ESML (Lisboa) – César Cardoso
16.30h – Auditório ESML (Lisboa) – Daniel Vieira
18.00h – Auditório ESML (Lisboa) – Zé Maria e César Cardoso
18.00h – Palácio São Marcos (São Silvestre-Coimbra) – Jabardixie Jass Band
19.00h – Cedo e Sentado (Lisboa) – Electro Jazz Duo
21.00h – Peniche – Sofia Vitória e Júlio Pereira
21.30h – Teatro Municipal de Portimão – Gilberto Mauro
21.30h – Livraria Trama (Lisboa) – Pedro Esteves
21.30h – Centro Cultural de Chaves – Low Budget Research Kitchen
22.00h – Fórum Lx (Lisboa) – Kumpania Algazarra
22.00h – CCB (Lisboa) – Elliott Sharp
22.00h – Bar M18 (Trofa) - Glauco
22.00h – Peniche – Eddy Slap Uxu Calhus
23.00h – Hot Club (Lisboa) – Jef Neve Trio
23.00h - Caldas Late Night – ESAD (Caldas da Rainha) – Hugo Trindade “Audible Architecture”
23.00h – Casa do Livro (Porto) – B3 Sound Project
23.00h – Hotfive (Porto) – B Flat 4tet
23.00h – Contagiarte (Porto) - A Velha Cega
23.00h – Breyner 85 (Porto) - El Santo Diablo y la Virgen de los Muertos
23.30h – Catacumbas (Lisboa) - Teresa Macedo/ Nuno Tavares

6ª feira, 22 de Maio
16.00h – Praça do Comércio (Lisboa) – Paulo Muiños Trio
20.00h – Tavira – Sávio Araújo Trio
20.00h – Fábrica Braço de Prata (Lisboa) – Dan Hewson 4tet
21.30h – Teatro Municipal de Portimão – Paul Bley
21.30h – Teatro Helena Sá e Costa (Porto) – Sinfonieta ESMAE
21.30h – Auditório de Espinho - Dead Combo + Mandrágora
21.30h – Centro Cultural de Caldas da Rainha - Martin Taylor + Filipe Melo Trio
22.00h – Vale de Cambra – Eddy Slap Uxu Calhus
22.00h – Espaço Pedro Remy (Braga) – Mário Santos
22.00h – Resturante Julinha (Trofa) – Fado em Si Bemol
22.00h – Olga Cadaval (Sintra) - Doug MacLeod
22.30h – Tertúlia Castelense (Maia) – Fátima Serro & Hugo Carvalhais
22.30h – Fábrica Braço de Prata (Lisboa) – Marta Plantier
22.30h – Late Night (Caldas da Rainha) - Flu
23.00h – Hotfive (Porto) – Groove’s Gang
23.00h – Speakeasy (Lisboa) – Jandira & Picolé
23.00h – Quebra (Coimbra) – Ike Arumba e Henrique Cimento
23.00h – Hot Club (Lisboa) – Jef Neve Trio
23.00h – Breyner 85 (Porto) – Baba Mongol
23.00h – Zé dos Bois (Lisboa) – Djumbai Jazz & Kimi Djabaté
23.00h – Ondajazz (Lisboa) – Daniel Mille 5teto
23.00h . Fábrica Braço de Prata (Lisboa) – Ogre
23.00h – Stevie Ray’s (Lagos) – Grooveland
23.00h – Art Café (Ourém ) – Tino Drummer
23.30h – B Flat (Matosinhos) – Lara Li e Miguel

