sábado, 16 de agosto de 2008

As Melodias de Meron



Eyal Sela & Song of the Mountain
15 de Agosto de 2008, 22.00h
Fábrica da Pólvora – Barcarena
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Integrado na XVI edição do festival Sete Sóis Sete Luas, evento promovido por uma rede cultural de 30 cidades de 9 países diferentes (Cabo Verde, Croácia, Espanha, França, Grécia, Israel, Itália, Marrocos e Portugal) com apoio da União Europeia e presidência honorária dos prémios Nobel da literatura José Saramago e Dário Fo, teve lugar uma apresentação na Fábrica da Pólvora de Barcarena, Oeiras, do grupo israelita Song of the Mountain, liderado pelo clarinetista e saxofonista Eyal Sela.
Apesar de ter recebido formação clássica no Conservatório de Tel-Aviv, Eyal Sela dedicou-se, há mais de uma década, à música étnica, não apenas israelita, de onde é natural, mas também de outros pontos do mundo, dos Balcãs à Índia, com particular incidência nas regiões onde a diáspora israelita deixou marcas mais profundas.
Foi membro do grupo "Al-Ol" e realizou colaborações com o músico Yair Dalal. Pelo caminho actuou um pouco por todo o mundo, tendo tido o privilégio de tocar em Oslo, na cerimónia de entrega do prémio Nobel da Paz a Yitzhak Rabin, Shimon Peres e Yasser Arafat, no ano de 1994. Outras colaborações passaram pelo projecto Sejera da Inbal Dance Troupe, com Shlomo Bar, com o oudista palestiniano Adel Salame ou o lirista Ross Daly. Mais recentemente foi director musical do espectáculo indiano Bharati, que tem sido apresentado com grande sucesso na Europa e compõs ainda parte da banda sonora do filme Secrets, de Avi Nesher.


No seu disco, Sela (Magda, 2001), usa o clarinete para traçar as influências judaicas na música dos Balcãs. Já em Darma (Magda, 1999), é a flauta e o misticismo da Índia que o atrai e que cruza, a propósito, com a música turca e israelita, na companhia de Yair Dalal e Avi Agababa.
Nas suas próprias palavras, Israel é uma interacção diária entre várias nações, religiões e culturas etno-musicais. Esta realidade oferece-lhe a oportunidade para criar um mosaico musical no qual ocidente e oriente possam viver em paz.
Pelo caminho tornou-se um virtuoso de inúmeros instrumentos de sopro: clarinete, saxofone, flauta, mas também muitas das suas variantes regionais, turcas, árabes e indianas. É professor no Conservatório de Tel-Aviv, onde ensina música dos Balcãs, da Turquia e Índia.



Eyal Sela & Darma Ensemble
Call Of The Mountain
2004 Nada Records

O seu mais recente projecto, agora apresentado em Portugal, é desenvolvido com o grupo Darma e denomina-se Song of the Mountain por versar sobre a música característica das celebrações que têm lugar no Monte Meron, na Galileia.
Desde há 200 anos que têm lugar as festas anuais de Lag B’Omer, junto do Monte Meron, em Israel. Este local é onde está sepultado o Rabbi Simon Bar Yochai, alegado autor do Sefer Hazohar (Livro do Esplendor) que constitui a base da doutrina mística judaica do cabalismo. Estas festividades têm, desde sempre, um carácter cosmopolita, atraindo à Galileia judeus oriundos dos mais variados cantos do mundo, tal como árabes, druzos e circassianos (comunidade muçulmana adiguésia, originária do Cáucaso). O ambiente vivido é assim de festa multicultural onde a música, dança e poesia destes povos convive em paz e harmonia à volta das fogueiras acesas no místico e misterioso deserto da Galileia.
Musicalmente o festival exibe influências de quase todos os locais onde o judaísmo floresceu: asquenazitas do leste europeu, sefarditas do Mediterrâneo, mizrahim da África judaica mas também árabes, cristãs orientais e centro-asiáticas. Este variado repertório é conhecido como Nigunei Meron (melodias de Meron) e constitui uma verdadeira world music, criada séculos antes do termo ter sido inventado…
Recorrendo a instrumentos tradicionais como o clarinete turco, o oud árabe ou a kamancha (violino tradicional persa, que se toca na vertical) o projecto Song of the Mountain, liderado por Sela, propõe-se precisamente recriar perante os palcos do mundo este ambiente multicultural e multisecular das festividades do Monte Meron na Galileia. Conta com Eyal Sela no clarinete (normal e turco), flautas e bansuri (flauta indiana de madeira), Avi Agababa na percussão, Gershon Waiserfirer no oud, Gilad Ephrat no baixo e Marc Elyahu na kamancha.
Uma viagem inesquecível à Galileia, sem precisar de sair de casa!
Depois desta actuação em Oeiras e da do dia 11 de Agosto na Manta Rota, o grupo vai actuar mais duas vezes em Portugal, concertos que recomendo vivamente: já hoje, 16 de Agosto, em Ponte de Sôr e dia 14 de Setembro em Castro Verde (esta de Eyal Sela com o ensemble 7 sóis).
Deixo-vos com um vídeo elaborado a partir do tema An Arabic, incluído no disco Song of the Mountain, com belas fotos da Eritreia, da autoria de Johan Gerrits.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Canções Labirínticas



