sábado, 13 de setembro de 2008

Al diMeola em Portugal



Começa hoje a série de três concertos que o guitarrista norte-americano Al di Meola vai dar entre nós. Às 22 horas, na Casa da Música, vai apresentar-se na cidade do Porto. Amanhã, pelas 21.30h, será a vez do Teatro Aveirense na cidade de Aveiro. Na segunda-feira termina esta mini-tour com um concerto às 22.00h na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa.
Al di Meola nasceu em 22 de Julho de 1954 em Jersey City, no estado norte-americano de New Jersey, onde ainda reside. Em 1971, com 17 anos de idade, entrou para o Berklee College of Music em Bóston e, escassos três anos mais tarde, em 1974, fazia parte da banda de Chick Corea, os Return to Forever, à época, uma das mais importantes bandas de jazz fusion, partilhando o topo com os Mahavishnu Orchestra de John McLaughlin e os Weather Report de Wayne Shorter.
Durou apenas dois anos e três discos a colaboração, até 1976, após o que o espírito independente de Meola o levou em busca de novos projectos. Os anos seguintes mostraram colaborações com Stanley Clarke, Jan Hammer, Jean-Luc Ponty, John McLaughlin, Paco de Lucia e até Paul Simon. Mais recentemente vimo-lo ao lado de George Dalaras, Larry Coryell e Biréli Lagrène, Aziza Mustafa Zadeh, Manuel Barrueco, Derek Sherinian, Leonid Agutin, Andrea Parodi, Miklos Malek e Eszter Horgas.
Com 24 álbuns editados como líder, seis milhões de discos vendidos e quatro prémios da prestigiada Guitar Player Magazine, Al di Meola é seguramente um dos mais importantes intérpretes deste instrumento no mundo.
Vai apresentar-nos a sua última criação: New World Sinfonia, que, tal como o nome indica, é a continuação do seu disco de 1990, World Sinfonia.
A não perder.

Para abrir o apetite deixo-vos com alguns vídeos de Meola bem demonstrativos da versatilidade deste genial guitarrista ítalo-americano:

Mediterranean Sundance com o russo Roman Miroshnichenko


Libertango, em Abril de 2007 no Festival de Jazz de Casablanca, em Marrocos


Cuba Africa, com Agutin


Egyptian Danza, em 2004 ao vivo em Ludwigsburg na Alemanha

sexta-feira, 12 de setembro de 2008

The Bad Plus Amanhã em Albufeira



Os Bad Plus actuam amanhã em Albufeira. O trio, formado pelos norte-americanos Ethan Iverson no piano, Reid Anderson no contrabaixo e David King na bateria, constituem um dos mais originais projectos do jazz americano actual.
A afirmação é polémica admito, mas é sentida. Na verdade, alguns não conseguem perdoar a este trio do Midwest a ousadia de pegar em temas de rock como Smells Like Teen Spirit dos Nirvana e dar-lhes a volta, através de arranjos originais a puxar ao jazz.
No entanto o espírito do jazz é isso mesmo! Ousadia, liberdade criativa e improvisação.
O grupo foi fundado em 2000, num clube de Minneapolis, e o sucesso não se fez esperar. Com o disco homónimo, lançado em 2001 pela Fresh Sound, levaram o jazz para os tops de vendas. Chegou então a oportunidade junto da editora Columbia e desde então mais cinco discos foram lançados pelo trio: These Are The Vistas (2003), Give (2004), Suspicious Activity? (2005), Blunt Object - Live in Tokyo (2005) e Prog (2007), este já pela editora Emarcy, sempre com enorme sucesso.
Pelo caminho outros compositores estranhos ao jazz levaram o tratamento Bad Plus, como os ABBA, Black Sabbath, Bee Gees, Queen, Blondie, Aphex Twin, Neil Young, e Bjork. Para terror dos puristas…
Da parte que me toca aprecio e recomendo.
Só tenho pena de estar tão longe de Albufeira e não poder apreciá-los ao vivo.
Ficam aqui alguns vídeos para outros que partilhem a minha sorte.