Sábado, 23 de Maio
20.00h – Cine Teatro Avenida (Castelo Branco) – Martin Taylor BEM
20.00h – Alandroal - Lucía Echagüe & 4 Pack
21.00h – Centro Cultural de Foros de Vale da Figueira (Montemor o Novo) – Eddy Slap
21.00h – Café Concerto ESMAE – A Velha Cega
21.30h – Teatro Municipal de Portimão – Daniel Mille Quinteto
21.30h – Fórum Maia – Mário Laginha e Pedro Burmester
21.30h – Teatro Helena Sá e Costa (Porto) – Sinfonieta ESMAE
21.30h – Cine Teatro Benavente – Not So Standard – Paulo Muiños
22.00h – Auditório da Faculdade de Engenharia do Porto – Stacey Kent
22.00h – Tavira – Sávio Araújo Trio
22.00h – Fábrica Braço de Prata (Lisboa) – Red Trio
22.00h – Casa do FCP (Trofa) - Maria João «João»
22.00h – Pátio das Letras (Faro) – Be & Bop – Manuela Lopes e Zé Eduardo
22.00h – Auditório Eunice Muñoz (Oeiras) – Maria Viana, Trio Andrea Pozza e Laurent Filipe
22.00h – Breyner 85 (Porto) – T3 mais uns
23.00h – Hotfive (Porto) – Johnny Blues Band
23.00h – Ondajazz (Lisboa) – Jandira 5eto
23.00h – Hot Club (Lisboa) – Jef Neve Trio
23.00h – Fábrica Braço de Prata (Lisboa) - Nicole Eitner
23.00h – Quebra (Coimbra) – Flat Club Showcase
23.00h – Stevie Ray’s (Lagos) – Grooveland
23.30h – Zé dos Bois (Lisboa) – Mikado Lab
23.30h – B Flat (Matosinhos) – Lara Li e Miguel

Domingo, 24 de Maio
15.00h – Barra Mar (Aveiro) – Edamir Costa - Enfim…
16.00h – Auditório Municipal (Mafra) – Felipe Fontenelle
16.00h – Praça do Comércio (Lisboa) – Paulo Muiños Trio
17.00h – Jardim Torre de Belém (Lisboa) - Djumbai Jazz + DJ Ras Fernando
17.00h – Largo do Coreto (Faro) – Manuela Lopes 4teto
20.00h – Fnac Almada – Bruno Rocha
21.30h – São Jorge (Lisboa) – Andrew Bird
23.00h – Bacalhoeiro (Lisboa) - Nobuyasu Furuya Trio

