segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Jazz em Agosto 2010


Jazz am Agosto
6 a 15 de Agosto
Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa)

O outro lado do jazz

Correndo o fio da História do jazz contemporâneo na sua extraordinária riqueza e diversidade, renovando-se na oferta e acompanhando as mudanças do Planeta, o Jazz em Agosto 2010 enquadra a realidade do jazz Europeu tomado no seu sentido dialogante com o jazz Americano original.

Uma programação que se amplia na inclusão de músicos originários de outros continentes num festival urbano dimensionado com espaço e com sentido de montra de tendências criativas dirigidas às audiências actuais que procuram o conhecimento alternativo ao dominante.

John Surman e Jack DeJohnette, um duo emblemático cultivado há duas décadas, de fugazes mas não menos desejadas aparições, iniciam a sequência parafraseando o conceito. A Circulasione Totale Orchestra de Fröde Gjerstad, ensemble multinacional com forte presença europeia aproximando gerações no seu seio e também activo há duas décadas, encerra a programação que tem mais pilares em personalidades como Han Bennink, em duo com Guus Janssen e celebrado no filme biográfico Hazentijd de Jellie Dekker e Dick Lucas; o recente projecto de Louis Sclavis Lost on the Way inspirado na Odisseia de Homero, revelando em quinteto novos valores da cena de França; o Electro-Acoustic Ensemble de Evan Parker numa inédita e significativa grande formação reunindo um escol de improvisadores Americanos e Europeus; o trio Suíço Steamboat Switzerland exaltando a fórmula de power trio via orgão Hammond B3 original; o sexteto híbrido Sol 6 de Luc Ex conjugando canções de Charles Ives, Burt Bacharach, Eric Satie, Weill and Eisler com improvisação radical; Pat Thomas / Raymond Strid / Clayton Thomas, piano / contrabaixo / bateria, triangulação perene do jazz, redefinindo o formato.

Num olhar sobre a realidade Portuguesa, progressivamente a adquirir relevância, o Red Trio explora idêntica fórmula com ousadia, enquanto o Open Speech Trio realça a importância do flautista Carlos Bechegas na história da música improvisada em Portugal. Completam o Jazz em Agosto 2010 uma evocação de Albert Mangelsdorff (1928-2005) trombonista de referência do jazz Europeu, consagrado no filme documental Die Posaune des Jazz de Thorsten Jess e a presença do crítico e teórico Italiano Francesco Martinelli que fundamentará em conferência uma tese sobre o diálogo nunca interrompido do Jazz Europeu e do Jazz Americano. O Jazz em Agosto na sua 27ª edição continua a proporcionar novos horizontes para a compreensão do que é o jazz, hoje, nos seus caminhos menos convencionais e mais inventivos, o outro lado do jazz.

Rui Neves
Director Artístico do Jazz em Agosto


Programa

Sexta, 6 Ago 2010, 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre

JOHN SURMAN + JACK DEJOHNETTE

JOHN SURMAN (soprano, saxofone barítono, clarinete baixo, electrónica)
JACK DEJOHNETTE (bateria, piano, electrónica)

Duas figuras históricas do jazz contemporâneo que cultivam a forma introspectiva do dueto há duas décadas. A impressão deixada por ambas em variados e aplaudidos contextos, no Passado e no Presente, torna este diálogo peculiar e raro, confirmado em dois discos apenas e esporádicas aparições. Dois músicos orgânicos cuja imaginação percorre o legado do jazz, transformando-o e ampliando-o subtilmente numa teia electrónica.

Sábado, 7 Ago 2010, 18:30 - Auditório Três

Han Bennink «Hazentijd»
Documentário de Jellie Dekker e Dick Lucas (2009, 58’)

Entrada livre

Num olhar que os autores querem que seja total sobre o desenvolvimento artístico deste baterista único, estandarte de uma estética e além dos seus relevantes primórdios musicais, conhecemos também o seu trabalho visual, dando ênfase à dualidade do mundo em que vive, em contraponto, entre a Natureza e a Metrópole.

