terça-feira, 22 de abril de 2008

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Simples e Profundo


Melody Gardot
Worrisome Heart
Verve 2008
17/20

Melody Gardot tem 22 anos e é o novo fenómeno de popularidade da música norte-americana. Nasceu em 1985 em New Jersey mas é em Philadelphia que vive e despertou para a música. Aos 19 anos sofreu um grave acidente de bicicleta que a colocou numa cadeira de rodas e a deixou com graves lesões cerebrais. A terapia pela música ajudou-a a recuperar mas também a iniciar uma carreira de sucesso. Gravou temas tocados e cantados por si (ainda hospitalizada) que acabaram compilados num disco, Some Lessons, The Bedroom Sessions. Um DJ da rádio local (que já tinha ajudado a lançar Amos Lee e Norah Jones) ouviu e gostou. Fê-la conquistar o airplay de Philadelpia primeiro e depois a Internet, com o disco a bater records de download. Assim começou a carreira musical de Melody Gardot, que rapidamente assinou contrato com a Verve e gravou este Worrisome Heart, composto exclusivamente por originais escritos por si e produzido pela própria e por Glenn Barratt, produtor já galardoado com um Grammy, acompanhada por excelentes músicos como o guitarrista Jef Lee Johnson (habituado a acompanhar Aretha Franklin ou Billy Joel) ou o organista Joel Bryant (Aretha Franklin e Harry Connick Jr.).
O resultado é excelente. Um disco intimista e homogéneo, composto sobretudo por baladas, numa verdadeira homenagem à Americana. Junta influências do blues (particularmente do R&B que a presença do órgão imediatamente evoca), do folk e country (nomeadamente em temas como Sweet Memory ou One Day) e até do jazz (Goodnite, talvez o tema mais conseguido do álbum). O som retro e fortemente inspirado nos anos cinquenta e sessenta (embora revisto e actualizado pela excelente produção) relembra os sucessos recentes de Norah Jones, Madeleine Peyroux ou Katie Melua, mas com uma personalidade própria marcada pela voz segura e expressiva de Gardot, bem como pelas conseguidas presenças da guitarra de Jef Lee Johnson, do órgão de Bryant ou do trompete de Patrick Hughes. O blues é rei neste disco, seja em toada lenta como na litania Love Me Like a River Does, seja na forma alegre e quase dançável de Quiet Fire. O dramatismo é acentuado pela presença ocasional das cordas nos temas Gone e Some Lessons. Em suma, uma obra de grande valor que augura os maiores sucessos para esta jovem cantora norte-americana.

Veja o tema Worrisome Heart ao vivo na NBC

domingo, 20 de abril de 2008

sábado, 19 de abril de 2008

Marta Hugon - Too Close For Confort

Destaque da Semana – Steve Smith & Vital Information


Nascido no Massachussets, em 1954, começou a estudar bateria com 9 anos, em 1963, com Bill Flanagan, com quem tocou durante os anos 60 em Big Bands. Em 1972 ingressou no Berklee College of Music, em Boston, onde estudou com professores como Gary Chaffee e Alan Dawson.

Iniciou a carreira profissional em 1974, com 19 anos, na Big Band de Lin Biviano, onde permaneceu e gravou durante dois anos. Durante esse período tocou ainda com Buddy deFranco e fez parte do grupo de free jazz, The Fringe, com George Garzone. Em 1976 iniciou a sua colaboração com Jean-Luc Ponty com quem gravou o disco "Enigmatic Ocean" (Atlantic 1977) o qual contou ainda com a colaboração do guitarrista Allan Holdsworth.

Nessa altura conheceu Ronnie Montrose que o convidou a fazer parte do grupo rock Journey, com quem viajou por todo o mundo e gravou inúmeros álbuns de sucesso entre os quais "Escape" (Columbia 1981) e "Frontiers" (Columbia 1983). Com os Journey vendeu mais de 50 milhões de discos, em todo o mundo!

Em 1985 deixou os Journey para se dedicar à sua antiga paixão pelo jazz. Não deixou, no entanto e como sideman, de tocar e gravar com alguns dos maiores ícones do pop e rock mundiais, entre eles Mariah Carey, Bryan Adams, Zucchero, Andrea Bocelli, Ray Price e Savage Garden.