Anthem For the Earnest


Everywhere You Turn


Prehensile Dream


Flim!!

EST, por Ulf Wakenius



Ulf Wakenius
Love Is Real
ACT, 2008

Ulf Wakenius nasceu em Halmstad, na Suécia, em Abril de 1958. Começou a tocar guitarra aos 11 anos de idade, influenciado sobretudo por outros guitarristas de Gotemburgo, onde residia. As suas primeiras influências musicais vêm do universo rock e blues. Nomes como Eric Clapton, Jack Bruce ou Johnny Winter aparecem entre as principais referências do guitarrista sueco, até que descobre John McLaughlin e a Mahavishnu Orchestra, o que origina uma mudança substancial na sua carreira rumo ao jazz.
Com 17 anos de idade já se tinha estabelecido como um guitarrista aclamado no jazz sueco. No início dos anos 80 fundou o duo “Guitars Unlimited” com Peter Almqvist, de grande sucesso na Suécia e com concertos em todo o mundo (em 1985 um programa antológico da carreira do duo foi visto por 600 milhões de espectadores!).
O passo seguinte de Wakenius levou-o ao Brasil, gravando um disco a solo no Rio de Janeiro e trabalhando com músicos como Sivuca, Luizão, Paolo Braga e Nico Assumpção (colaboradores regulares de artistas como Milton Nascimento e Elis Regina).
No final dos anos 80 Wakenous trabalhou com Niels-Henning Ørsted Pedersen, o virtuoso contrabaixista dinamarquês com quem gravou vários discos e correu o mundo em concertos (um deles oferecido ao presidente norte-americano Bill Clinton).
Já nos anos 90 fundou o grupo Grafitti, com o baterista Dennis Chambers, o contrabaixista Gary Grainger (ex-secção rítmica de John Scofield) e o teclista Haakon Graf. Colaborou ainda com o contrabaixista Ray Brown em dois trabalhos: Seven Steps To Heaven, gravado pela Telarc e Summertime, em que colaborou ainda o saxofonista Michael Brecker.
O seu talento levou-o a trabalhar com músicos de jazz tão importantes quanto os já mencionados e ainda Randy Brecker, Herbie Hancock, Steve Coleman, Joe Henderson, Phil Woods, Clark Terry, Johnny Griffin, Toots Thielemans, Jack DeJohnette, Max Roach, Jim Hall, Art Farmer, Benny Golson, James Moody, Roy Hargrove ou Milt Jackson. E, suprema honra, fez parte do quarteto de Óscar Peterson desde 1997, até à recente morte do mítico pianista canadiano, em Dezembro de 2007, ocupando o lugar anteriormente preenchido por guitarristas como Barney Kessel, Herb Ellis e Joe Pass. Com ele regressou ao Brasil onde teve oportunidade de actuar perante uma audiência de 35.000 pessoas, em São Paulo.
Os anos mais recentes de Ulf, coincidindo com o contrato assinado com a editora alemã ACT, caracterizaram-se por uma “cruzada melódica”, nas suas próprias palavras. Um regresso às origens.
No seu álbum de estreia pela ACT, Notes From The Heart, pegou na música de Keith Jarrett e arranjou-a, de modo redutor, para um trio de guitarra, em que apenas usou a guitarra acústica.


