domingo, 14 de fevereiro de 2010

Braga Jazz 2010


Braga Jazz
4 a 13 de Março de 2010
Theatro Circo (Braga)

Com programação mais uma vez a cargo de José Carlos Santos, irá decorrer, de 4 a 13 de Março, mais uma edição do Braga Jazz, desta feita no palco nobre do Theatro Circo.
Seis concertos, cada um em seu dia, marcam o novo figurino do 'BragaJazz – Festival de Jazz de Braga'.
Assumindo o Theatro Circo a sua produção, o certame, com pergaminhos firmados entre os principais festivais de jazz do país, volta a trazer a Braga sonoridades diversas no espectro desta área musical.

Até agora produzido pelo Pelouro Municipal da Cultura, que o herdou da Fundação Cultural Bracara Augusta, o 'BragaJazz' tem registado um crescendo de público e – dizem os críticos – de qualidade, que se augura potenciada pelo espaço onde esta oitava edição vai decorrer: a sala principal do Theatro Circo.

Programa


4 de Março
Maria João “Ogre”

Ogre. Assim se chama o mais recente projecto musical nascido da criatividade de cinco músicos que juntaram competências distintas e universos sonoros não coincidentes, construindo um todo coerente e... indefinível. O som deste “gigante devorador de várias línguas musicais” constrói-se com a voz da cantora Maria João, dos pianos e teclados de João Farinha e Júlio Resende, da bateria de Joel Silva e da electrónica de André Nascimento.
O programa deste “encontro promíscuo entre animais acústicos e máquinas digitais”, desta “mescla entre real e virtual”, inclui composições próprias e temas forasteiros. Objectivo: acima de tudo, servir a Música.


5 de Março
Jerry Bergonzi Trio

A figura central deste projecto, Jerry Bergonzi, é um multifacetado performer, compositor, autor e educador internacionalmente reconhecido. A sua música foi definida como sendo inovadora, íntegra e claramente produto de um mestre. Criador de uma extensa discografia, vem de Massachusetts para Braga marcar-nos com a sua técnica impressionante e o seu lirismo muitas vezes definido como clássico.

Jerry Bergonzi & Andy Laverne



6 de Março
Claudia Quintet de John Hollenbeck

Desde que John Hollenbeck apresentou a banda num cyber-café em Manhattan, há 12 anos atrás, o Claudia Quintet tem maravilhado audiências, inspirando públicos num festival noise mexicano tão intensamente como num concerto de uma sala conceituada vienense. O som destes cinco inovadores (John Hollenbeck, Matt Moran, Ted Reichman, Chris Speed e Drew Grass) define-se como soberbo, tecnicamente engenhoso e apaixonante. Braga vai perceber porque não é só o público tradicional de Jazz a sentir este como um espectáculo obrigatório. A salientar ainda a presença muito especial do convidado Matt Mitchell no piano.

Claudia Quintet de John Hollenbeck



12 de Março
Heloísa Fernandes Trio

Inspirada na crença de Mário de Andrade de que os compositores brasileiros poderiam encontrar a alma do Brasil no folclore brasileiro, Heloísa Fernandes (piano) juntou-se a Ari Colares (percussão) e a Zeca Assumpção (baixo) para criar um trabalho surpreendente, em que a pulsação e o ritmo fortes dão lugar a um mundo delicado e introspectivo


13 de Março
Jamie Baum Septet

Os que se recordarem da edição do BragaJazz 2006 certamente não quererão perder o regresso de Jamie Baum a Braga. Os que não estiveram presentes, poderão agora comprovar um espectáculo sofisticado, espontâneo e cheio de ‘swing’, em que a flautista norte-americana lidera os virtuosos Ralph Alessi, Douglas Yates, Chris Komer, Aaron Goldberg, Jeff Hirshfield e Johannes Weidenmueller.