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Neblina Matinal



Avishai Cohen
Aurora
Blue Note, 2009

Avishai Cohen nasceu em Israel em 1970, no seio de uma família de tradição musical. Em criança começou por aprender piano mas mudou para o baixo eléctrico depois de descobrir a obra de Jaco Pastorius. Passou dois anos pela banda do exército e rumou a Nova Iorque, onde encontrou trabalho em bandas da jazz latino. Tocou com Danilo Perez e adquiriu um gosto e especial talento para os ritmos latinos, que ainda hoje povoam a sua música.
Fundou o seu primeiro grupo, e atraiu a atenção de Chick Corea, que o convidou não apenas para gravar pela sua editora, a Stretch Records, como também para ocupar o lugar de contrabaixista na sua nova formação, o sexteto Origin. Foi a melhor escola para o jovem Avishai Cohen. Correu mundo ao lado de Corea, desenvolveu e aprofundou os seus conhecimentos musicais, revelou-se como compositor e arranjador de raro talento. Em pouco tempo estava a ser requisitado por músicos como Alicia Keys, Bobby McFerrin, Roy Hargrove, Herbie Hancock, Nnenna Freelon, Claudia Acuña, Paquito D’Rivera e a tocar com as orquestras filarmónicas de Londres, de Israel e a Boston Pops Symphony.
Depois de quatro álbuns editados sob a chancela de Corea, Cohen seguiu o seu próprio caminho, que o levou de regresso a Israel e à fundação da sua própria editora, a Razdaz Records.
A sua música desenvolve então um percurso de redescoberta das suas origens judaicas, sem nunca renunciar à preciosa bagagem adquirida nos Estados Unidos, o jazz de Corea e o ritmo do panamiano Danilo Perez.
Cohen assume-se como um compositor de referência. Os álbuns lançados pela Razdaz, ao lado de Shai Maestro, de Amos Hoffman, de Sam Barsch e de Mark Guiliana, entre outros, são verdadeiras pérolas onde o jazz surge inovador e apelativo, casado superiormente com os ritmos do médio oriente e da América Latina. A criatividade de Cohen como compositor parece não ter limites e grava temas antológicos como Remembering ou Lo Baiom Velo Balyla, obras-primas da nova fusão ou do world jazz, se preferirem. Lyla, em 2003, At Home, em 2005, Continuo, em 2006 e Gently Disturbed, de 2007, são discos de referência que lhe valem um legião de fans por todo o mundo e o rótulo de um dos mais admirados contrabaixistas da actualidade. Pelo meio grava, também para a Razdaz e em 2007, As Is… um CD/DVD de um concerto do trio ao vivo no Blue Note, em Nova Iorque.
As expectativas são assim elevadíssimas quando Avishai Cohen apresenta um novo trabalho, Aurora, lançado já este ano e pela prestigiada Blue Note. A acompanhá-lo estão velhos companheiros de estrada como Amos Hoffman e o percussionista Itamar Doari, o jovem pianista Shai Maestro que tão bem o acompanhou em Gently Disturbed e uma novidade, a cantora Karen Malka, indicadora de que um novo rumo se traçava nesta aurora de Cohen na Blue Note. Nota-se desde logo a falta do baterista Mark Guiliana, alter ego musical de Cohen e presença importante nos trabalhos anteriores.
Mas as novidades estão longe de acabar. Depois de 5 anos de treino Cohen decide usar a sua voz e gravar um disco cantado. A segurança não é ainda muita porquanto não prescinde de uma boa voz de background, a da cantora Karen Malka. Também o repertório, pese embora assente em originais seus, acentua a viagem de regresso às origens, incidindo muito mais no universo da música popular judaica do que propriamente no jazz. Consequência directa do uso da voz.
O que dizer do resultado? Confesso que me desiludiu.
Com todo o respeito que me merece Avishai Cohen e a sua obra (eu faço indiscutivelmente parte daquela legião de fans a que aludi), o contrabaixista pode e sabe dar muito mais…
Não é que o álbum seja mau. Na verdade há alguns temas muito interessantes com uma inegável marca do compositor Avishai Cohen. Morenika é uma deliciosa balada sefardita cantada em ladino e hebraico que rivaliza na beleza com Lo Baiom Velo Balyla. Leolam é uma composição inspirada que caberia na perfeição em trabalhos anteriores. Por todo o lado surge aquela confluência de estilos que tanto marca o som de Cohen: influências árabes e andaluzas, uma enorme encruzilhada de sons e culturas que unem o Meidterrâneo às Caraíbas e à América do Norte.
Mas se estas influências já existiam em obras anteriores o que falta aqui é o jazz para lhes dar uma casa comum. Na verdade o jazz é um poderoso solvente onde se podem verter todas as músicas do mundo e ainda assim acreditar na qualidade da solução final. Retira-se o jazz e a solução torna-se enjoativa…
Este não é decididamente um disco de jazz, mesmo sendo de Avishai Cohen e editado pela Blue Note. É um interessante álbum de música hebraica, feito por músicos competentes e com um inspirado compositor e arranjador a liderar o projecto.
Interessante, mas sem o génio de obras anteriores do contrabaixista…
Fiquem ainda assim com alguns temas do disco, gravados na Fnac de Paris-Montparnasse e bem assim com um vídeo promocional do álbum em que Cohen fala do projecto e das suas motivações.
Por mim espero que Cohen reencontre rapidamente o génio patente em Gently Disturbed ou em Continuo. Talvez o reencontro com Mark Guiliana seja o primeiro passo…

Avishai Cohen – The Making of Aurora


Avishai Cohen – Leolam


Avishai Cohen – Morenika

Miles Ahead



Miles Ahead
4ª feira, 13 de Maio de 2009
Hot Club de Portugal (Lisboa)
****

João Moreira, trompete
Daniel Bernardes, piano
César Cardoso, saxofone
António Quintino, contrabaixo
Diogo Moreira, bateria