«O filme relata o desenvolvimento artístico de Han Bennink, desde os seus tempos de estudante de artes plásticas e de baterista com 19 anos a participar em conjuntos espontâneos de solistas de jazz americanos em digressão até ao improvisador implacável que é hoje em dia. O trabalho visual que vai criando solitariamente, em silêncio e rodeado pela natureza, é apresentado como um contraponto à sua vida musical cosmopolita e não raramente buliçosa. Han Bennink vive o momento. Ao principiarmos pelo genérico, compreendemos logo por que pode ser designado de índio dos Países Baixos.»

Sábado, 7 Ago 2010, 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre

STEAMBOAT SWITZERLAND

DOMINIK BLUM (órgão Hammond B-3, electrónica analógica)
MARINO PLIAKAS (baixo eléctrico, electrónica)
LUCAS NIGGLI (bateria, percussão)

Steamboat Switzerland conta com a força de um órgão Hammond B-3 com a corda toda, um baixo eléctrico distorcido até ficar irreconhecível e tambores duros como pregos. Impulsionado pela mistura altamente explosiva, feita de riffs metálicos, material sonoro contemporâneo e improvisação livre, este barco a vapor resolve os seus ruídos cruzados em harmonias estranhamente comoventes. Atenção à sala de máquinas com as suas explosões, guinadas e guinchos matreiros.

«Haverá algures no mundo um lugar para uma música destas? Duvido. Demasiado arrebatada pelas propriedades transcendentes da amplificação para os circuitos do jazz e da música improvisada, demasiado aérea e volátil para as comunidades de rock alternativo, anexadas pela academia clássica para longe dos mundos paralelos do som sonhados por Iannis Xenakis and Edgar Varèse, existe num lugar vibrante mas que está a encolher, afastada de toda a busca, madura para ser descoberta.» (The Wire)

Domingo, 8 Ago 2010, 15:30 - Auditório Dois

OPEN SPEECH TRIO

CARLOS BECHEGAS (flautas, processamento sinal)
ULRICH MITZLAFF (violoncelo, electrónica)
MIGUEL FERASO CABRAL (percussão, objectos)

Músico de referência da cena nacional da música improvisada e um dos seus pioneiros, prolífero e exímio flautista, detonador de encontros internacionais marcantes, Carlos Bechegas encontra nesta associação cúmplice um veículo eficaz da sua visão onde a electrónica e a experimentação são preponderantes.

Domingo, 8 Ago 2010, 18:30 - Auditório Dois

GUUS JANSSEN + HAN BENNINK

GUUS JANSSEN (piano)
HAN BENNINK (bateria)

Dois faróis da vívida cena de improvisação de Amesterdão, denominada New Dutch Swing, exibindo empatia consumada de forte sentido jubilatório e equilibrando, com sapiência, acalmia e explosão. Um conhecimento enciclopédico da bateria jazz + um piano de técnica prodigiosa, propensos tanto ao swing como à composição espontânea, à abstracção e mesmo à sátira, constituem linhas de força.

Domingo, 8 Ago 2010, 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre

EVAN PARKER ELECTRO-ACOUSTIC ENSEMBLE

EVAN PARKER (saxofone soprano)
PETER EVANS (trompete, trompete piccolo)
KO ISHIKAWA (shô)
NED ROTHENBERG (clarinete, clarinete baixo, flauta shakuhachi)
PHILIPP WACHSMANN (violino, electrónica)
AGUSTÍ FERNÁNDEZ (piano, piano preparado)
BARRY GUY (contrabaixo)
PAUL LYTTON (percussão, electrónica)
JOHN RUSSELL (guitarra acústica)
PETER VAN BERGEN (contrabaixo, clarinete piccolo)
ALEKS KOLKOWSKI (stroh viola, musical saw)
LAWRENCE CASSERLEY (processamento sinal)
JOEL RYAN (sample, processamento sinal)
WALTER PRATI (processamento sinal)
RICHARD BARRETT (electrónica)
PAUL OBERMAYER (electrónica)
IKUE MORI (electrónica)
MARCO VECCHI (projecção som)
KJELL BJØRGEENGEN (projecção imagem)

