domingo, 7 de setembro de 2008

Sangam no Museu do Oriente



SANGAM
CHARLES LLOYD COM ZAKIR HUSSEIN E ERIC HARLAND

6 de Setembro de 2008, 21.30h
Auditório do Museu do Oriente, Lisboa
Co-produção: Fundação Oriente/Sons em Trânsito
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Foi um espectáculo invulgar aquele que tive o privilégio de assistir ontem à noite no auditório do Museu do Oriente. Desde logo porque não é todos os dias que podemos presenciar em palco uma lenda viva como é Charles Lloyd, para mais acompanhado por um dos mais extraordinários músicos da sua geração, o baterista Eric Harland, e pelo musicólogo e virtuoso da tabla, o indiano Zakir Hussein. Mas também porque não é vulgar conjugar o virtuosismo do saxofone da Lloyd com apenas dois instrumentos de percussão, a bateria e a exótica tabla, um instrumento fantástico que consegue, de forma absolutamente única, assumir papéis rítmicos e melódicos na apresentação.
Sangam é um projecto marcadamente pessoal destes grandiosos músicos. Intimista e experimental, transpõe para o palco a essência da colaboração musical, da troca de experiências e de culturas, entre os três músicos envolvidos. Refunda o oriente e o ocidente musicais e mostra-nos um Charles Lloyd que, aos 70 anos de idade, surge não só no pleno das suas enormes capacidades interpretativas, mas também sedento de novas experiências, capaz de mergulhar com pertinência e perspicácia na cultura musical indiana e conjugá-la com a sua ampla bagagem musical adquirida pela vasta experiência de vida e invejável carreira.
Mas não se pense que é um projecto de Lloyd. Longe disso. Cada um dos intervenientes mostrou-se igualmente envolvido e protagonista deste projecto, como o demonstra a facilidade com que se revezaram nos instrumentos e papéis, por vezes roçando quase o insólito (na verdade, não estava a espera de ouvir Eric Harland a cantar e tocar piano, e ainda menos de ver Charles Lloyd sentar-se na bateria e ocupar o lugar de Harland…).
Aqui não há modas, não há world music ou world jazz… há apenas música! E três homens, exímios intérpretes e criadores, a experimentarem sons e instrumentos, pelo puro prazer de criar, de sentir a música, de a fazer confluir, de origens distantes e diversas, num único projecto multicultural unido pela paixão que todos manifestamente demonstram por ela. E levando-nos consigo nessa extraordinária viagem.
Lloyd alternou entre o piano, o saxofone, o clarinete, a flauta e até a bateria, sem esquecer a voz (num dos temas surgiu declamando poesia ao piano, sobre um fundo de misticismo indiano protagonizado pelas vozes de Hussein e Harland e a tabla do indiano). Harland deslumbrou na bateria, demonstrando um entendimento extraordinário com as tablas de Hussein, num constante desafio ao ouvinte, com momentos sublimes, e surpreendeu mostrando-se loquaz no piano (que aborda como um instrumento de percussão – que é! – incutindo pulsações e cadências contagiantes que serviram na perfeição o misticismo da apresentação). Quanto a Hussein demonstrou um talento invulgar no seu instrumento e uma voz notável, responsável por uma boa parte da magia deste concerto inesquecível.
A culminar a noite, já num segundo encore exigido pelo público entusiástico, Charles Lloyd brindou-nos com uma interpretação a solo de Rabo de Nube, do cubano Sílvio Rodriguez, plena de entrega e virtuosismo.
Um espectáculo deslumbrante e memorável.
Na tentativa de vos transmitir um pouco desta experiência única, deixo-vos dois vídeos de apresentação do projecto Sangam que encontrei no Youtube, pela voz do mestre Charles Lloyd.