Miles Davis foi um dos mais influentes músicos do século XX. Esteve na vanguarda de quase todos os desenvolvimentos do jazz desde a 2ª Guerra Mundial até à década de 90: começou no bebop, criou o cool jazz, desenvolveu o jazz modal e foi pioneiro na fusão.
Se me é permitida a comparação eu diria que Miles Davis está para a música como Pablo Picasso esteve para a pintura do século XX: revolucionário, genial, vanguardista.
Reveste-se pois do maior interesse este justo tributo prestado por um quinteto de jovens músicos, liderados pelo trompete de João Moreira.
Mas o risco é enorme.
Não tanto por se estar mexer no repertório de um dos maiores génios musicais do século XX. Quem tem seguido estas páginas sabe bem o que penso sobre a cristalização reverencial dos clássicos e a idolatria musical. Nada melhor do que pegar nos clássicos para lhe trocar as voltas: é a melhor escola para os jovens e simultaneamente a melhor maneira de manter tais legados vivos e permanentemente actualizados e apelativos para as gerações mais novas.
Até aqui só tenho razões para aplaudir a iniciativa.
O problema é que não houve um Miles Davis. Houveram vários… Um Miles bopista, que participou, na senda de Charlie Parker, na revolução do Bebop. Um Miles cool, que, a partir do final dos anos 50, revolucionou a estética jazzística e recolocou o trompete no centro do ensemble de jazz. E finalmente um Miles de fusão que, a partir do álbum Bitches Brew gravado em 1969, reinventou o jazz, adaptando-o aos novos gostos eléctricos da geração de 70.
Todos eles foram revolucionários e extraordinariamente influentes. Todos eles têm lugar numa evocação do mestre Miles.
Mas nem todos eles estiveram esta noite no Hot.
João Moreira é um dos mais promissores músicos do jazz nacional e indiscutivelmente um dos seus mais proeminentes trompetistas. Já tive oportunidade de o ouvir em diversos contextos e reconheço-lhe qualidades evocativas de qualquer um dos supracitados Miles Davis.
E no entanto fiquei claramente com a sensação de que a homenagem se cingiu ao Miles bopista.
É certo que a configuração escolhida não privilegiava a evocação das fantasias eclécticas do Miles Davis de 70 e de 80. Faltavam-lhe os plugs…
Em contrapartida o repertório assentou sobretudo na obra do Quinteto sessentista do trompetista norte-americano, sobretudo em originais de Wayne Shorter. Pelo que pedia algumas incursões pelo cool jazz, para mim a fase mais bela e criativa da riquíssima obra do mestre.
Assim soube a pouco.
Gostámos do primeiro capítulo, falta agora ouvir os restantes.
Ainda assim não posso deixar de prestar homenagem ao bem conseguido trabalho dos músicos envolvidos. A secundar João Moreira estiveram um seguro César Cardoso no saxofone, uma exuberante secção rítmica constituída por António Quintino no contrabaixo e um inspirado Diogo Moreira na bateria e ainda o competente e criativo Daniel Bernardes no piano. Tudo gente jovem mas com muito talento.
Fico pois à espera do segundo capítulo deste concerto, aquele em que surja o Miles cool que tanto admiro (se calhar era esta noite com Gonçalo Marques no trompete…)!

terça-feira, 12 de maio de 2009

Novos Discos na Trem Azul



John Tchicai
Coltrane in Spring


John Tchicai saxofone tenor e voz
Jonas Muller Corneta e piano
Nikolaj Nunch-Hansen contrabaixo
Kresten Osgood bateria

No Inverno da sua longa vida, John Tchicai presta homenagem a John Coltrane, identificando a música deste com as renovações da Primavera, seja pelo título do disco como pela leitura que faz do poema de John Stewart de onde o mesmo foi retirado. A metáfora parece ter caído bem no saxofonista dinamarquês de ascendência africana e ligações filiais aos EUA, pois esteve envolvido na gravação de “Ascension” e experimentou pessoalmente essa abertura de cores e possibilidades. E ainda que o “Ascension” de Tchicai tenha sido “Afrodisiaca”, com a Cadentia Nova Danica, este é um álbum meritório. O curioso é pouco haver de especificamente coltraneano nele, alinhando regra geral a música tocada com Jonas Muller, Nikolaj Munch-Hansen e Kresten Osgood, nomes da nova geração do jazz dinamarquês, com o modelo fornecido pelo quarteto de Ornette Coleman nos anos de ouro deste. Embora o mentor desta sessão não repita o brilhantismo de outros tempos, ouvimo-lo aqui a tocar muito bem num formato free bop. Pouco se sabendo da cena jazz dinamarquesa, que infelizmente não tem tido a mesma projecção internacional das da Suécia e da Noruega, é com agrado que ficamos a conhecer estes músicos: Muller tem a sonoridade quente de Don Cherry na corneta e um som mais encorpado, desenvolvendo interessantes estratégias dialogantes com o tenor do líder, em muitos casos contrapontisticamente; Munch-Hansen sabe impor-se com o contrabaixo, revelando uma boa noção do espaço e do modo como deve deslocar-se nele; Osgood tem “swing”, mas nunca se deixa subjugar pelas imposições da métrica. Ficamos convencidos.



