quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Desbundixie em Leiria



Desbundixie - Up2Nine
9 de Janeiro, 21.30h
Teatro Miguel Franco (Leiria)

O grupo da cidade do Lis Desbundixie vai apresentar ao vivo o seu novo disco, Up2Nine, em casa, no Teatro Miguel Franco,no próximo dia 9 de Janeiro, pelas 21.30h.
Uma apresentação que contará com dois convidados especiais: a cantora Maria João e o pianista Filipe Melo, que igualmente participaram na gravação do disco, da responsabilidade de André Fernandes.
Um espectáculo a não perder!

Desbundixie na FNAC - At The Jazz Band Ball

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

2010 na Culturgest

Aqui fica a programação da Culturgest para o primeiro trimestre de 2010.
Para irem anotando nas agendas...

9 de Janeiro de 2010
18.00h - Grande Auditório
Joanna MacGregor

Pianista, compositora, maestrina, directora do Festival de Bath, Joanna MacGregor é uma das mais inovadoras artistas contemporâneas. Ao longo da sua carreira tem persistentemente criado pontes entre vários géneros musicais que desafiam as categorias tradicionais. Apresentou-se em mais de 60 países, em recitais ou acompanhada pelas melhores orquestras. Trabalhou com maestros como Pierre Boulez, Simon Rattle, Colin Davis ou Michael Tilson Thomas. Estreou obras emblemáticas de compositores que vão de Birtwistle a Django Bates, de John Adams a James MacMillan. Tocou com músicos de jazz, gravou com Talvin Singh, tocador de tabla e artista pop, viajou pela China com a companhia de dança contemporânea Jin Xing, de Xangai, para quem escreveu uma partitura combinando a música tradicional chinesa com música electrónica e filme. Em 2007 abriu o Festival de Jazz de Londres com Dhaffer Youssef, cantor árabe e virtuoso do oud e a Britten Sinfonia, num concerto que The Times classificou como “o futuro da música”. Gravou mais de 30 álbuns a solo, com obras de Bach, Scarlatti, Ravel ou Debussy, mas também de compositores contemporâneos e de músicos de jazz.
Em 2003 esteve no Festival Internacional de Música de Mafra.
No início de 2010, os CDs Live in Buenos Aires e Goldberg Variations de Bach, gravados no Mozarteum em Salzburg, serão editados pela Warner Classical and Jazz e distribuídos a pela etiqueta SoundCircus, que pertence à pianista.
O programa do recital deste fim de tarde é particularmente estimulante. Na primeira parte interpreta Prelúdios e Fugas de J.S. Bach retirados do 1º volume de O Cravo Bem Temperado, intercalados com os Prelúdios e Fugas que Chostakovitch escreveu em homenagem ao genial compositor alemão. A segunda parte é preenchida por bem conhecidos ritmos de dança do Brasil e da Argentina

Joanna MacGregor - Bach - Prelude & Fugue No. 19 in A Major BWV 864


10 de Janeiro de 2010
21h30 · Grande Auditório
Stefano Bollani Trio
Stone in the Water


Piano - Stefano Bollani
Contrabaixo - Jesper Bodilsen
Bateria - Morten Lund

Constituído há cerca de seis anos, este “trio dinamarquês” é uma das muitas formações através das quais, como líder ou sideman qualificado, o pianista italiano Stefano Bollani se tem afirmado no panorama actual do jazz internacional, gravando em 2009, pela primeira vez para a ECM, o álbum Stone in the Water, considerado pela crítica especializada um dos mais importantes do ano.
Nascido em Milão em 1972, Bollani começou desde muito novo a tocar piano como autodidacta mas aos 11 anos de idade matriculou-se no Conservatório de Florença. Desenvolvendo ali a sua formação musical académica e tendo-se graduado em 1993, o pianista interessou-se desde logo pelo jazz mas também pela música pop e pelas variedades, acompanhando vários cantores nesta área.
E foi o convite de Enrico Rava para fazer parte do seu grupo durante uma digressão a França que colocou o pianista na ribalta do jazz, iniciando então uma carreira imparável neste domínio, que já o levou a tocar em vários contextos e liderando os seus próprios grupos.
Possuidor de uma técnica pianística apurada, capaz dos maiores arrebatamentos líricos e de um fraseado virtuosístico impressionante, Bollani já participou em numerosos festivais em Itália e no estrangeiro, sendo habitualmente músico convidado de personalidades como Lee Konitz, Pat Metheny, Paolo Fresu, Phil Woods ou Gato Barbieri.
Neste concerto da Culturgest, será de esperar que o repertório de Stone in the Water esteja em primeiro plano, na diversidade das suas atmosferas, tão bem construídas pela criativa interacção de três músicos de excepção.

Stefano Bollani - Maple Leaf Rag


15 de Janeiro de 2010
22h00 · Culturgest Porto
Dave Burrell


Dave Burrell é dono de um vocabulário que percorre a história do jazz desde as suas raízes, o gospel, o blues, até às suas manifestações mais vanguardistas. É habitual vê-lo articular com a maior fluidez a aparente simplicidade de um boogie ou do ragtime com um trabalho rítmico, abstracto, metafísico, tributário tanto de Jelly Roll Morton como de Coltrane ou Leonard Bernstein.
Desde os seus tempos de estudante na escola de música de Berklee, atravessando a revolução do free e do jazz de vanguarda de Nova Iorque dos anos de 1960, até ao seu cruzamento com os músicos de Chicago do AACM (Association for The Advancement of Creative Musicians, criada em 1965 em torno de um grupo de músicos liderado pelo pianista Muhal Richard Abrams) em Paris pós Maio de 1968, até ao tempo presente, Burrell tem-se mantido, com altos e baixos de notoriedade, como um dos grandes pianistas da história do jazz.
Depois de uma fase de cerca de dez anos de relativo afastamento público, volta aos palcos estimulado pelo saxofonista David Murray no final da década de 1980. Ao longo da sua extensa carreira, Burrell participou em mais de 115 gravações, 30 das quais como líder.
Neste concerto apresenta, além de algumas das suas composições mais importantes, um repertório de vários standards de Gershwin, Monk ou Ellington, que vem revisitando e desconstruindo há décadas. Um solo de piano que funciona como uma preciosa oportunidade para ver a história da música de um país reinventar-se perante nós pelas mãos de quem tem ajudado a defini-la.

Dave Burrell Trio - Hangin'


25 de Janeiro de 2010
21h30 · Pequeno Auditório
Joe Morris e Barre Phillips


Guitarra Joe Morris
Contrabaixo Barre Phillips

Depois de abrir um novo capítulo na sua brilhante carreira, gravando o emblemático CD quádruplo com Anthony Braxton, Four Improvisations (Duo) 2007 (Clean Feed, 2008), Joe Morris prossegue os seus encontros com os mais originais criadores da actualidade, agora com o contrabaixista Barre Phillips, um dos mais importantes nomes da música improvisada das últimas décadas. Em conjunto gravaram Elm City Duets 2006, também para a Clean Feed (2008).
Nessa gravação, a música foi criada espontaneamente, num clima de respeito mútuo, por estes excepcionais improvisadores. Joe Morris é uma das mais relevantes figuras da actual cena avant-garde mundial, Barre Phillips é um músico de culto e figura histórica que tocou com os maiores, de Jimmy Giuffre a Eric Dolphy e Archie Shepp.
A admiração de Joe Morris por Barre Phillips transparece muita claramente no texto que escreveu para o álbum Elm City Duets. Mas essa admiração não o coloca numa posição de reverência ou de passividde quando toca com Phillips. O que se ouve no disco, e certamente acontecerá neste concerto, é um diálogo vivo entre dois iguais com contribuições incisivas de cada um deles.
Joe Morris nasceu em 1955, começando a tocar guitarra aos 15 anos. Participou em mais de 70 gravações, muitas das quais têm sido nomeadas como Disco do Ano por diversas publicações como Village Voice, Chicago Tribune, Wire, Coda, e Jazziz.
De entre os muitos músicos com quem trabalhou podem citar-se Anthony Braxton, William Parker, Matthew Shipp. Barre Phillips, Dewey Redman, Andrew Cyrille, Kidd Jordan, Fred Hopkins ou Ken Vandermark.
Barre Phillips é conhecido como uma lenda do contrabaixo contemporâneo. Foi o primeiro contrabaixista a gravar um disco a solo neste instrumento (Journal Violone, Opus One, 1968) e com Dave Holland gravou o primeiro disco em duo de contrabaixos (Music For Two Basses, ECM 1971). É um dos mais importantes nomes do free jazz e da música improvisada dos últimos 40 anos. Participou em mais de 150 gravações, 40 das quais enquanto líder.

Joe Morris Trio


30 de Janeiro de 2010
21h30 · Grande Auditório
Corey Harris & The Rasta Blues Experience


Teclados Christopher Whitley
Voz, guitarra Corey Harris Bateria Kenneth Joseph
Baixo Donovan Marks
Saxofone Gordon Jones

Um disco ouvido aos 12 anos com a mãe traçou a vida de Corey Harris. Na casa de Denver onde nasceu a 21 Fevereiro de 1969, uma lenda do blues enchia o ar de sons: Lightnin’ Hopkins. Iniciou assim um percurso que o levou desde os blues mais tradicionais até às mais contemporâneas expressões do género.
Formado em Antropologia, Corey Harris esteve nos Camarões, África, para uma pós-graduação em linguística e aí estudou as poliritmias complexas da música local. De regresso aos EUA começou a tocar profissionalmente em clubes de Nova Orleães.
Em 1995 gravou o primeiro disco para a Alligator. Between Midnight and Day é um álbum a solo, em torno do seu virtuosismo nas inúmeras variantes dos Delta Blues, o suficiente para ser apontado como um valor importante da nova geração de músicos de blues de invulgar versatilidade e cultura.
Em 1997 grava Fish Ain’t Bitin, onde mistura nas suas composições uma secção de sopros ao estilo típico de Nova Orleães. No ano seguinte colabora com a dupla Billy Bragg/Wilco no projecto Mermald Avenue, em torno da música de Woody Guthrie. Em 1999 grava Greens from the Garden com o pianista Henry Butler, que muitos críticos consideram ser o seu trabalho mais importante e onde os blues se misturam com o funk, R&B e até com reggae e hip-hop. No ano seguinte volta a gravar com Butler o soberbo álbum de blues do Delta intitulado Vu-Du Menz.
Na nova editora, a Rounder, regista em 2002 Downhone Sophisticate, de sonoridade eléctrica e onde explora influências africanas e latinas; seguem-se o maravilhoso Mississippi to Mali em 2003 e Daily Bread em 2005.
Uma viagem à Jamaica acaba por ser decisiva para o som dos dois álbuns que se seguem, ambos para a Telarc: Zion Crossroads em 2007 e Blu, Black, já em 2009.
Corey Harris é o protagonista de um dos episódios da série televisiva Blues, produzida por Martin Scorsese.