Neste trabalho, Love is Real, volta a pegar no repertório de um pianista, no caso do seu compatriota recente e precocemente falecido, Esbjorn Svensson, e volta a arranjá-lo para guitarra. Porém desta feita a preocupação não foi de redução mas antes de ampliação do universo musical dos EST. Wakenius usa várias guitarras, metálicas e de madeira, acústicas e eléctricas e chama ao ensemble o contrabaixo e violoncelo de Lars Danielsson, o piano de Lars Jansson e a bateria, caixa flamenca e percussão de Morten Lund. Conta ainda nalguns temas com a presença do radio.string.quartet.vienna, formado por Bernie Mallinger e Johannes Dickbauer no violino, Cynthia Liao na viola e Asja Valcic no violoncelo. Como convidados surgem ainda os trompetes de Till Brönner (no tema Seven Days of Falling), de Paolo Fresu (em Viaticum) e o trombone de Nils Landgren (em Good Morning Susie Soho). Conta ainda com a participação da guitarra eléctrica do filho, Eric Wakenius, no tema Dodge The Dodo.
Longe de uma estética redutora ou minimalista o tratamento de Wakenius à obra de Svensson é, pelo contrário, amplamente enriquecedora. Seja pelos elaborados arranjos introduzidos, visando a presença de um quarteto de cordas, da guitarra ou dos metais, não presentes nas versões originais, seja ainda pelo carácter menos intimista e compacto desses mesmos arranjos. Confesso que, nalguns deles, um seguidor da estética EST, como é o meu caso, continua fiel ao original (veja-se o arranjo mais cosmopolita de When God Created the Coffeebreak, por exemplo). Mas noutros sou forçado a reconhecer a valia introduzida por Wakenius com um trabalho amplamente meritório e rubricando solos e improvisações de grande classe que, ora lembram universos mais folk como o de Bill Frisell (por exemplo em Shinning on You ou sobretudo em Believe, Beleft, Bellow), ora exibem uma exuberância digna de John Scofield (como em Dodge the Dodo ou Good Morning Susie Soho), ora ainda acrescentam uma nota mais jazzística, evocativa de um John McLaughlin, aos temas ritmados dos EST, como em Seven Days of Falling ou Elevation of Love. Noutros ainda é o universo deconstrutivo de Svensson que é evocado com maestria e originalidade pela adição das cordas e dos metais, que elevam arranjos mais ou menos fiéis ao original, como em Tuesday Wonderland, Pavane “Thoughts Of A Septuagenarian”, Eighthundred Streets By Feet ou ainda Viaticum.
Um excelente trabalho que acaba por funcionar como uma merecida homenagem, ainda que imprevista (foi editado escassos dois meses antes da sua morte), ao original pianista sueco recentemente desaparecido (e que contribuiu ainda com um dos arranjos de cordas para o radio string quartet vienna, incluído neste trabalho de Ulf Wakenius).
O vídeo que se segue é do tema Believe, Beleft, Bellow (Love Is Real) interpretado em trio, com Ulf Wakenius na guitarra, Lars Danielsson no contrabaixo e Morten Lund na bateria. As fotos das ilhas britânicas são da autoria de Paul L-R.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Os Desertos de Valhalla (Pintados por Vermeer de Delft)