Steven Bernstein
Tattos and Mushrooms


Steven Bernstein trompete
Marcus Rojas tuba
Kresten Osgood bateria

Steven Bernstein continua apostado em revisitar de forma intrigante a história do trompete no jazz desde os tempos das “brass bands” de New Orleans, com passagem pelo swing e incorporações não só dos blues como da folk e do klezmer. Desta feita com um trio invulgar com tuba e bateria, cabendo a Marcus Rojas o papel de “atractor estranho” (vidé a Teoria do Caos) no conjunto. O tubista faz as vezes do contrabaixo, surge como o segundo sopro, vinca as conotações patrimoniais da música de “Tattoos and Mushrooms” e ainda acrescenta alguns contributos inesperados, como a introdução a solo do disco com um “drone” que lembra o didjeridu da Austrália aborígene. A esse nível, a grande surpresa desta edição é de sua inteira responsabilidade. Kresten Osgood desenvolve um notável trabalho de descontinuidade temporal, confirmando a fama que tem como um dos melhores bateristas saídos da cena escandinava. O líder da sessão, esse, parece ter retomado o fulgor do seu projecto Sex Mob. Se bem que insistindo na abordagem algo ilustrativa das suas mais recentes aparições em CD, encontramo-lo aqui particularmente fluente, e até assertivo, nos fraseados. As elaborações são inteligentes e muito objectivas, mas têm uma componente que não costuma estar associada ao jazz que hoje se pratica: são divertidas e delas transparece, até, uma desconcertante ironia. A estratégia de reciclagem musical perseguida inclui, como não podia deixar de ser, algumas “covers”, como “Thelonious”, de Thelonious Monk, e “Eastcoasting”, de Charles Mingus. Neste âmbito, a recriação de “So Lonesome I Could Cry”, de Hank Williams, faz-nos não chorar, mas sorrir.




Transit
Quadrologues


Nate Wooley trompete
Seth Misterka saxofone alto
Reuben Radding contrabaixo
Jeff Arnal percussão

No que respeita a automóveis e pessoas em trânsito nas cidades modernas, sabemos como, regra geral, não há nenhum “ir” que não tenha o correspondente regresso. “Quadrologues” é a segunda edição pela Clean Feed do quarteto Transit, projecto com o qual começamos a ganhar alguma familiaridade. Não significa tal que Jeff Arnal (percussão), Seth Misterka (saxofone alto), Reuben Radding (contrabaixo) e Nate Wooley (trompete) façam mais do mesmo neste novo CD – não, eles podem estar de volta, mas a trajectória que escolheram para se reencontrarem connosco não é a que está cartografada em GPS. A configuração do seu trabalho colectivo é a ideal, até, para não se repetirem: estamos diante de uma colecção inteligente e sensível de operações entre a tradição do jazz e uma abordagem nada óbvia da música. Arnal lida com o tempo e a métrica sem preocupações matemáticas exactas, sempre desafiando o nosso sentido do tempo. Misterka é especialmente criativo na sabotagem dos procedimentos “mainstream” do jazz, seja utilizando quartos-de-tom ou elementos serialistas, e isto sempre DENTRO da herança bop. Radding mostra-nos que o balanço e o “drive” são questões muito mais intrincadas do que a fórmula a que costumamos chamar “swing”. Mais uma vez, Woolley armadilha-nos as expectativas quanto à sua musicalidade: se se trata de um dos mais radicais experimentadores do trompete, é também um virtuoso quando lida com materiais mais “straightahead”. Em suma: a música que aqui vem é fantástica, daquele tipo que pára a circulação nas ruas.