As inovações de Evan Parker no campo electroacústico continuam em expansão desde o seu sexteto anunciador em 1997. A recente versão do EAE atinge, neste concerto, a dimensão máxima de 18 músicos superlativos per se e uma dimensão multimédia. A pletora de sons do colectivo casa tecnologia e instrumentação convencional com clareza e em superior manifestação conceptual do saxofonista.

Sexta, 13 Ago 2010, 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre

LOUIS SCLAVIS «LOST ON THE WAY»

LOUIS SCLAVIS (clarinete, clarinete baixo, saxofone soprano)
MATTHIEU METZGER (saxofone soprano, saxofone alto)
MAXIME DELPIERRE (guitarra eléctrica)
OLIVIER LÉTÉ (baixo eléctrico)
FRANÇOIS MERVILLE (bateria)

Linhas melódicas complexas, cerebrais, angulares, caracterizam a linguagem de Sclavis no clarinete, dotando-o de uma identidade musical reconhecida, não de todo afastado dos padrões americanos. Na sequência de outros, o recente projecto inspirado na Odisseia de Homero, incidindo em Ulisses e revelando uma nova geração do jazz Francês, comprova que as suas infatigáveis aspirações continuam a validar-se.

Sábado, 14 Ago 2010, 17:00 - Auditório Três

Albert Mangelsdorff «Die Posaune des Jazz» (O Trombone do Jazz)
Documentário de Thorsten Jess (2005, 52’)

Entrada livre

Ícone do jazz Europeu e mundial, pelo seu contributo definitivo às técnicas expandidas do trombone, Albert Mangelsdorff (1928-2005) foi parte activa das mais importantes manifestações do jazz avantgarde a partir dos anos 1960. Neste filme documenta-se com rigor o riquíssimo percurso artístico de um músico de referência.

Sábado, 14 Ago 2010, 18:30 - Auditório Dois

RED TRIO

RODRIGO PINHEIRO (piano, piano preparado)
HERNÂNI FAUSTINO (contrabaixo)
GABRIEL FERRANDINI (bateria)

Um trio português recém-chegado à cena que explora com invenção e audácia a fórmula consagrada de piano/contrabaixo/bateria, conservando laços evidentes com o jazz e cultivando técnicas instrumentais não ortodoxas; os desenvolvimentos, em sólido equilíbrio, criam novos horizontes sónicos.

Sábado, 14 Ago 2010, 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre

SOL 6

VERYAN WESTON (piano, voz)
LUC EX (guitarra baixo acústico)
INGRID LAUBROCK (saxofone tenor, voz)
HANNAH MARSHALL (violoncelo, voz)
MANDY DRUMMOND (viola, voz)
TONY BUCK (bateria)

O novo projecto de Luc Ex sintetiza uma vasta experiência de situações musicais da sua carreira, materializando-se num grupo de câmara híbrido onde coabitam diversos géneros: cabaret, punk, groove, jazz e improvisação. Com uma organização instrumental inusitada, o sexteto é singular no seu adstringente lirismo constantemente fracturado por incursões fora de normas.

Domingo, 15 Ago 2010, 17:00 - Auditório Três

Conferência por Francesco Martinelli
Tema: «Jazz Europeu e Jazz Americano: um diálogo não interrompido»

Entrada livre

Jornalista, historiador, produtor e promotor, Francesco Martinelli, natural de Pisa (n.1954) onde se licenciou em Química, detém largo espólio editado sobre modos de pensar o jazz contemporâneo em maior profundidade. Esta conferência, assente num permanente intercâmbio entre dois continentes, fundamenta a concepção da programação do Jazz em Agosto 2010.