Jan Garbarek
In Praise Of Dreams
ECM 2004

In Praise of Dreams foi o primeiro disco, como líder, lançado por este extraordinário saxofonista norueguês, de origem polaca, depois de um longo interregno de seis anos. E a aposta foi arrojada. Para acompanhá-lo escolheu a excelente violista norte-americana, de origem arménia, Kim Kashkashian, mais habituada a contextos eruditos do que ao jazz, além do inevitável e exuberante baterista francês Manu Katché, parceiro habitual de Jan Garbarek no seu quarteto. Nas teclas, habitualmente entregues ao alemão Rainer Brüninghaus, surge o próprio Jan Garbarek e a viola de Kashkashian é chamada a ocupar a função do contrabaixo, usualmente nas mãos do também alemão Eberhard Weber.
Mas são por vezes estas ousadias que fazem os grandes discos. O lirismo introduzido pela viola casa na perfeição com o som primordial característico do druida Garbarek e o resultado é um dos mais belos discos da carreira, já longa e recheada de sucessos, do saxofonista.
Até a insistência de Garbarek nos samplers e sintetizadores, anátema numa época em que o “tudo acústico” está na moda, consegue ter momentos verdadeiramente sublimes, contribuindo de forma decisiva para a criação do ambiente onírico, tão característico do som a que nos habituou. Os sonhos de Garbarek, que o título evoca, são construídos de forma quase cinemática por ambientes nórdicos de fogo e gelo, por combates titânicos entre os Deuses de Ragnarök, mas também pela suavidade encantadora dos desertos de Valhalla, para onde as valquírias de Garbarek nos transportam, quais almas de guerreiros mortos em combate, para junto do todo poderoso Odin e seus pares, no Olimpo gelado de Asgard.
Neste disco Garbarek mostra-se profundamente melódico, enfatizando as suas enormes capacidades como compositor e orquestrador e apostando claramente na adição de novas cores e texturas à sua já ampla paleta musical, construídas pela brilhante fusão de elementos acústicos e electrónicos. Peça fundamental dessa construção é a viola de Kashkashian. A sensibilidade do seu fraseado, a subtileza e a riqueza introduzida pelo som produzido pela viola parece elevar a música de Garbarek, inspirando-o para alguns solos e improvisações notáveis.
Os dois músicos já tinham colaborado anteriormente, com a grega Eleni Karaindrou, na gravação das composições desta para a banda sonora dos filmes “The Beekeeper” e “Ulysses’ Gaze”, do realizador Theo Angelopoulos e ainda com o compositor georgiano Giya Kancheli, no seu trabalho orquestral “Night Prayers”. A mais recente colaboração ocorreu contudo no Festival de Bergen, em 1999, em que os dois músicos homenagearam o compositor arménio Tigran Mansurian com uma apresentação em duo versando o repertório deste, inspirado no folclore tradicional daquele país. Mais tarde Mansurian compôs a peça “Lachrymae”, incluída no seu álbum “Monodia”, especialmente para o saxofone de Garbarek e a viola de Kashkashian. A química foi instantânea, deixando no par a vontade de agendar novas colaborações. A ocasião surgiu finalmente em 2003 com a gravação deste “In Praise of Dreams”, agora sob a batuta experiente e mais swingada de Jan Garbarek.
O trio completa-se com Manu Katché, o baterista que Garbarek conheceu em 1987, através de Manfred Eicher, e que desde então não tem deixado de integrar nos seus sucessivos ensembles. A natureza ambiental e poética do seu trabalho, mas sobretudo a sua enorme capacidade para construir padrões rítmicos e desenvolvê-los através de pequenas, quase minimalísticas, nuances, fazem deste francês, com raízes na Costa do Marfim, o complemento ideal para o onirísmo musical de Garbarek e Kim Kashkashian.
Um disco fundamental.
O seu título advém, segundo Garbarek, de um poema de Wislawa Syzmborska, que começa assim: "Nos meus sonhos, eu pinto como Vermeer de Delft". Dificilmente encontraríamos uma imagem mais adequada para ilustrar este trabalho.

Deixo como habitualmente um vídeo a fechar esta minha crónica. O tema, da autoria de Garbarek, chama-se “One Goes There Alone” e está acompanhado de belas fotografias das terras altas escocesas, da responsabilidade de Dimitri V.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Festival Jazz.pt entra na segunda semana




Depois de uma primeira semana marcada pela grande afluência de público e pelas reacções muito positivas à abertura do jardim do Hot Club de Portugal, o Festival jazz.pt prepara-se para o seu segundo e último fim-de-semana. Dos sete concertos agendados, três serão apresentações dos novos trabalhos discográficos de André Matos, Afonso Pais e da formação luso-italiana Teterapadequ. São motivos de sobra para participar na celebração do terceiro aniversário da revista jazz.pt.

