sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

This Is It!



André Sarbib
This is It!
Numérica, 2008

André Sarbib é filho do conceituado pianista francês Roger Sarbib, que introduziu as "Big Bands" de jazz em Portugal, nas décadas de 40 e 50 do séc. XX, e que trabalhou com ícones da canção francesa como Edith Piaf, Charles Trenet ou Maurice Chevalier. Como o pai, André assume-se como um pianista de jazz de eleição, a que junta neste trabalho uma surpreendente capacidade vocal, cantando em cinco dos 11 temas incluídos no disco, dos quais, igualmente cinco, são da sua autoria.
Destacam-se dois temas de Michel Legrand, Celui Lá e La Valse des Lilás, cantados naturalmente em francês, a língua materna de Sarbib, apesar de radicado no Porto há muitos anos.
Acompanham a voz e o piano de André Sarbib o trompetista João Moreira, com um trabalho notável, sobretudo no fliscórnio, afirmando-se cada vez mais como um músico de excelência (a que continua a faltar contudo um disco como líder. Para quando João?) o irmão deste, Bernardo Moreira, no contrabaixo e o jovem João Cunha na bateria, estando também em destaque a contribuição do terceiro irmão Moreira, Pedro Moreira, que fez os arranjos do quinteto de cordas, composto por David Lloyd na viola, Miranda Pythian Adams no violoncelo, Paula Miranda na harpa e Richard Thomas e Zoltan Santa nos violinos, incluído nos dois temas de Michel Legrand. Ao que parece terá sido o contrabaixista Bernardo Moreira quem convenceu André a assumir-se discograficamente como cantor, tendo os sofisticados arranjos de Pedro Moreira para os dois temas de Michel Legrand funcionado como "argumento decisivo e irrecusável", nas palavras do pianista.
Este é o terceiro disco de André Sarbib, depois de "O Silêncio das Águas" (1990) e de "Coisas da Noite" (1993), ambos para a etiqueta Numérica, tal como "This Is It!". No seu currículo porém, André Sarbib tem inúmeras colaborações com alguns dos nomes mais importantes da cena internacional, nomeadamente Joe Lovano, Barry Altschul, Ivan Lins, Carles Benavent, Ruben d`Antas, Jorge Rossi, Saheb Sarbib (nome artístico de seu irmão Jean Sarbib, contrabaixista que é hoje personagem importante da vanguarda nova-iorquina), Carlos Carli, Joachim Chacón e Paulo de Carvalho, entre outros.
This Is It! é um disco de grande classe de um pianista de referência do jazz nacional, figura incontornável da cultura musical portuense. É será com todo o mérito que André Sarbib levará este seu mais recente trabalho ao palco da Casa da Música no próximo dia 16 de Janeiro de 2009, pelas 22.00h, onde além dos irmãos Moreira e do jovem baterista João Cunha irá estar acompanhado pelo magistral harmonicista espanhol António Serrano, um dos mais geniais músicos revelados nos últimos anos pelo jazz espanhol e que participou igualmente na gravação do disco, entre outros vários convidados surpresa. Um concerto obrigatório!
Aqui ficam dois temas do disco This Is It! de André Sarbib: o imprescindível LA VALSE DES LILÁS, single oficial do disco e ainda Valsana, original de Sarbib que abre o disco e que aqui surge acompanhado de magníficas fotos de Paris à noite, da autoria do fotógrafo francês Thierry Lucas. Podem ver o trabalho de Lucas em http://www.pbase.com/ttfl/paris_at_night

André Sarbib – La Valse des Lilás


André Sarbib – Valsana

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Super Trouper no Ondajazz


André Fernandes Super Trouper
26 de Dezembro, 23.30h, Ondajazz (Lisboa)

Depois do álbum Cubo é tempo de apresentação ao público no novo projecto do guitarrista André Fernandes, Super Trouper, ainda sem edição em disco. Com André Fernandes na Guitarra, sampler e voz, Mário Delgado na Guitarra e Efeitos, DJRide na Turntable e Laptop, Demian Cabaud no Contrabaixo e Marcos Cavaleiro na Bateria, este é um projecto que vive do experimentalismo electrónico e acústico, com base em grooves para abanar o capacete. Sem rodeios…
À falta de documentação deste novo trabalho de André Fernandes deixo-vos com o vídeo “Perto”, um original incluído no disco Cubo.