Keb Mo & Corey Harris - Sweet Home Chicago


2 de Fevereiro de 2010
21h30 · Pequeno Auditório
Josh White Jr.


Guitarra Josh White Jr.
Contrabaixo João Custódio

Josh White Jr. é o herdeiro da arte do seu pai, Josh White, o principal responsável nos anos 30/40 do século passado pela divulgação da folk negra e dos blues à América branca e ao resto do mundo. Nascido em 1940, depois de uma longa carreira apresenta-se como cantor, compositor, actor e guitarrista, da folk/blues, da pop, do jazz, para adultos e para crianças. É ainda professor e activista social. A verdade é que, aos quatro anos, o pai pô-lo, em cima de um banco, a cantar no célebre Café Society de Nova Iorque, o primeiro clube nocturno sem segregação entre negros e brancos. Em 1949 chega a um musical da Broadway, sempre com o pai, uma parceria que durou 17 anos.
A solo grava pela primeira vez em 1956 See Saw, para a Decca. Ente 1949 e 1960 aparece em cinco peças da Broadway e numa “off-Broadway”. Ganha um Tony Award logo em 1949, como o melhor actor infantil. Em 1961 já tinha actuado em mais de 50 dramas de TV mas decide focar-se na música, pois as oportunidades de emprego para actores negros adultos eram escassas. Em 1984 o disco Jazz, Ballads & Blues, de homenagem ao pai, é nomeado para um Grammy.
Faz o seu primeiro grande espectáculo na TV como músico num especial em 1979, na PBS. Em 1983 actua num musical biográfico do seu pai, Josh: The Man & His Music. Todos os anos faz questão de repor o espectáculo, que esgota sempre. Actua em escolas a divulgar a música do seu pai e também de outros pioneiros de Leadbelly a Woody Guthrie.
Após o 11 de Setembro de 2001, Josh gravou duas canções de seu pai, ícones da canção anti-racista norte-americana, The House I Live In e Free and Equal Blues, para uma compilação da Gateway Records , na sequência da qual foi o primeiro artista convidado a dar um espectáculo no Ground Zero.
Em Lisboa comentará filmes sobre seu pai, dará um espectáculo a ele dedicado e orientará uma master class de guitarra.

Josh White Jr. - Miss Otis Regrets


4 de Fevereiro de 2010
21h30 · Pequeno Auditório
Elijah Wald
Robert Johnson: Roots and Branches


Este é o homem que explica Como os Beatles destruíram o Rock’n’Roll, livro lançado em Maio de 2009 nos Estados Unidos. A tese do historiador e músico é que, a partir dos Beatles, a gravação passa a ser a verdadeira referência da música popular – e não o espectáculo ao vivo – e daí nasce outra realidade, onde o rock e seus sucedâneos passam a ser dominados por músicos brancos. Em contrapartida o soul, o disco e o hip hop ficam dominados por artistas negros.
Elijah Wald está a chegar à dezena de livros publicados e soma centenas de artigos em jornais e revistas dos Estados Unidos e Inglaterra, (foi durante dez anos o cronista da área do Boston Globe, agora escreve no Los Angeles Times).
Também biógrafo de Josh White, Elijah dedicou uma obra de referência à biografia do lendário músico de blues Jimmy Johnson, tema que o trará a Lisboa para uma palestra e um espectáculo.
Porque, para além de escritor e investigador, Elijah é também músico. Toca desde os sete anos e foi como músico de guitarra às costas que nos anos 1970 e 1980 andou a ganhar a vida na Europa, na Ásia, em África e na América Central. A experiência passou por uma banda de blues em Sevilha até dar espectáculos com um grupo rock num hotel do Sri Lanka!
Nascido em 1959, Elijah Wald é filho de um Prémio Nobel da Medicina (George Wald) e da bióloga Ruth Hubbard com quem escreveu um livro – Exploding the Gene Myth. Gravou dois discos: Elijah Walker: Songster, Fingerpicker, Shirtmaker, que só há em LP, e o CD Street Corner Cowboys.

Elijah Wald - Casey Jones


5 de Fevereiro de 2010
21h30 · Pequeno Auditório
Henry Butler


A devastação de Nova Orleães causada pelo furacão Katrina, em 2005, obrigou Henry Butler a deixar de viver na cidade da Louisiana onde nasceu a 21 de Setembro de 1949. O glaucoma que o atingiu à nascença não o impediu de ser músico aclamado.
Nomeado oito vezes para o prémio de melhor pianista do W.C. Handy Award (desde 2006 designado por Blues Music Award), o mais prestigiado troféu da área do blues, foi designado pelo “mítico” Dr. John como “o orgulho de Nova Orleães”.
Desde os seis anos de idade que Butler toca piano e desde sempre combina e desenvolve vários estilos. A sua biografia oficial apresenta referências que começam com o estudo com o Professor Longhair e passam por gente tão diferente como McCoy Tyner e mestrados de formação clássica-erudita em piano, trompete, trombone, percussão e voz. Assume que a sua música é uma amálgama de jazz, música das Caraíbas, do Brasil, de Cuba, da pop, do blues, do R&B...
Ao longo da sua carreira, são inúmeros os músicos de primeiro plano com quem trabalha, de Cannonball Adderley a Charlie Haden ou Jack DeJohnette, para indicar apenas alguns nomes.
A sua discografia é particularmente extensa, mas os exemplos marcantes mais recentes são Orleans Inspiration, de 1990, o notável Blues After Sunset em 1998 e o registo com Corey Harris de 2000 intitulado Vu-du-Menz, um trabalho profundo de exploração dos blues do Delta.
Seguiram-se o eléctrico The Game Has Just Begun, em 2002 e Homeland, em 2004, quando Butler, pela primeira vez, grava em estúdio com um grupo de blues e R&B e o recente PiaNOLA Live.

Henry Butler - The Entertainer


12 de Fevereiro de 2010
21h30 · Grande Auditório
Carlos Martins
Água


Saxofone Tenor Carlos Martins
Piano Bernardo Sassetti
Guitarra André Fernandes
Contrabaixo e baixo eléctrico Nelson Cascais
Bateria Alexandre Frazão

Nascido em Etiópia, no Alentejo, em 1961, o saxofonista e compositor Carlos Martins começou por estudar música e clarinete na Banda Filarmónica de Grândola, a partir dos 14 anos de idade. Tendo ingressado mais tarde nos cursos de saxofone e composição do Conservatório Nacional (Lisboa), estudou ainda na Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal, onde também foi docente. Desenvolvendo a sua carreira na área do jazz, em que tocou ao lado de inúmeros músicos portugueses e estrangeiros, Carlos Martins está também ligado à composição para o cinema e para o bailado, mantendo uma forte ligação à música erudita, domínios em que colaborou com Constança Capdeville, Álvaro Salazar, João Paulo Santos e os coreógrafos Rui Horta e Vera Mantero.
Quanto à sua actividade no jazz e em relação a este projecto, segundo as próprias palavras de Carlos Martins: “Ser músico de jazz é ter confiança no acaso. É aceitar a disciplina necessária para manusear o instrumento como se domina uma linguagem. É acreditar no erro como fonte de inspiração. É compreender o outro e aceitá-lo. É um diálogo permanente, sem palavras, do som e das cores que pintam os estados de espírito. É mesmo inventar esses estados em conjunto, libertando-nos do eu, sendo assim cada um mais o que realmente é. Como um quinteto a solo neste projecto, respiramos o mesmo ar e acertamos os nossos gestos e sonoridades fingindo o que deveras somos, um conjunto de impressões e solidões partilhadas. E fazemos disso a música que produzimos; e se a música gostar de nós faz-nos ser outras pessoas, com mais alegria. Trocamos identidades para dar à música o que tanto desejamos: a liberdade."

Carlos Martins - Azul Mediterrâneo


25 de Fevereiro de 2010
21h30 · Pequeno Auditório
The Fish


Saxofone alto Jean Luc Guionnet
Contrabaixo Benjamin Duboc
Bateria Edward Perraud

A música dos The Fish é o free jazz. Sem meias palavras, por mais que o termo assuste alguns. Free jazz, entenda-se, como estrutura, não como uma tradição. É um exemplo de como se pode fazer muito mais do que invocar o passado.
O duplo CD ao vivo que editaram na Ayler Records é o que se pode classificar como um acto de coragem. Os seus concertos deixam o público a ofegar, num êxtase total. Os The Fish são um grupo raro no panorama do jazz europeu pela organicidade e crueza da sua abordagem, menos virada para a cabeça e mais para o coração.
O primeiro impacto junto do ouvinte surge do som brutal, e logo a seguir do ritmo e das dinâmicas que utilizam na sua música. Que dá vontade de dançar ou, pelo menos, que nos faz abanar o corpo, numa experiência fundamentalmente física.
Na revista Wire (uma publicação de referência na música do nosso tempo), Julian Cowley disse deles que “não há nada de redundante na estamina, alta tensão e na sinuosa fluência da música dos The Fish.” E Henrik Kaldahl na Jazznett.com deixa o alerta: “os The Fish são uma bomba”.
Dando seguimento ao objectivo de surpreender o público deste ciclo, “Isto é Jazz?”, e mostrar as novas formas que o jazz pode assumir, metamorfoseando-se a todo o momento, apresentam-se os The Fish, o free jazz no século XXI com energia rock.