Domingo, 15 Ago 2010, 18:30 - Auditório Dois

THOMAS + STRID + THOMAS

PAT THOMAS (piano, electrónica)
RAYMOND STRID (bateria)
CLAYTON THOMAS (contrabaixo)

Três consumados e reconhecidos improvisadores para os quais o jazz não está longínquo e que, pela via do trio clássico, em profunda interacção e contínuo estímulo criativo, assumem as suas marcadas individualidades num todo.

Domingo, 15 Ago 2010, 21:30 - Anfiteatro ao Ar Livre

CIRCULASIONE TOTALE ORCHESTRA

LOUIS MOHOLO-MOHOLO (bateria)
FRÖDE GJERSTAD (saxofone alto, clarinete)
MORTEN J. OLSEN (electrónica, percussão)
ANDERS HANA (guitarra eléctrica)
NICK STEPHENS (contrabaixo)
PAAL NILSSEN-LOVE (bateria)
INGEBRIGT HÅKER FLATEN (baixo eléctrico)
BØRRE MØLSTAD (tuba)
SABIR MATEEN (saxofone alto, clarinete)
BOBBY BRADFORD (trompete)
KEVIN NORTON (vibrafone)
LASSE MARHAUG (electrónica)
JOHN HEGRE (desenho som)

Formada em 1984 por Fröde Gjerstad a CTO é um colectivo multinacional e multidimensional reunindo gerações e adoptando o signo da evolução permanente em forma livre. A excelência dos seus músicos, onde avultam figuras históricas a par de uma nova geração já reconhecida, constrói um corpo cuidadosamente organizado mas passível de todas as transgressões, enquanto o seu carácter poderoso e expansivo constitui um adequado encerramento do Jazz em Agosto 2010.

Agenda Semanal, 2 a 8 de Agosto


Quarta, 4 de Agosto
22.00h – Domínio Público Bar (Lisboa) - Trioangular

Quinta, 5 de Agosto
21.30h – Museu do Oriente (Lisboa) – Carmen Souza
22.00h – Senhora da Rocha (Lagoa) – Tinariwen e Kimi Diabaté
22.00h – Cafetaria Quadrante CCB (Lisboa) – Michael Dessen Trio
23.00h – Casino Estoril – Jazzanova

Sexta, 6 de Agosto
21.30h – Anfiteatro ao Ar Livre Gulbenkian (Lisboa) – John Surman & Jack deJohnette
23.00h – Centro Cultural da Nazaré – Daniel Bernardes Trio

Sábado, 7 de Agosto
21.30h – Anfiteatro ao Ar Livre Gulbenkian (Lisboa) – Steamboat Switzerland
22.00h – CCC Caldas da Rainha – Carmen Souza
22.00h – Domínio Público Bar (Lisboa) – Paula Sousa dueto
22.00h – Praça do Município (Esposende) – Budda Power Blues
22.00h – Auditório Municipal de Vila Nova de Cerveira – Mário Laginha, Bernardo Sassetti e Pedro Burmester
22.30h – Teatro Vila Real – Ivan Lins, André Sarbib e Chris Wells
23.00h – Centro Cultural da Nazaré – Diabolus Jazz

Domingo, 8 de Agosto
15.30h – Auditório Dois Gulbenkian (Lisboa) – Open Speech Trio
17.00h – Jardim de Belém (Lisboa) – João Cabrita Quinteto
18.30h - Auditório Dois Gulbenkian (Lisboa) – Guus Janssen + Han Bennink
21.30h – Anfiteatro Gulbenkian (Lisboa) - Evan Parker Electro-Acoustic Ensemble
22.00h – Palácio de Cristal (Porto) – Esperanza Spalding

quarta-feira, 28 de julho de 2010

All That Jazz!