André Fernandes – Perto

Matéria Prima do Hot



Carlos Bica & Matéria Prima
Hot Club de Portugal (Lisboa)
6ª feira, 26 de Dezembro, 23.00h
Sábado, 27 de Dezembro, 23.00h

Nesta semana de Natal não abundam as apresentações. Ainda assim é tempo de Carlos Bica, um dos mais importantes e internacionais músicos de jazz portugueses, levar ao palco do Hot Club o seu mais recente projecto “Matéria Prima”, que Bica explica da seguinte forma:

“Ao longo do meu percurso musical tenho tido a oportunidade de tocar com músicos de diferentes nacionalidades, provenientes das mais diversas escolas e estilos musicais. Independentemente das suas qualidades individuais como instrumentistas o que desde sempre mais me surpreendeu foi a inteligência emocional que diferencia alguns desses músicos. Essa “habilidade” de contar histórias que vivem de emoções através desta matéria-prima que é o som.
Apesar da universalidade que a música possui, poder-se-á falar da existência de um “portuguesismo” na música improvisada feita em Portugal. O actual projecto musical surgiu dessa vontade de fazer nascer um colectivo musical constituído na sua essência por músicos portugueses.
O pianista João Paulo e o guitarrista Mário Delgado são músicos e amigos de longa data cujo currículo dispensa qualquer apresentação e que eu muito admiro pela sua enorme criatividade e honestidade musical.
E como a música não escolhe idades, quis o destino dar-me a oportunidade de conhecer o jovem baterista João Lobo, que é na minha opinião um dos músicos mais talentosos e promissores de uma nova geração de músicos criativos que surgiu nos últimos anos em Portugal.
Música é alegria e tristeza mas também é paz e revolta, a música tem dessas coisas, porque o Agora não tem nome.”

Carlos Bica & Azul - Luscious


Carlos Bica, Frank Mobus & Jim Black - Azul é o Mar

Agenda Semanal, 22 a 28 de Dezembro



3ª feira, 23 de Dezembro
17.30h – Estação de Metro do Cais do Sodré (Lisboa) - Duo Bossa Nova
22.30h – Ondajazz (Lisboa) – Big Band Reunion

4ª feira, 24 de Dezembro
22.30h – Ondajazz (Lisboa) – Triângulo

6ª feira, 26 de Dezembro
21.30h – Ondajazz (Lisboa) – Luanda Cozetti
21.30h – Hotel D. Filipa (Almancil) - Hugo Alves 4tet
22.00h – Hotfive (Porto) - Minneman Blues Band
22.30h – Braço de Prata (Lisboa) - Júlio Resende e convidados
23.00h – Hot Club (Lisboa) – Carlos Bica & Matéria Prima
23.30h – Ondajazz (Lisboa) – André Fernandes Super Trouper

Sábado, 27 de Dezembro
16.00h – CCB (Lisboa) - Orquestra 6 Latinos
22.00h – Braço de Prata (Lisboa) - Amadores de Música
22.30h – Braço de Prata (Lisboa) - Free Fucking Notes, Marta Plantier e Luís Barrigas
23.00h – Hot Club (Lisboa) – Carlos Bica & Matéria Prima + Mário Delgado
23.30h – Ondajazz (Lisboa) – Theo Pas’cal
23.00h – Teatro de Vila Real - Mariana Vergueiro Quarteto
24.00h – Braço de Prata (Lisboa) - YAMI