Avanti! Jazz e Revolução



Giovanni Mirabassi
Avanti!
Stretch Records 2000

Pegar num repertório constituído exclusivamente por hinos e canções revolucionárias e trabalhá-las sozinho ao piano, numa abordagem criativa e improvisada, parece, à primeira vista, uma missão quase impossível. Não pela falta de valia musical do material mas antes pela forte carga ideológica do mesmo, que impede quase em absoluto que o ouvinte (e o próprio intérprete) se abstraia do seu contexto histórico e político e se entregue, em exclusivo, aos seus atributos musicais.
No entanto foi esse o desígnio assumido pelo pianista italiano Giovanni Mirabassi no álbum Avanti! editado em 2000 pela Stretch Records. Temas emblemáticos da guerra de Espanha, da guerra de secessão norte-americana, da revolução cubana ou da revolução russa cruzam-se numa abordagem que, longe de incitar à luta de classes, apela antes à vida e à liberdade, com uma sensibilidade que lhes incute algo de novo, embora respeitando a sua identidade e historicidade.
Mirabassi é um auto-didacta, nascido em Perugia em 1970 mas radicado em França desde 1992. Sem formação académica, aprendeu piano a ouvir discos de Bud Powell, Art Tatum e Oscar Peterson, mas a sua principal influência provém, sem dúvida, do seu compatriota Enrico Pieranunzi. É em França, no entanto, que edita o seu primeiro disco em 1996, Dyade - En bonne et due forme, com Pierre-Stéphane Michel no contrabaixo e Flávio Boltro no trompete, ano em que recebe igualmente o prémio de melhor solista no Concurso Internacional de Jazz de Avinhão, presidido por Daniel Humair.
Avanti! é o seu primeiro projecto a solo, algo que, intimamente, amadurecia há vários anos aguardando uma oportunidade de concretização. Valeu-lhe o Django de Ouro, para o melhor jovem talento e a Victoires du Jazz em 2002. E mereceu-lhe igualmente a consagração entre o público e a crítica, que enaltece a forma ousada como este jovem pianista aborda um repertório constituído por canções revolucionárias e patrióticas, de resistência e luta, de forma criativa, com um típico lirismo italiano, mas profundamente respeitador da melodia e do seu significado histórico.
Segundo o pianista foi o fascínio pelo imaginário colectivo e pela capacidade destas músicas se integrarem na memória de cada um de nós, que o atraiu para o projecto. Cada canção é uma história, um grito, uma emoção intensa que Mirabassi reescreve de modo maduro e refinado, por vezes mesmo surpreendente. O seu improviso incute sangue novo aos ideais protagonizados por estes temas porquanto deixa cantar a melodia, permite-lhe florescer e libertar o seu significado mais profundo, mais humano.
Uma obra maior e obrigatória, que consagrou definitivamente este excelente pianista italiano entre os músicos mais influentes da sua geração, no jazz europeu.
A ilustrar este belo trabalho deixo dois vídeos: o primeiro com o tema El Paso del Ebro, canção popular republicana da Guerra Civil de Espanha (também conhecida por Ay, Carmela!) evocativa da batalha do Ebro, a maior daquele confronto, que teve lugar no vale do Ebro, nas províncias de Tarragona e Saragoça, entre os meses de Julho e Setembro de 1938, acompanhado de fotos do exército republicano na Guerra Civil de Espanha; o segundo é um tema popular russo denominado Plaine, Oh Ma Plaine (POLYUSHKA POLYE), tema emblemático da revolução russa e popularizado pelo Coro do Exército Vermelho, o qual aparece acompanhado de fotos dos Gulags de Stalin, numa evocação das vítimas do totalitarismo estalinista.
Junto também dois videos de uma apresentação de Giovanni Mirabassi ao vivo, com os temas "El Pueblo Unido Jamas Sera Vencido" (da autoria de Sergio Ortega e que constitui um símbolo da luta chilena contra a ditadura de Pinochet) e "Le Chant Des Partisans" (da autoria de Anna Marly, hino não-oficial francês e símbolo da França livre, durante a ocupação alemã na 2ª guerra mundial), também incluídos no álbum Avanti!.







quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Cabo Verde, por Bernardo Sassetti