Jamie Baum Septet


Bilhetes
Preço: 10 euros por concerto
Call Center: 253 203800

Agenda Semanal, 15 a 21 de Fevereiro


Quinta, 18 de Fevereiro
14.30h – Praça da República (Portalegre) - Open Gate 5
21.30h – Livraria Trama (Lisboa) - Nuno Marinho Quarteto
22.00h – CCB (Lisboa) - Fátima Serro (voz), Cláudio Ribeiro (g)
22.00h – Braço de Prata (Lisboa) - Maria Anadom Latin Quartet + Olga Sotto Trio + Mário Oliveira
22.30h – Ondajazz (Lisboa) - Luís Avellar (p), Yuri Daniel (b), Alexandre Frazão (bat)
22.30h – Bacalhoeiro (Lisboa) - Luis Lopes Trio
23.45h – Contagiarte (Porto) - Virxilio da Silva Quartet

Sexta, 19 de Fevereiro
21.30h – CAE (Portalegre) – Carlos Barretto Trio
22.00h – Braço de Prata (Lisboa) – Júlio Resende e convidados
22.00h – Cine-teatro de Estarreja - José James
22.00h – Chapitô (Lisboa) - Cláudia Franco & André Santos
22.30h – Ondajazz (Lisboa) - Nelson Veras (g), Matthieu Chazarenc (bat), Gustavo Roriz (ctb)
22.30h – LX Factory (Lisboa) - Gonçalo Falcão Trio
22.30h – Museu do Douro (Régua) - Jazz Highway Quartet
23.30h – CAE (Portalegre) - Pocketbook of Lightning

Sábado, 20 de Fevereiro
21.30h – CAE (Portalegre) - José James Quarteto
21.30h – Teatro Pax Julia (Beja) – Carlos Barretto trio Lokomotiv
21.30h – Teatro das Figuras (Faro) - Pocketbook of Lightning - Nuno Rebelo & Marco Franco
21.30h – Teatro Municipal da Guarda - Dani Wilde
21.30h – Museu do Oriente (Lisboa) – Fernando Alvim e Ricardo Marques
22.00h – Braço de Prata (Lisboa) – Ogre
22.00h – Espaço Pedro Remy (Braga) - Quinteto André Carvalho
22.30h – Ondajazz (Lisboa) - Nelson Veras (g), Matthieu Chazarenc (bat), Gustavo Roriz (ctb)
23.00h – Braço de Prata (Lisboa) - Zeca Neves Quarteto
23.30h – CAE (Portalegre) - Trio Lisboa-Berlim
00.00h – Braço de Prata (Lisboa) - António Pinho Vargas (p), José Nogueira (s)

Domingo, 21 de Fevereiro
21.30h – Braço de Prata (Lisboa) - Gonçalo Marques Trio

Sons da Lusofonia


Carlos Martins
Água
12 de Fevereiro, 21.30h
Grande Auditório da Culturgest (Lisboa)