The Fish - Jazz a Mulhouse 2006


5 de Março de 2010
21h30 · Pequeno Auditório
Norberto Lobo


Guitarra acústica de 6 e 12 cordas, tambura Norberto Lobo
Guitarra acústica Guilherme Canhão
Vibrafone, percussões, outros objectos Ian Carlo Mendoza

Norberto Lobo (Lisboa, 1982) torna sua uma panóplia de tradições, no sentido em que passaram a constituir parte de si próprio, da sua música. É como se nele morassem várias músicas primitivas, mas elaboradas, filtradas pelas escolas da folk, trabalhadas técnica e harmonicamente com sofisticação.
Guitarrista de todas as guitarras, a solo, Norberto Lobo dedica-se às acústicas. Na sua música estão lá Carlos Paredes e o Tejo; Paulinho da Viola e noites e tardes e manhãs do Brasil; John Fahey, Charley Patton e o blues como matriz primordial para dor e ardor, ladeados por som de toda a África e de ilhas esquecidas. Mas está algo mais, algo de outro para além disso. Um amor por todas as músicas e todos os músicos que vivem deste negócio de sentir para pôr em prática, para sentir outra vez e mais.
Gravou dois CD’s, Mudar de Bina (Borland, 2007) e Pata Lenta (Mbari, 2009), muito aclamados pela crítica e pelo público.
Para este concerto traz consigo, para a interpretação de algumas peças, dois convidados com quem colabora regularmente no trio Trigala. Ele próprio toca tambura, instrumento de cordas de origem indiana, feito à mão, e que lhe foi oferecido por um admirador na Dinamarca.

Norberto Lobo - Mudar de Vida


25 DE MARÇO de 2010
21h30 · Grande Auditório
Vinicio Capossela
Solo Show, de Pier Paolo Pasolini


“Solo Show não foi buscar inspiração ao circo (…) mas às tendas que eram colocadas ao redor do circo no tempo dos espectáculos dos Barnum (…). Nessas tendas ao lado exibiam-se prodígios, aberrações e animais esquecidos por Noé. ‘A vaca de cinco patas’, ‘o porco com duas cabeças’, ‘a cabra de um só corno’. Criaturas para apenas serem mostradas, porque não tinham outros talentos.
Solo Show é também uma criatura de duas cabeças, dividida por um interlúdio burlesco – 15 minutos de ilusionismo. (…)
Na primeira parte as atracções espelham o interior do homem. Toda a sua alma emerge na sua cara, tornando-o um monstro, como todas as criaturas múltiplas que são três coisas numa, mas nenhuma das três. (…)
A segunda parte é o tempo de aparecerem as atracções que estavam representadas no cenário que é içado no intervalo: ‘o peixe gelatinoso’, o ‘polvo apaixonado’, ‘a sereia dos abismos’, ‘o Minotauro’. (…)
Chama-se Solo Show porque vamos ter que lidar com ele sozinhos, segurando-nos bem, tanto no palco como na plateia. E também porque, afinal, é apenas um espectáculo.”
Extractos de um texto sobre o show escrito pelo próprio Vinicio Capossela

Capossela esteve na Culturgest, num espectáculo memorável que esgotou o Grande Auditório, em Novembro de 2007. Volta com o seu novo trabalho, um espectáculo musical circense, porventura ainda mais belo e fantástico que o anterior, com música do seu último CD, Da Solo (Outubro de 2008). Solo Show já foi apresentado, com enorme sucesso (em seis meses, entre 2008 e 2009, foi visto por mais de 100 000 espectadores), em Itália, na Suíça, na Bélgica, em França, na Alemanha, no Luxemburgo, na Grã-Bretanha, em Espanha. No final de 2009 foi editado um conjunto DVD+CD intitulado Solo Show Alive.

Vinicio Capossela - Solo Show Alive ( Una Giornata Perfetta + Il Paradiso dei Calzini)


26 DE MARÇO de 2010
21h30 · Grande Auditório
Fred Hersch
Recital a Solo


Está só ao alcance dos raros talentos do jazz um recital de piano-solo de grande duração. Instrumentista de impressionante destreza técnica, sabendo extrair do piano vários cambiantes tímbricos e assim criando os diferentes estados emocionais que só este instrumento nos pode ofertar, o pianista norte-americano Fred Hersch alcançou, sem dúvida, o estatuto desses raros, tendo já tocado em salas prestigiadas como o Carnegie Hall de Nova Iorque ou o Concertgebouw de Amesterdão.
Transformando positivamente a variação e a improvisação jazzística num apaixonante estado de criação e composição instantânea, Hersch faz parte ainda daqueles eleitos para os quais o teclado pianístico se torna uma verdadeira orquestra e as peças que vai buscar à inspiração de terceiros se transformam em composições próprias, com uma marca de origem inconfundível.
Grande cultivador das baladas, amplo conhecedor do variadíssimo repertório dos standards e compositor de grande e singular sensibilidade, não admira que, para além de dirigir formações instrumentais próprias, de muito diferente configuração, Fred Hersch tenha tocado ao lado de grandes figuras do jazz, como Stan Getz, Joe Henderson, Art Farmer, Toots Thielemans ou Jane Ira Bloom, entre tantos outros.
De uma discografia volumosa e diversificada, alguns álbuns ficaram que retratam a multiplicidade dos seus interesses musicais: a trilogia Songs Without Words, Leaves of Grass (inspirado em Walt Whitman) ou Night and the Music, pertencem ao número dos mais inspirados.

Fred Hersch - So in Love (São Paulo, 2002)


Fonte http://www.culturgest.pt/index.html

Agenda Semanal


28 de Dezembro de 2009 a 3 de Janeiro de 2010

Segunda, 28 de Dezembro
23.30h – Catacumbas (Lisboa) - Quarteto de Paulo Lopes

Terça, 29 de Dezembro
23.30h – Catacumbas (Lisboa) - Messias & The Hot Tones

Quarta, 30 de Dezembro
21.00h – Casa da Música (Porto) – Jacinta
21.30h – Casa das Artes (Famalicão) - PortoTango Ensemble

Quinta, 31 de Dezembro
22.30h – Ondajazz (Lisboa) - Funk'd Jam

Sexta, 1 de Janeiro
17.00h – Teatro de Vila Real - Vozes da Bulgária: Tríada + Hristov

Sábado, 2 de Janeiro
22.00h – Coliseu (Lisboa) - Mississippi Gospel Choir

Domingo, 3 de Janeiro
18.00h – CAE Figueira da Foz - Mississipi Gospel Choir

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Incêndio no Hot


Um incêndio de causas desconhecidas, ocorrido esta madrugada, destruiu o velho edifício da Câmara Municipal de Lisboa onde se encontra instalado há 61 anos o Hot Club de Portugal.
Apesar de o incêndio ter lavrado apenas nos pisos superiores do prédio, destruindo a cobertura, o clube sofreu danos graves, sobretudo devido à água que se acumulou na cave, proveniente do combate ao incêndio.
O futuro do clube está pois presentemente rodeado de incertezas.


A Presidente da Direcção do Hot Clube de Portugal, Inês Cunha, afirmou que dificilmente a sala poderá voltar a ser utilizada, porque a cave ficou inundada e os instrumentos e os amplificadores destruídos. Já Bernardo Moreira, anterior Presidente da Direcção, mostrou-se mais optimista na recuperação do prédio, mediante a intervenção da Câmara Municipal de Lisboa.
A Protecção Civil concluiu que não há risco de derrocada no prédio mas confirmou a inexistência de condições para manter abertas as portas do Hot.
A Câmara de Lisboa fez saber que a vereadora da Cultura está disponível para receber os responsáveis do Hot Clube, já que o edifício ficou sem condições de acolher aquele que é um dos mais antigos clubes de jazz do mundo. Bernardo Moreira, presidente da assembleia-geral do Hot Clube, disse que espera manter os espectáculos, apontando o São Jorge como uma boa solução, se for possível.
A ver vamos…
Desde já um grande abraço solidário a todos os responsáveis e colaboradores do Hot e os meus votos sinceros de que seja possível, a breve prazo, encontrar uma solução duradoura para o Clube.
O país precisa do Hot!

domingo, 20 de dezembro de 2009

Agenda Semanal, 21 a 27 de Dezembro


Segunda, 21 de Dezembro
17.30h – Igreja da Misericórdia (Tavira) - Rui Baeta e Ruben Alves
18.00h – Av. dos Aliados (Porto) – Luis Represas & Convidados
23.30h – Catacumbas (Lisboa) – 4teto Pedro Teixeira

Terça, 22 de Dezembro
17.30h – Igreja da Misericórdia (Tavira) - Faith Gospel Choir
21.30h – CC Lagos - Orquestra de Jazz de Lagos - Concerto de Natal
23.00h – Hot Club (Lisboa) - The return of Eurobotz
23.30h – Catacumbas (Lisboa) - Messias & The Hot Tones

Quarta, 23 de Dezembro
21.30h – CC Lagos - Orquestra de Jazz de Lagos + Jay Corre «Concerto de Natal»
23.00h – Hot Club (Lisboa) - The return of Eurobotz

Sexta, 25 de Dezembro
23.00h – Breyner 85 (Porto) – Jam Session X-mas Special Edition