Sting & Edin Karamazov
Songs From The Labyrinth
Deutsche Grammophon, 2006

De Sting já toda a gente ouviu falar. E arrisco mesmo afirmar que poucos não saberão trautear pelo menos um dos seus muitos sucessos, dos Police ou da já sua longa e prolífica carreira a solo.
O que já nem todos conhecerão é a versatilidade musical do ex-vocalista e baixista dos Police, que o tem levado a temerárias incursões por territórios musicais pouco usuais em músicos pop, como sejam o jazz, a world music ou a música clássica.
Uma das mais insólitas incursões de Gordon Matthew Thomas Sumner (assim se chama o senhor, nascido em Wallsend em Inglaterra, no ano de 1951) por territórios musicais menos conhecidos deu-se em 2006, quando gravou um disco pela Deutsche Grammophon (a famosa editora alemã de música clássica) dedicado ao compositor britânico renascentista John Dowland (1563-1626), na companhia do alaúde do músico bósnio Edin Karamazov.
Este trabalho não terá contribuído em muito para os mais de 100 milhões de discos vendidos por Sting, nem tão pouco para os 16 Grammys já conquistados por si, mas é seguramente revelador de uma versatilidade invulgar.
Songs from the Labyrinth, assim se denomina o disco, foi acolhido de forma irregular, entre aclamações seguidistas e críticas dos mais canónicos puristas.
Confesso que achei o trabalho interessante, não me sentindo minimamente intimidado ao ouvir a inconfundível voz rouca de Sting arranhar as melancólicas melodias elizabetianas de Dowland. Além de um notável trabalho de Karamazov no alaúde, o disco revela apurados arranjos vocais que, além de tornarem porventura mais acessível, aos não iniciados nos meandros da música antiga (onde modestamente me incluo), a obra de Dowland, a exprimem de forma particularmente bela e apelativa.
O estimado leitor que julgue por si.

Sting & Edin Karamazov - Come Again

Ventos de Nova Iorque



Já aqui deixei alguns comentários ao excelente trabalho desenvolvido pelo trompetista suiço Franco Ambrosetti com o Uri Caine Trio (composto por Uri Caine no piano, Drew Gress no contrabaixo e Clarence Penn na bateria), denominado “The Wind” e lançado em 2007 pela editora ENJA. Para mais detalhes consultem o artigo entitulado “Brisa Contagiante”, publicado em 20 de Maio passado.
Faltou na altura deixar-vos um vídeo, elaborado a partir de um dos temas do álbum, que melhor ilustrasse as numerosas considerações tecidas a respeito deste.
Colmatando essa lacuna, aqui fica o tema que dá nome ao álbum, acompanhado das extraordinárias fotografias de bailarinos da Broadway, tiradas pelo fotógrafo Richard Calmes, pelas ruas (e céus) de Nova Iorque.
Uma rara e dupla preciosidade!