Programa

Quinta-feira, 11
22:30 (jardim) / André Matos "Rosa Shock" (Argentina/Brasil/Portugal)
00:30 (bar) / Afonso Pais Trio "Subsequências" (Brasil/Portugal)

Sexta-feira, 12
22:30 (jardim) / Jason Stein's Locksmith Isidore (EUA)
00:30 (bar) / Happening e convidada especial Maria João (Portugal)

Sábado, 13
22:00 (jardim) / José Peixoto "El Fad" (Portugal)
23:00 (jardim) / Quinteto de Pedro Moreira (Portugal)
00:30 (bar) / Tetterapadequ (Itália/Portugal)

Entradas: pacote especial segunda semana

Bilhete fim de semana
Assinatura anual da jazz.pt
Um CD em lançamento
40,00€

Agenda da Semana no Braço de Prata


4ª feira, 10 de Setembro
22.00h – Sala Nietzsche - Longitude Zero – Jazz
Guida Costa - voz / trombone de varas
Carlos Azevedo - piano
Cicero Lee - contrabaixo
Paleka – bateria

5ª feira, 11 de Setembro
20.15h – Sala Nietzsche - BABILÓNIA REDUZIDA
Beatriz Nunes - Voz, gaitas de foles
Miguel Ribeiro - guitarra
Vítor – teclas

22.00h – Sala Visconti - Diego Armes + Samuel Uria + Jorge Cruz

22.00h – Sala Prado Coelho - Recital de guitarra por João Bastos

22.30h – Sala Nietzsche - »HAPPENNING» - JAZZ
João Paulo – piano
Luís Cunha – trombone
Júlio Resende – fender rhodes
Mário Franco – contrabaixo
João Lobo – bateria

6ª feira, 12 de Setembro
22.00h – Sala Prado Coelho - Recital de guitarra por Tiago Alexandre

22.00h – Sala Visconti - Neil Leyton + Jim Clements

Sábado, 13 de Setembro
22.00h – Sala Prado Coelho - Duas histórias que foram a mesma – JAZZ
Piano Luís Barrigas
Contrabaixo Massimo Cavalli

22.30h – Sala Nietzsche - RED Trio – Jazz
Rodrigo Pinheiro: piano
Hernâni Faustino: contrabaixo
Gabriel Ferrandini: bateria

23.30h – Sala Prado Coelho - Fados com Hélder Moutinho e convidados

00.00h – Tenda - CARLOS BARRETTO “IN LOKO”
Carlos Barretto - contrabaixo
João Moreira – trompete
Bernardo Sassetti – piano fender rhodes
Mário Delgado – guitarra eléctrica
José Salgueiro – bateria
Sebastian Scheriff – percussões

00.00h – Sala Nietzsche - Duo Terilene - Canções de Charme
Francisco Ferro – voz
Rui Correia - guitarra

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Poemas do Deserto, por Stephan Micus



Stephan Micus
Desert Poems
ECM, 2001

Stephan Micus é um caso ímpar na música contemporânea. Multi instrumentista e compositor, Micus é antes de mais um viajante, intrépido aventureiro que ousa explorar influências oriundas das mais recônditas e esquecidas regiões do planeta, na descoberta (por vezes redescoberta) de estéticas musicais e instrumentos tradicionais, quantas vezes esquecidos.
Nasceu na Alemanha em 1953, mas desde os 16 anos de idade que corre mundo em busca de novas sonoridades. Já percorreu (muitas vezes a pé…) a maioria dos países da Ásia, de África, da Europa e das Américas. Em cada um deles preocupou-se em estudar com os mestres locais um número interminável de instrumentos tradicionais, muitos deles praticamente desconhecidos no ocidente. O seu objectivo declarado é usá-los, numa mescla transcultural, na elaboração da sua música. Preferencialmente buscando novas combinações, geográfica e culturalmente improváveis.
Solitário no processo criativo, cria os seus discos através de gravações sobrepostas de sucessivas interpretações instrumentais e vocais, previamente registadas por si.
Ao longo de três décadas e 18 álbuns já gravados pela ECM, desenvolveu um som único e facilmente identificável, contemporâneo mas intemporal, construído a partir de inúmeras referências culturais e geográficas através de uma miríade de instrumentos tradicionais que, metodicamente, foi acrescentando às suas inesgotáveis capacidades interpretativas.
Desert Poems é o seu 15º álbum pela ECM, gravado na ilha espanhola de Maiorca, onde reside, entre 1997 e 2000, e lançado em 2001 pela editora alemã. Um disco onde Stephan Micus se dedicou especialmente aos instrumentos africanos. O doussn' gouni ou sinding (harpa tradicional da África ocidental), o kalimba (instrumento tradicional da Tanzânia, tocado com os polegares) e o dondon (instrumento de percussão oriundo do Gana) fazem a sua estreia em discos de Micus. Reintroduz igualmente o sarangi (instrumento de corda arqueada, oriundo da Índia) depois de um longo interregno, mas desta feita rearranjado por si e usado quase como um instrumento de percussão. Outros instrumentos utilizados neste disco são o shakuhachi (flauta de bambu japonesa), o dilruba (outro instrumento de cordas indiano), o nay (flauta tradicional egípcia), o sattar (violino tradicional do Turquemenistão chinês - Xinjiang) e o steel drum ou steelpan (instrumento de percussão originalmente oriundo de Trinidad e Tobago).