Sábado, 26 de Dezembro
18.00h – Teatro Diogo Bernardes (Ponte de Lima) - André Sardet e Coral Gospel
22.30h – Braço de Prata (Lisboa) – Júlio Resende & Sofia Vitória
23.00h – Ondajazz (Lisboa) – Yami
23.00h – Tertúlia Castelense (Maia) – Sofia Ribeiro & Marc Demuth
23.00h – Teatro de Vila Real – Jazzy Christmas
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Carlos Bica & The Happy Christmas Band
01.00h – Breyner 85 (Porto) – 5teto Vitor Pereira

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ler Devagar ao Ritmo da Música


Em Alcântara, a Ler Devagar é um espaço ao dispôr dos lisboetas, onde se pode conjugar as boas leituras com a boa música.
Aqui fica o programa até ao fim do ano:

16 de Dezembro – Quarta

21H30- Lançamento livro de poesia "Poemas Polaroid", de José Dias, edição de Corpos Editora.
Apresentação: Filipe Melo e Mafalda Costa
Actuação: Desidério Lázaro (saxofone tenor) e António Quintino
(contrabaixo)

17 de Dezembro – Quinta

21H30- Debate e apresentação do livro “Duas Linhas” de Pedro Campos Costa e Nuno Louro, Ed. dos Autores Inclui um debate com:
Os autores,
Álvaro Domingues,
João Ferreira Nunes,
João Seixas,
Mário Alves e
Samuel Rego

22H30 – Concerto ‘Rui Eduardo Paes convida…’ com Paulo Curado – flauta, saxofone soprano Nobuyasu Furuya – flauta, clarinete baixo João Lucas – piano Ricardo Freitas – guitarra baixo
Entrada: 5€

18 de Dezembro – Sexta

19H00 - Lançamento do livro 'Alentejo em Carne Viva', de José Manuel Silva, edição Papiro Editora

21H00 - Lançamento do livro “Um ano em Telavive” de Cristina Vogt-da Silva, Ed. Papiro Editora

22H30 - Concerto ‘Rui Eduardo Paes convida…’ com Eduardo Lála – trombone Pedro Lopes – gira-discos, electrónica Travassos – cassetes, objectos amplificados, electrónica Gabriel Ferrandini - percussão
Entrada: 5€

19 de Dezembro – Sábado

22H30 - Concerto ‘Rui Eduardo Paes convida…’ com Carlos “Zíngaro” – violino Pedro Carneiro – vibrafone Ricardo Guerreiro - electrónica
Entrada: 5€

24H00 - Concerto ‘Suspensão’, com
Ernesto Rodrigues - viola
Guilherme Rodrigues - cello
Gil Gonçalves – tuba
Nuno Torres - alto saxophone
António Chaparreiro – gitarra electrica
Carlos Santos – electronica
José Oliveira – percussão
Entrada: 5€

20 de Dezembro – Domingo

16H00 – Ensaio e …

17H00 - Concerto - Os alunos e a professora Vera Prokic do Estúdio de Piano José Vianna da Mota convidam para a Audição de Natal – 6ª Audição

31 de Dezembro – Quinta

20H00 – Ceia Fim de Ano (sujeito a reserva em: livraria@lerdevagar.com)

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Agenda Semanal, 14 a 20 de Dezembro


Segunda, 14 de Dezembro
23.30h – Catacumbas (Lisboa) – Quarteto de Paulo Lopes

Terça, 15 de Dezembro
21.00h – Arte à Parte (Coimbra) – José Valente
21.30h – Culturgest (Lisboa) - Nate Wooley e Paul Lytton
22.00h – Braço de Prata (Lisboa) – Trio de Gonçalo Marques
23.30h – Cataumbas (Lisboa) – Messias & The Hot Tones

Quarta, 16 de Dezembro
21.30h – Livraria Trama (Lisboa) – José Valente
22.30h - Braço de Prata (Lisboa) - Longitude Zero
23.00h – Hot Club (Lisboa) – Sofia Ribeiro & Florian Weber

Quinta, 17 de Dezembro
22.00h – Livraria Trama (Lisboa) – New Trio
22.00h – Teatro Municipal da Guarda - French Swing Café
22.00h – Teatro Maria Matos (Lisboa) - Alèmu Aga
22.30h - Braço de Prata (Lisboa) - Paula Sousa Quarteto
23.00h – Hot Club (Lisboa) - 17 Cenas de Imyra
23.30h – Catacumbas (Lisboa) - Spaghetti Jazz
23.30h – Renhau-Nhau (Caparica) - Sérgio Godinho

Sexta, 18 de Dezembro
20.00h - Braço de Prata (Lisboa) - Nicole Eitner
21.00h – CCB (Lisboa) - Jacinta
21.30h – CC Caldas Rainha – Filipe Melo
21.30h – Auditório Ruy de Carvalho (Carnaxide) - Joel Xavier
22.00h – Zé dos Bois (Lisboa) – Mikado Lab
22.30h – Centro Cultural do Cartaxo - Trio Bárbara Lagido
22.30h - Braço de Prata (Lisboa) - Maria João & João Farinha
23.00h – Hot Club (Lisboa) - 17 Cenas de Imyra
23.00h – Museu do Douro (Régua) - Rui Cruz Trio

Sábado, 19 de Dezembro
12.00h – Casa da Música (Porto) - Susana Santos Silva Quinteto
21.30h – CC Lagos - AJMMA All Stars
21.30h – Teatro Sá da Bandeira (Santarém) - Quarteto de Art Themen
22.00h – Cine Teatro Constantino Nery (Matosinhos) - Orquestra de Jazz de Matosinhos «Big Bands: do Ball Room à Sala de Concerto»: IV- As big-bands e o jazz moderno
22.00h – Espaço Pedro Remy (Braga) - Sofia Ribeiro & Florian Weber
22.30h - Braço de Prata (Lisboa) - Luís Barrigas Quarteto
22.30h - Braço de Prata (Lisboa) - Ogre
23.00h – Hot Club (Lisboa) - 17 Cenas de Imyra
23.00h – Museu do Douro (Régua) - Royal Jazz Band
23.30h - Ondajazz (Lisboa) - Amar Guitarra
24.00h - Braço de Prata (Lisboa) - Quarteto Ibérico
01.00h – Breyner 85 (Porto) – Sandro Norton 4teto

Domingo, 20 de Dezembro
22.00h - Braço do Prata (Lisboa) - Trio de Gonçalo Marques
23.00h - Braço de Prata (Lisboa) - Mick Trevoada

domingo, 13 de dezembro de 2009

Celebrando o World Jazz


Neguyên Lê, Prabhu Edouard, Mieko Miyazaki
com a participação de Hariprasad Chaurasia
Saiyuki
ACT, 2009

Em Maio de 2008, por ocasião da inauguração do Museu do Oriente, em Lisboa, Mário Laginha estreou uma obra encomendada por esta instituição e na qual pretendeu fundir os universos clássico, jazzístico e oriental. A acompanhá-lo estiveram o guitarrista de origem vietnamita Nguyên Lê, o tablista indiano Prabhu Edouard e ainda o percussionista e flautista japonês Joji Hirota.
Se outros méritos esta obra não tivesse (relembro que continua por editar em disco), e teve muitos, bastaria o de ter servido de mote para uma colaboração entre o guitarrista e o tocador de tabla, ambos residentes em Paris.
Juntou-se-lhes ainda a japonesa, também residente em Paris, Mieko Miyazaki, tocadora de koto (a cítara japonesa) e shamisen (guitarra tradicional de três cordas) e nasceu o Saiyuki Trio, que em Julho passado se apresentou entre nós, uma vez mais no Museu do Oriente.
Este disco, gravado em Paris, com produção e mistura do próprio Lê, conta ainda com a participação em três temas do flautista indiano Hariprasad Chaurasia, com mais um instrumento tradicional asiático, a flauta bansuri.
O resultado é aquilo que se podia esperar, sobretudo para quem se deliciou com os dois concertos no Museu do Oriente, como foi o meu caso: uma deslumbrante viagem pela música asiática, guiada pela enorme criatividade e sensibilidade de Lê.
Na verdade o nome do álbum e do trio, Saiyuki, designa precisamente uma obra literária chinesa do séc. XVI, do poeta Wu Cheng’en, que se poderia traduzir por “Viagem Para o Ocidente”.
Uma questão de perspectivas…
O álbum começa na Índia com o tema Sweet Ganesh de Prabhu Edouard. Tema inspirado no simpático deus de cabeça de elefante, mestre do intelecto e da sabedoria. Alegre e apelativo, é a introdução perfeita para um disco que promete uma viagem inesquecível pela música asiática. Se o mote de Edouard é claramente indiano, já a suavidade da guitarra de Lê e o koto de Miyazaki levam-no para terras mais levantinas. O solo vocal de Edouard é quase um scat singing, digno de Bollywood.
Em Autumn Wind a referência é a China continental. Um tema lento, ambiental, evocativo das planícies asiáticas e do vento que as percorre no Outono. Belo e lírico, resulta igualmente pelo contraste com a alegria ganeshiana do tema inicial. Aos agudos da guitarra de Lê sobrepõe-se a flauta bansuri do indiano Hariprasad Chaurasia e também o Shamisen tocado por Miyazaki. Este é outro Oriente, onde o tempo passa lentamente, ao sabor do suave decorrer das estações do ano, das colheitas e das meditações budistas.
Um riff de blues abre as hostilidades em Mina Zaki, um tema da japonesa onde Oriente e Ocidente se encontram. Rápido e dançável, cruza o rendilhado do koto com os acordes distorcidos da guitarra e a flauta bansuri de Chaurasia. O jazz e o blues não andam longe, embora os instrumentos remetam invariavelmente para o Oriente. O Extremo Oriente ao ritmo de um western.
Mayur marca o regresso ao subcontinente indiano. A guitarra freetless e o shamisen desenvolvem um diálogo intercontinental onde o jazz se mostra novamente pertinente.
Sangam é uma celebração do encontro de culturas. Outra oportunidade para as origens diversas dos intérpretes se encontrarem num tema que celebra a fusão, de modo alegre e amplamente conseguido. Oriente e Ocidente juntos com Lê a destacar-se num solo onde surgem até referências africanas, no ritmo, fraseado e até pela inclusão dos coros.
Azur é um tema enigmático, por vezes perturbador. A inspiração é chinesa e vietnamita. Hipnótico e redundante na melodia, vive das pequenas variações que os génios musicais dos intérpretes criam pela sucessão dos instrumentos, construindo diversas acepções do tema. Uma pérola minimalista, de uma beleza e simplicidade desarmantes.
Um Japão festivo é apresentado por Miyazaki no tema Izanagi Izanami, num diálogo construtivo com a guitarra de Lê, sob a omnipresença da percussão de Edouard. Diálogo esse que é transposto posteriormente para as vozes de Edouard e de Miyazaki. Há ecos medievais neste tema.
A Indochina regressa pelas mãos de Lê, em Hen Ho. Nova incursão pela Ásia continental num diálogo mais jazzístico e crescente entre a guitarra e o shamisen.
Nanae Goromo é o único tema assinado pelo trio e constitui uma incursão pela tradição oriental mais dramática. Uma canção onde a teatralidade do Kabuki ou da ópera chinesa vêm à lembrança. Mas o desenvolvimento instrumental é novamente de fusão panasiática, sempre com o ocidente à espreita através da guitarra de Lê, que decompõe o tema numa interpretação de inspiração jazzística.
A fechar o disco Ile, uma belíssima balada de Edouard carregada de nostalgia emprestada pelo arranjo e interpretação da suave guitarra de Lê. Uma Índia nostálgica e apaixonante.
Uma celebração do world jazz por um dos seus maiores intérpretes.
Obrigatório.