Rodrigo Gonçalves Quarteto
24 de Junho, 22.30h
Ondajazz (Lisboa)

Rodrigo Gonçalves é um dos melhores pianistas do jazz nacional, embora por vezes pareça um pouco esquecido, ao lado de outros projectos mais mediáticos, como é o caso dos protagonizados por Mário Laginha, Bernardo Sassetti ou Júlio Resende.
E bem que o trabalho de Rodrigo Gonçalves merecia uma maior mediatização, porquanto o seu projecto Tribology, com um repertório integralmente composto por originais do pianista e integrando alguns dos maiores valores da música portuguesa, seguramente o justificariam.
O único reparo que merece é a constante alternância de músicos que compõem o projecto, que origina alguma irregularidade nas apresentações. Não obstante, a liderança do pianista é inequívoca e qualidade das apresentações irrepreensível, apesar da pouca homogeneidade dos ensembles apresentados.
Para este concerto no Ondajazz Rodrigo Gonçalves apresentou-se em quarteto, acompanhado por Alexandre Frazão, na bateria, Bernardo Moreira, no contrabaixo, e Desidério Lázaro, no saxofone tenor. Uma combinação perfeita!
O pianista encontra-se num raro momento de forma, como aliás já tive ocasião de salientar aquando da sua apresentação em Fevereiro no Casino de Lisboa, integrado no quinteto de Laurent Filipe. Desta feita, liderando o seu próprio projecto e tocando as suas composições, demonstrou um talento de excepção, que o coloca, sem quaisquer reservas, em perfeita igualdade com o que de melhor o país apresenta, em matéria de pianistas de jazz.
Rodrigo Gonçalves excedeu-se e soube puxar pelo talento dos músicos que o acompanhavam. O grande Alexandre Frazão esteve fantástico, como sempre, uma força da natureza capaz de se integrar com pertinência em qualquer repertório. Neste caso esteve nas suas “sete quintas” com temas inspirados no universo hard bop, que serviram perfeitamente à sua enorme capacidade de improvisação e de composição.
Desidério Lázaro é já um caso sério no panorama jazzístico nacional. Muito jovem ainda, afirma-se contudo como um tecnicista brilhante com uma notável capacidade de improvisação. Mais do que uma esperança, Lázaro é já incontestavelmente um dos melhores saxofonistas portugueses e demonstrou-o inequivocamente nesta apresentação. Secundado por uma secção rítmica excelente e de enorme experiência, o saxofonista teve oportunidade para se superar e assinar alguns dos momentos de maior brilho deste concerto. Esteve verdadeiramente endiabrado!
Falta apenas falar de Bernardo Moreira, um dos mais experientes contrabaixistas nacionais que, com toda a segurança que transmite às suas apresentações, esteve à altura dos seus galões e soube contribuir decisivamente para o enorme brilho desde quarteto. Ao lado de Alexandre Frazão, a secção rítmica eleita por Mário Laginha para o seu trio e quarteto, Bernardo Moreira eleva-se a um patamar qualitativo superior e revela-se um músico de excepção, particularmente feliz neste repertório “mainstream” onde se formou como músico e que continua a cultivar com uma assinalável coerência.
Um concerto soberbo por um quarteto que merecia ser imortalizado em disco.
Uma grande noite de jazz!

Jazz na Relva


Festival Paredes de Coura
Jazz na Relva
29 a 31 de Julho, 21.30h
Paredes de Coura

Programa:

JOSÉ VALENTE, EXPERIENCES OF TODAY
29 de Julho,

José Valente - Viola d'Arco
Júlio Resende - Fender Rhodes
João Custódio - Contrabaixo
Joel Silva - Bateria

O conceito EXPERIENCES OF TODAY, iniciado pelo violetista José Valente enquanto vivia em Nova Iorque, tem como objectivo reunir músicos de diversos países e culturas que desejam contribuir de forma significativa para o desenvolvimento da música, através de novas experiências. Para além do apelo insistente à originalidade, EXPERIENCES OF TODAY também procura uma nova linguagem de intervenção, que alcance uma interpretação eficaz de sentimentos e pensamentos sobre questões actuais da sociedade e do mundo.