A sua banda de jazz de fusão, Vital Information, foi fundada em 1983, ainda membro dos Journey. Dela fazem parte Tom Coster nos teclados, Baron Browne no baixo e Vinny Valentino na guitarra. O seu último disco é datado de 2007 e chama-se “Vitalization”, gravado pela Hudson Music. É este o trabalho que será apresentado em Lisboa, no Cinema São Jorge.

Mantém ainda outra banda de jazz a Steve Smith’s Jazz Legacy, mais direccionada para o free jazz e que conta com Andy Fusco no saxofone alto, Walt Weiskopf no saxofone tenor e soprano, Mark Soskin no piano e Baron Browne no baixo.

Um espectáculo obrigatório para os apaixonados pelo jazz de fusão.

Veja o tema Side Way Blues, por Steve Smith & Vital Information.

Agenda Jazz - Semana 21 a 27 de Abril de 2008


2ª-feira, 21de Abril
21.30h – Cinema São Jorge (Lisboa) - STEVE SMITH AND VITAL INFORMATION – Steve Smith, bateria; Tom Coster, Teclados; Baron Browne, baixo; Vinny Valentino, guitarra

3ª-feira, 22 de Abril
22.30h – Ondajazz (Lisboa) – Big Band Reunion (Direcção Claus Nymark)
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Communion - Phil Grenadier tp; João Paulo piano; Nelson Cascais ctb; João Lencastre bat

4ª-feira, 23 de Abril
19.00h – Trem Azul (Lisboa) - Trisonte
23.00h – HotFive (Porto) – Jam Session Porto All Stars
23.00h – Ondajazz (Lisboa) - Triângulo - Thierry Riou: Piano; Carlos Massa: baixo; Milton Batera: bateria
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Communion - Phil Grenadier tp; João Paulo piano; Nelson Cascais ctb; João Lencastre bat

5ª-feira, 24 de Abril
22.30h – Braço de Prata (Lisboa) - Night Memories, António Cobra e Miguel Samora
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Benny Lackner Trio - Benny Lackner piano; Nelson Cascais ctb; Mathieu Chazarenc bat
23.00h – HotFive (Porto) – Combos da Escola de Música Valentim de Carvalho
23.00h - Servartes (Porto) – Quarteto Paulo Bandeira

6ª-feira, 25 de Abril
21.00h – Grande Auditório do CCB (Lisboa) - 20 Canções para Zeca Afonso
21.30h – Europarque (Santa Maria da Feira) - Jacinta
22.00h – Acert (Tondela) – Couple Coffee & Trigo Limpo – Co’as Tamaquinhas do Zeca
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Benny Lackner Trio - Benny Lackner piano; Nelson Cascais ctb; Mathieu Chazarenc bat
23.00h – Braço de Prata (Lisboa) – Júlio Resende
22.00h – Grande Auditório CC Vila Flor (Guimarães) – Steel Drumming toca Zeca Afonso
23.00h – Café Jazz CC Vila Flor (Guimarães) – Trio Nuno Marinho
23.00h - Servartes (Porto) – Trio Fino (Acácio Salero & Hugo Carvalhais)
23.30h – Malaposta (Odivelas) – Matita Pere –Tributo a Tom Jobim

Sábado, 26 de Abril
21.00h – Grande Auditório CCB (Lisboa) – Meredith Monk
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Benny Lackner Trio - Benny Lackner piano; Nelson Cascais ctb; Mathieu Chazarenc bat
23.00h – Bejazz (Barreiro) - Michel Mounier Trio + Alice Mexia
23.00h – HotFive (Porto) - Samuel Quinto Trio (Latin Jazz Thrill)
23.00h – Teatro Virgínia (Torres Novas) – Nicole Eitner
23.30h – Ondajazz (Lisboa) – Lusitânia - Carlos Martins: saxofone; Júlio Resende: piano; André Fernandes: guitarra; João Custodio: contrabaixo; João Rijo: bateria

Domingo, 27 de Abril
21.00h – Braço de Prata (Lisboa) - Nicole Eitner
21.00h - Bacalhoeiro (Lisboa) – Alípio C. Neto Trio