É sem dúvida um enorme prazer ver uma sala, como o Grande Auditório da Culturgest, completamente cheia, para assistir a um concerto de jazz de músicos portugueses.
Até o ilustre presidente da edilidade lisboeta esteve presente (Dr. António Costa, já que até gosta de jazz, não se esqueça do HOT!).
Por isso é merecida uma palavra prévia de agradecimento à Culturgest e a Manuel Jorge Veloso pela aposta sincera nos bons músicos portugueses. Sincera porque nem sempre a sala está tão cheia como nesta noite. Ainda assim a aposta repete-se, temporada após temporada.
E o muito público presente deu certamente o seu tempo por bem empregue, porquanto foi um privilégio ouvir este quinteto liderado pelo saxofonista alentejano Carlos Martins.
Desde logo porque Carlos Martins, apesar de se estrear neste belo Auditório, é um dos mais experientes tecnicistas nacionais do saxofone e, mais importante ainda, um compositor e arranjador de enorme valia. Um músico da primeira geração de formandos da escola de jazz do HCP, que por lá leccionou também, e que se tornou mais conhecido pelos seus trabalhos, na música erudita, para artes performativas, sobretudo cinema, dança e teatro.
Mas o jazz sempre foi a sua paixão. Começou naturalmente pelos standards, mas cedo começou a criar a sua própria identidade musical, fruto sobretudo de uma abordagem de fusão com as fontes da lusofonia musical.
A acompanhá-lo estiveram três dos melhores representantes da nova geração de músicos de jazz nacionais, todos líderes dos seus próprios projectos musicais, Bernardo Sassetti no piano, Nelson Cascais na bateria e André Fernandes na guitarra eléctrica, e ainda o consagrado e experiente Alexandre Frazão na bateria, a alma indiscutível dos principais projectos de jazz nacionais. Um músico ímpar em qualquer parte do mundo!
Conheço bem o repertório de “Água” e tive inclusivamente ocasião de ouvir a sua apresentação ao vivo no saudoso Hot Club de Portugal, então em trio com Carlos Barretto e Joel Silva a acompanharem o saxofonista. Por isso posso afirmar sem receio que esta foi uma apresentação de “luxo”. Reuniu não apenas a formação completa que gravou o disco em 2008 (excepção feita à alternância no piano entre Bernardo Sassetti e Júlio Resende), mas também um cuidado pouco habitual entre músicos de jazz portugueses com o som, as luzes e os efeitos de palco, que muito contribuiu para o enriquecimento do espectáculo.
A somar ainda à inclusão no alinhamento de novos arranjos e à estreia de alguns novos originais do saxofonista. Tudo conjugado para que este concerto fosse efectivamente um momento especial na carreira do saxofonista.
E sem dúvida alguma que o foi. Ao longo de mais de duas horas de espectáculo Carlos Martins desfilou os seus talentos como compositor e intérprete de modo irrepreensível e frequentemente inspirado. Para tal contribuíram as excelentes presenças dos restantes músicos, particularmente de Alexandre Frazão na bateria que rapidamente se transformou no motor desta apresentação memorável.
Com a riqueza rítmica que se lhe reconhece Frazão esteve imparável rubricando momentos sublimes, como o tema Bô Ta Buli, quase todo em dueto com o saxofone, ou os crescendos que permitiram a Carlos Martins e André Fernandes assinarem solos de excelente registo em Azul Mediterrâneo e Benji.
A presença da guitarra de André Fernandes, como que “sujando” o som essencialmente acústico do restante quarteto, acabou por resultar muito bem, sobretudo na dobragem da linha melódica ou quando assumiu tarefas essencialmente harmónicas.
De estilo mais contido por natureza, Bernardo Sassetti notou-se sobretudo pelo “dedo” nos arranjos, sem esquecer alguns solos de belo recorte.
Competente e com uma actuação personalizada, Nelson Cascais merece igualmente elogios. Um músico jovem mas um talento seguro do jazz nacional.
Um concerto notável, memorável e que bem merecia uma tournée aquém e além portas.

CARLOS MARTINS - Agua from Sons da Lusofonia on Vimeo.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Masterclass na Lusíada


San Francisco Jazz Collective
14 de Março de 2010, 16.00h
Auditório 4
Universidade Lusíada (Lisboa)

No âmbito da masterclass a realizar na Universidade Lusíada de Lisboa, o grupo San Francisco Jazz Collective dará uma aula no dia 14 de Março de 2010, no Auditório 4, às 16H00. Para tal, irá valer-se da sua extensa experiência performativa e académica para abordar algumas temáticas relacionadas com a improvisação, relacionando-as com os pontos de vista individual e colectivo da performance do jazz.

Este tipo de evento tem-se revelado determinante na formação dos músicos, uma vez que põe os alunos em contacto directo com especialistas estrangeiros, proporcionando-lhes um trabalho focalizado em aspectos concretos relacionados com a música sob os pontos de vista teórico e prático.

San Francisco Jazz Colective:

Miguel Zénon, saxofone alto
Mark Turner, saxofone tenor
Robin Eubanks, trombone
Stefon Harris, vibrafone e marimba
Edward Simon, piano
Matt Penman, contrabaixo
Eric Harland, bateria
Avishai Cohen, trompete

Para Mais informações contactem:
Universidade Lusíada de Lisboa
Direcção dos Serviços Editoriais, Comunicação e Imagem

Dr.ª Cristina Meirelles Moita
Rua da Junqueira, 188-198
1349-001 Lisboa
Tel.: 213 611 504
Fax: 213 622 959
E-mail: cmm@lis.ulusiada.pt

San Francisco Jazz Collective - Jazz Baltica - Alemanha 2007

Água na Culturgest


Carlos Martins "Água"
12 de Fevereiro de 2010, 21.30h
Grande Auditório da Culturgest