Nguyên Lê, Prabhu Edouard & Mieko Miyazaki – Azur

sábado, 12 de dezembro de 2009

Lendas no Estoril


Cascais Jazz Legends
6 de Dezembro de 2009, 18.00h
Auditório do Centro de Congressos do Estoril

O Cascais Jazz renasceu.
Muito se tem dito sobre a temerária iniciativa de Duarte Mendonça, de bem e de mal, mas o festival esse, aí esteve para satisfação dos jazzómanos.
Perdeu-se o espírito da iniciativa histórica de Luís Villas-Boas, perdeu-se ainda a riqueza do cartaz, quer do Cascais Jazz original, quer ainda do mais novel Estoril Jazz, igualmente produzido por Mendonça.
Mas ganhou-se jazz, bem como a oportunidade de ouvir algumas das suas velhas glórias que passaram pelo palco do Pavilhão do Dramático de Cascais ao longo das décadas de 70 e de 80.
Pelo que, entre aplausos e apupos, a iniciativa passou por mérito próprio.
O prato forte do festival foi o concerto de encerramento, denominado “Cascais Jazz Legends” e protagonizado por músicos de renome, todos eles presentes nas edições do Festival entre os anos de 1972 e 1978. Transformou-se assim numa justa homenagem, não apenas àquele que foi, sem dúvida, o período áureo do Festival, mas também a um elenco de enormes músicos, que por lá passaram e que hoje, mais de trinta anos volvidos e entrados nos setentas e oitentas, bem a merecem.
Este quinteto denominado “Cascais Jazz Legends” foi formado pelo saxofonista Phil Woods, que com a sua European Rhythm Machine, por lá passou em 1972 (voltou em quarteto em 1980), pelo trompetista Lew Soloff, o mais jovem da formação com 65 anos de idade, que integrou a banda de Gil Evans que actuou em Cascais em 1976, pelo pianista Cedar Walton, que actuou em 1973 ao lado de Freddie Hubbard, Joe Henderson e Gary Burton, entre outros, pelo contrabaixista Rufus Reid, que acompanhou Dexter Gordon em 1978, e pelo baterista Jimmy Cobb, o decano da formação com os seus 80 anos de idade, que tocou em Cascais em 1973, acompanhando Sarah Vaughn.
Trezentos e setenta e cinco anos de experiência chegaram e bastaram para deixar rendida a audiência, que enchia por completo o auditório do Centro de Congressos do Estoril, mesmo quando as forças pareciam faltar.
Phil Woods, principalmente, revelou algumas debilidades físicas que o impediram de comparecer no encore e lhe retiraram a energia e fulgor que foram a sua imagem de marca. Restou contudo a técnica soberba e a enorme experiência que lhe permitiram acompanhar com brio e sabedoria os seus pares.
Também Cedar Walton revelou limitações, que o som não ajudou, rubricando uma actuação qb, sem iniciativas temerárias nos solos e jogando claramente à defesa.
No plano oposto estiveram Rufus Reid, imperial no contrabaixo, com uma técnica notável e um swing único e, sobretudo, Lew Soloff no trompete. Aproveitando o facto de ser o mais jovem em palco deu realmente mostras de juventude e irreverência nos solos, com destaque para os agudos que o celebrizaram, mas sempre irrepreensível na técnica e na entrega. Partiram dele os solos mais aplaudidos e os momentos mais conseguidos do concerto. Demonstrou estar numa forma notável.
Jimmy Cobb defendeu-se como os seus 80 anos lhe permitiram, mas conseguiu ainda finalizar a actuação com um solo revelador de que quem sabe, nunca esquece.
Uma homenagem sentida a um grande Festival e a uma grande geração de músicos.
A repetir.

Lew Soloff e Bill Evans - Barcelona 1976

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Fim de Semana no Braço de Prata


Sexta, 11 de Dezembro
22.30h - Sala Eduardo Prado Coelho - Luis Barrigas
23.00h - Sala Nietzsche - Belle de Jour
23.00h - Sala Visconti - Rogério Pires e Mick Trevoada

Sábado, 12 de Dezembro
23.00h - Sala Prado Coelho - Desgarrada Flamenca
22.30h - Sala Nietzsche - Júlio Resende e convidados
23.30h - Sala Visconti - Roda de Choro
24.00h - Sala Nietzsche - Jazz com DLV

Domingo, 13 de Dezembro
22.00h - Sala Nietzsche - Trio César Cardoso

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Agenda Semanal, 7 a 13 de Dezembro


Segunda, 7 de Dezembro
21.00h – CCB (Lisboa) – Teresa Salgueiro & Lusitânia Ensemble
21.00h – Casa da Música (Porto) - Harlem Gospel Choir
22.00h – Espaço Cultural Pedro Remy (Braga) - Quarteto Luisa Vieira
23.30h – Catacumbas (Lisboa) - Trio de Paulo Rosa

Terça, 8 de Dezembro
21.00h – Casa da Música (Porto) – Teresa Salgueiro & Lusitânia Ensemble
23.30h – Catacumbas (Lisboa) - Messias & The Hot Tones

Quarta, 9 de Dezembro
21.30h – Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra) – Edson Cordeiro
23.30h – Catacumbas (Lisboa) - Catman meets Dan Hewson

Quinta, 10 de Dezembro
21.30h – Teatro José Lúcio da Silva (Leiria) – Madredeus e a Banda Cósmica
22.00h – Maxime (Lisboa) - Nobody's Bizness
22.30h – Ondajazz (Lisboa) – Vânia Fernandes & Júlio Resende
23.00h – Hotclub (Lisboa) - Gonçalo Marques Trio
24.00h – Centro Cultural de Chaves – Aló Django

Sexta, 11 de Dezembro
19.00h – Instituto Superior Técnico (Lisboa) - António Pinho Vargas
20.00h – Casino da Póvoa de Varzim – Rodrigo Leão Ensemble
21.30h – Museu do Oriente (Lisboa) - Tim & Mário Laginha
21.30h – Teatro Lethes (Faro) – Manuela Lopes, Tributo a Billie Holiday
21.30h – CCC Caldas da Rainha – Edson Cordeiro
21.30h – Fórum Romeu Correia (Almada) - Jazz Kidding Big Band
22.30h – Ondajazz (Lisboa) – Vânia Fernandes & Júlio Resende
23.00h – Cine Teatro Estarreja - Modulok Trio
23.00h – Hotclub (Lisboa) - Gonçalo Marques Trio
23.00h – Tertúlia Castelense (Maia) - Quarteto Luisa Vieira
23.00h – Museu do Douro (Régua) - Isabel Milheiro Trio
24.00h – Mercado Negro (Aveiro) – Aló Django

Sábado, 12 de Dezembro
16.30h – Praça da Figueira (Lisboa) - Nuno Costa Jazz Trio
21.30h – Teatro Lethes (Faro) - David Murray 4tet & Zé Eduardo
21.30h – Auditório de Espinho - Jacinta
22.00h – Cine Teatro Estarreja – Edson Cordeiro
22.00h – Casa da Música (Porto) - Orquestra Jazz de Matosinhos & Maria João
23.00h – Hotclub (Lisboa) - Gonçalo Marques Trio
23.00h – Ondajazz (Lisboa) – Suzie’s Velvet
23.30h – Catacumbas (Lisboa) - Bling Project

Domingo, 13 de Dezembro
21.00h – Casa da Música (Porto) - Jacinta

sábado, 5 de dezembro de 2009

Up2Nine


Desbundixie Band
New Orleans Traditional Jazz

Desbundixie é um projecto que tenta reviver o estilo jazzístico denominado de Dixieland, buscando inspiração nas sonoridades nascidas em New Orleans no princípio do séc. XX.
É também uma viagem pela história do Jazz e da sua génese, sendo uma vertente importante para a compreensão deste estilo.
Composto na sua base por sete elementos, este projecto apresenta temas escritos de época, orquestrados por estes músicos.
Deste modo é feita uma abordagem ao estilo Dixieland, com uma linguagem específica da banda, marcada pelo improviso e pela irreverência que a caracteriza.
O gosto pelo Dixieland motivou o aparecimento deste projecto que durante todos estes anos permaneceu vivo e cada vez mais enriquecido pela adesão que tem tido da parte do público em geral.
Em resumo um projecto que visa proporcionar ao publico um concerto alegre, divertido, bem disposto, de forma a colocar o Jazz no contexto onde foi criado, como sendo uma musica essencialmente popular e aberta a todas as classes sociais.
Desbundixie é muito mais que um nome, e um modo especial de viver a musica. É imagem de marca desta banda, que quer sobretudo animar-se e animar quem os ouve.