Nascido em Lisboa, em 1970, Bernardo Sassetti iniciou os estudos de piano clássico aos nove anos de idade, com a professora Maria Fernanda Costa e, mais tarde, com o professor António Menéres Barbosa, tendo frequentado também a Academia dos Amadores de Música. Dedicou-se ao Jazz, estudando com Zé Eduardo, Horace Parlan e Sir Roland Hanna. Em 1987 começa a sua carreira profissional, em concertos e clubes locais, com o quarteto de Carlos Martins e o Moreiras Jazztet; participa em inúmeros festivais com músicos tais como Al Grey, John Stubblefield, Frank Lacy e Andy Sheppard. Desde então, nos primeiros 15 anos de carreira, apresenta-se por todo o mundo ao lado de Art Farmer, Kenny Wheeler, Freddie Hubbard, Paquito D´Rivera, Benny Golson, Curtis Fuller, Eddie Henderson, Charles McPherson, Steve Nelson, integrado na United Nations Orchestra e no quinteto de Guy Barker com o qual gravou o CD "Into the blue" (Verve), nomeado para os Mercury Awards 95- Ten albuns of the year. Em Novembro de 1997, também com Guy Barker, gravou "What Love is", acompanhado pela London Philarmonic Orchestra e tendo como convidado especial o cantor Sting. O seu primeiro trabalho discográfico como líder, Salsetti (Groove/Movieplay), foi gravado em Abril de 1994 com a participação de Paquito D’Rivera.
Dedica-se regularmente à música para cinema, tendo realizado vários trabalhos nos quatro últimos anos, de entre os quais se destaca a sua participação no filme do realizador Anthony Minguella - "The Talented Mr. Ripley" (Paramount/Miramax). Para este projecto gravou "My Funny Valentine" com o actor Matt Damon, entre outros temas. Compôs igualmente, em parceria com o trompetista Guy Barker, uma série de temas para serem apresentados na Premiére deste filme realizada em Los Angeles, Nova Iorque, Chicago, Berlim, Paris, Londres e Roma.
Como concertista, no tempo presente, apresenta-se em piano solo, em trio com Carlos Barretto e Alexandre Frazão ou em duo com o pianista Mário Laginha, com quem gravou os CD's "Mário Laginha/Bernardo Sassetti" e "Grândolas" (uma homenagem a Zeca Afonso e aos 30 anos do 25 de Abril).
Bernardo Sassetti, bisneto do quarto presidente da república portuguesa, Sidónio Pais (o presidente-rei, assassinado na estação do Rossio, em Lisboa, em 14 de Dezembro de 1918), é hoje, indiscutivelmente, um dos mais talentosos pianistas nacionais, compondo e improvisando solidamente ancorado nos vastos conhecimentos que possui de piano clássico. Sassetti é o mestre dos silêncios. Para si a música nasce do silêncio, o vazio como princípio de qualquer representação artística. Pioneiro também da multidisciplinaridade no jazz nacional (ou não fosse Bernardo Sassetti um amante inveterado da fotografia), surpreendeu o seu público e a crítica com o trabalho Unreal: Sidewalk Cartoon, que envolveu mais de oitenta pessoas nos processos de criação e edição de um CD, um livro, um filme e um espectáculo, de cuja apresentação no São Luiz, em Dezembro de 2006, dei nota nas presentes páginas.
Razões mais do que suficientes para vos deixar com um vídeo, elaborado a partir do tema Petit Pays, escrito por Nando da Cruz e com fotos de Cabo Verde, da autoria de Louk Numan, gravado por Sassetti, a solo, para o seu disco Livre (CleanFeed, 2004). O silêncio de Sassetti aplicado à nostalgia de Cabo Verde. A meu ver um cruzamento genial.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Ondajazz está encerrado...



"Carta Aberta

Devemos uma explicação a todos os que nos apoiaram até hoje, a todos os que acreditam em nós e queremos denunciar a injustiça de que estamos a ser vítimas...

Os estabelecimentos de Restauração e Bebidas em Lisboa só podem funcionar, segundo a lei, com uma Licença de Utilização emitida pela Câmara Municipal de Lisboa.
Todos os estabelecimentos fazem esse pedido. E todos ficam a espera “ad eternae”...
A Câmara Municipal de Lisboa sabe.
Por isso, também fecha os olhos quando os estabelecimentos estão em funcionamento apenas com o pedido de licenciamento...

Ondajazz fez o seu em Agosto de 2004. Hoje, continua a espera...
Há UMA ÚNICA pessoa que, vivendo na proximidade do Ondajazz e por razões que desconhecemos, resolveu fazer guerra contra tudo e todos que estão a sua volta.
Passámos a ser alvo do seu ódio sem nunca percebermos a razão. Resolveu multiplicar as queixas contra nós até chegar à Provedoria da Justiça que fez toda a pressão junto dos organismos competentes para fechar o nosso estabelecimento. Por causa das queixas... De UMA pessoa. Mas o que nos obriga a fechar, é a falta de Licença de Utilização!