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Agenda Braço de Prata



4ª feira, 13

22.00h - Sala Nietzsche
Recital de guitarra de Fredo Merzner

5ª feira, 14

22.00h - Sala Nietzsche
Daniel Hewson (piano)

6ª feira, 15

22.00h - Sala Prado Coelho - Marta Plantier e Luis Barrigas
23.00h - Sala Nietzsche - Júlio Resende Trio
00.30h - Sala Prado Coelho - The Ballis Band
Chico Ballis – Bateria; Ana Mira – Voz; João Vieira – Guitarra; João Costa – Guitarra; James – Baixo

Sábado, 16

23.00h - Sala Visconti - Raspa de Tacho
Tércio Borges – cavaquinho; João Vaz – saxofone soprano; Gabriel Godoi – violão 7 cordas; João Fião – percussão
23.00h - Sala Nietzsche - " Future Now " Quarteto de Zeca Neves
Zeca Neves - Baixo Eléctrico e Contrabaixo; Daniel Vieira – Saxofone; Toni Pinto – Guitarra; Carlos Miguel - Bateria.
00.00h - Sala Nietzsche - YAMI - “Aloelela”
YAMI: Voz e Guitarras; Nelson Canoa: Teclas e Acordeão; Tiago Santos: Guitarras; Ciro Cruz: Baixo; Vicky: Percussões.

O Misticismo Sufi de Dhafer Youssef



Dhafer Youssef
Malak
Enja, 1999

Dhafer Youssef é um cantor, compositor e tocador de oud, nascido em 1967 em Teboulb, uma cidade portuária da Tunísia. Desde 1990 que está radicado na Europa (primeiro em Viena e mais recentemente em Paris) onde tem desenvolvido colaborações memoráveis com grandes músicos, das mais variadas proveniências, como o guitarrista vietnamita Nguyên Lê, o trompetista alemão Markus Stockhausen, o contrabaixista francês Rénaud Garcia-Fons ou ainda o saxofonista israelita Gilad Atzmon, o trompetista sardo Paolo Fresu, o pianista norueguês Bugge Wasseltoft, o guitarrista austríaco Wolfgang Muthspiel ou o baterista francês Patrice Héral, entre muitos outros.
Começou a cantar, na tradição islâmica, aos 5 anos de idade, mas a maturidade levou-o à tradição mística Sufi. Com uma rara abordagem poética ao Oud, demonstrou ainda uma notável capacidade de fusão, aproximando-se quer dos universos musicais de outras paragens (designadamente da Índia), ao sabor das inúmeras colaborações desenvolvidas, quer ainda ao jazz. É possuidor de uma das mais notáveis vozes surgidas nos últimos anos.


Malak foi o seu primeiro disco como líder, gravado em 1999 pela editora Enja e é uma notável afirmação de lirismo árabe, ritmo, misticismo, influências multiculturais e improvisação jazzística. Uma verdadeira ponte entre os universos musicais ocidental e oriental.
Conta com um elenco de luxo: ele próprio na voz, oud e composição, Markus Stockhausen no trompete e fliscórnio, Nguyên Lê na guitarra, Renaud Garcia-Fons no contrabaixo, Deepak Ram no bansuri, Zoltan Lantos no violino, Achim Tang no baixo, Jatinder Thakur na tabla e dolak, Patrice Héral na bateria e Carlo Rizzo no tamborim.
Nos últimos anos, mercê da sua ligação privilegiada ao ocidente e às inúmeras colaborações desenvolvidas, nomeadamente com artistas israelitas e palestinianos, Dhafer Youssef converteu-se num símbolo da tolerância cultural e de uma visão alternativa da cultura árabe e islâmica.
Deixo-vos com o maravilhoso tema L’Ange Aveugle (O Anjo Cego) inserido no seu trabalho Malak. As referências indianas do tema (decorrentes do uso da tabla por Jatinder Thakur, o fantástico instrumento de percussão indiano com uma rara capacidade melódica, e do misticismo que brota dos sopros, designadamente do bansuri, a flauta indiana entregue a Deepak Ram) levaram-me a escolher, para complemento, as espectaculares fotos indianas de Claude Renault. Espero que gostem.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Lagos Jazz 2008



Se estiver de férias no Algarve não desespere porque também aí vai poder ver e ouvir bom Jazz.
De 13 a 17 de Agosto vai ter lugar a 7ª edição do Festival Lagos Jazz, organizado pela Câmara Municipal de Lagos, este ano numa preciosa colaboração com o Festival italiano de Orsara que permite o intercâmbio da maioria dos professores que vão colaborar nos workshops de jazz, que vão decorrer em simultâneo com o Festival, e proporcionar aos alunos uma apresentação pública, no último dia do certame.

Dia 13 de Agosto, apresenta-se a Orquestra de Jazz de Lagos com o convidado Luís Cunha, jovem trombonista português, formado pela Escola Profissional de Música de Almada. A Direcção Musical, como habitualmente e desde o primeiro dia, estará a cargo de Hugo Alves.