O resultado, para o músico alemão, é um disco austero e simples como os desertos que percorreu, do Gobi, Sinai, Saara, Takla Makan e Arábia. O silêncio esmagador desses espaços vazios inspirou um disco contemplativo e místico, profundamente envolvente.
Mas também a voz de Micus aparece aqui de forma profunda, como mais um dos muitos instrumentos por si utilizados. A capella ou acompanhado, Micus soa autêntico e seguro mesmo quando canta numa língua fantasista, por si inventada, como sucede em temas como “The Horses of Nizami” ou “Mikhail's Dream”. Mas surgem temas cantados em inglês e até em japonês Noh.
Surge ainda neste trabalho um arranjo instrumental de um tema coral polifónico georgiano “Shen Khar Venakhi," com mais de 750 anos de idade, o primeiro tema não original por si gravado até à data. Apesar de Micus ter estado na Geórgia, por duas vezes, a aprender duduki (um oboé tradicional da região) e a sua antiga tradição coral, optou por arranjar o tema para seis dilrubas e seis sattar.
Micus revela também uma faceta experimentalista porquanto raramente se contenta com as capacidades sonoras originais dos seus instrumentos. Quase todos eles são modificados de forma a produzirem novas sonoridades ou melhor se adaptarem ao universo criativo do compositor. Acrescenta novos buracos aos instrumentos de sopro, adiciona ou remove cordas aos de arco, altera as formas de afinação ou, simplesmente, cria novos instrumentos musicais para o que recorre frequentemente a artesãos na Alemanha, Espanha ou Japão para com ele desenvolverem as suas ideias criativas. Para ele vale tudo na busca incessante de novas possibilidades sonoras escondidas.
Micus é assim um dos melhores representantes da world music na sua essência primordial. Não apenas porque funde influências oriundas das mais distantes culturas, mas também porque claramente não se limita a respeitar as suas ricas heranças musicais, que conhece como poucos. Cria algo de novo e contemporâneo a partir desses legados.
A música de Stephan Micus tem sido escolhida por muitas companhias de dança europeias para as suas produções. E ao longo de 30 anos de carreira já apresentou centenas de concertos a solo pela Europa, Ásia e Américas.
Deixo-vos com um vídeo elaborado a partir do tema “Mikhail’s Dream” com fotos da região do Pushkar, na Índia, da autoria de Vikas Malhotra. Neste tema Micus canta na sua língua imaginária e acompanha-se a ele próprio com dois kalimba, um sinding, dois steel drum e percussão mais convencional.

domingo, 7 de setembro de 2008

Agenda Jazz 8 a 14 de Setembro de 2008



2ª feira, 8 de Setembro
19.30h - Hotel Le Meridien Dona Filipa (Loulé) - Orquestra de Jazz de Lagos