Domingo, 28 de Dezembro
21.30h – Casa da Música (Porto) - Mississipi Gospel Choir

domingo, 21 de dezembro de 2008

Simplesmente Jazz



Aldo Romano
Just Jazz
Dreyfuss Jazz, 2008

Aldo Romano nasceu em Belluno, na Itália, mas reside desde criança em França. A sua carreira musical iniciou-se logo nos anos 50, quando tocava guitarra e bateria nos bares de Paris. Mas foi após deixar a guitarra e iniciar a sua colaboração com Don Cherry, a partir de 1963, que granjeou fama, a que se seguiram importantes colaborações com Steve Lacy e Dexter Gordon. Acompanhou ainda nomes como Jackie McLean, Bud Powell, Lucky Thompson, J.J. Johnson, Slide Hampton, Woody Shaw e Nathan Davis. Em 1969 associou-se mesmo a um jovem e talentoso pianista, em ascensão: Keith Jarrett. Nos anos 70 dedicou-se à fusão, gravando o seu primeiro disco com líder, com Claude Barthélémy (Il Piacere, 1978). Entre as principais colaborações deste período contam-se as desenvolvidas com François Jeanneau, Jean-François Jenny-Clark, Michel Graillier, Henri Texier, Charlie Mariano, Philip Catherine e Jasper Van't Hof. Mais tarde gravaria com Bob Malach, Didier Lockwood e Jasper Van't Hof (Night Diary, 1980) e com Philip Catherine, Benoît Wideman e Jean-Pierre Fouquey (Alma Latina, 1983). O seu nome ficou igualmente associado ao de Michel Petrucciani, um jovem pianista que Romano descobriu no sul de França e apresentou a Jean-Jacques Pussiau, o produtor da editora Owl Records, com quem gravaria dois discos nos anos 80. No final da década fundou o seu quarteto italiano, com Paolo Fresu, Franco d’Andrea e Furio di Castri com quem gravou (para a Owl, para a Verve e mais tarde para a Label Bleu) To Be Ornette To Be, Water Dreams, Non Dimenticar, Prosodie e finalmente Palatino com Glenn Ferris e Paolo Fresu. Pelo meio ficaram colaborações com Claude Nougaro, Chet Baker e René Urtreger. Mais recentemente integrou o projecto Intrevista com Palle Danielsson, Stefano Di Battista e o jovem guitarrista brasileiro Nelson Veras.
O seu mais recente trabalho denomina-se Just Jazz e foi lançado em 2008 pela Dreyfuss Jazz. Além de Romano na bateria conta com Henri Texier no contrabaixo, Geraldine Laurent no saxofone e Mauro Negri no clarinete.
Este disco representa um regresso às origens para Romano. Às suas origens como músico de free jazz e não apenas como baterista. Uma abordagem musical como compositor, fortemente influenciado pelo seu passado mas também pela personalidade dos músicos que o acompanham. Para Romano a música é sempre uma expressão de colaboração.
O regresso ao free jazz é antes de mais, para Romano, a assumpção do risco, da liberdade criativa, sem narcisismos nem subterfúgios. A busca incessante do genuíno. Mas este regresso abrange ainda a revisita das raízes mais profundas do jazz no blues, destacando-se neste particular a inspirada presença do clarinete de Mauro Negri. Um músico que consegue criar algo de novo no seu instrumento sem nunca perder de vista a forte tradição que o blues e o jazz lhe associam.
Em suma, uma obra notável capaz de satisfazer os mais puristas saudosismos da genialidade dos anos 60 ao mesmo tempo que se mostra apelativa aos jovens inventivos que, não desprovidos de memória, se mostram sedentos de inovação.
Fiquem com um blues extraído de Just Jazz: Black And Blue de Harry Brooks, Fats Waller e Andy Razaf, com Aldo Romano na bateria, Henri Texier no contrabaixo, Geraldine Laurent no saxofone e Mauro Negri em destaque no clarinete. As belas fotos da noite novaiorquina são da autoria de Shatterbug e fazem parte do seu trabalho After Dark, City Lights. Podem vê-las em http://www.pbase.com/shatterbug/after_dark_city_lights

Aldo Romano – Black And Blue

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Agenda Braço de Prata


5ª feira, 18 de Dezembro
22.30h – Sala Prado Coelho
Recital de guitarra João Bastos
22.30h – Sala Nietzsche
ANISOTROPUS - Eduardo Lála – Trombone, Gil Gonçalves - Tuba
João Castro Pinto – Computador, Sintetizador, André Mota – Bateria, Percussão