Quinteto Zelig
30 de Julho

Pedro Cardoso (Peixe) - Guitarra
António Serginho - Marimba, Vibrafone e outras percussões
Nico Tricot - Flauta, Teclado, Percussão, Serrote, etc.
José Marrucho - Bateria
Eduardo Silva - Contrabaixo

O quinteto Zelig formou-se no final de 2006 quando a Peixe e Eduardo Silva se juntaram Nico Tricot, António Serginho e José Marrucho. Desde então desenvolvem música original que assim como o camaleão homónimo de Woody Allen, se transfigura sob a influência da esfera que a envolve. É nesse universo musical, criado pela fusão do percurso dos cinco membros que se encontram direcções para a criatividade, num zig-zag sonoro onde tudo é possível.


BARBEZ
31 de Julho

Dan Kaufman – guitarra
John Bollinger - bateria
Pamelia Kurstin – theremin
Catherine McRae – violin
Peter Hess – clarinet
Danny Tunick – vibraphone
Andrew Jones- baixo e sampler

Nascido em 1997, o projecto Barbez é composto por músicos com um percurso no jazz, no rock e na música clássica. O colectivo nova-iorquino, do guitarrista Dan Kaufman regressa ao nosso país depois de terem passado, há alguns anos, pela ZDB. Também há uns bons anos gravaram para a Tradik de John Zorn, sob a influência do céu do poeta judeu Paul Celan. Fala — Mas não separes o Não do Sim.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Jazz no Palácio da Galeria


Jazz no Palácio
Palácio da Galeria – Museu Municipal de Tavira
27 de Julho a 31 de Julho

Programa
27 a 31 de Julho
Esposição de Design Gráfico – Cartazes do Portugal Jazz

28 de Julho
22.00h – Workshop de Percussão com José Salgueiro
22.30h – Angles (Suécia)

29 de Julho
22.00h - Workshop de Percussão com José Salgueiro
22.30h – Desidério Lázaro Quarteto

30 de Julho
22.00h - Workshop de Percussão com José Salgueiro
22.30h – Carlos Barretto Trio Lokomotiv

31 de Julho
22.00h - Workshop de Percussão com José Salgueiro
22.30h – El Fad

Carlos Barretto Trio Lokomotiv - Salada 2

McCoy Tyner no Allgarve


McCoy Tyner Quarteto
31 de Julho, 22.00h
Praça Duarte Pacheco (Loulé)

Um dos mais prestigiados pianistas e compositores de jazz, McCoy Tyner, sobe ao palco do Monumento Eng.º Duarte Pacheco, em Loulé, no 31 de Julho, às 22h00, para um concerto que contará com o seu trio e com a participação especial de Joe Lovano, um dos saxofonistas mais consagrados do panorama do jazz mundial.
Com uma musicalidade influenciada por Art Tatum, Thelonious Monk e Bud Powell, McCoy Tyner concilia na perfeição a técnica com o lirismo e as inovações harmónicas. Tem o estatuto de lenda viva, especialmente marcado pela sua colaboração enquanto pianista na formação do saxofonista John Coltrane, na qual começou com apenas 17 anos.

McCoy Tyner Quarteto
McCoy Tyner - piano; Bobby Hutcherson - vibes; Charnett Moffett - bass; Eric Harland - drums

El Fad Lunar


El Fad
29 de Julho, 22.00h
Cafetaria Quadrante - CCB (Lisboa)

JOSÉ PEIXOTO guitarra acústica
CARLOS "ZÍNGARO" violino
MIGUEL LEIRIA PEREIRA contrabaixo
ANTÓNIO QUINTINO contrabaixo
JOSÉ SALGUEIRO bateria | percussão
29 Jul 2010 - 22:00

O renovado projecto do ex-Madredeus, José Peixoto, dedicado à fusão do jazz com a música do Al-Andaluz, apresenta o seu novo disco, Lunar, nesta quinta na Cafetaria Quadrante do CCB.
El Fad (agora quinteto, com dois contrabaixistas) constrói uma música de viagem, explorando os vários dialectos do jazz, para onde traz sonoridades mediterrânicas tradicionais. José Peixoto, líder do grupo, toca guitarra como um instrumento melódico, seguindo a técnica do oud norte-africano e médio-oriental.