3ª feira, 9 de Setembro
22.30h – Ondajazz (Lisboa) - Hipster 6tet

4ª feira, 10 de Setembro
21.30h – Auditório Jazz ao Norte (Matosinhos) – Samuel Quinto
22.00h – Ondajazz (Lisboa) - Thierry Riou, Carlos Massa & Milton Batera
22.00h – HotFive (Porto) - Jam Session Porto AllStars
22.00h – Centro Cultural O Século (Lisboa) - RODRIGO AMADO TRIO

5ª feira, 11 de Setembro
21.30h – Auditório Municipal (Albufeira) – Martírio Trio
22.00h – Cafetaria Quadrante CCB (Lisboa) - Jason Stein's Locksmith Isidore
22.00h – Centro Cultural O Século (Lisboa) - RODRIGO AMADO TRIO
22.00h – Hot Club (Lisboa) - André Matos «Rosa Shock»
23.00h – Ondajazz (Lisboa) – Miguel Braga Convida (Jorge Pardo, Carlos Benavent, António Serrano, Carlos Carli, Fernando Girão e André Sarbib)
23.45h – Hot Club (Lisboa) - Afonso Pais Trio «Subsequências»

6ª feira, 12 de Setembro
21.30h – Jazz ao Norte (Matosinhos) - Sofia Ribeiro & Marc Demuth
21.30h – Auditório Municipal (Albufeira) - Transatlantica All Stars
22.00h – Centro Cultural o Século (Lisboa) - BARTOLINSKY ENSEMBLE
22.00h – Hot Club (Lisboa) - Jason Stein’s Locksmith Isidore
23.30h – Ondajazz (Lisboa) – Zé Maria
23.45h – Hot Club (Lisboa) – Happenning (João Paulo & Carlos Bica)

Sábado, 13 de Setembro
17.00h – Fnac Santa Catarina (Porto) - Murdering Tripping Blues
21.30h – Auditório Municipal (Albufeira) - The Bad Plus
22.00h – Casa da Música (Porto) – Al di Meola
22.00h – HotFive (Porto) - Minneman Blues Band
22.00h – Centro Cultural o Século (Lisboa) - LÍRIO CÃO
22.00h – Hot Club (Lisboa) - José Peixoto «El Fad»
23.00h – Hot Club (Lisboa) - Quinteto de Pedro Moreira
23.00h – Elevador de Santa Justa (Lisboa) - Mariana Norton, André Carvalho, André Santos, Daniel Vieira, Miguel Moreira
23.30h – Ondajazz (Lisboa) - João Paulo Trio
00.00h – Fábrica Braço de Prata (Lisboa) - Carlos Barretto «In Loko»
00.30h – Hot Club (Lisboa) - Tetterapadequ (João Lobo, Gonçalo Almeida, Daniele Martini, Giovanni Di Domenico)

Domingo, 14 de Setembro

17.00h – Jardim da Estrela (Lisboa) - Quarteto DJ Ride Live Act
21.30h – Teatro Aveirense (Aveiro) – Al di Meola
22.00h – HotFive (Porto) - Alberto Índio & António Mão de Ferro

Festival de Jazz de Albufeira



Durante três noites consecutivas o Jazz vai soar em Albufeira.
O Festival que decorre no Auditório Municipal, recebe talentos nacionais e internacionais, bem como novos valores.
Um programa vasto em que o Jazz vai interagir generosamente com os mais variados estilos musicais, desde o estilo latino-americano, passando pelo pop-rock. Espectáculos com entrada gratuita garantem noites quentes em casa cheia.

Programa:

11 de Setembro (Quinta-feira)
Martirio

12 de Setembro (Sexta-feira)
Transa Atlântica

13 de Setembro (Sábado)
The Bad Plus

O Regresso do Seixal Jazz


O Festival Internacional Seixal Jazz está de volta ao palco do Fórum Cultural do Seixal e aos Antigos Refeitórios da Mundet. O festival abre as portas, a partir do dia 17 de Outubro, com o Seixal Jazz Clube, um espaço de animação e convívio com actuações de músicos nacionais e estrangeiros, exposições e um serviço de bar. O cartaz principal, que decorre no Auditório do Fórum Cultural do Seixal, tem inicio no dia 29 de Outubro e prolonga-se até ao dia 1 de Novembro, com 2 actuações por dia.