Steve Smith & Vital Information - Side Way Blues

Para Que Conste


John Scofield & Horns
18 de Abril de 2008 – 21.00h
Aula Magna – Lisboa
*****

Há concertos bons.
Há até músicos capazes de nos levarem às lágrimas…
E há aqueles que transmitem emoções inesquecíveis. Marcas indeléveis nos espíritos, tão profundas que os anos não conseguem apagar.
John Scofield tem esse dom.
Perdoem-me a toada melodramática, mas acabei de chegar do espantoso concerto que este guitarrista realizou na Aula Magna e estou ainda fora de mim, sob o efeito hipnótico da sua guitarra.
Não é tanto pela técnica, que é fabulosa. Isso seria (pasme-se!) demasiado banal. Nem tão pouco pela invejável capacidade de inovar, de alargar os horizontes do jazz e do seu instrumento, como poucos. Nem sequer pela forma admirável como Scofield se consegue renovar após mais de 30 anos de carreira discográfica. Prova insofismável de juventude e inteligência.
É sobretudo pela entrega. Verdadeiramente única.
Durante o espectáculo a sua guitarra transformou-se em parte integrante e essencial do próprio guitarrista. Uma fusão do homem e instrumento numa sublime metamorfose.
O resultado foi genial. E olhem que eu não acredito em génios (dos que brotam de lâmpadas ou das penas apressadas de escribas, que como eu, tentam em vão lavrar autos de emoções).
Mas acredito na genialidade. Na capacidade única do artista se despir esporadicamente da banalidade do cidadão comum e elevar-se, nas salas de espectáculos ou em qualquer outro local onde a arte, nas suas variadas formas, se materialize, perante os sentidos atónitos dos espectadores.
Hoje pude presenciar este fenómeno (quase paranormal).
Rendi-me à genialidade da obra do grande John Scofield e seus pares. Matt Penman no contrabaixo esteve exuberante (o neo-zelandês substituiu primorosamente o ausente Steve Swallow). Bill Stewart na bateria, poderoso e incansável. Phil Grenadier no trompete e fluguelhorn, um líder nos metais que soube elevar a actuação de Scofield a níveis estratosféricos, bem ajudado por Tom Olin e Frank Vacin, nos saxofones.
E sinto uma obrigação imperiosa de o registar (que mais posso fazer?).
Para que conste.

Vejam o vídeo do John Scofield Trio no Blue Note, NYC - Green Tea

quinta-feira, 17 de abril de 2008

TrioAngular


Bruno Santos
com Bernardo Moreira, Bruno Pedroso e Pedro Moreira
TOAP 2007
15/20

Bruno Santos é um jovem e talentoso guitarrista madeirense, uma das maiores promessas do jazz nacional actual. Nascido em 1976 no Funchal, iniciou os seus estudos no Conservatório local de onde transitou para o de Faro. Aí conheceu Zé Eduardo, o contrabaixista que já dirigiu a escola do Hot Club de Portugal, e começou a sua carreira ligada ao jazz. O passo seguinte foi naturalmente a escola de jazz Luís Villas-boas do HCP, em Lisboa, onde concluiu os estudos em 2000 e começou a leccionar em 2001.
Como líder, este é o segundo álbum que edita (depois de Wrong Way em 2005) ambos pela TOAP de André Fernandes (seu antigo professor na escola do Hot).
TrioAngular foi gravado entre o estúdio de Paulo Ferraz, no Funchal, a mítica sala do Hot Club na Praça da Alegria e o estúdio da TOAP, também em Lisboa, com produção do próprio Bruno Santos, mistura e masterização de André Fernandes. Conta com a participação de Bernardo Moreira no contrabaixo, Bruno Pedroso na bateria e ainda de Pedro Moreira no saxofone tenor em três temas: Glue, 343 e Soul Eyes.
Comparativamente a Wrong Way é um disco mais ambicioso, melhor produzido e nitidamente mais maduro. Desde logo porque Bruno Santos assina oito dos dez temas (os outros dois são Think of One de Thelonious Monk e Soul Eyes de Mal Waldron, com arranjos do próprio Bruno Santos). Mas também porque o guitarrista arrisca consideravelmente mais neste trabalho. Ao invés de buscar “protecção” num ensemble que, de alguma forma, assegure de forma distribuída a responsabilidade criativa e interpretativa do disco, aposta numa formação em trio (como referi apenas em três temas aparece o saxofone de Pedro Moreira) em que a guitarra assume total protagonismo e as maiores despesas melódicas e ocasionalmente harmónicas, bem secundada por uma secção rítmica composta pelo contrabaixo e a bateria. O resultado pode parecer por vezes minimalista, mas a guitarra de Bruno Santos soa maravilhosamente bem, como nunca conseguiu soar em Wrong Way.
Bruno Santos tem um fraseado musical muito próprio, rendilhado e sedutor, verdadeira filigrana na forma rica e delicada como se apropria dos temas. Ocasionalmente busca referências nos ritmos sul-americanos, particularmente na bossanova. Mas além de uma extraordinária técnica mostra ainda um assinalável talento como compositor e arranjador (é ele o pulmão por detrás dos recentes projectos do Septeto do Hot), sem contar com uma humildade e simpatia verdadeiramente ímpares.
Porém este TrioAngular não é um disco fácil. Longe disso. É uma obra de grande qualidade mas que exige tempo e paciência para se mostrar em toda a sua plenitude. Há temas que seduzem à primeira abordagem como Submerso (talvez o mais apelativo de todos), Aqui outra vez ou Hexágono. Mas na sua maioria, o carácter mais intimista e por vezes minimalista dos arranjos (quando comparado com os do quarteto Bruno Santos e Filipe Melo), dificulta a empatia imediata e exige do ouvinte um esforço adicional para conseguir penetrar no universo musical que lhe é proposto. Mas esse esforço é amplamente recompensado pelo brilhantismo dos solos, reforçado pelos contrapontos de Bernardo Moreira no contrabaixo e por vezes de Bruno Pedroso na bateria.
Uma pérola escondida este TrioAngular. Mas como sucede frequentemente nesses casos, são as que acabam por revelar maior pureza e brilho.