Nascido em Etiópia, no Alentejo, em 1961, o saxofonista e compositor Carlos Martins começou por estudar música e clarinete na Banda Filarmónica de Grândola, a partir dos 14 anos de idade. Tendo ingressado mais tarde nos cursos de saxofone e composição do Conservatório Nacional (Lisboa), estudou ainda na Escola de Jazz do Hot Clube de Portugal, onde também foi docente. Desenvolvendo a sua carreira na área do jazz, em que tocou ao lado de inúmeros músicos portugueses e estrangeiros, Carlos Martins está também ligado à composição para o cinema e para o bailado, mantendo uma forte ligação à música erudita, domínios em que colaborou com Constança Capdeville, Álvaro Salazar, João Paulo Santos e os coreógrafos Rui Horta e Vera Mantero.
Quanto à sua actividade no jazz e em relação a este projecto, segundo as próprias palavras de Carlos Martins: “Ser músico de jazz é ter confiança no acaso. É aceitar a disciplina necessária para manusear o instrumento como se domina uma linguagem. É acreditar no erro como fonte de inspiração. É compreender o outro e aceitá-lo. É um diálogo permanente, sem palavras, do som e das cores que pintam os estados de espírito. É mesmo inventar esses estados em conjunto, libertando-nos do eu, sendo assim cada um mais o que realmente é. Como um quinteto a solo neste projecto, respiramos o mesmo ar e acertamos os nossos gestos e sonoridades fingindo o que deveras somos, um conjunto de impressões e solidões partilhadas. E fazemos disso a música que produzimos; e se a música gostar de nós faz-nos ser outras pessoas, com mais alegria. Trocamos identidades para dar à música o que tanto desejamos: a liberdade."

Saxofone Tenor - Carlos Martins
Piano - Bernardo Sassetti
Guitarra - André Fernandes
Contrabaixo e baixo eléctrico - Nelson Cascais
Bateria - Alexandre Frazão

Carlos Martins - Do Outro Lado


Azul Mediterrâneo - do álbum "Água"

Joshua Redman no Porto


Quarta | 10 Fevereiro 2010
22:00, Casa da Música (Porto) - Sala Suggia
James Farm featuring

Joshua Redman saxofones
Aaron Parks piano
Matt Penman contrabaixo
Eric Harland bacteria

Com um novo quarteto que junta alguns dos nomes mais importantes do jazz contemporâneo, Redman apresenta na Sala Suggia o virtuosismo e a imaginação que o tornaram uma das principais vozes de uma geração de excepção.

Nascido em Berkeley na Califórnia, filho do aclamado saxofonista Dewey Redman, Joshua passou apenas alguns dias naquela cidade antes do pai decidir mudar-se com a família para Nova York. Lá, a sua mãe decidiu matricular o filho, então com cinco anos, num curso de música indonésia e indiana, num contributo para a expansão dos seus horizontes musicais. Joshua costumava ouvir o pai tocar e passava horas ouvindo discos de Sonny Rollins, John Coltrane e Dexter Gordon. Convencido do interesse do filho pelo instrumento, quando este completou dez anos de idade, Dewey Redman comprou-lhe um saxofone tenor.

Embora sempre tenha demonstrado aptidão para a música, Joshua Redman optou por dedicar-se aos estudos normais e manteve o instrumento em segundo plano. Graduou-se como primeiro aluno da escola e foi admitido em Harvard. Lá passou a tocar na banda da universidade e teve a oportunidade de ganhar experiência ao participar em inúmeras jam sessions, nomeadamente com Delfayo Marsalis. Algum tempo depois, Joshua mudou-se para Brooklin onde dividiu um apartamento com mais quatro músicos de jazz. Foi então que decidiu dedicar-se a tempo integral à música.

Em 1991, Joshua Redman venceu o primeiro prémio para sax tenor no renomado concurso Thelonious Monk International Jazz Saxophone Competition. Desde então tem tocado e gravado com alguns dos maiores nomes do jazz. Entre eles: Elvin Jones, Charlie Haden, Jack DeJohnette, Milt Jackson, Pat Metheny, Roy Hargrove, the Mingus Dynasty, Red Rodney, Paul Motian, e Christian McBride.