Em Setembro de 2000, sete músicos com formação clássica, projectam um grupo que aliou o perfeccionismo e complexidade da sua formação académica ao divertimento.


Manuel Sousa, trompete
Nasceu em 1971 em Leiria, iniciando os seus estudos musicais em 1987 na sociedade Artística e Musical Cortense, em Cortes, Leiria.
Em 1989 ingressa no ensino oficial, no Conservatório Regional de Tomar, na classe de Trompete, e mais tarde na Escola de Música do Orfeão de Leiria. Esteve matriculado na Escola Superior de Música de Lisboa na classe de trompete.
Participou em vários cursos e Workshops, com referências nacionais e internacionais com os professores José Augusto Carneiro, Steve Mason, André Jung (Lyon 1994), entre outros.
De destacar também a sua passagem pela escola de Jazz “Hot Clube de Portugal”.
Participou também em diversos workshops de jazz onde trabalhou com vários músicos como por exemplo, Filipe Melo, Bruno Santos, Pedro Moreira, Miguel Gonçalves, André Sousa Machado, João Moreira, entre muitos outros.
De destacar também a sua passagem como docente na Escola de Música do Orfeão de Leiria, e diversas marsterclasses ministradas.
Participou também na orquestra do Festival de Jazz da Alta Estremadura.
Além de membro dos “Desbundixie“ como trompetista, participou/participa noutros projectos como baixista e também trompetista na área do jazz, mas com mais frequência na área do pop/rock.
Tocou com diversos músicos na área do pop/rock como por exemplo Luís Portugal, Silence 4 entre muitos outros.


Flávio Cardoso, clarinete
Nasceu em 1979 em Leiria e, aos 8 anos de idade, iniciou os seus estudos musicais na Banda Recreativa Portomosense. Em 1992 matriculou-se na EMOL na classe de Clarinete com os professores, Luís Gomes e José António Santos.
Participou em vários cursos de aperfeiçoamento com professores como Manuel Jerónimo, Rui Martins, Nuno Silva, entre outros.
De destacar o 1º prémio obtido no concurso de Jovens Músicos do Orfeão de Leiria em 1999/2000 bem como a obtenção de mais um 2º lugar em 1998/99.
A sua paixão pelo Jazz levou-o a participar em vários workshop's com o Quarteto João Moreira, Quinteto José Meneses, Sexteto Laurent Filipe, entre muitos outros.
Participou na Orquestra de Jazz do Centro em 2002 sob a direcção de Paulo Perfeito.
Participou também na Orquestra do Festival de Jazz da Alta Estremadura onde teve a oportunidade de trabalhar com o João Moreira, Bernardo Moreira, Pedro Madaleno e Pedro Moreira.
Em 2008 participou a convite na celebração do 60º aniversário do Hot Club de Portugal,onde integrou um grupo de dixieland com alguns dos melhores músicos do panorama nacional.
Completou, em 2002, a licenciatura no ensino da música no 2º CEB. É maestro do Coral Vila Forte desde 2001.


César Cardoso, saxofone
Nasceu em 1982 em Leiria e aos 7 anos inicia os seus estudos na Banda Recreativa Portomosense. Frequentou a classe de Saxofone no Orfeão de Leiria com o prof. Alberto Roque onde concluiu o 8º grau.
Participou também em vários workshop's de Jazz onde teve o prazer de trabalhar com grandes músicos como por exemplo, José Meneses, Jorge Reis, Pedro Moreira, Jesse Davis, Perico Sambeat, Dave Schnitter, David Binney, John Taylor, Chris Cheek, etc.
De destacar a sua colaboração com a Orquestra do Herman José, com a Big Band do Oeste, com a Big Band Reunion, com a Big Band Claus Nymark, Quinteto de Rodrigo Gonçalves, e ainda com a 7teto do Hot Clube de Portugal.
Já tocou com grandes nomes do Jazz nacional e internacional como por exemplo, João Moreira, Jorge Reis, Claus Nymark, Alexandre Frazão, Bernardo Moreira, Filipe Melo, Bruno Santos, Afonso Pais, Pedro Moreira, André Sousa Machado, Julian Arguëlles, Maria João, Mário Laginha, Bernardo Sassetti, Zé Eduardo, Perico Sambeat, Rosario Giuliani, entre outros.
Em Maio de 2008 foi escolhido para representar Portugal na European Colours Jazz Orchestra em Itália.
É membro do grupo Desbundixie, do Ensemble de Saxofones do Hot Clube de Portugal, e da Big Band do Hot Clube de Portugal, e lidera o seu próprio Quinteto onde junta alguns dos melhores músicos de jazz nacionais (Bruno Santos, Filipe Melo, Demian Cabaud, Bruno Pedroso).
De destacar a sua passagem pelo Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal entre 2004 e 2008 onde trabalhou com Jorge Reis e Pedro Moreira.
É actualmente professor de saxofone na escola de Jazz do Hot Clube de Portugal.
Actualmente estuda na Escola Superior de Música de Lisboa, no curso superior de Jazz.

Ricardo Carreira, trombone
Nasceu em 1982 em Leiria. Começou os seus estudos musicais em 1992 na Banda Recreativa Portomosense. Participou em várias masterclasses de trombone com os profs. António Santos, Fernando Faria, Eduardo Lala, Paulo Fernandes.
Frequentou a classe de trombone do prof. António Santos na EMOL e a sua orquestra de sopros dirigida pelo maestro Alberto Roque.
Participou também em vários workshop's de Jazz, tendo professores como Ruben Santos, Claus Nymark e Greg Moore, tendo assim oportunidade de trabalhar com “Estardalhaço da Geringonça”, “Quinteto de José Meneses” e “Sexteto de Laurent Filipe” entre muitos outros.
Actualmente, a música é para ele uma paixão e um hobbie, pois profissionalmente é empresário no ramo da reciclagem.


Pedro Santos, banjo tenor
Nasceu em 1980. Licenciado em Design Industrial, alia esta actividade ao Design ráfico e também a diversos projectos musicais, entre eles, esta banda.
É um músico amador e autodidacta que domina alguns instrumentos de cordas desde a guitarra clássica, passando pelos instrumentos tradicionais como o cavaquinho e o bandolim, sendo que utiliza o Banjo tenor nesta formação, já que este é um dos instrumentos mais característicos das bandas de Dixieland.
Pôde já trabalhar com nomes importantes do jazz português, como Pedro Moreira e Laurent Filipe, entre outros.
Participou na Orquestra do Festival de Jazz da Alta Estremadura.
Como intérprete na área vocal, é tenor solista no Coral Vila Forte, de Porto de Mós, e já trabalhou com o maestro Edgar Saramago, maestro Artur Pinho e o pedagogo do canto Vianey da Cruz.


Daniel Marques, tuba
Nasceu em 1981 em Münster, Alemanha. Iniciou os seus estudos musicais na Sociedade Artística e Musical dos Pousos (SAMP), aos 7 anos. Aos 15 anos foi admitido na Escola Profissional de Música de Espinho na classe de Tuba do professor Ilídio Massacote. Posteriormente é admitido na Academia Nacional Superior de Orquestra onde concluiu a licenciatura de Instrumentista de Orquestra na classe do professor Sérgio Carolino. Nesse mesmo ano é seleccionado para participar no estágio da Orquestra de sopros da União Europeia no Luxemburgo.
Participou em vários master-classes, onde teve o prazer de trabalhar com Michel Lind,Anne-Jelle Visser, Gene Pokorny, Philipe Legris, Roger Bobo, Mel Culbertson,Oren Marshall,Shmuel Hershko,entre outros e frequentou também vários workshop's de Jazz onde pode trabalhar com Quarteto João Moreira e o Sexteto de Laurent Filipe.
Como solista gravou em cd o concerto para Tuba de Alexander Arutunian com a orquestra de sopros do XIX curso internacional de jovens músicos de 2002, organizado pelo INATEL.
Como freelancer tem colaborado frequentemente com a Orquestra Sinfónica Portuguesa, Orquestra da Madeira, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orquestra Nacional do Porto,Orquestra do Algarve e Orquestra Filarmonia das Beiras.
Como docente de Tuba e Música de Câmara tem dado diversos master-classes e Workshops, sendo de salientar o Master-classe de Sopros em Pinheiro de Azere, Cursos da Páscoa do Orfeão de Leiria, I e II Curso para Jovens Músicos em Vermoil, Curso de Verão do Conservatório de Musica de Seia e nos Workshops OML Júnior organizados pela Orquestra Metropolitana de Lisboa.
Foi professor na Escola de Artes da Bairrada no Troviscal. Actualmente lecciona no Conservatório de Artes Orfeão de Leiria, no Conservatório Silva Marques em Alhandra, no Conservatório de Música de Seia, na Escola Profissional Serra da Estrela em Seia e no Conservatório de Música Jaime Chavinha em Minde. É neste momento tubista na Banda Sinfónica da Guarda Nacional Republicana.