De salientar que, pelo facto de não termos Licença, também não temos o direito de provar que as queixas não têm fundamento.
Consideramos o sistema responsável de um crime contra um espaço que vive no centro de Lisboa e que deu, até hoje, mais de 750 concertos.
Contamos com a extrema simpatia de todos os que vivem e trabalham junto do Ondajazz e que já testemunharam que o nosso espaço não incomoda ninguém. Contamos também com os esforços da Câmara Municipal de Lisboa para acelerar o mais possível o processo para remediar uma situação causada por ela.
Tentaremos provar junto da Provedoria da Justiça que a queixa não tem fundamento.
O Ondajazz abriu, acreditando na partilha das emoções, das diferenças e da criatividade.
A administração fechou o Ondajazz com indiferença e inactividade.

O Ondajazz tem sido um espaço com uma programação musical de qualidade, tendo-se tornado uma referência incontornável do Jazz e da Música do Mundo da nossa cidade, sempre com um excelente ambiente criado pelas pessoas que aqui vêm, pela música, pela onda que passa...

Pedimos a todos os que apoiam o nosso projecto, a todos os que acreditam em nós e que entendem que um espaço como o Ondajazz faz falta à Cidade de Lisboa, que nos enviem um email onde, à sua maneira, dêem o seu testemunho, de forma a juntar a um manifesto que queremos entregar a todos os organismos susceptíveis de intervir por nós.

Agradecemos a todos o apoio que nos têm dado nestes dias difíceis."



Quero aqui deixar o meu apoio ao Ondajazz, neste momento dificil da sua existência (que estou em crer se prolongará ainda por muitos anos).
Na verdade, não estivesse eu habituado a viver com as incoerências da nossa administração pública, e não hesitaria em classificar de surrealista a situação que, aparentemente, este clube referencial lisboeta está presentemente a viver.
Num bairro como Alfama, destinado por definição ao Turismo e a funcionar como mostruário da noite e cultura lisboetas, esperar quatro anos por uma licença de utilização é manifestamente inadmissível (já o seria em qualquer outro espaço, mas em Alfama a demora torna-se por demais gritante).
Durante estes anos de funcionamento do Ondajazz visitei-o apenas uma mão cheia de ocasiões, ainda assim as suficientes para me aperceber da seriedade e mais-valia do projecto. Um espaço exemplar, onde com simpatia e profissionalismo se serve a música, aqueles que dela vivem ou gostam e os muitos visitantes que, atraídos pela magia do mais típico bairro lisboeta, se surpreendem pelo bom gosto desse espaço, que une o tradicional ao vanguardista, o típico ao experimental.
Sempre constatei o civismo e a urbanidade dos que nele trabalham e o frequentam, pautando-se como um espaço exemplar de convívio para os muitos para quem a música é um modo de vida.
Sentir-se incomodado pela presença do Ondajazz em Alfama, convivendo paredes meias com casas de fado (muitas delas com espectáculos quase diários nas esplanadas, sem qualquer controle acústico), bares e tabernas, santos populares e despedidas de solteiro, só pode constituir uma manifestação inequívoca de má fé. Ou então da defesa de inconfessáveis interesses.
Da parte que me toca, deixo aqui o meu apoio inequívoco para os efeitos que julgarem pertinentes, apelando aos muitos outros como eu, que o exprimam de igual forma.

Deixo o contacto para o efeito:


corinne@ondajazz.com

Um Abraço solidário

Ricardo Ramalho

Agenda Braço de Prata



4ª feira, 3 de Setembro

22.30h - Sala Nietzsche - Pocket Trio - Massimo Cavalli e convidados

5ª feira, 4 de Setembro

22.00h - Sala Prado Coelho - Velez - Bossa Nova
Velez é uma banda de músicas originais dentro das novas tendências estéticas da Bossa Nova. Formada em Lisboa, conta já com dois CDs editados e distribuídos por vários países Europeus e Asiáticos.

O grupo apresenta-se com 6 elementos em palco, ritmo e sensibilidade, resultando num som “cool” e “swingado” fazendo a combinação perfeita com a voz aveludada da cantora.