Dia 14 de Agosto, Miguel Martins Kaleidoscópio "The Newcomer", um trio liderado pelo guitarrista que lhe dá o nome, e que editou este seu primeiro trabalho em finais de 2007. Trará consigo o contrabaixista Carlos Barretto e o baterista José Salgueiro, ambos nomes incontornáveis do Jazz Português.

Dia 15 de Agosto, Orsara-Lagos Jazz Summit. O colectivo de professores apresenta-se em concerto, com um "preparado" de temas originais. Antonio Ciacca (USA, piano), Kengo Nakamura (USA, contrabaixo), Ulysses Owen (USA, bateria), Lucio Ferrara (ITA, guitarra), Stacy Dillard (USA, saxofone), Luís Cunha (POR, trombone), Hugo Alves (POR, trompete).

Dia 16 de Agosto, Mulgrew Miller Trio. O pianista que foi companheiro de nomes como Woody Shaw, Art Blakey, Benny Golson ou Tony Williams. apresenta-se acompanhado pelo trio que o tem seguido nas últimas tours mundiais, composto por Ivan Taylor(contrabaixo) e Rodney Green (bateria);

Dia 17 de Agosto... apresenta-se o combo dos alunos dos Workshops do Festival.

Os concertos acontecem sempre às 22.00h, no Centro Cultural de Lagos.

Paralelamente terão lugar os workshops, de 13 a 17 de Agosto, 14:00 - 17:00, no Centro Cultural de Lagos e vasta animação de rua, com The New Orleans Jazz Band (13 Agosto: Centro Histórico de Lagos; 15 Agosto: Vila da Praia da Luz) e Jam Sessions a decorrem no Stevie Rays Blues Jazz Bar: 13, 14, 15 e 16 de Agosto, a partir das 22:30h, com Diogo Vida (piano), Rodrigo Monteiro (Contrabaixo)e Filipe Sequeira (bateria).

Mais informações podem ser obtidas no site http://www.lagosjazz.com/.

Jazz no Mar Alto



Venho por esta lembrar que está a decorrer no Círculo Cultural «Mar Alto», na Nazaré, mais uma edição do Jazz no Mar Alto. Os concertos, com jovens e consagrados músicos de jazz nacionais, têm lugar às 23.00h no Círculo Cultural da Nazaré - Mar Alto - Largo Afonso Zuquete (junto ao Hotel Nazaré), e a entrada tem o módico custo de 2.00€. Pelo que, se está de férias na região Oeste, aproveite a iniciativa da Lusitanus Ensemble Produções e da Câmara Municipal da Nazaré, e passe umas boas férias ao som do jazz.

Deixo-vos o programa dos próximos concertos:

13-08-2008 Quarteto de Miguel Fevereiro
João Cabrita – saxofone tenor / Miguel Fevereiro – guitarra
Tó Olivença – baixo / José Vilão – bateria

14-08-2008 2Tubas & Friends
Sérgio Carolino & Anne Jelle Visser – Tuba
Michael Lauren – bateria + convidados surpresa

15-08-2008 Groove Station Trio
Hugo Trindade – guitarras e loops
Hugo Antunes – contrabaixo / Bruno Pedroso – bateria

16-08-2008 NIP Jazz Version
Susana Gomes – voz / João Capinha – saxofone alto e flauta
Márcio Silvério – guitarra / Tiago Lopes – baixo / Vítor Copa – bateria

domingo, 10 de agosto de 2008

Contos Mediterrânicos



Racconti Mediterranei
Enrico Pieranunzi, Marc Johnson e Gabriele Mirabassi
Egea, 2000

Racconti Mediterranei é um hino ao Mediterrâneo, em toda a sua nostalgia, beleza e história. Gravado em 2000, no Teatro Comunale di Gubbio (pequena comuna da Úmbria, na província de Perugia), este disco é uma colecção de humores e sugestões mediterrânicas, tocantes, delicadas e emocionantes.
Ao leme desta viagem inesquecível está o pianista romano Enrico Pieranunzi, autor de todos os temas incluídos no disco. Nascido em 1949 é dono de uma técnica prodigiosa que aplica virtuosamente ao jazz com o mesmo à-vontade que o faz em ambientes clássicos, contemporâneos ou populares. Acompanham-no o norte-americano Marc Johnson no contrabaixo e o virtuoso perugiano do clarinete Gabriele Mirabassi.
Editado em 2000 pela Egea (também ela sediada em Perugia), é uma obra fascinante e por isso mesmo, recomendada com veemência.
Para aperitivo deixo-vos o tema de abertura da mesma, The Kingdom (Where Nobody Dies) – até o título é delicioso -, da autoria de Pienanunzi, acompanhado de belas fotos mediterrânicas do grego Petros Labrakos.