6ª feira, 19 de Dezembro
22.30h – Sala Prado Coelho
Free Fucking Notes, Marta Plantier (Voz) e Luís Barrigas (Piano)
22.30h – Sala Nietzsche
Júlio Resende e convidados
Júlio Resende – Piano, Mário Franco – Contrabaixo, Joel Silva – Bateria
24.00h – Sala Prado Coelho
Recital de piano com Vera Prokic

Sábado, 20 de Dezembro
22.30h - Sala Prado Coelho
Kasutera - Convidado Especial: José Salgueiro (Percussão)
22.30h – Sala Nietzsche
Paula Sousa Quarteto
24.00h – Sala Visconti
His Sad Quote
Jorge Fazenda – Guitarra, Voz, Michel Matos – Bateria, Pedro Sesinando - Baixo
Rodrigo Piedade – Piano
24.00h – Sala Prado Coelho
Fado com Hélder Moutinho
24.00h – Sala Nietzsche
Nicole Eitner

Domingo, 21 de Dezembro
22.00h – Sala Nietzsche
Aviãozinho militar

domingo, 14 de dezembro de 2008

Lunáticos



Gotan Project
Sábado, 20 de Dezembro, 22.00h
Praça de Touros do Campo Pequeno (Lisboa)

Os Gotan Project constituem um dos mais surpreendentes sucessos dos últimos anos, com o seu Cibertango, uma fusão do tango argentino com a música electrónica.
Com mais de um milhão de cópias vendidas e de espectáculos por todo o mundo, os Gotan Project apresentaram-se com Revancha del Tango, a que se seguiu,em 2006 o seu último álbum Lunático. Este segundo trabalho do grupo formado por Phillipe Cohen, Cristoph Müller e Eduardo Makaroff deu seguimento à fusão do tango com as sonoridades da música electrónica, jazz, hip-hop e chill-out.
Para os adeptos da dance music criativa.

Gotan Project - Santa Maria


Gotan Project - Epoca

Buika, Niña de Fuego



2ª feira, 15 de Dezembro, 18.30h Fnac Chiado (Lisboa)
3ª feira, 16 de Dezembro, 21.00h Centro Cultural de Belém (Lisboa)


Buika é uma das mais interessantes e surpreendentes vozes espanholas dos últimos tempos, que mistura influências e estilos musicais mantendo a autenticidade que a caracteriza. Estreia em Lisboa, a 16 de Dezembro, no CCB.
Nascida em Palma de Maiorca, onde se estabeleceu a sua família originária da Guiné Equatorial, foi nesta cidade espanhola que se iniciou no mundo da música, cantando em clubes de jazz e em bares. Mudou-se entretanto para Madrid e em 2005 lançou “Buika”, o seu primeiro trabalho, que obteve já alguma visibilidade. No entanto, foi com o seu segundo álbum “Mi Niña Lola”, que a cantora alcançou finalmente o reconhecimento internacional, arrecadando prémios e participando em grandes festivais, onde deixou a crítica e o público rendidos.
O público português familiarizou-se com Buika depois da participação da cantora em “Terra”, o mais recente trabalho de Mariza, que a descreve como “uma voz única, muito, muito especial e que eu admiro bastante e que faz parte das minhas vozes preferidas”.
Tão à vontade como se estivesse em casa e sempre com um sorriso no rosto, Buika apresenta agora o seu terceiro álbum “Niña de Fuego”, um trabalho em que visita novamente a música popular espanhola com as coplas e viaja pela primeira vez até ao México e à ranchera, cantando ainda temas inéditos compostos por ela mesma e pelo aclamado produtor Javier Limón, também a escolha de eleição de outros grandes artistas como Paco de Lucía.