Á falta de vídeos deste TrioAngular, reveja-se e oiça-se o belíssimo trabalho do guitarrista madeirense no Angra Jazz, integrado no trio de Filipe Melo (com Bernardo Moreira no contrabaixo). Os temas são Moose the Mooche; When Lights Are Low e Kells & Blues

terça-feira, 15 de abril de 2008

Destaque da Semana - John Scofield


Esta semana o destaque vai inteirinho para o concerto de John Scofield na Aula Magna.
Nascido em Dayton, Ohio, em 26 de Janeiro de 1951, Scofield é um enorme guitarrista e compositor que colaborou com lendas do jazz como Miles Davis, Joe Henderson, Herbie Hancock, Pat Metheny, Pat Martino, Mavis Staples, George Duke ou Jaco Pastorius, entre outros.
Formado pelo prestigiado Berklee College of Music, acabou por deixar a escola para gravar com Chet Baker e Gerry Mulligan. Gravou em 1976 com Charie Mingus e foi substituir Pat Metheny no quarteto de Gary Burton.
No Outono de 1976 assinou contrato com a Enja e gravou o seu primeiro disco como líder: John Scofield, lançado em 1977.
Em 1982 juntou-se a Miles Davis em cuja banda permaneceu três anos e meio, durante os quais gravou três discos com o mestre: Star People, You're under Arrest e Decoy. No início dos anos 90 formou o seu quarteto com Joe Lovano.
Já com a Blue Note, gravou nesse período ainda com Charlie Haden, Jack deJohnette, Bill Stewart, Bill Frisell e Joey Baron.
Em 1994 gravou com Pat Metheny, Bill Stewart e Steve Swallow o álbum I Can See Your House From Here.
Em 1997 iniciou o seu período funk com o disco A Go-Go, com o trio Medeski, Martin & Wood bem como uma colaboração com o compositor britânico Mark-Anthony Turnage, com quem gravaria Scorched para a Deutsche Grammophon.
Nos seus trabalhos mais recentes gravou Überjam em 2002 e Up All Night em 2004 e no mesmo ano um disco ao vivo no Blue Note, em Nova Iorque, com Steve Swallow e Bill Stewart.
Em 2005 gravou um álbum de homenagem a Ray Charles que originou uma série de concertos com Mavis Staples.
Já em 2006 gravou This Meets That para a Emarcy ainda com o seu trio composto por Swallow, no contrabaixo, e Stewart na bateria, ao qual adicionou uma secção de metais composta por Phil Grenadier (trompete e fluguelhorn), Tom Olin (saxofone tenor e flautas) e Frank Vacin (sax barítono e clarinete).
Exerce funções de professor adjunto no Departamento de Jazz da New York University's Steinhardt School of Education.
É pois uma lenda viva do jazz que vamos poder ouvir esta sexta feira em Lisboa, na Aula Magna, apresentando precisamente o seu último trabalho gravado para a Emarcy.
Um espectáculo a não perder.
Para abrir o apetite aqui fica o tema Green Tea, ao Vivo em 2004 no Blue Note, em Nova Iorque.

6ª Feira, 18 de Maio, às 21.00h na Aula Magna em Lisboa.

Green Tea ao vivo no Blue Note, NYC