Agenda Jazz 11 a 17 de Agosto



2ª feira, 11

19.30h - Hotel Le Meridien Dona Filipa (Vale de Lobo) - Hugo Alves & Amigos
22.00h – Zona Poente Casino Monte Gordo - Be Dom + Kumpania Algazarra

3ª feira, 12

22.00h - Zona Poente Casino Monte Gordo - Los Piratas + Kumpania Algazarra

4ª feira, 13

22.00h – Centro Cultural Lagos - Orquestra de Jazz de Lagos & Luís Cunha
22.30h - Stevie Rays Blues Jazz Bar (Lagos) - Diogo Vida & Rodrigo Monteiro & Filipe Sequeira
23.00h - Academia Municipal das Artes da Nazaré - Quarteto de Miguel Fevereiro
23.30h – Rossio (Lisboa) - Trio Bárbara Lagido

5ª feira, 14

21.30h – Livraria Trama (Lisboa) - Quarteto Maria João Matos
22.00h – Centro Cultural de Lagos - Miguel Martins Kaleidoscópio
22.00h – Cafetaria Quadrante – CCB (Lisboa) – Fundbureau
22.30h - Stevie Rays Blues Jazz Bar (Lagos) - Diogo Vida & Rodrigo Monteiro & Filipe Sequeira
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Pedro Viana "Invitation"
23.00h - Academia Municipal das Artes da Nazaré - 2Tubas & Friends

6ª feira, 15

22.00h – Centro Cultural de Lagos - Orsara-Lagos Jazz Summit
22.30h - Stevie Rays Blues Jazz Bar (Lagos) - Diogo Vida & Rodrigo Monteiro & Filipe Sequeira
23.00h - Hot Club (Lisboa) - Pedro Viana "Invitation”
23.00h - Academia Municipal das Artes da Nazaré - Groove Station Trio
23.30h – Rossio (Lisboa) – Yemanjazz

Sábado, 16

22.00h – Hotel Tivoli Almansor (Lagoa) - Camané & Mário Laginha & David Fonseca
22.00h – Convento Capuchos (Almada) – Sonic Motion
22.00h – Jardim Palácio Cristal (Porto) - The Postcard Brass Band
22.00h – Centro Cultural de Lagos - Mulgrew Miller
22.30h - Stevie Rays Blues Jazz Bar (Lagos) - Diogo Vida & Rodrigo Monteiro & Filipe Sequeira
23.00h - Hot Club (Lisboa) - Pedro Viana "Invitation”
23.00h - Academia Municipal das Artes da Nazaré - NIP Jazz Version
23.30h – Ondajazz (Lisboa) - André Carvalho Quarteto

Domingo, 17

17.00h – Parque Eduardo VII (Lisboa) - Johannes Krieger Quartet
22.00h – Centro Cultural de Lagos - Alunos do Workshop LagosJazz

sábado, 9 de agosto de 2008

Sons de Sefarad (9)



Gilad Atzmon &
The Orient House Ensemble

Enja, 2000

Gilad Atzmon é um músico de jazz, nascido em Tel-Aviv em 1963. Recebeu formação na Rubin Academy of Music, em Jerusalém, mas, ao cumprir o serviço militar, revoltou-se contra o regime israelita que acusa de se ter transformado num Estado militarizado, controlado por extremistas. Emigra para Londres, onde se dedica ao estudo da filosofia (estudou também na Alemanha), convertendo-se num activista anti-sionista, com vasta obra publicada. Paralelamente desenvolve também uma importante carreira musical, a qual, curiosamente, a partir dos anos 90, quando funda este Orient House Ensemble (composto por ele próprio no saxofone, clarinete e flauta, Asaf Sirkis na bateria, Yaron Stavi no baixo e Frank Harrison no piano), afasta-se um pouco do universo criativo de Miles Davis, John Coltrane ou Wayne Shorter, que tanto o marcaram, para incidir de forma acentuada na tradição musical judaica e do médio oriente.
Colaborou igualmente com músicos de rock, como Ian Dury & The Blockheads, Shane McGowan, Robbie Williams, Sinéad O'Connor, Robert Wyatt e Paul McCartney.
Atzmon dirigiu também importantes colaborações com músicos árabes e palestinianos, como Reem Kelani e o tunisino Dhafer Youssef.
Escreve regularmente para publicações como CounterPunch, Al Jazeera, Uruknet, Middle East On Line e Dissident Voice e foi um dos fundadores do site Palestinian Think Tank, que promove o debate a favor de uma Palestina livre.
Desde 2001 dedicou-se ainda à ficção, com duas obras publicadas: A Guide to the Perplexed (2001) e My One and Only Love (2005), ambas fortemente anti-sionistas e já traduzidas em 22 línguas.