Concha Buika - No Habrá Nadie En El Mundo


Concha Buika – Jodida Pero Contenta


Veja também os vídeos "New Afrospanish Colective" "Mi Niña Lola" e "La Falsa Moneda"

Agenda Semanal


2ª feira, 15 de Dezembro
18.30h- Fnac Chiado (Lisboa) – Buika
21.30h – Trem Azul (Lisboa) – Carlos Zíngaro 60 anos
23.30h – Catacumbas (Lisboa) – Quarteto de Paulo Lopes

3ª feira, 16 de Dezembro
17.30h – Estação de Metro do Jardim Zoológico (Lisboa) – Trio Bossanova
21.00h – CCB (Lisboa) – Buika
21.30h – Ondajazz (Lisboa) – Big Band Reunion
23.30h – Catacumbas (Lisboa) - Heritage Blues Band

4ª feira, 17 de Dezembro
22.00h – Hotfive (Porto) – Jam Session Porto All Stars
22.00h – Chapitô (Lisboa) - Camafrio
22.30h – Ondajazz (Lisboa) - Triângulo

5ª feira, 18 de Dezembro
15.00h – Conservatório de Aveiro - European Tuba Trio
18.00h - Antigo Ginásio Sport União Sintrense (Sintra) - Quarteto Ricardo Pinto
22.00h – Hotfive (Porto) - Quarteto Miguel Braga & Diana Basto
22.00h – Casa do Livro (Porto) - Minnemann Blues Band
23.00h – Hot Club (Lisboa) – André Fernandes “SuperTruper”
23.00h – Ondajazz (Lisboa) – Marta Plantier e Luís Barrigas
23.30h – Catacumbas (Lisboa) - Nações Unidas

6ª feira, 19 de Dezembro
17.30h - Estação de Metro do Rossio – Quarteto de Jazz
21.30h – Ondajazz (Lisboa) - Luanda Cozetti
22.00h – Hotfive (Porto) – Funkalicious
22.30h – Espaço Orfeu (Águeda) - Moondogs Blues Party
23.00h – Hot Club (Lisboa) – André Fernandes “SuperTruper”
23.00h – Centro Cultural Vila Flor (Guimarães) - Anisotropus
23.30h – Ondajazz (Lisboa) - Trio Dudas

Sábado, 20 de Dezembro
21.30h – Instituto Franco Portugais (Lisboa) - The Gospel Choir
21.30h – Centro Cultural de Lagos - Orquestra de Jazz de Lagos
22.00h - Praça de Touros do Campo Pequeno (Lisboa) - Gotan Project
22.00h – Hotfive (Porto) - The Dixie Boys
22.30h – Casa da Eira (Paços de Ferreira) - Moondogs Blues Party
23.00h – Hot Club (Lisboa) – André Fernandes “SuperTruper”
23.30h – Ondajazz (Lisboa) - Groove Quartet