El Fad - Lua, Que Tens?

Jazz na Praça da Erva 2010


XIX – Jazz na Praça da Erva
28 a 31 de Julho
Viana do Castelo

Programa:

28 de Julho
14.30h – Café do Teatro – Workshops com Carlos Barretto, Mário Delgado e José Salgueiro
22.00h – Praça da Erva – Lokomotiv
24.00h – Café do Teatro – Jam Session

29 de Julho
22.00h – Praça da Erva – Massimo Varini
24.00h – Café do Teatro – Jam Session

30 de Julho
15.00h – Café do Teatro – Workshop com Massimo Varini
22.00h – Praça da Erva – Biel Ballester Trio
24.00h – Café do Teatro – Jam Session

31 de Julho
15.00h – Café do Teatro – Workshop com Joel Xavier
22.00h – Praça da Erva – Stanley Jordan e Joel Xavier
24.00h – Café do Teatro – Jam Session

Biel Ballester Trio

domingo, 25 de julho de 2010

Agenda Semanal, 26 de Julho a 1 de Agosto


Segunda, 26 de Julho
22.00h – Coliseu dos Recreios (Lisboa) – Caetano Veloso

Terça, 27 de Julho
21.30h – Campo Pequeno (Lisboa) – Mark Knopfler
22.00h – Braço de Prata (Lisboa) – Terças Feiras do Hot – Jam Session
22.00h – Parque Marechal Carmona (Cascais) – Club des Belugas
22.00h – Coliseu dos Recreios (Lisboa) – Caetano Veloso

Quarta, 28 de Julho
21.30h – Jazz ao Norte (Porto) – Quarteto Sandro Norton
21.30h – Teatro Micaelense (Ponta Delgada) – Quinteto Danilo Perez
22.00h – Parque Marechal Carmona (Cascais) – Elvis Costello & The Sugarcanes
22.00h – Praça da Erva (Viana do Castelo) – Carlos Barretto
22.30h – Ondajazz (Lisboa) - Trigon
23.00h – Braço de Prata (Lisboa) – Bluesyband

Quinta, 29 de Julho
21.30h – Museu do Oriente (Lisboa) - Trigon
22.00h – Cafetaria Quadrante – CCB (Lisboa) – El Fad
22.00h – Coliseu (Porto) – Caetano Veloso
22.00h – Braço de Prata (Lisboa) – Filipe Melo Trio
22.00h – Parque Marechal Carmona (Cascais) – Solomon Burke
22.00h – Praça da Erva (Viana do Castelo) – Massimo Varini
22.00h – Centro Cultural da Gafanha da Nazaré (Ílhavo) – Jacinta
22.00h – Praça Frederico Ulrich (Alcobaça) - Hugo Trindade & New Standards Trio
22.30h – Palácio da Galeria (Tavira) – Desidério Lázaro Quarteto
23.00h – Braço de Prata (Lisboa) – Brass Guitar Club Band
23.00h – Knock Out (Almada) – Led On

Sexta, 30 de Julho
22.00h – Praça da Erva (Viana do Castelo) – Biel Ballester Trio
22.00h – Praça Duarte Pacheco (Loulé) – Geraldine Laurent – Time Out Trio
22.30h – Braço de Prata (Lisboa) – Júlio Resende convida
22.30h – Ondajazz (Lisboa) – Sara Serpa
22.30h – Palácio da Galeria (Tavira) – Carlos Barretto Lokomotiv
23.00h – Zé dos Bois (Lisboa) – Mikado Lab e Chris Speed