O projecto James Farm foi estreado no Festival de Jazz de Montreal, em 2009, e reúne, além do saxofonista, o pianista Aaron Parks, o baterista Eric Harland e o contrabaixista Matt Penman. Partindo do universo acústico do quarteto tradicional de jazz, o grupo pretende incutir-lhe uma atitude moderna e progressiva através de estruturas técnicas e rítmicas complexas e riqueza harmónica, sem nunca esquecer a melodia. Do projecto faz ainda parte uma abertura a influências diversas, desde o universo clássico até ao rock electrónico.

Só é de lamentar que a passagem deste importante quarteto pelo nosso país se limite a um concerto na cidade do Porto. Será efeito da crise?

James Farm em Zurique - 4 de Fevereiro de 2010

Agenda Semanal, 8 a 14 de Fevereiro


Terça, 9 de Fevereiro
19.00h – Teatro Municipal de Faro – Ria Formosa Jazz Band

Quarta, 10 de Fevereiro
22.00h – Casa da Música (Porto) – Joshua Redman Quartet
22.00h – Braço de Prata (Lisboa) - Francisco Brito (ctb), Vasco Furtado (bat), André Murraças (s)

Quinta, 11 de Fevereiro
22.00h – CCB (Lisboa) – Júlio Resende & Ole Morten Vagan
22.00h – Teatro Municipal da Guarda - Budda Power Blues

Sexta, 12 de Fevereiro
21.30h – Culturgest (Lisboa) – Carlos Martins “Água”
21.30h – Cine-Teatro S. Pedro (Águeda) – Júlio Resende
21.30h – Teatro Municipal da Guarda - Amar Sundy
22.00h – Braço de Prata (Lisboa) – Júlio Resende e convidados
22.00h – Cantaloupe Bar (Olhão) - Sweet Punk & Jazz
22.30h – Ondajazz (Lisboa) – Jean-Pierre Como Trio

Sábado, 13 de Fevereiro
21.30h – Theatro Circo (Braga) – As 3 Marias
21.30h – Teatro Cinema de Fafe - Faith Gospel Choir
22.00h – Cantaloupe Bar (Olhão) - Sweet Punk & Jazz
22.00h – Centro das Artes (Sines) – Paulo de Carvalho & Victor Zamora
22.30h – Ondajazz (Lisboa) – Jean-Pierre Como Trio
22.30h – Museu do Douro (Régua) - Lilian Raquel & Cláudio César Ribeiro Duo
23.00h – Casa das Artes (Famalicão) – Trio Pagú
24.00h – Braço de Prata (Lisboa) - António Pinho Vargas