Domingo, 21 de Dezembro
20.30h – Crew Hassan (Lisboa) – Jazz na Crew

The Spaces In Between



John Surman
The Spaces In Between
ECM 2007

Nascido em Tavistock, Devon, na Inglaterra, em 1944, John Surman é aclamado por muitos como uma das principais figuras do jazz europeu dos últimos 30 anos. Improvisador de enorme classe, Surman surpreende sobretudo pela rara capacidade que demonstra em expandir os contornos do jazz para áreas pouco usuais, como a música erudita, a dança e o teatro.
A sua carreira iniciou com uma colaboração com o seu conterrâneo Mike Westbrook e mais tarde, durante os anos 60, com Alexis Korner, com o octeto de Ronnie Scott, Humphrey Lyttleton, com o grupo Brotherhood of Breath e finalmente enveredando pelo jazz rock com John McLaughlin. Durante este período iniciou igualmente frutuosas colaborações com o compositor John Warren, com o pianista John Taylor e o contrabaixista Dave Holland, com quem gravou o seu primeiro disco.
Em 1968 formou o seu próprio octeto e fez parte da Big Band de Mike Gibbs. Foi contudo o seu trio (The Trio), composto por Surman no saxofone, Barre Philips no contrabaixo e Stu Martin na bateria que lhe granjeou maior popularidade e o colocou no circuito internacional do jazz.
Já nos anos 70 desenvolveu um projecto a solo Westering Home, e Morning Glory, com Terje Rypdal , John Marshall, Chris Laurence, Malcolm Griffiths e John Taylor. Fundou o trio SOS com Alan Skidmore e Mike Osborne e iniciou uma longa colaboração com a coreógrafa e dançarina norte-americana Carolyn Carlson, para a Ópera de Paris. Em 1978 gravou com Stan Tracey “Sonatinas” e com a cantora norueguesa Karin Krog “Cloudline Blue”. Integrou ainda o quarteto de Miroslav Vitous até 1982.
A sua colaboração com a ECM iniciou-se em 1979 com a gravação de Upon Reflection, e dura até ao presente, com mais quatro discos a solo e colaborações com Karin Krog e Pierre Favre (Such Winters Of Memory) e Jack DeJohnette (The Amazing Adventures Of Simon Simon).
Entre a vasta listagem de colaborações posteriores contam-se nomes importantes como Kenny Wheeler, Dave Holland, Elvin Jones, Jon Christensen, Albert Mangelsdorff, Paul Bley, Bill Frisell e Paul Motian. Fez ainda parte da Gil Evans Orchestra.
Como compositor John Surman tem trabalhado muito para a dança, com Carolyn Carlson. Escreveu ainda ’ Private City’ para o Sadlers Wells Royal Ballet, com coreografia de Susan Crow (igualmente editado pela ECM), foi compositor residente do Glasgow Jazz Festival em 1989, correu os festivais de jazz da Europa (incluindo Portugal) com o Brass Project e compôs para o Balanescu Quartet, comissionado em 1990 pelo Camden Jazz Festival. Escreveu para teatro e televisão e em 1993 compôs uma suite para a Oslo Radio Symphony Orchestra and Quartet. Em 1996 foi a vez do Salisbury Festival lhe comissionar Proverbs and Songs, em que Surman conjuga o seu fascínio pela música coral a que junta o seu saxofone e o órgão de tubos da Catedral de Salisbury, entregue às mãos experientes de John Taylor (gravado pela BBC Rádio 3 e mais recentemente editado pela ECM) Em 1998 estreou ainda uma versão para orquestra de câmara da sua obra prima The Road to St. Ives.
Os seus projectos actuais incluem um duo com John Taylor e outro com Karin Krog e o seu quarteto, formado por Surman, John Taylor, Chris Laurence e John Marshall. Colaborou ainda com Dave Holland e o tunisino Anouar Brahem no projecto Thimar e compôs as bandas sonoras dos filmes “The Shade” e Apartment 5c’ de Raphael Nadjari. Desde 2000 mantém colaboração regular com Jack deJohnette com quem gravou dois discos para a ECM: ’Invisible Nature’, gravado ao vivo em Tampere e Berlim e ‘Free and Equal’, gravado no Queen Elizabeth Hall em Londres e que contou com a participação do ensemble London Brass. Compôs ainda ’Under the Shadow’ para o quarteto vocal Red Byrd. Mais recentemente tem trabalhado com a the Sarum Chamber Orchestra.
The Spaces In Between é o seu mais recente trabalho para a ECM, gravado com Chris Lawrence no contrabaixo e o quarteto de cordas Trans4mation, composto por Rita Manning e Patrick Kiernan nos violinos, Bill Hawkes na viola e Nick Cooper no violoncelo. Neste trabalho Surman mostra-se igualmente influenciado pela sua ampla experiência na música coral e bem assim pelo seu amado folk britânico. As composições e improvisações surgem simples e hipnóticas, desenvolvidas tonalmente com recurso a amplos ensembles e rica orquestração. O jazz aqui surge raramente, brotando sobretudo das riquíssimas improvisações de Surman no saxofone. O tom geral é contudo dominado pelos ambientes contemporâneos da música de câmara, reforçados pela presença do quarteto Trans4mation.
Ainda que desprovido de swing, é indiscutivelmente uma obra maior e obrigatória de um dos mais importantes e influentes músicos europeus das últimas décadas. Com a beleza inerente à simplicidade popular soberbamente casada com o universo erudito imposto pelas elaboradas orquestrações e arranjos de Surman.
Como aperitivo deixo-vos o magnífico tema Winter Wish, de uma profundidade e beleza indescritíveis, acompanhado por fotografias igualmente extraordinárias do Inverno rural britânico, da autoria do fotógrafo inglês John Elliott. Podem ver o seu trabalho em http://www.pbase.com/jellophoto

John Surman & Trans4mation – Winter Wish