Sábado, 31 de Julho
22.00h – Braço de Prata (Lisboa) – Victor Zamora Trio
22.00h – Cerca do Convento (Loulé) – McCoy Tyner + Joe Lovano
22.00h – Praça da Erva (Viana do Castelo) - Stanley Jordan + Joel Xavier
22.30h – Ondajazz (Lisboa) – Michele Ribeiro

sábado, 24 de julho de 2010

TGB no CCB


TGB
10 de Junho de 2010, 22.00h
Cafetaria Quadrante – CCB (Lisboa)

TGB (não confundir com o comboio que ligará, um dia, Madrid a Alcochete… ou será ao Poceirão?) significa simplesmente tuba, guitarra e bateria, e é o nome escolhido por uma das mais originais e conseguidas formações da música nacional.
Com dois álbuns brilhantes gravados, o mais novo lançado este ano com o título “Evil Things” (oh yeah, i’m evil too!), os TGB estão longe de constituir mais um trio de guitarra, com a tuba a desempenhar o papel de contrabaixo.
A enorme mais-valia desta formação reside precisamente no facto de prescindir de uma liderança individual clara e teimar em distribuir as tarefas criativas pelos três elementos que a compõem, mesmo sabendo-se das dificuldades de protagonismo geralmente associadas a instrumentos como a bateria e a intimidatória tuba!
Mas Alexandre Frazão e Sérgio Carolino não são músicos vulgares… São dois fantásticos virtuosos dos seus instrumentos que acolhem de braços abertos o desafio, e o levam por mares nunca dantes navegados, levado pelas correntes da sua enorme inspiração e técnica.
Neste trio todos compõem, todos solam, todos contribuem de corpo e alma para a enorme energia transmitida pela sua música, com momentos verdadeiramente sublimes de técnica assombrosa e de rara inspiração.
Poucos trios conseguem exprimir-se com tal veemência no jazz moderno.
À enorme e conhecida versatilidade de Mário Delgado e Alexandre Frazão junta-se a surpreendente irreverência de Sérgio Carolino. O tubista tem talentos notórios e reconhecidos, dentro e fora de portas, no que à música clássica concerne. Mas isto de tocar música improvisada numa tuba, ainda por cima com a fluência exibida neste TGB, não é seguramente para todos!
O trabalho de Delgado é quase uma extensão daquele que desenvolve no trio Lokomotiv, de Carlos Barretto. No entanto este trio é fortemente marcado pela personalidade musical do contrabaixista, o que não sucede aqui. Outro guitarrista tenderia a assumir a liderança desta formação, até pelas limitações melódicas e harmónicas dos outros dois instrumentos. Não foi esse contudo o caminho escolhido por Mário Delgado, um músico que além de uma técnica incontornável possui uma notável capacidade de adaptação aos mais díspares ambientes musicais. Aqui trabalha extraordinariamente, mas sempre para o grupo, nunca em busca de protagonismo fácil. A sua guitarra soa contudo mais dócil neste TGB, quando comparada com o trabalho desenvolvido no Lokomotiv. O som é geralmente mais limpo, numa opção estética que permite à tuba complementá-la frequentemente, partilhando as funções melódicas de um modo mais assumido. A música dos TGB ganha bastante com isso.
Alexandre Frazão é aquele fenómeno que todos conhecemos. A sua busca de padrões, sonoridades e texturas na bateria é incessante e obstinada. Fá-lo com uma riqueza e clareza raras. Tais qualidades são amplamente aproveitadas em projectos com piano, como o trio de Mário Laginha ou de Bernardo Sassetti. Mas aqui deram-lhe rédea solta e este simpático luso-brasileiro de Niterói, revela-se um verdadeiro Mustang, na força, elegância e nobreza com que abraça a tarefa. No TGB Alexandre Frazão vai buscar toda a sua enorme bagagem musical e junta a subtileza textural do trio de Bernardo Sassetti com a energia bruta de Black Dog dos Led Zeppelin! Um assombro de vigor e talento.
Um concerto inspirado por uma das mais talentosas formações do jazz actual, nacional e internacional. Nada menos que perfeito.

TGB - Lilli's Funk Theme