Além dos concertos, estão previstas Exposições, a Feira do Disco e do Jazz, Workshops e o Jazz Vai à Escola, um projecto pedagógico de divulgação do jazz com uma componente prática e de experimentação.

O Seixal Jazz, já considerado um dos melhores festivais internacionais, trouxe aos palcos do Seixal nomes como Laurent Filipe, Tim Hagans, Billy Kilson, Steve Coleman, Benny Golson, Kenny Garrett, Joe Lovano, Ravi Coltrane, Chico Freeman, Chick Corea, Dave Holland, Dave Douglas e Brad Mehldau, entre muitos outros.

O programa anunciado é o seguinte:

Concertos no Auditório Municipal do Forum Cultural do Seixal
Bilhete: 15€

29 de Outubro - quarta-feira
21.30 e 23.30 horas
Dave Holland Quintet
Chris Potter (saxofone tenor e soprano)
Robin Eubanks (trombone)
Steve Nelson (vibrafone)
Dave Holland (contrabaixo)
Nate Smith (bateria)

30 de Outubro - quinta-feira
21.30 e 23.30 horas
Cindy Blackman Quartet
J. D. Allen (saxofone tenor)
Carlton Holmes (piano e Fender Rhodes)
George Mitchell (contrabaixo)
Cindy Blackman (bateria)

31 de Outubro - sexta-feira
21.30 e 23.30 horas
The Leaders
Bobby Watson (saxofone alto)
Chico Freeman (saxofones tenor e soprano)
Ray Anderson (trombone)
Fred Harris (piano)
Buster Williams (contrabaixo)
Michael Baker (bateria)

1 de Novembro – sábado
21.30 e 23.30 horas
Guy Barker Jazz Orchestra
Guy Barker (trompete, direcção)
Nathan Gray (trompete)
Tom Rees Roberts (trompete e fliscorne)
Byron Wallen (trompete e fliscorne)
Barnaby Dickison (trombone)
Alistair White (trombone)
Mark Frost (trombone baixo)
Rosario Giuliani (saxofones alto e soprano)
Graeme Blevins (saxofone tenor, clarinete, flauta)
Per “Texas” Johansson (saxofone tenor, clarinete contrabaixo, flauta, clarinete)
Phil Todd (saxofone barítono, tubax, flautas, piccolo)
Jim Watson (piano, Fender Rhodes, orgão Hammond B3)
Phil Donkin (contrabaixo)
Ralph Salmins (bateria, percussão)

Concertos no Seixal Jazz Club
Entrada Livre

17 e 18 de Outubro - sexta-feira e sábado
23 e 24 horas
Marta Hugon Quarteto + convidado
Marta Hugon (voz)
Filipe Melo (piano)
Bernardo Moreira (contrabaixo)
André Sousa Machado (bateria)

23 de Outubro - quinta-feira
23 e 24 horas
Escola Moderna de Jazz do Seixal

24 e 25 de Outubro - sexta-feira e sábado
23 e 24 horas
RIDD Quartet
Jeff Davis (bateria)
Kris Davis (piano)
Jon Irabagon (saxofones)
Reuben Radding (contrabaixo)

29 de Outubro - quarta-feira
23 e 24 horas
The Electrics
Sture Ericson (saxofone tenor)
Axel Dörner (trompete)
Ingebrigt Håker Flaten (contrabaixo)
Raymond Strid (bateria)

30 de Outubro - quinta-feira
23 e 24 horas
BRP (Inglaterra)
Pedro Velasco (guitarra)
Rob Pennel (bateria)
Ben Bastin (contrabaixo)

31 de Outubro e 1 de Novembro - sexta-feira e sábado
23 e 24 horas
The Fringe
George Garzone (saxophone)
John Lockwood (contrabaixo)
Bob Gulloti (bateria)