Teresa Velez - Voz
Michele – Piano
Markus Britto – Baixo
Henry de Sousa – Bateria
João Cabeleira – Guitarra
Ruca Rebordão – Percussão

23.00h - Sala Nietzsche - Aurora – música inspirada no filme Aurora de F.W.Murnau
Bruno Margalho (sax alto)
Óscar Graça (piano)
Nuno Costa (guitarra)
Pedro Viana (bateria)

6ª feira, 5 de Setembro

22.30h - Sala Prado Coelho - Múcio Sá (guitarra) e Alexandre Barriga (percussão)

22.30h - Sala Nietzsche - Júlio Resende e convidados - Jazz

00.00h - Sala Nietzsche - Soaked Lamb
Mariana Lima (voz)
Ukelele (guitarras, harmónica)
Afonso Cruz (banjo)
Gito (contrabaixo)
Vasco Condessa (piano e orgão)
Tiago Albuquerque (Sax alto, clarinete, guitarra)
Miguel Lima (percussão)

00.00h - Sala Prado Coelho - Free Fucking Notes
Marta Plantier apresenta um espectáculo em que o livre pensamento e a vertigem da expressão plástica dão mote para a deriva da voz e do piano. Marta Plantier (voz) e Luis Barrigas (piano)

Sábado, 6 de Setembro

22.00h - Sala Prado Coelho - Dizcantus
Com influências vindas do Jazz e do Clássico, apresentam um espectáculo cujas composições e improvisos dão ao público a possibilidade de "num imaginário sonoro" viajar nos locais onde a língua portuguesa e as vivências de um povo se partilham com outras gentes.

Carlos Sanches(guitarras acústicas e portuguesa)
Leopoldo Gouveia (Guitarra clássica)
Joaquim Correia (Baixo acústico)
Manu Teixeira Percursões.

23.00h - Sala Visconti - Marco Alonso
Marco Alonso é um guitarrista de flamenco moderno, que editou, compôs e produziu o seu primeiro trabalho discográfico, intitulado por”tu aroma, tu sabor”.Um trabalho recheado de virtuosismo, excelentes composições e um toque jazzístico.
Marco Alonso é um criador que procura mostrar ao público, um flamenco mais audível, mais melódico e mais contemporâneo, sem retirar os princípios básicos da tradição Andaluza.
As suas actuações ao vivo contam com a participação do seu grupo (baixo eléctrico, percussão,2ª guitarra, alaúde e harmónica).
Toda esta elegância musical e técnica, só foram possíveis graças ao grandes mestres com quem estudou: Nilton Esteves, Fernando Neves, Jorge Chaínho, o grande Maesto de la guitarra flamenca Manolo Sanlúcar, José António Rodriguez, Paco Serrano e Manolo Franco.

23.30h - Sala Nietzsche - Nicole Eitner

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Pura Mistura



Fundado em 2000, o grupo Pura Mistura tem vindo a criar música nem sempre fácil de catalogar. Apesar da origem de uma grande parte dos instrumentos e ritmos remeterem para África, a estrutura dos temas, as relações entre os instrumentos e a forma, por vezes pouco ortodoxa de os tocar, têm muitos outros sabores. As polirritmias são utilizadas como ferramenta de construção melódica e a improvisação é um forte ingrediente.

Parte das peças tocadas são baseadas em ritmos tradicionais africanos que ao longo do tempo foram sendo adaptados. Esses temas, que na sua base utilizam congas e djembés, são enriquecidos pelo uso de instrumentos como o dondon (talking drum), as dundumbas (conjunto de três tambores africanos), o balafon (xilofone da África ocidental) e pequenos instrumentos de percussão como chocas, triângulo, agogô, shakers, etc. Outras peças surgem da experimentação e do trabalho de composição e nelas se encontram influências de várias origens. Por vezes em quarteto com Armando Pereira (Guiné-Bissau, congas) o grupo actua também em trio como neste concerto.

Todos os temas e arranjos são da autoria do grupo, constituído por Pedro Castello Lopes na percussão e flautas, Vítor Martins e Jorge Mendonça Oliveira na percussão.

Dia 7 de Setembro, às 22.00h, no Centro Cultural "O Século".

KASUTERA



Em busca de novas linguagens musicais, Watanabe Teppe e Miguel Leiria Pereira, criaram um duo onde através da guitarra e do contrabaixo, reúnem música e experiências relacionadas com Japão, Portugal e Brasil.

Watanabe Teppe, guitarrista e compositor, durante os seus estudos musicais, descobre a música do Brasil através da obra de Baden Powell e vem rumo a Portugal em busca das origens da cultura brasileira. Em 2006 conhece Miguel Leiria Pereira, contrabaixista, também ele interessado na procura de novas linguagens musicais. Miguel, fascinado já há alguns anos pela cultura do Japão, após o regresso da sua primeira viagem a este país no verão desse mesmo ano, encontra no trabalho de Teppe, a essência para uma fusão harmoniosa de estilos, do seu interesse.