Musicalmente Gilad Atzmon espelha bem as suas ideias políticas. Não renegando a herança cultural judaica, encontrou porém no jazz a sua forma natural de expressão, recorrendo à fusão, sobretudo com a música árabe e do médio oriente, como modo de melhor exprimir os seus ideais de coexistência pacífica entre a comunidade judaica e palestiniana.
Exímio saxofonista, o seu instrumento de eleição é o sax alto, exprime-se com igual destreza nos sax soprano, tenor e barítono, mas também no clarinete, na flauta e na zurna (instrumento tradicional da Anatólia e Balcãs).

Deixo-vos com o tema Pardonnez-Nous, canção tradicional ladina com um arranjo de forte influência árabe, extraída do álbum de estreia do quarteto, editado em 2000 pela Enja, e com belíssimas fotos do Yemen, da autoria de Maciej Dakowicz.



É de realçar que o Yemen possuía uma das mais antigas comunidades judaicas da história da diáspora do povo israelita. A lenda remonta-a à Rainha de Sabá, que teria casado com o Rei Salomão, levando assim o judaísmo até aos seus domínios do Yémen, Eritreia e Etiópia.
Região remota e isolada (situa-se no extremo sul da península arábica) desenvolveu por isso um rito próprio e distinto de todos os outros, diferenciando-se quer do asquenazita, quer do sefardita.
Uma figura máxima do judaísmo sefardita teve contudo extrema importância no desenvolvimento do rito yemenita, a do Rabbi Moshe ben Maimon, mais conhecido como Maimónides, o famoso médico de Córdoba.
Quando Saladino ascendeu ao sultanato, no século XII, os xiitas revoltaram-se e começaram a perseguir os judeus yemenitas, os quais se encontravam sob domínio aiúbida. Um profeta judaico (foram muitos os Messias yemenitas ao longo da história do judaísmo naquela região arábica) pregou então uma nova religião que fundia judaísmo e islamismo, aproveitando o caos reinante na comunidade israelita. Tal levou a que um dos poucos notáveis judeus yemenitas da época, Jacob ben Nathanael al-Fayyumi, pedisse conselho e ajuda ao sábio andaluz, ao tempo residente no Egipto. A resposta foi a epístola Iggeret Teman (a Epístola do Yemen) que se tornou rapidamente um dos textos mais importantes daquela comunidade judaica, quer pelo seu conteúdo doutrinário, quer ainda pela força, consolo e apoio que transmitiu à comunidade judaica yemenita, naquele momento difícil. Parece que Maimónides conseguiu mesmo intervir directamente junto de Saladino, o qual terá, em consequência, posto fim às perseguições.
O conjunto de regras estabelecidas na epístola de Maimónides, denominado Rambam pela comunidade local, foi codificada na Mishneh Torah, que ainda hoje constitui a base da liturgia yemenita, se bem que harmonizada, por Mori Ha-Rav Yihye Tzalahh, com o misticismo cabalista de Isaac Luria, a partir do séc. XVII. Contudo existem ritos judaicos yemenitas que não aceitam a Cabala e seguem fielmente a doutrina epistolada por Maimónides (os Rambamitas), ou mesmo o rito sefardita ibérico, espalhado pelo norte de África após a expulsão dos judeus da península ibérica (os Shami).
Assim não admira a forte ligação existente entre a tradição musical sefardita e a yemenita, sendo frequente que temas tradicionais do Yémen surjam no cancioneiro sefardita ibérico, anterior e posterior à diáspora e vice-versa.
É pois de toda a pertinência o casamento que vos proponho, de uma canção ladina com a fantástica paisagem yemenita, ainda para mais com as fortes influências árabes introduzidas pelo arranjo de Gilad Atzmon.
Afinal de contas a globalização é um só um novo nome para um fenómeno muito antigo…