João Maneta, bateria
Nasceu em Leiria em 1981, iniciando os seus estudos musicais aos 12 anos na ilarmónica das Cortes. Um ano depois ingressou na SAMP onde trabalhou com a prof. Fátima Pinto. Em 1995 matriculou-se no Conservatório Nacional de Lisboa, transferindo-se posteriormente para a EMOL.
Frequentou vários cursos, trabalhando com os profs. Rui Gomes, Jorge Madureira, Jean François Lézé, Paulo Bandeira, Ricardo Pinheiro, André Fernandes, André Sousa Machado, Acácio Salero, João Moreira, entre muitos outros.
Frequentou o curso livre de percussão na Escola de Música da Orquestra Metropolitana de Lisboa, e reforçou a Orquestra Filarmonia das Beiras. Participou num seminário com a Orquestra Sinfonieta do Porto.
Trabalhou com o prof. Manuel Campos no Orfeão de Leiria. De destacar também o 1º lugar no concurso de Jovens Músicos do Orfeão de Leiria no ano de 2002.
Participou na Orquestra do Festival de Jazz da Alta Estremadura onde trabalhou com Pedro Moreira.
Estudou na escola de jazz do Hot Clube de Portugal, onde trabalhou com o prof. Bruno Pedroso.



Up2Nine - O Álbum
“Up 2 Nine” é o mais recente albúm deste projecto musical, que conta com a participação de 2 grandes músicos nacionais, a Maria João na voz e o Filipe Melo no piano.
Este disco conta com 14 temas, onde se destacam temas de referência do Dixieland como “The Original Dixieland One-Step”e“Ory´s Creole Trombone”, ou músicas celebrizadas por Louis Armstrong nos anos 20 e 30 como é o caso dos lendários “Baby Won’t You Please Come Home?”e ”West End Blues” e mais tarde “What a Wonderful World” e ”Hello Dolly!”, entre muitos outros, um deles sendo até referência da soul music, caso do “Georgia on my Mind”, celebrizado por Ray Charles.
“Up 2 Nine” é um disco que conta com 9 musicos, os 7 músicos desta banda, mais 2 convidados, gravado no ano em que o projecto completa 9 anos de existência (formação no ano 2000) a 9 de Setembro (mês 9) , sendo portanto o 9, um número com grande simbolismo neste novo trabalho.
Depois do primeiro disco "Kick'n Blow" de 2007 surge agora este novo disco que romete mostrar um projecto bastante sólido e musicalmente evoluído, com a contribuição de alguns dos melhores músicos de Jazz do nosso país.

Videos (do anterior trabalho) ao vivo na FNAC
At The Jazz Band Ball

Royal Garden Blues

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Fim de Semana no Braço de Prata



Aqui fica a programação deste fim de semana na Fábrica Braço de Prata, em Lisboa, que, pelo motivo da sua tardia divulgação, não foi possível incluir na agenda semanal.

4 DE DEZEMBRO 2009 6ª FEIRA
22.00h - Sala Nietzsche - JÚLIO RESENDE e Convidados (António Quintino e Joel Silva)
22.30h - Sala Eduardo Prado Coelho - Marta Plantier
24.00h - Sala Visconti - MÚSICA PLAYGROUND

5 DE DEZEMBRO 2009 SÁBADO
22.30h - Sala Nietzsche - ZECA NEVES QUARTETO Zeca Neves (contrabaixo) Diogo Vida (piano) Daniel Vieira (sax) João Vitor (bat)
22.30h - Sala Eduardo Prado Coelho - BOSSA E OUTRAS NOVAS
23.00h - Sala Visconti - CHOURINHO COM RASPA DE TACHO
24.00h - Sala Nietzsche - CONCERTO BAILADO - FLAMENCO Companhia de Dança Flamenca de Lisboa
24.00h - Sala Eduardo Prado Coelho - FADOS COM HÉLDER MOUTINHO

6 DE DEZEMBRO 2009 DOMINGO
22.00h - Sala Nietzsche - GONÇALO MARQUES (trompete) DEMIAN CABAUD (contrabaixo) BRUNO PEDROSO (bateria)
22.00h - Sala Eduardo Prado Coelho - EXPERIENCES OF TODAY

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Dezembro no Hot



Hot Club de Portugal
2 de Dezembro de 2009 a 9 de Janeiro de 2010

Serão 19 concertos protagonizados por 9 formações estéticamente variadas e representativas do que de melhor se faz no cenário jazzistico do nosso país.
Já no incio de Dezembro teremos o Quarteto (Flemish) de um dos mais destacados bateristas da Bélgica, Teun Verbruggen.
O trompetista Gonçalo Marques nas vésperas de gravar o seu primeiro CD como lider, actua no Clube em Trio com o saxofonista convidado Jorge Reis.
A cantora Sofia Ribeiro estará em Duo com o excelente pianista alemão Florian Weber, companheiro também, em alguns projectos, do saxofonista Lee Konitz .
Um novo grupo (Septeto) co-liderado por Afonso Pais e Tomás Pimentel "17 Cenas de Imyra", apresentar-se-á de 17 a 19 de Dezembro.
Ainda antes do Natal (o Hot Clube fechará a 24 e 25) e por ocasião da sua visita a Portugal, teremos o renascer do "power group" Eurobotz que integra o orgão Hammond de Jesse Chandler, a guitarra de André Fernandes e a bateria de João Lencastre.
Imediatamente a seguir ao Natal e ainda integrado na quadra (Sábado, 26) Carlos Bica, João Paulo e Mário Delgado estarão em concerto único no Hot Club. A baptizada de Happy Christmas Band, dará com certeza, um concerto à altura dos seus integrantes.
Os ultimos concertos de 2009 ficarão a cargo do "mais jovem" projecto da cantora Maria João. "Ogre" é um projecto em conjunto com o pianista João Farinha e para além do também pianista Júlio Resende, reúne jovens músicos do panorama nacional.
Já em 2010, o Hot Clube reabre precisamente no dia 2 de Janeiro (sábado) com mais um excelente Duo: Sara Serpa & André Matos (voz + guitarra).
No fim de semana seguinte (7,8,9 de Janeiro) teremos a habitual visita anual do grupo de um pianista que dispensa apresentações: Mário Laginha Quarteto.
Muitos concertos a não perder!

Para mais informações sobre o Hot Clube de Portugal podem também consultar :

http://www.hcp.pt
http://pt.wikipedia.org/wiki/Hot_Clube_de_Portugal
http://www.myspace.com/hotclubedeportugal

Mário Laginha Trio - Tanto Espaço

Amarelo Manga


Amarelo Manga
5 de Dezembro, 17.00h
B Flat (Leça da Palmeira)

O concerto de lançamento do CD “Verso Preso”, do projecto de Lilian Raquel e Cláudio César Ribeiro," Amarelo Manga", irá ter lugar no próximo dia 05 de Dezembro(Sábado), às 17h, no B Flat Jazz Club , Porto de Leixões em Leça da Palmeira.

O ingresso (gratuito) será feito unicamente mediante pré-reserva a fazer via e-mail, para o seguinte endereço electrónico amarelomangamusic@gmail.com (bastando indicar o(s) nome(s) e número de convites pretendidos) até dia 03/12/2009.

Amarelo Manga - Candeereiro Encantado

O Regresso do Cascais Jazz



Cascais Jazz
4 a 6 de Dezembro
Centro de Congressos do Estoril

O regresso de um acontecimento musical com a importância do “Cascais Jazz” ficará a marcar, da melhor maneira, o final da presente temporada jazzística entre nós, não apenas pelo carácter fortemente simbólico do ressurgimento de uma marca cultural com inegável peso e tradição na nossa sociedade, mas também pela presença, em concreto, de músicos e grupos de qualidade indesmentível.
As datas para o regresso deste novo “Cascais Jazz” estão, como se sabe, marcadas para 4, 5 e 6 de Dezembro, sendo o local escolhido para a realização dos cinco concertos que compõem o seu cartaz o Auditório do Centro de Congressos do Estoril, sala que, pelas suas excelentes condições acústicas e logísticas, está sem dúvida à altura deste aguardado e festejado regresso. Por outro lado, a existência de um parque de estacionamento subterrâneo constituirá, nesta época do ano, uma maisvalia em termos de conforto para o público.

Os concertos que constituem o elenco deste “Cascais Jazz” serão os seguintes:

Sexta, 4 de Dezembro - 21:30h
Lee Konitz Quarteto (com o convidado André Fernandes)

Lee Konitz (saxofone alto)
Florian Weber (piano)
Jeff Denson (contrabaixo)
Ziv Ravitz (bateria)
Convidado: André Fernandes (guitarra)

Sábado, 5 de Dezembro - 16:00h
Zé Eduardo Unit (com o convidado Jack Walrath)

Zé Eduardo (contrabaixo)
Jesús Santandreu (saxofone tenor)
Bruno Pedroso (bateria)
Convidado: Jack Walrath (trompete)

Sábado, 5 de Dezembro - 18:00h
Dena DeRose Trio

Dena DeRose (piano,voz)
Martin Wind (contrabaixo)
Matt Wilson (bateria)

Sábado, 5 de Dezembro - 21:30h
Ingrid Jensen Quarteto

Ingrid Jensen (trompete,filiscorne)
Geoff Keezer (piano)
Matt Clohesy (contrabaixo)
Jon Wikan (bateria)

Domingo, 6 de Dezembro - 18:00h
Cascais Jazz Legends

Phill Woods (saxofone alto)
Lew Soloff (trompete)
Cedar Walton (piano)
Rufus Reid (contrabaixo)
Jimmy Cobb (bateria)

Lee Konitz - My Melancholy Baby
com Bill Evans, Niels-Henning Ørsted Pedersen e Alan Dawson

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Agenda Semanal


Segunda, 30 de Novembro
20.30h – Hotel Algarve Casino (Portimão) – Gal Costa
21.00h – São Luiz (Lisboa) – Manuel Paulo & Nancy Vieira
22.00h – Fanac GaiaShopping (Gaia) – Amarelo Manga
23.00h – Tertúlia Castelense (Maia) - Idrigba