Assim começou o duo Kasutera, que é o nome dado no Japão ao Pão-de-ló, que os portugueses para lá levaram no século XVI e que passou a fazer parte da gastronomia nipónica, sendo a origem desta palavra, Castella.

Em Julho de 2008, o duo Kasutera passou a trio com a entrada do percussionista Jean-Michel Micallef, que vindo de França, veio enriquecer ainda mais a troca de afinidades musicais e culturais que já caracterizavam este projecto.

O repertório do agora trio, Kasutera, tem como ponto de partida as composições do próprio Teppe, passando por Carlos Paredes, Baden Powell, canções do Japão e mais...

Quinta-feira, 4 de Setembro, às 22.00h, no Centro Cultural o Século.

Instantâneos



Os Instantâneos formam um grupo que desenvolve sons que vão da improvisação livre ao groove, dando origem à designação de groovimpro que alia as percursões ao mundo da improvisação livre, criando uma música deveras entusiasmante e original.
O grupo é formado por António Chaparreiro, na guitarra eléctrica, Jorge Serigado, no baixo e samplers, Eduardo Lála, no trombone, Rui Alves, na bateria, Miguel Sá, no laptop e Pedro Castello Lopes, nas percussões.
Vão estar este Sábado, 6 de Setembro, pelas 22.00h, no Centro Cultural "O Século", em Lisboa, numa iniciativa da CriaActividade com apoios do Centro das Artes e do Centro Cultural "O Século".

Pasodoble



Lars Danielsson & Leszek Mozdzer
Pasodoble
ACT, 2007

Pasodoble é um album em duo, envolvendo o contrabaixista sueco Lars Danielsson e o pianista polaco Leszek Mozdzer, sob a chancela da editora alemã ACT Music.
O duo conheceu-se há quatro anos, num concerto em Varsóvia, e desde logo encontrou uma total sintonia, em termos musicais, que deixou antever ampla colaboração. Depois de dois discos editados na Polónia (“The Time” e “Between Us and the Light”, ambos com a participação do percussionista israelita Zohar Fresco) e da participação de Mozdzer na digressão de promoção do disco Mélange Bleu (ACT, 2006) do sueco, um projecto em duo impunha-se de forma a melhor corporizar essa simbiose artística, entretanto desenvolvida.
O resultado é Pasodoble, uma extraordinário trabalho, gravado em Gotemburgo, entre Dezembro de 2006 e Janeiro de 2007, produzido pelos dois músicos (com produção executiva de Siegfried Loch) e em que Danielsson explora as suas enormes capacidades interpretativas no contrabaixo e violoncelo e Mozdzer se entrega ao piano, celesta e harmónio.
O repertório é integralmente composto por originais do duo, à excepção de um tema popular sueco (Eja Mitt Hjärta), rearranjado por Danielsson.
Nascido em 1958 Lars Danielsson estudou violoncelo no Conservatório de Gotemburgo, mas o seu maior interesse musical virava-se então para o rock: Jimmy Hendrix, Cream ou Carlos Santana. Foi um programa de televisão com Óscar Peterson e Nils-Henning Ørsted Pedersen que o despertou para o jazz e o contrabaixo, que não mais deixaria desde então. O seu quarteto, já com 18 anos de existência, inclui David Liebman, saxofonista que integrou a equipa de Miles Davis, o pianista Bobo Stenson e o lendário baterista Jon Christensen. Nos 10 discos já editados participaram ainda convidados como Alex Acuña e John Abercrombie. Como sideman trabalhou com músicos tão importantes como os irmãos Brecker, John Scofield, Jack deJohnette, Charles Lloyd ou Billy Hart entre muitos outros.
O seu trabalho estende-se às áreas da composição, arranjo e produção, sendo colaborador habitual da Denmark’s Radio Concert Orchestra e ainda do JazzBaltica Ensemble.