sábado, 6 de fevereiro de 2010

O Hot em casa emprestada



Kari Ikonen Quartet
4 de Fevereiro de 2009, 23.00h
Cabaret Maxime

Enquanto a solução para o Hot tarda, o clube quis honrar compromissos assumidos com músicos estrangeiros, com actuações marcadas para a histórica sala da Praça da Alegria, e marcou para os dias 4, 5 e 6 de Fevereiro concertos com o quarteto sueco-finlandês do pianista Kari Ikonen, em casa emprestada.
O primeiro concerto decorreu no Cabaret Maxime, quase paredes meias com o clube, e serviu para um salutar reencontro dos habituais frequentadores do mais antigo clube de jazz do mundo (dizem, eu não confirmei…).
Coube ao pianista finlandês Kari Ikonen a honra de reunir, em casa emprestada, a tribo do jazz lisboeta.
Ikonen que tem uma ligação estreita ao jazz português. Além de várias actuações no Hot, passou pela escola do clube, viveu em Lisboa durante três meses, ao abrigo de uma bolsa de estudo, tocou e compôs com diversos músicos nacionais. Pelo que foi igualmente com emoção que o finlandês encarou este seu regresso a Lisboa.
A acompanhá-lo estiveram outro finlandês no contrabaixo, Marko Lohikari, e dois suecos, o saxofonista Fredrik Carlquist e o baterista André Sumelius (um sueco de apelido finlandês).
A Escandinávia há muito se assumiu como um dos expoentes máximos do jazz europeu. Nela convivem várias sensibilidades de viver o jazz. A escola norueguesa liderada pelo pianista russo Misha Alperin e onde se inserem músicos como Tord Gustavsen ou Christian Wallumrod cultiva uma estética ECM de fusão entre o jazz e a música erudita, que inclui também alguns músicos suecos como Bobo Stenson ou Lars Danielsson. Outros músicos preferem a fusão entre o jazz e a música popular escandinava, como Jan Garbarek ou Jonas Knutsson. Há ainda uma escola de jazz mais próxima do “mainstream”, construída nos legados de Orsted Pedersen ou na experiência de Arild Andersen, Palle Danielsson ou Jon Christensen. E outra ainda que busca a fusão do jazz com o pop ou a música electrónica, onde pontificam músicos como o falecido pianista Esbjorn Svensson, o guitarrista Terje Rypdal ou o trompetista Nils Petter Molvaer.
Kari Ikonen, apesar de ter iniciado a sua abordagem da música pelo heavy metal, parece hoje mais próximo da estética “mainstream”, embora não enjeite a possibilidade de incluir alguns elementos do rock ou da música erudita nas suas elaboradas composições.
Pianista exemplar, dotado de uma técnica notável e de um apurado sentido de improvisação, distingue-se ainda pela inspiração das suas composições, personalizadas e de elevado rasgo tecnicista.
Entre os músicos que o acompanharam o destaque vai sobretudo para o saxofonista Fredrik Carlquist, dono de um fraseado imaginativo e pleno de swing, capaz não apenas de interpretar, com manifesto à vontade, o elaborado repertório de Ikonen, como até de lhe juntar um fortíssimo cunho pessoal, fruto do perfeito domínio demonstrado do instrumento, para muitos considerado como o “rei” dos instrumentos do jazz.
Foi uma noite de sentimentos à flor da pele, abrilhantada por músicos de enorme valia.
Enquanto esperamos pelo regresso do “nosso” Hot, vale a pena ouvir este quarteto escandinavo e matar saudades das noites de jazz da Praça da Alegria.
Esta noite será a vez do Ondajazz, em Alfama, acolher Kari Ikonen e os seus pares.
Não percam.

Fredrik Carlquist , no clarinete e saxofone, acompanhado por Dave Mitchell e Garry Fimister, interpreta;
"Peace" de Horace Silver (Barcelona, 2008)


I'll Close My Eyes

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Aurora Borealis


Den Signade Dag
Jonas Knutsson & Johan Norberg + Kraja
Skaren: Norrland III
ACT, 2008

Editado em Setembro de 2008, SKAREN: NORRLAND III é o terceiro disco editado pela dupla sueca Jonas Knutsson (saxofones) e Johan Norberg (guitarras, kantele) para a editora alemã ACT.
Nesta obra surgem ainda acompanhados de cinco mulheres: a contrabaixista alemã Eva Kruse e as quatro maravilhosas vozes do quarteto sueco Kraja, composto pelas irmãs Eva e Lisa Lestander e ainda por Frida Johansson e Linnea Nilsson.
Gravado em Estocolmo este trabalho mantém a linha de fusão característica do duo entre o jazz e a música tradicional escandinava, no caso do folclore do norte da Suécia e da denominada cultura Sami.
“Den signade dag” (que significa Aquele Dia Abençoado) é um dos temas tradicionais incluídos no disco, onde o quarteto Kraja surge acompanhado apenas pelo saxofone de Knutsson. Uma pérola a descobrir acompanhada pela aurora borealis das terras no norte.

Jonas Knutsson & Kraja - Den Signade Dag

Mundos


Lambada de Serpente
Aaron Goldberg
Worlds
Sunny Side, 2006

Um belíssimo tema da autoria de Djavan, incluído no excelente álbum do pianista norte-americano Aaron Goldberg "Worlds", editado em 2006 pela Sunny Side. Um disco em que Goldberg, que esteve entre nós em Novembro passado para um concerto no São Luiz, surge acompanhado de grandes nomes do jazz norte-americano: Reuben Rogers no contrabaixo, Eric Harland na bateria e ainda dois convidados muito especiais, Kurt Rosenwinckel na guitarra e a voz da brasileira Luciana Souza.
Está previsto para este mês de Fevereiro o lançamento de um novo trabalho discográfico de Goldberg denominado "Home".

Aaron Goldberg - Lambada de Serpente