Terça, 1 de Dezembro
21.30h – Teatro Aberto (Lisboa) - Big Band Costa Pinto & Hugo Alves
22.00h – Casa da Música (Porto) – Lisa Ekdhal

Quarta, 2 de Dezembro
21.00h – Casa da Música (Porto) – Gal Costa
21.30h – Teatro Académico Gil Vicente (Coimbra) - Big Band Rags
21.30h – Teatro Sá da Bandeira (Santarém) - Joana Reais Pinto/Alex Bento Blues Trio

Quinta, 3 de Dezembro
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Teun Verbruggen Quartet

Sexta, 4 de Dezembro
21.00h – CCB (Lisboa) – Gal Costa
21.00h – São Luiz (Lisboa) – Edson Cordeiro & Couple Coffee
21.30h – Centro de Congressos do Estoril – Lee Konitz Quarteto & André Fernandes
21.30h – CC Figueira da Foz – Madredeus e a Banda Cósmica
22.00h – Cantaloupe Bar (Olhão) - Mango Biche Jazz Band
22.00h – Universidade do Porto - Michael Lauren Quartet & Hugo Alves
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Teun Verbruggen Quartet
23.00h – Ondajazz (Lisboa) - Remi Panossian Trio

Sábado, 5 de Dezembro
16.00h – Centro de Congressos do Estoril - Zé Eduardo Unit & Jack Walrath
16.30h – Centro de Congressos do Estoril - Dena DeRose Trio
21.00h – São Luiz (Lisboa) – Edson Cordeiro & Couple Coffee
21.30h – Centro de Congressos do Estoril - Ingrid Jensen Quartet
21.30h – Teatro Virgínia (Torres Novas) – Madredeus e a Banda Cósmica
21.30h – A Moagem (Fundão) – TGB
22.00h – Cantaloupe Bar (Olhão) - Mango Biche Jazz Band
22.00h – Fórum Fnac (Coimbra) – António Pinho Vargas
22.00h – Casa das Artes (Arcos de Valdevez) - Nicole Eitner
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Teun Verbruggen Quartet
23.00h – Museu do Douro (Régua) - Cláudia Fier Trio
23.00h – Ondajazz (Lisboa) - Remi Panossian Trio

Domingo, 6 de Dezembro
18.00h – Centro de Congressos do Estoril - Phil Woods, Lew Soloff, Cedar Walton, Rufus Reid & Jimmy Cobb
21.00h – Casino do Estoril - Harlem Gospel Choir

domingo, 29 de novembro de 2009

Desbundas


Desbundixie
Up2Nine

Está para breve o lançamento do segundo álbum dos Desbundixie, uma formação leiriense dedicada ao dixieland, mas que promete surpreender pela inclusão de dois consagrados do jazz nacional neste seu novo trabalho: o pianista Filipe Melo e a cantora Maria João.
Os mais impacientes podem reservar desde já este disco através do e-mail desbundixie@gmail.com.
Ficamos à espera da apresentação ao vivo deste novo projecto dos Desbundixie.

Masterclass com Mário Laginha


A Arquitectura da Música
Masterclass com Mário Laginha
10 de Dezembro de 2009, 17.00h
Faculdade de Arquitectura e Artes
Universidade Lusíada de Lisboa

Vai ter lugar no próximo dia 10 de Dezembro, pelas 17.00h, na sala 4X da Universidade Lusíada, em Lisboa, uma Masterclass pelo pianista e compositor Mário Laginha, subordinada ao tema "A Arquitectura da Música", com a colaboração da Licenciatura em Jazz e Música Moderna, da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais daquela universidade.
Esta Masterclass será gratuita para os alunos da Lusíada e terá o preço simbólico de 5 euros para os restantes.
Para mais informações poderão contactar o seguinte endereço de e-mail jazz.lusiada@gmail.com.

sábado, 28 de novembro de 2009

Contrabaixos


Carlos Barretto Trio Lokomotiv
26 de Novembro de 2009, 23.00h
Hot Club de Portugal (Lisboa)
Carlos Bica & João Paulo Duo
27 de Novembro de 2009, 21.30h
Auditório Ruy de Carvalho (Carnaxide)

Esta foi a semana dos contrabaixistas.
De uma só assentada pudemos assistir à apresentação, no Hot Club de Portugal, do trio Lokomotiv, liderado por Carlos Barretto, e do duo formado por Carlos Bica e João Paulo Esteves da Silva, no Auditório Ruy de Carvalho em Carnaxide, integrado no projecto Portugal Jazz.
Toda a comparação corre o risco de ser injusta, tanto mais quanto se trata de dois dos melhores músicos de jazz nacionais, e indiscutivelmente duas referências incontornáveis do seu instrumento. Mas a coincidência cruzou estas duas excelentes apresentações e eu não resisto a fazer o mesmo nestas breves notas.
Se ambos dispensam apresentações, os respectivos trabalhos como líderes têm merecido atenção diversa do público, sobretudo o internacional.
Carlos Bica há muito se estabeleceu como compositor de referência, trabalhando habitualmente com músicos estrangeiros de enorme gabarito, como Frank Möbus e Jim Black, os seus parceiros do projecto Azul. Esta formação tem-lhe garantido uma maior (e justa) visibilidade internacional, fruto também da excelência das suas composições e da enorme sintonia encontrada com os restantes membros do trio, perfeitamente integrados no universo musical do contrabaixista, complementando-o e explorando todas as suas potencialidades com as suas reconhecidas qualidades técnicas e artísticas.
O mesmo não tem sucedido (com alguma injustiça) com Carlos Barretto. Apesar de este projecto Lokomotiv ter nascido em 2003 com a participação do saxofonista francês François Courneloup, a verdade é que se tem desenvolvido sobretudo em terras nacionais e recorrendo aos dois restantes membros do quarteto inicial, os criativos José Salgueiro na percussão e Mário Delgado na guitarra.
As razões para este défice de internacionalização poderão ser inúmeras e nem estarem directamente relacionadas com a qualidade musical do trabalho do trio. A verdade é que o universo criativo de Barretto e companhia se mostra sistematicamente mais complexo, mais elaborado, mais arrojado até, sobretudo pela forte componente electrónica que lhe é incutida pela guitarra de Mário Delgado.
Não me interpretem mal. Eu sou um adepto incondicional das qualidades técnicas deste genial guitarrista, que considero mesmo um dos melhores (se não mesmo o melhor) da nossa cena jazzística. Tenho contudo mais dúvidas quanto ao seu talento como compositor, sobretudo quando decide fazer uso intensivo da sua panóplia de pedais e samplers, como sucede neste projecto Lokomotiv. O brilhantismo de algumas soluções passa então a alternar com o uso (e por vezes abuso) de arrojadas dissonâncias e de uma “sujidade” electrónica do som emitido pela sua guitarra, que nem facilitam a conquista de públicos mais vastos nem conseguem sequer obter o consenso dos jazzómanos inveterados. Experimental: é certo. Arrojado: sem dúvida. Plenamente conseguido: às vezes…
De resto o trio só tem motivos para conquistar o público. Barretto é de uma suprema criatividade no contrabaixo, com um fraseado por vezes assombroso e de uma inventividade inultrapassável. Salgueiro é régio na percussão. Um dos mais completos e criativos percussionistas nacionais que, ao lado de Carlos Barretto, se sente como peixe na água.

Carlos Barretto - Solo Pictórico




Por contraste o universo musical de Bica é feito de silêncios, de subtilezas, de uma dramática contenção. O contrabaixista é um compositor extraordinário e sabe usar a mais simples e atraente das melodias e transformá-la num exercício de estilo notável. Em Bica a complexidade provém, na maioria das vezes, de um processo de redução, de decomposição da melodia, nos seus componentes mais essenciais, que ele explora com mestria, através da acentuação, do uso criterioso dos silêncios, da subtileza na construção harmónica. Com três ou quatro notas constrói uma canção notável e isso não só é um dom invejável, como poderá explicar a facilidade com que comunica com os mais variados públicos (como o provou esta apresentação em Oeiras, dirigida a um público claramente estranho ao universo jazzístico).
A seu lado João Paulo Esteves da Silva tem sido uma constante. E nesta versão minimalista (de algum modo condicionada pelo trabalho a solo do pianista, no álbum White Works), em duo de piano e contrabaixo, a simbiose dos dois universos musicais parece plena. João Paulo apropriou-se pertinentemente do repertório de Bica e, despindo-o da exuberância exibida no projecto Matéria-prima, por exemplo, tornou-o uma experiência diferente. Mais íntima, mais profunda, ocasionalmente sublime.
Já aqui escrevi, a propósito da apresentação de Matéria-prima na Culturgest, há cerca de um ano atrás, que a ligação de João Paulo à música de Carlos Bica, embora antiga e assente num profundo conhecimento mútuo, me parecia curiosa porquanto os músicos pareciam situar-se musicalmente nos antípodas um do outro. Não foi assim nesta apresentação em duo. João Paulo pegou tranquilamente no repertório de Bica gravado em White Works e moldou-o à sua imagem musical. A presença do contrabaixista em palco mais não fez do que enriquecer a apresentação com a sensibilidade que só o autor poderia emprestar às suas composições, mas nunca as levou para a exuberância de outros projectos. Manteve-se colado à subtileza da interpretação do pianista, numa contenção que não abdicou do dramatismo característico do compositor, mas pô-lo claramente ao serviço da melodia e do maior intimismo do piano.
O resultado foi soberbo. Uma homenagem notável ao património que constitui a obra de Carlos Bica, para puro prazer dos ouvintes.
Em suma, duas viagens completamente diversas conduzidas pelo mesmo instrumento. Duas propostas radicalmente diferentes de interpretar o jazz contemporâneo, imbuído da tradição musical lusitana, e apresentadas por dois dos seus maiores nomes.
Uma semana demonstrativa da enorme vitalidade que o jazz português atravessa na actualidade.

Carlos Bica no Salão Brazil em Coimbra