Leszek Mozdzer é um pianista prodigioso apontado como a maior revelação do jazz polaco na última década. Iniciou a sua formação aos cinco anos de idade, formando-se em 1996 pela Academia Musical de Gdańsk. De formação clássica interessou-se apenas tardiamente pelo jazz, aos 18 anos de idade, através do clarinetista Emil Kowalski. Um ano depois recebeu o seu primeiro prémio individual numa competição internacional de jazz: o Jazz Juniors '92 que teve lugar na cidade de Cracóvia. De então para cá recebeu o prémio Krzysztof Komeda em 92, o 1º prémio no Concurso de Improvisação de Katowice em 1994, o prémio Mateusz Święcicki atribuído por uma estação de rádio nacional polaca, foi designado músico polaco do ano pela sociedade Łódź Music Lovers’ em 1997, recebeu o prémio Fryderyk em 1998, uma vez mais consagrado músico do ano na Polónia, o prémio de excelência artística atribuído pelo Município de Gdańsk e o grande prémio da Fundação da Cultura Polaca, atribuído em 2006. Entretanto foi eleito, durante 7 anos consecutivos, como melhor pianista polaco pelos leitores do Jazz Fórum polaco.
Mozdzer foi líder da mais popular banda da Polónia, o grupo Miłość. Foi também membro do Zbigniew Namysłowski Quartet. Ganharam fama as suas improvisações sobre temas de Chopin. Na área da música para o cinema colabora regularmente com Zbigniew Preisner (o compositor dos filmes de Krysztof Kieslowski) e Jan Kaczmarek (este último estabelecido em Los Angeles, onde compõe para a 20th Century Fox e Miramax, já galardoado com um Óscar pelo filme Finding Neverland). Compôs e arranjou também para o teatro, na Polónia e na Alemanha. Compôs uma ópera (adaptada do Sonho de Uma Noite de Verão de Shakespeare) que estreou em Gdynia em 2001. As suas colaborações incluem os mais importantes músicos polacos de jazz, como Tomasz Stańko, Janusz Muniak, Michał Urbaniak e Piotr Wojtasik e ainda alguns internacionais como Arthur Blythe, Buster Williams, Billy Harper, Joe Lovano, Pat Metheny e Archie Shepp.
Apesar da sua juventude (nasceu em 1971) já gravou mais de 60 álbuns, oito deles como líder.
Pasodoble é um disco lindíssimo onde os universos do jazz e da música clássica se cruzam com rara pertinência sob o enorme virtuosismo dos dois músicos envolvidos. Temas exuberantes como Pasodoble alternam com a sensibilidade e profundidade de outros como Reminder, onde a nostalgia de um concerto para piano e orquestra de Mozart vem à lembrança. A enorme versatilidade dos dois músicos ganha corpo em 14 temas (oito assinados por Danielsson, cinco por Mozdzer e um tradicional) soberbamente desenvolvidos ao longo de quase uma hora de puro deleite, que promete continuidade num futuro próximo.
Uma obra fantástica e amplamente recomendada.
A ilustrar este magnífico trabalho deixo-vos dois vídeos: Pasodoble com fotos de Soulis, extraídas do trabalho Colors of Impressionism e Praying com fotos de Galina Stepanova incluídas no trabalho MEXICO AND BELIZE. Walking along the streets.


segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Abdul Moimême a solo no "Século"



Já na próxima 4ª feira, 3 de Setembro, vai ter lugar no Centro Cultural "O Século, em Lisboa, pelas 22.00h e com entrada gratuita, uma apresentação a solo do guitarrista e saxofonista Abdul Moimême, numa iniciativa da Associação Cultural CriaActividade, do Centro das Artes e do Centro Cultural "O Século".
Abdul Moimême inicia a sua formação musical em Madrid, no início da década de 70, com classes particulares de guitarra na área do Flamenco, do Rock e dos Blues. No início da década de 90 adopta o saxofone tenor como segundo instrumento, sob a orientação do saxofonista norte-americano Patrick Brennan.
Começa a participar activamente na cena da música improvisada portuguesa no início da presente década, fazendo ainda parte da banda de rock alternativo “Hipnótica” (2003-2007). Desde 2003 é membro da orquestra de improvisação “Variable Geometry Orchestra”, dirigida pelo violinista Ernesto Rodrigues. Participa em diversas outras formações como os “The Crack”, “Potlatch”, “Kronsdadt”, “Missing Dog Head”, “F.R.I.C.S.”, sendo ainda co-fundador dos “The Night Of The Purpel Moon”. Tocou em publico com músicos como Rodrigo Amado, Carlos Zíngaro, Steve Adams, Jon Raskin, Gail Brand, Ken Filiano, George Haslam e Floros Floridis.